07/05/2008
Objeções Refutadas:
Em virtude de um email remetido por Célio
Gouveia a vários espíritas, buscando enfatizar “erros
do Espiritismo”, reproduzimos abaixo uma das respostas a este
email, elaborada por Alexandre Fontes da Fonseca, autor do curso Ciência
e Espiritismo e membro do GEAE (Grupo de Estudos Avançados Espíritas).
Trabalho publicado originalmente no website Apologia Espírita.
Analisando “Erros do Espiritismo”
http://www.apologiaespirita.org/objecoes_refutadas/analisando_erros_do_espiritismo.htm
Prezado Sr. Célio Gouveia,
Muita paz.
Seus comentários são muito oportunos pois
revelam não somente as dúvidas técnicas sobre o
aspecto científico do Espiritismo que muitas pessoas têm,
mas também as dúvidas sobre o que é Ciência
e como os conhecimentos científicos são obtidos e comparados
entre si.
Suas críticas, apesar de muitíssimo respeitáveis,
traduzem seu amplo desconhecimento tanto do Espiritismo quanto sobre
filosofia da ciência. Em ciência, jamais se expõe
uma crítica sem estudar tudo sobre o assunto, em todos os seus
ângulos.
Vamos aos seus comentários:
O espiritismo comete diversos erros no que toca a
ciência (física, biologia, química etc.).
Certa vez li em um livro de Kardec a seguinte classificação:
seres ognânicos e seres inorgânicos. Completamente errado,
pois, em 1828 já havia sido derrubada a teoria da "força
vital" e que os elementos orgânicos poderiam ser extraídos
de elementos não orgânicos como é o caso da uréia.
A partir daí vários elementos orgânicos foram
extraídos sem depender de seres vivos.
Ou seja, o que o Kardec chama de seres orgânicos
deve ser substituído por seres vivos, já que o que é
orgânico é o que possui o elemento carbano organizado,
segundo a química orgânica.
Mas, mesmo assim o erro permance. Segundo Kardec,
é a força vital que dá movimento aos seres vivos.
Ora, as esponjas são seres vivos, porém, são
animais fixos, ñão possuem movimentos. Já o vírus,
que nem um ser vivo é, considerado pela maioria dos cientistas,
se movimento e não possui a força vital.
A classificação entre seres orgânicos
e inorgânicos aparece como um parágrafo introdutório
do Capítulo IV, da Parte 1 do Livro dos Espíritos. Percebe-se
claramente que Kardec está apresentando uma definição
para os termos "seres orgânicos" e "seres inorgânicos"
em termos muito simples. Uma definição, em qualquer ciência,
serve tão somente para esclarecer o domínio de sistemas
para os quais a definição é feita. Não se
avalia uma definição feita em uma ciência com os
conceitos de outras ciências. Por exemplo, a expressão
"Química Quântica" é definida em Química.
Na Física, tal expressão é totalmente sem sentido.
A gente pode avaliar se uma definição abrange ou não
o maior número possível de casos, mas não podemos
analisar as expressões definidas por Kardec a quase 150 anos
pelos significados modernos e atuais sobre a química orgânica
e inorgânica.
Portanto, o sr. Célio confundiu-se ao criticar
uma expressão definida por Kardec para evitar confusões
(preocupação com a clareza da linguagem) em termos da
classificação atual da Química em Orgânica
e Inorgânica.
O sr. fez ainda uma outra confusão que explicaremos
a seguir:
Não existia ainda a definição de
"ser vivo" como aquele capaz de se auto-reproduzir. Os vírus
são considerados seres vivos por terem essa capacidade.
Entretanto, a definição simples para "ser
orgânico" apresentado por Kardec é tão eficiente
que pode ser usada para concluirmos que tanto vírus quanto esponjas
são seres vivos. Em Ciência, não podemos apenas
usar nossa interpretação pessoal para um determinado conceito.
Precisamos ter consciência total do significado da mesma dentro
do domínio de circunstâncias para as quais ela foi criada
ou definida, dentro da disciplina científica em que ela foi criada.
Vamos transcrever o texto original:
"Os seres orgânicos são os que têm
em si uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida.
Nascem, crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São
providos de órgãos especiais para a execução
dos diferentes atos da vida, órgãos esses apropriados
às necessidades que a conservação própria
lhes impõe. Nessa classe estão compreendidos os homens,
os animais e as plantas."
Kardec define um ser vivo como aquele que "tem
em si uma fonte de atividade íntima". O sr. confundiu isso
com a idéia de apresentar "movimento" como andar, pular,
se mover, etc. Por isso o sr. concluiu que as esponjas, que são
seres fixos, não se encaixariam na definição de
Kardec. Porém, para nascer, crescer e se multiplicar, as esponjas
não possuem atividades íntimas? Por acaso a absorção
de nutrientes, sua condução através do organismo,
a digestão celular desses mesmos nutrientes e a excreção
dos materiais inutilizados, não constituem "atividade íntima"
da esponja? O mesmo vale para os vírus que para agirem nas células,
executam uma série de atividades íntimas muito complexas.
Se a expressão deveria ou não ser substituída
por "seres vivos" isso não é uma questão
científica apenas, mas principalmente filosófica. É
muito fácil criticar, nos dias de hoje, o emprego da palavra
"orgânico" quando a ciência da época estava
muito longe da ciência de hoje. Mesmo assim considere o seguinte
exemplo onde uma mesma "coisa" foi definida em épocas
diferentes pela Física e ambas são úteis na atualidade
mal grado a diferença de status de modernidade entre ambas:
O fato de sabermos que a luz é composta de infinitos
pacotes de onda (os chamados fótons) desmerece a descrição
clássica da luz como uma onda eletromagnética? Certamente
que o sr. sabe que não, e que dependendo do fenômeno a
ser estudado utilizaremos uma ou outra formulação para
a luz. O mesmo vale para a Ciência Espírita. Sua terminologia
nem de longe se abala com o fato das outras ciências definirem
seus termos. Isso vale para a presente discussão.
Sobre a questão "força vital"
vamos analisar a seguir.
Além do mais, o que seria o tal "princípio
vital" senão a água e as células?
O principio vital é um fluido semimaterial (ainda não
reconhecido pela ciência atual, mas já aceito como hipótese
como será comentado no final deste e-mail) definido pelos Espíritos
como um elemento necessário para que a matéria possa servir
à atuação da alma encarnada nela.
O sr. deve saber que tanto as substâncias orgânicas
quanto inorgânicas, em essência, não passam de combinações
dos mesmos tijolinhos básicos da matéria: prótons,
nêutrons e elétrons (para não dizer as partículas
subatômicas). Assim, a matéria que compõe os corpos
orgânicos dos seres vivos não difere em essência
daquela dos objetos inanimados.
Assim, os Espíritos superiores propuseram uma
idéia que possui valor científico legítimo, de
que é necessário a existência de um elemento que
permita ao Espírito ou à alma influenciar o organismo
material. E, o artigo que estamos enviando em anexo(*) propõe
isso com outras palavras, mostrando o valor científico da mesma
(acrescente-se a isso o fato de que a idéia original surgiu a
quase 150 anos atrás e perceber-se-á o caráter
excepcional da revelação espírita).
Portanto, o principio vital não é a água
e as células.
E os erros continuariam. Diz, ele também,
que os animais possuem alma. Ora, nem todos poderiam possuir já
que grande parte dos animais não possuem cérebro ou
glândula cerebral, como as esponjas, as amebas etc. E o que
dizer dos seres vivos nunca referidos na doutrina espírita
como as bactérias, os fungos e os protozoários?
A idéia de que para possuir alma é necessário ter
cérebro ou glândula cerebral é do sr. e não
da Doutrina Espírita. A Doutrina Espírita apenas diz que
os animais possuem algo análogo ao que chamamos de alma para
o ser humano. A alma do ser humano é um Espírito que foi
criado a partir da individualização de um princípio
chamado "principio inteligente". No processo de individualização,
o principio inteligente é ligado tanto aos objetos inanimados
quanto às inúmeras formas de vida inferior incluindo-se
plantas e microorganismos. Isso é o máximo que recebemos
de informação pelo Espiritismo. Qualquer outra idéia
é opinião particular e não pode ser tomada como
verdade.
E vamos a mais erros. Os "espíritos"
não são seres vivos, porém, precisam da matéria
pra ter vida, o que torna a matéria muito mais importante que
as coisas "amateriais" (se assim podemos dizer). Por não
ser um ser vivo, os espíritos jamais poderiam ser providos
de sentidos, já que é o cérebro ou os glânglios
cerebrais que são responsáveis por isso, ou seja, um
espírito não pode falar, sentir dor, enxergar, sentir
gosto, ouvir e nem sonhar. Até pq "ele" precisaria
da matéria para isto.
Novamente, percebemos que o sr. Célio não procurou estudar
com atenção as obras que pretende criticar. O Espiritismo
é muito claro em dizer que:
1) O Espírito é a essência da vida
e não a matéria.
2) que o Espírito não um "nada".
Ele é "algo" cujas propriedades diferem de tudo o que
é material.
3) Que o Espírito nada mais é que a alma
dos Homens despojadas do corpo físico. (O Sr. acha que quando
desencarnar deixará de ser uma individualidade? )
4) que o Espírito possui um corpo espiritual
(Paulo de Tarso disse: "1 Coríntios 15 V. 44 Semeia-se o
corpo natural, ressuscita corpo espiritual") e que esse corpo serve
para demonstrar a individualidade do Espírito e para ele se relacionar
com outros Espíritos e com os encarnados.
Se um elefante possui alma, o que torna possível
ele um dia reencarnar em outro animal ou num ser humano? Os espíritos
se reproduzem, pois, o número de seres humanos se multiplicou
desde o primeiro humano na Terra. Como pode um espírito ser
o princípio de inteligência se é o cérebro
o fator da inteligência. Se não fosse, por que dizer
que as plantas não possuem alma já que possuem o "princípio
vital". Os cegos de nascença não sonham com imagens,
então, significa que eles estão em sua primeira encarnação?
O principal erro aqui é a confusão entre causa e efeito.
O que é a causa da inteligência e do sentimento?
O cérebro? O código genético? Cadê a prova
da tese materialista? Por quê existem gêmeos monozigóticos
que se tornam pessoas absolutamente diferentes quando adultas se o DNA
de ambos é o mesmo? Pesquise e descobrirá as diversas
hipóteses que a ciência propõe para isso. Mas são
todas "hipóteses" e tão cedo será possível
demonstrar a validade (ou invalidade) das mesmas em decorrência
da complexidade do tema. Assim, os cientistas crêem que tudo decorre
da matéria e crença não é prova científica!
Quanto às plantas, já comentamos que o
princípio inteligente se liga a todos os seres vivos, incluindo
as plantas, mas essa ligação não significa que
esse princípio em processo de individualização
seja uma alma como a do ser humano. Por isso não faz sentido
falar em alma das plantas. Os animais já possuem um grau muito
maior de desenvolvimento de sua consciência e por isso se torna
razoável definir um conceito de "alma" para eles.
Segundo a Doutrina Espírita, os Espíritos
são criados por Deus simples e ignorantes. O fato da população
aqui na Terra aumentar apenas revela que existem muito mais Espíritos
desencarnados em nossa atmosfera espiritual terrestre do que imaginamos.
Poderia-se escrever um livro com todos os erros cometidos
pelos espíritas ao tentar defender a sua doutrina, mas, não
há a necessidade de escrever nada, pois, que afirma é
que tem que provar, ou seja, os espíritas é que devem
provar a existência de espíritos. Contudo, vemos que
não será possível pois é fácil
dismistificar os contos espíritas.
O que acontece é justamente o contrário. Os fatos espíritas
acontecem todos os dias em todos os lugares. Todas as pessoas que não
estão armadas por preconceitos, após conhecerem o Espiritismo,
logo percebem sua grandeza e importância e verificam na prática
mediúnica e em algumas experiências cotidianas as evidências
da existência e sobrevivência da alma.
Verifica-se o grau de importância de uma doutrina
pela quantidade de ataques que ela recebe. De fato, como o sr. Célio
bem comenta, não é necessário perder tempo com
algo que é falso por natureza pois cedo ou tarde cairá
pela força natural das coisas e do progresso do conhecimento.
Entretanto, quando nota-se um constante ataque à Doutrina Espírita,
percebe-se que ela demonstra estar muito mais próxima da verdade
do que se imagina pois senão não incomodaria tanto aqueles
que pensam diferente.
O Sr. Célio não deveria se preocupar
com o Espiritismo pois ele não exige que as pessoas crêem
nele e, muito menos, ele pretende ser o dono absoluto da verdade. Como
disse Bezerra de Menezes, que os materialistas mostrem que o materialismo
é capaz de enxugar uma lágrima sequer de alguém
que perdeu um familiar; que é capaz de evitar o suicídio
de alguém que se vê em situação desfavorável;
que é capaz de consolar aquele que sofre de uma doença
incurável; e talvez suas propostas possam ter algum sentido.
Já o Espiritismo, só por isso, possui inestimável
valor para a sociedade já que tem como lema "fora da caridade
não há salvação". Que mundo feliz que
nós teríamos se todos agissem assim!
Allan Kardec usa a ciência para mostrar os
equívocos da bíblia (livro dos espíritos), porém,
nega a mesma quando usada para mostrar que o espiritismo é
um erro. Pura falácia, subterfúgio, retórica,
não?
Não meu irmão! Tanto é verdade que estou enviando,
em anexo(*), um artigo científico mencionando diversas pesquisas
na área médica mostrando o que a ciência é
incapaz de explicar com suas teorias. O amigo verá que as hipóteses
propostas incluem uma idéia análoga à do principio
vital (sob o nome de bioenergia).
Seria interessante ao sr. estudar a literatura espírita
no tocante ao valor científico do Espiritismo. Sugerimos, para
que o sr. possa fazer críticas com maior conhecimento de causa,
a leitura dos artigos publicados no seguinte site:
http://www.geocities.com/Athens/Academy/8482/
Procure o link "artigos" e estude-os.
Estude também nosso conjunto de aulas sobre Ciência
e Espiritismo, publicadas no Boletim do GEAE de números 483 a
500. O link para os boletins (gratuitos) é:
http://www.geae.inf.br/pt/boletins/colecao.php
E que, também, estude as obras básicas
de Kardec. Ao fazer uma crítica, a pessoa se expõe à
apreciação pública da mesma. Por isso é
razoável que a crítica se funde no estudo para que a comunidade
que observará a crítica perceba a seriedade da mesma.
Vou aproveitar para reproduzir aqui a seguinte recomendação
de Kardec (O Livro dos Médiuns):
"Abstraiamos, por instante, dos fatos que, ao nosso
ver, tornam incontestável a realidade dessa comunicação;
admitamo-la apenas como hipótese. Pedimos aos incrédulos
que nos provem, não por simples negativas, visto que suas opiniões
pessoais não podem constituir lei, mas expendendo razões
peremptórias, que tal coisa não pode dar-se. Colocando-nos
no terreno em que eles se colocam, uma vez que entendem de apreciar
os fatos espíritas com o auxílio das leis da matéria,
que tirem desse arsenal qualquer demonstração matemática,
física, química, mecânica, fisiológica e
provem por a mais b, partindo sempre do principio da existência
e da sobrevivência da alma:
1º que o ser pensante, que existe em nós
durante a vida, não mais pensa depois da morte;
2º que, se continua a pensar, está inibido
de pensar naqueles a quem amou;
3º que, se pensa nestes, não cogita de
se comunicar com eles;
4º que, podendo estar em toda parte, não
pode estar ao nosso lado;
5º que, podendo estar ao nosso lado, não
pode comunicar-se conosco;
6º que não pode, por meio do seu envoltório
fluídico, atuar sobre a matéria inerte;
7º que, sendo-lhe possível atuar sobre
a matéria inerte, não pode atuar sobre um ser animado;
8º que, tendo a possibilidade de atuar sobre
um ser animado, não lhe pode dirigir a mão para fazê-lo
escrever;
9º que, podendo fazê-lo escrever, não
lhe pode responder às perguntas, nem lhe transmitir seus pensamentos.
Quando os adversários do Espiritismo nos provarem
que isto é impossível, aduzindo razões tão
patentes quais as com que Galileu demonstrou que o Sol não é
que gira em torno da Terra, então poderemos considerar-lhes fundadas
as dúvidas. Infelizmente, até hoje, toda a argumentação
a que recorrem se resume nestas palavras: Não creio, logo isto
é impossível. Dir-nos-ão, com certeza, que nos
cabe a nós provar a realidade das manifestações.
Ora, nós lhes damos, pelos fatos e pelo raciocínio, a
prova de que elas são reais. Mas, se não admitem nem uma,
nem outra coisa, se chegam mesmo a negar o que vêem, toca-lhes
a eles provar que o nosso raciocínio é falso e que os
fatos são impossíveis." (Cap. I, 1a Parte, item 6).
e mais:
"O Espiritismo não pode considerar crítico
sério, senão aquele que tudo tenha visto, estudado e aprofundado
com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso;
que do assunto saiba tanto quanto qualquer adepto instruído;
que haja, por conseguinte, haurido seus conhecimentos algures, que não
nos romances da ciência; aquele a quem não se possa opor
fato algum que lhe seja desconhecido, nenhum argumento de que já
não tenha cogitado e cuja refutação faça,
não por mera negação, mas por meio de outros argumentos
mais peremptórios; aquele, finalmente, que possa indicar, para
os fatos averiguados, causa mais lógica do que a que lhes aponta
o Espiritismo. Tal crítico ainda está por aparecer."
(Cap. II, 1a Parte, item 14).
Fique em paz!
Alexandre
Leia também a resposta de Marcos Arduin: Examinando
“Erros do Espiritismo”
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