01/09/2008
Ismênia
de Jesus Azevedo, casada com Aurélio Augusto Mesquita de Azevedo,
trás à luz no dia 14/12/1884, em Portugal em localidade
de Rio Dades o espírito reencarnante que recebeu o nome de Maria
da Piedade.
Dessa data e passando pela infância, juventude, seu casamento
com Miguel Máximo, nada se conhece. Resultado desse enlace, cria-se
o casal Maria e Miguel Máximo, como seriam conhecidos até
os dias de hoje.
Profissionalmente viviam das glórias da ribalta sob os aplausos
entusiasmados do grande público amante da arte cênica.
Constituindo o Duo Max, representaram pelos palcos da Europa, criando
celebridade e forjando uma fama que os traria ao Brasil, onde, sem que
o soubessem o destino lhes reservava uma tarefa totalmente diferente.
Após anos de representação e aplausos, o buscado
pagamento dos que se dedicam a tão difícil tarefa, a mediunidade,
essa ferramenta de trabalho e ressarcimento de dívidas, para
com as leis eternas de Deus, eclode em Maria Máximo determinando
mudanças de rumos.
As cortinas descem, se fecham. As luzes da ribalta apagaram-se. Os palcos
ficaram vazios do Duo Max, tão festejado, o público não
o pode mais aplaudir. Entretanto, novo palco e novos cenários,
para um interminável público de angustiados e sofredores
surgia desafiando sua capacidade espiritual.
Maria Máximo não teve muita dificuldade em se adaptar
à arte da caridade, pois inteligente e generosa a todos acolhia
e confortava espalhando esperança e alegria, reconfortando e
estimulando a fé. Sua extraordinária lucidez doutrinária
aliava a bondade da criatura evangelizada e a energia empreendedora
própria daqueles que têm tarefa inportante a cumprir no
plano da carne.
Médium clarividente, auditiva, psicógrafa, de desdobramento,
de transfiguração, psicofonica e de excepcional capacidade
curadora, atendia diuturnamente as pessoas que a procuravam vindas de
toda a parte. Expositora inspirada, era ouvida por grande assistência
em absoluto silêncio. Pessoas das camadas sociais mais simples
até as de grande cultura e elevada posição social
e financeira, buscavam-na sequiosos de esclarecimento e consolo.
Não se limitou apenas à parte doutrinária e mediúnica,
mas como boa samaritana, sentia o grande drama da infância abandonada,
dos famintos e desamparados. Em janeiro de 1937, fundava o Centro
Espírita "Ismênia de Jesus", localizado
na Rua Pereira Barreto, n° 34, no bairro do Gonzaga, na cidade de
Santos.
Aproximadamente um ano após, muda-se a sede para a Av. Conselheiro
Nébias, n° 490. Mas já em dezembro de 1939, ampliam-se
as condições de materializar o ideal de sede própria,
pois juntamente com seus companheiros de então, inaugura sede
própria na Rua Campos Melo, n° 312 servida por um salão
para 600 pessoas e um berçário que acolhia mais de 20
crianças abandonadas.
O Centro Espírita "Ismênia de Jesus", passa a
ter sua sede própria com o apropriado nome de “Casa dos
Pobres”, até os dias de hoje marcado no cimento em sua
fachada. Isto para muitos era algo grandioso e bastava, mas, para Maria
Máximo era o início da caminhada. Os primeiros passos
tinham sido dados, mas, seu espírito empreendedor e sua solidariedade
ao sofrimento desejava mais, em 1941 inaugurava ampla cozinha e refeitório
(225 m²) que passam a distribuir alimento a mais de 150 pessoas
diariamente. Essa iniciativa persiste até os dias de hoje, sem
interrupção de um só dia desde 24/08/1941.
Três anos após, o dia 7 de setembro de 1944, a inesgotável
força empreendedora de Maria Máximo, estabelece novo marco.
Um prédio de três andares (1.200 m² de construção)
é inaugurado para dar assistência às mães
solteiras “às irmãs afastadas da sociedade”
conforme conceituação da época - criaturas marcadas
por uma época de preconceitos.
A preocupação com os sofrimentos alheios produzia em seu
espírito a vontade do trabalho, animando-a a tudo que propiciasse
um completo atendimento às crianças. A instrução
escolar não foi esquecida, em 10/04/1947 é inaugurada
a Escola Espiritualista “Ordem e Progresso”, escola de ensino
primário, novo prédio de três andares (mais de 1.300
m² de construção) no mesmo terreno, com frente para
a Av. Conselheiro Nébias, n° 425.
Animada por grande fé em Deus e idealismo cristão, Maria
Máximo realizava mas, sofria os desgastes do corpo físico,
natural e inexorável. Isto aliado à falta que produzia
o companheiro de jornada, Miguel Máximo, desencarnado em 24 de
agosto de 1940. Essa perda lhe havia produzido marcas ao sofrimento,
pois, o companheirismo era bastante acentuado entre ambos, trabalhavam
juntos profissionalmente durante anos e, assim prosseguiram na Casa
Espírita de “Ismênia de Jesus”.
Voltando a memória no tempo, cabe ressaltar dois aspectos que
lhe engrandecem os feitos e dão medida mais exata das dificuldades
vividas: Todas essas realizações, concretizaram-se no
período da Grande Guerra entre 1939 e 1945, em plena crise nacional
e internacional. Sua condição de mulher é o aspecto
que também ressalta, pois a sociedade como um todo, tinha o domínio,
mais acentuado pelos homens, sufocando o trabalho da mulher, restringindo-o
às atividades domésticas.
Agregado a esses aspectos anteriores, cumprindo a tríade básica
de dificuldades, o que todo o seu trabalho, inclusive o mediúnico,
despertava na sociedade, gerando a incompreensão, ataque e toda
a sorte de barreiras comuns aos missionários, os executores de
tarefas edificantes em nome de Deus.
Porém não a pensemos só, sem ajuda, sem companheiros
leais e denodados. Achegado a ela pelo sofrimento em família,
o processo obsessivo desenvolvido numa filha, está o grande doador
que possibilitou tais realizações materiais, em sua maior
parte, o Cel. Arlindo Ribeiro de Andrade. Portador de grandes recursos
materiais, o irmão Arlindo convocado pela sua bondade e motivado
pelos exemplos, é valioso auxiliar nas tarefas, posto que a maioria
da totalidade de seus bens patrimoniais foi objeto de sua doação.
Um trabalho de tal envergadura, atendendo às finalidades descritas
por certo obedecia planos superiores, e, Maria Máximo, recebia
orientações de seu guia espiritual, Pai Aurélio,
nada menos que seu genitor, Aurélio Augusto de Azevedo.
Esse ex-médico português afirmava à filha dileta
do coração que o “Banco da Misericórdia Divina
não a deixaria sem recursos para a obra e que apareceriam de
forma inesperada” instando-a sempre a prosseguir confiante e segura.
Os trabalhos nas áreas assistencial e espiritual não davam
trégua, nem descanso a Maria Máximo que se dedicava de
corpo e alma, sem deixar-se abater espiritualmente, renovando suas forças
nas necessidades alheias, esquecida sempre de si mesma. Todavia, o corpo
físico cedia ao desgaste, levando muitos companheiros de luta
a interceder para que repousasse para a recuperação da
energia orgânica. Em carta datada de 19/01/1946, o irmão
Maurício de Jesus Mariano, então 1° Secretário
da Diretoria Executiva, escrevia a Francisco Cândido Xavier em
Pedro Leopoldo estas palavras: “Nossa irmã Maria Máximo
está muito enfraquecida em sua matéria, rogai a Jesus
para que a fortifique, e muito particularmente vos peço, lhe
aconselheis bastante repouso, que é o que ela mais necessita
e a única coisa em que se torna rebelde, apesar das muitas recomendações
de Pai Aurélio”. No mesmo ano em carta do dia 26, ela mesma,
Maria Máximo em carta ao Chico Xavier, com quem mantinha correspondência
e visitas pessoais, diz:
“Quero pedir-te um grande favor que, por certo
não me negarás. Pai Aurélio pede-me repouso,
Dr. Carneiro, pede-me repouso, mas as mensagens que recebo são
sempre estímu-lo ao trabalho e, como sabes, sou filha carnal
de Pai Aurélio, pedia-te orientação dada por
Emmanuel, para sossego de meu espírito, pois não sei
se estou obedecendo ou desobedecendo.”
Compreende-se que ela sofria, no seu dinamismo cristão,
pelas impossibilidades impostas pela doença. Lutava no seu idealismo,
contra o descaso, realizando tanto quanto pudesse, até além
de suas forças, para atender a tudo e a todos.
Essa é Maria Máximo, uma operária
da Caridade nesta cidade de Santos, a terra da Caridade e da Liberdade,
realizando com denodo desmensurado em trabalho árduo.
O agravamento progressivo e acentuado de seu estado de saúde
levou os irmãos de ideal, seus companheiros no trabalho, a levá-la
a repouso na Granja “Fé, Esperança e Caridade”
(doada por volta do ano de 1947), onde ficava a colônia de férias
para as crianças internadas em Santos. Procuraram obrigá-la
ao repouso, afastando-a do palco das lutas mais acerbas, conseguindo
em parte seus intuitos. Embora distante 60 Km de Santos, Maria Máximo
participava juntamente com os guias espirituais, dos trabalhos de desobsessão
realizados no Centro Espírita, onde se manifestava através
de médium, orientando e incentivando os companheiros que continuavam
mantendo atividade normal.
Essa forma de participação levou aproximadamente dois
anos, quando em tarde ensolarada, no seu exílio forçado
no local onde hoje funciona o Lar Escola "Ismênia de Jesus"
para noventa crianças, aos 10/08/1949, particular deficiência
coronária fez parar seu coração. O coração
que, no palco do sentimento, figurativo, vibrou a pleno amor numa dedicação
sem limites.
Vale lembrar ainda que enquanto alguns poucos irmãos presentes
na hora da mudança tudo faziam na tentativa de reanimar o corpo,
em menos de duas horas ouviram através de médium presente,
sua manifestação primeira após o desencarne, dizendo
que, sua “carta de alforria tinha chegado” e despede-se
confortando e encorajando os companheiros a continuarem nas tarefas.
Essa existência terrena pelo vigor de ideal, desprendimento e
trabalho, continuou a produzir frutos.
Fonte: www.ismeniadejesus.org.br
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