22/11/2008
por Juliana Rocha Barroso
Substância que afeta a velocidade de uma reação,
mas emerge do processo inalterada. Essa é a definição
da palavra catalisador encontrada na Wikipedia e usada pela inglesa
Theresa Williamson para explicar o nome da ComCat, organização
não-governamental sem fins lucrativos que fundou em 2000, e da
qual é diretora executiva. Comunidades Catalisadoras, define
Theresa, são aquelas que, por meio de uma experiência bem-sucedida
de ação social ou ambiental, servem como modelo para despertar
e agilizar mudanças sociais.
A ComCat gerencia um espaço virtual para troca
de experiências, documentação e soluções
locais. Gestores comunitários dispõem do Banco de Soluções
Comunitárias (BSC), onde são publicados os projetos. Hoje,
a ComCat abriga 175 projetos de 18 países. Desses, 80% são
brasileiros — a maioria do Rio de Janeiro, onde estão 1.250
gestores de mais de 200 comunidades. O site, que tem entre 20 e 25 mil
acessos mensais, é mantido por financiadores dos Estados Unidos.
A ComCat conta com voluntários para divulgação
e tradução, uma equipe fixa para o site, além de
mais de cem colaboradores. Os projetos são avaliados pela equipe,
depois traduzidos para o inglês e para o espanhol. Até
fevereiro deste ano, existia a Casa do Gestor Catalisador, aberta em
2003. “Decidimos fechar a casa e concentrar nossos recursos na
versão 2.0 do site”, conta a filósofa carioca Roseli
Franco, diretora de Redes da ComCat. Na nova versão não
haverá mais moderação, os gestores vão postar
seus projetos diretamente. “Para isso, estamos pesquisando ferramentas
de última geração que possam ser utilizadas em
um antigo PC de uma aldeia distante”, diz Roseli.
Em Linux
O novo Banco, que vai operar em código aberto,
está sendo desenvolvido pelo programador Michael Maranda, ativista
de movimentos comunitários em Chicago (EUA) e conhecido pelo
uso de tecnologia de última geração em favor do
desenvolvimento.
“Além de estarmos comprometidos em contribuir
com a comunidade de fonte aberta, migramos para Linux porque precisamos
de escala e planejamos expandir a oferta de idiomas”, revela Maranda.
Segundo ele, a intenção é que as pessoas contribuam:
“Abrimos mão da hierarquia do processo didático
para que todos se tornem alunos e professores em uma sociedade do aprendizado”.
A paulista Cristina Oishi GridiPapp, voluntária
da ComCat desde 2004, mora nos Estados Unidos e traduz projetos. “Vejo
pessoas passando por situações difíceis, lidando
com problemas distantes da minha realidade. Sinto que minha pequena
contribuição virtual pode ajudar”, conta.
Neuza Nascimento, diretora executiva e educadora social
do Centro Integrado de Apoio a Crianças e Adolescentes de Comunidades
(Ciacac), no Rio de Janeiro, coordena o projeto Um Olhar Sobre Outras
Coisas, que integra a rede da ComCat.
Ela lembra que, quando abriu uma conta em banco para
o Centro, a prova de que esse trabalho existia foi um folder da ComCat
com o número do meu projeto anotado atrás. “A ComCat
legitima nosso trabalho, passa credibilidade”, avalia.
*Matéria originalmente publicada na edição
nº 40, de setembro de 2008, da revista ARede (www.arede.inf.br)
Serviço:
www.comcat.org
www.catcomm.org (inglês)
www.comcatz.org (espanhol)
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