08/05/2008
"Vai demorar para os brasileiros desvincularem
a Copa do Mundo da desencarnação de Chico Xavier, o médium
mais conhecido do Brasil."
Izabel Vitusso
Entrevista originalmente publicada no jornal Correio
Fraterno
Título: Convívio com Chico
"Quero morrer num dia em que o Brasil
esteja feliz".
Seu desejo foi atendido: enquanto o Brasil ainda comemorava
o pentacampeonato, em junho de 2002, Chico Xavier serenamente partia
para o lugar de origem. Ele era assim: simplicidade, com desejo de servir
e não ser servido. Embora o culto à personalidade não
faça sentido para a doutrina espírita, as histórias
que ocorreram em torno do Chico Xavier irão atrair sempre a atenção,
pela beleza das ações, que só espíritos
com sua categoria são capazes de realizar. São exemplos
para serem absorvidos, não cultuados. Por essa razão,
o cirurgião plástico paulista Dr. Oswaldo de Castro, 82
anos, que conviveu estreitamente com Chico, em Uberaba, conta com detalhes
fatos de sua convivência com o médium.
P: - O senhor é de São Paulo. O que aconteceu que o fez
conviver com o Chico?
R: - Sou filho de dentista, e desde cedo desenvolvi habilidades da profissão
com meu pai. Em 1948 ingressei, em Araraquara, na Faculdade de Odontologia.
Porém, tinha em mente fazer o curso de medicina. Em casa éramos
católicos. Fazia dois anos que eu havia me formado e minha mãe
foi visitar uns tios no interior e, por curiosidade, ao conversar com
um senhor que lia sorte, ela mostrou-lhe uma foto minha. Ele olhou e
disse que eu estava na carreira errada. Mas eu não acreditava,
não era espírita. Em contato com o médico e dentista
Dr. Laet Toledo César – quem trouxe a técnica de
medicina para a odontologia – e com quem aprendi muita coisa da
medicina, resolvi fazer o curso.
Eu tinha um assistente aqui em São Paulo formado
em Uberaba, que sugeriu que a faculdade de lá convidasse o prof.
Laet e eu para fazermos demonstrações, em cirurgias de
lábio leporino. Getúlio Vargas acabou fundando a faculdade
de medicina lá, eu prestei vestibular e entrei. Quando voltei
para casa – por esse motivo acabei me tornando espírita
– uma tia, católica, que tinha mediunidade [ostensiva]
transmitiu a mim uma mensagem de um espírito que rendia graças
a Deus por eu ter ido a Uberaba, dizendo ser lá meu lugar. Quando
Chico mudou-se para Uberaba, em 1959, eu já estava no sexto ano
[do curso de Medicina].
P: - Como então o senhor conheceu o Chico?
R: - Quando eu estava no quarto ano de Medicina, já era casado.
Quando meu primeiro filho Max estava com 2 anos, começou a manifestar
a mediunidade. Eu não tinha amizade com o Chico, mas ele estava
lá hospedado com o Waldo [Vieira] antes de se mudar. Pensei.
Bem que o Waldo podia passar para dar um passe no menino. Eles apareceram.
Foi dado o passe e constatada a mediunidade. O espírito parou
de atuar no menino e atacou a minha esposa.
Na época, eles já tinham cercado o terreno
para fazer a Comunhão Espírita ao lado. Chico disse: "vai
abrir o centro e assim que começar a sessão de desobsessão,
vocês estão convidados." Participei com minha esposa
desde o início, até retornar para São Paulo. Quando
acabei a faculdade, voltei, mas ia sempre para Uberaba operar.
P: - O senhor foi médico do Chico?
R: - Eu o tratava com homeopatia. O médico do Chico era o Eurípedes
Cahan, muito meu amigo. Ele clinicava nos Estados Unidos. E tem um fato
interessante que ocorreu. Certa feita, ele e o Waldo, levaram o Chico
para Inglaterra e Estados Unidos, com a finalidade de difundir o Espiritismo.
Ao saírem pelo centro de Nova Iorque, um senhor porto-riquenho
bateu nas costas do Chico, falando em sua língua que sua mulher
estava muito mal. Chico tomou nota do endereço, dizendo que no
dia seguinte estaria lá. A mulher estava obsidiada. Com o passe
dado, o ambiente ficou todo perfumado e a água fluida, leitosa.
Chico falou em castelhano fluente. Eurípedes disse: "que
negócio é esse de falar castelhano?". Chico explicou:
"Não fui eu, foi a avó dele quem falou."
P: - O senhor conhece fatos ainda inéditos sobre
o Chico. O que lembra para contar?
R: - O caso da peruca.
Existem fatos que, pela modéstia do Chico, são
mal interpretados. O potencial mediúnico dele é imenso.
Seu campo vibracional e de sensibilidade era extraordinário.
Muitas pessoas disputavam com ciúme o convívio
com ele. Ele ia fazer peregrinação, uns queriam pegar
no braço de cá e outro no de lá. Ele, muitas vezes
recebia fluidos terríveis. Ele resolveu colocar a peruca para
evitar que tocassem em sua cabeça, onde tinha maior sensibilidade.
Ele não tinha vaidade nenhuma.
Sua estada em Pedro Leopoldo-MG.
Chico era funcionário do ministério da
Agricultura em Pedro Leopoldo. Dez anos antes de ele se mudar de Pedro
Leopoldo para Uberaba, isso o Chico me contou, ele foi ate lá
para uma exposição de gado. Quando chegou, um espírito
falou "um dia você vai vir para cá", mas o Chico
não levou a sério. Ele sofria uma perseguição
muito grande da imprensa, do clero em Pedro Leopoldo. Existia um frei,
Boaventura, que fazia campanha muito grande contra o Espiritismo e certa
vez ele foi a Pedro Leopoldo procurar o Chico. Ficou mais de duas horas
trancado, conversando, tentando convencer o Chico que, a troco de muito
dinheiro, relegasse Espiritismo. O Chico disse que estava muito feliz
com o plano espiritual.
Waldo Vieira aparece para o Chico
Todo mundo conhece a história do Chico que via
a mãe em espírito, no fundo do quintal, assim que ela
desencarnou. Certa vez, ele me confidenciou que não era só
sua mãe que aparecia, mas outras entidades. Via Waldo Vieira
também. Em uma de suas encarnações, na Espanha,
o médium Waldo Vieira [que trabalhou mediunicamente com o Chico]
foi seu filho e foi levado por um circo que percorria o país,
quando tinha uns 6 anos. Chico disse que chorou muito, mas era muito
pobre e tinha dificuldades para procurá-lo. "Fiquei vinte
anos procurando o menino; quando eu consegui localizar o circo, me disseram:
seu menino foi morto há doze anos."
Quando ia brincar com meninos no primário, Waldo
aparecia para mim e me avisava "não brinca com esse menino,
que ele não te serve". Certamente Emmanuel estava por trás
mas não aparecia. Certa vez, Waldo se apresentou e disse: "Chico,
eu vou me despedir porque preciso reencarnar. Não saia de Pedro
Leopoldo que um dia eu venho te buscar, mas o Emmanuel vai continuar".
Chico dizia que Emmanuel nunca lhe havia dito onde Waldo havia reencarnado.
Nascido em Monte Carmelo-MG, Waldo foi orientado por
uma médium extraordinária para que fosse estudar em Uberaba,
que lá muita coisa iria se desencadear. Acolhido pelo professor
Mário Palmélio, teve estudo e moradia de graça.
Ele era inteligente e estudioso. Fez o ginásio, o científico.
Conhecia a doutrina, mas ainda não havia tido contato com o Chico.
Quando eu fui prestar vestibular em Uberaba, Waldo fazia o último
ano de odontologia, enquanto o Chico era perseguido em Pedro Leopoldo,
e ficava apreensivo pelo trabalho de receituário que realizava.
P: - O senhor sabe como ocorreu o encontro entre Chico
e Waldo Vieira nesta encarnação?
R: - Ao encontrar pela primeira vez o Waldo, Chico ficou emocionado,
mas não disse nada. Passado um ano, Waldo Vieira foi visitar
o médium e Pedro Leopoldo, encontrando-o em sofrimento, com repercussões
na saúde. Chico não podia continuar mais ali. Disse, então:
"Chico, eu vim te buscar. Você vai para Uberaba". Quando
ele falou isso, os dois choraram emocionados!
P: - O Chico chegou a comentar por que Waldo Vieira
não continuou com sua tarefa no mandato mediúnico?
R: - Chico nunca comentou muito a respeito. Dizia apenas que Waldo,
quando foi para os Estados Unidos, caiu numa personalidade do passado
e deixou completamente a doutrina. Sua mediunidade era extraordinária.
Depois que chegávamos da peregrinação, eram realizados
trabalhos mediúnicos e me lembro do fato do Chico e Waldo receberem
um soneto em parceria. Enquanto uma parte era psicografada por Waldo,
o Chico ficava parado, depois, alternavam. A psicografia de um completava
a do outro. Também, quando Chico estava para mudar, ele escreveu
Evolução em dois mundos. Um capítulo ele recebia,
de André Luiz, lá em Pedro Leopoldo e outro, Waldo Vieira
recebia em Uberaba.
Casos com o Waldo Vieira.
Certa vez, diante da fila que se formava em frente à
Comunhão Espírita Cristã para recebimento das cestas
de alimento, Waldo me disse que tinha tido um sonho. "Eu vi
todo esse pessoal aqui na fila, mas nós estávamos fardados."
O entendimento desse sonho vem através da explicação
do Dr. Bezerra [de Menezes], que havia lhe dito que lá pelos
anos 60, 70 d.C., Eurípedes Barsanulfo era general e perseguidor
do Cristianismo e o Waldo também. Eurípedes se converteu
ao Cristianismo, chegou para as tropas e disse: "em nome de Jesus
Cristo, deponham suas armas." O Waldo foi o primeiro. Eurípedes,
através de reencarnações, foi reunindo aquelas
vítimas, que acabaram por reencarnar em Sacramento [MG], onde
ele nasceu e desencarnou cuidando de todos até o fim, vitimados
pela gripe espanhola. Bezerra diz que Eurípedes Barsanulfo, para
ser um Eurípedes Barsanulfo demorou mil oitocentos e tantos anos,
(não me lembro quanto). Eurípedes, querendo ou não,
teve a rua com seu nome. "A praça de guerra de Eurípedes
se transformou em praça da caridade" – fazendo referência
ao nome da rua Professor Eurípedes Barsanulfo, onde fica a Comunhão
Espírita Cristã. Chico disse que Eurípedes é
tão humilde que não se deixa aparecer. "Eu sei que
ele nos ajuda."
P: - Foi o senhor quem operou o Chico?
R: - Chico tinha um problema de saúde e precisava ser operado.
Bezerra havia dito que caberia a ele escolher quando. Chegando de viagem,
da Inglaterra, Chico me disse que iria fazer a cirurgia e que eu tinha
que estar nisso. Perguntei: "por que eu"? Não sou urologista
(ele tinha um problema da próstata que estava judiando muito).
Organizei a equipe, disse que era para uma pessoa que eu queria muito
bem, mas não revelei quem seria operado. Falei com um amigo:
Américo Zopi, que me lembrou que eu poderia falar com outro amigo,
urologista, Levi.
Chegamos ao Hospital Santa Helena [em São Paulo],
onde eu operava e, no portão, Chico disse: "André
Luiz está me falando para não deixar dar adrenalina para
mim que vai fazer mal". Chico ficou internado no 7.º andar,
no quarto 72. Isso foi no dia 29 de agosto de 1968. Instalado, ele começou
a dar notícias dos aparelhos espiritualmente instalados nos cantos
do quarto. Disse serem resultantes das preces feitas em benefícios
dos doentes internados lá antes. "É para esterilização
do ambiente", explica Bezerra. Também comentou que foi levado
a conhecer o trabalho que se realizava espiritualmente, no subsolo para
socorro dos espíritos que desencarnavam naquele hospital, antes
de seguirem para outros planos. Segundo o Bezerra, aquela instituição
tinha um carinho especial da espiritualidade, pelo trabalho de assistência
social que realizava. Pertencia à Fundação que
também fundara o hospital Alemão, hoje Oswaldo Cruz.
Quando o Chico foi para a sala de operação,
saiu na maca e fez sinal de despedida, sorrindo. No pós-operatório,
falou que já não era ele. "A Meimei me tomou o corpo
48 horas, até passar o pós-operatório." Também
no pós-operatório, deu-se a entender que os espíritos
faziam fila para cumprimentá-lo. Ele estava tranqüilo e
de repente dizia: "Ah! Auta de Souza! E na seqüência,
dizia outros nomes." Vendo que se tratava do Chico, o paciente
a ser operado, o Levi disse: "você não é o
Xavier?" Chico respondeu daquele seu jeito: "É... seu
criado..."
Quando estava terminando a operação, surgiu
a dúvida de quem iria operar a hérnia estrangulada do
Chico [em decorrência das garfadas na barriga, que levara, quando
criança da madrasta]. Eu pensei, bem que o Américo Zopi
podia estar aqui. Ele entendia e operava muito bem. De repente, ele
entrou sem ser chamado, dizendo: "precisam de ajuda aí?"
Terminada a cirurgia, eu fui acompanhá-lo até o quarto.
Nena, Galves, [amigos íntimos do médium, fundadores do
Centro Espírita União em São Paulo], minha esposa,
Terezinha, ficaram em vibração e quando eu disse que o
Américo é quem havia operado a hérnia, Nena disse
que já sabia: "um espírito passou por aqui e nos
avisou."
Quando teve alta, para não magoar ninguém,
já que só avisaram sobre a sua cirurgia depois de terminada,
ele quis visitar uma pessoa não espírita, para não
gerar ciúme. Foi visitar a Tarsila do Amaral. A artista, que
pintava sentada em uma cama alta, disse ao Chico que o dia em que ele
recebesse o título de cidadão paulistano, ela estaria
presente numa cadeira de roda. Mas não deu tempo. Desencarnou.
Quando Chico recebeu o título, ele a viu presente espiritualmente
na cadeira de rodas.
Chico foi um verdadeiro apóstolo!
Fonte: http://www.omensageiro.com.br/entrevistas/entrevista-91.htm
>>> clique aqui para ver a lista completa de notícias
>>>
clique aqui para voltar a página inicial do site
topo