08/03/2009
Thiago Varella
Do UOL Notícias
Em São Paulo
A violência contra mulheres e meninas já
se tornou uma pandemia, de acordo com a ONU (Organizações
das Nações Unidas), pelo menos uma em cada três
mulheres no mundo já foi agredida, forçada a ter relações
sexuais ou abusada.
O problema é tão crônico que mesmo em países
desenvolvidos da violência contra a mulher é ainda latente.
"Não existe país onde não haja algum tipo
de violência contra a mulher", afirma a professora da USP
e ex-senadora Eva Blay.
Com o propósito de erradicar este tipo de violação,
a ONU definiu como tema deste 8 de março, "Mulheres e homens
unidos para acabar com a violência contra mulheres e meninas".
Para a pesquisa Wânia Pasinato, do Núcleo de Estudos da
Violência da USP, admitir que o problema é de responsabilidade
dos dois sexos já é um avanço. "Não
é um problema das mulheres. Os homens devem estar envolvidos
não só na luta, mas sensibilizados para se reconhecer
como parte dessa relação", explica.
Diferentemente de outros tipos de crime, o maior perigo para as mulheres
está dentro de casa. Muitas vezes, ao seu lado, na cama. Segundo
dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), 70%
das vítimas de assassinato do sexo feminino foram mortas pelos
seus maridos ou parceiros.
"O problema é que o homem ainda
pensa que a mulher é um objeto, é propriedade privada.
É necessário que o parceiro reconheça essa possessividade
para se livrar dela", diz Eva.
Wânia Pasinato segue a mesma linha de pensamento.
Segundo a professora, já há grupos de homens que se reúnem,
em algumas ONGs para "trabalhar a questão da mascunilidade"
no Brasil. No país, de acordo com a OMS, uma mulher é
agredida a cada 15 segundos, um dos índices mais altos do mundo.
A responsabilidade sobre a violência contra as
mulheres também é do governo, que necessita criar políticas
públicas para coibir ataques e punir agressores, segundo as pesquisadoras.
Apenas em 1993 a Comissão de Direitos Humanos da ONU incluiu
um capitulo de denúncia para coibir este tipo de violência.
No Brasil, em 2006, a Lei de Violência Doméstica e Familiar
contra a Mulher - conhecida como Lei Maria da Penha - foi promulgada
e aumentou o rigor das punições das agressões contra
a mulher quando ocorridas no âmbito doméstico ou familiar.
Mesmo assim, as mudanças ainda são muito pequenas e não
impedem que o Brasil seja considerado, pela Sociedade Mundial de Vitimologia,
o país que mais sofre com a violência doméstica.
"As mudanças ainda estão no plano do discurso. Na
prática ainda não podemos aferir o que mudou de fato",
afirma Wânia.
Mesmo assim, é papel de cada um vigiar e denúnciar a violência
contra a mulher para conseguir sua erradicação. "A
solução passa pela denúncia e a vigilância.
É necessário coragem", explica Eva.
Fonte: UOL
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