02/05/2008
Folha de São Paulo
http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/04/29/ult23u2075.jhtm
Uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS) e divulgada nesta terça-feira
(29), em Brasília, revela o perfil dos moradores de rua brasileiros.
Os pesquisadores escolheram cidades com mais de 300 mil habitantes e
saíram a campo entrevistando moradores de rua com mais de 18
anos de idade. A principal conclusão do estudo é que as
pessoas em situação de mendicância são em
sua maioria homens alfabetizados e jovens, que abandonaram suas casas
por problemas com álcool ou drogas ou por terem perdido o emprego.
Uma equipe formada por 1.479 pesquisadores e assistentes sociais saiu
a campo para entrevistar pessoas que habitam calçadas, praças,
rodovias, parques, viadutos, postos de gasolina, praias, barcos, túneis,
depósitos e prédios abandonados, becos, lixões,
ferro-velho ou que pernoitam em instituições como albergues
e abrigos. No total, foram ouvidos 31.922 pessoas, espalhados por cidades
médias e por quase todas as capitais brasileiras, com exceção
de São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre.
Cada entrevistado respondeu a um questionário com cerca de 20
perguntas. A análise dos dados recolhidos revela que 82% da população
de rua é formada por homens. Mais da metade (52%), têm
entre 25 e 44 anos de idade. Quanto à raça, 39,1% se declararam
pardos, 29,5% se disseram brancos e 27,9% se identificaram como negros.
Do total de indivíduos pesquisados, 48,4% estão fora de
casa há mais de dois anos. Dois em cada três (69,6%) dormem
na rua, enquanto 22% costumam dormir em albergues ou outras instituições.
Outros 8,3% costumam alternar, ora dormindo na rua, ora dormindo em
albergues.
Surpreendentemente, as pessoas em situação de mendicância
se revelaram escolarizadas. Do total, 74% sabiam ler e escrever e quase
a metade (48,4%) disseram ter completado o ensino fundamental.
Os principais motivos pelos quais essas pessoas passaram a viver e morar
na rua se referem aos problemas de alcoolismo e/ou drogas (35,5%); desemprego
(29,8%) e desavenças com familiares (29,1%).
A pesquisa põe em xeque a noção de que moradores
de rua são pessoas que abandonaram suas cidades de origem e não
mantêm nenhum vínculo familiar. Uma parte considerável
(58%) se disse originária da mesma cidade em que se encontra
(58%) ou de locais próximos. E mais: 51,9% dos entrevistados
afiramaram possuir algum parente que residindo na mesma cidade onde
se encontram.
Entre os que já moraram em outras cidades, 45,3% se deslocaram
em busca de novas oportunidades de trabalho. O segundo principal motivo
foram as desavenças familiares (18,4%).
Questionados sobre o que fazem para sobreviver, 70,9% dos entrevistados
disseram exercer alguma atividade remunerada. Apenas 15,7% revelaram
que a sua principal fonte de renda são as esmolas.
Quanto ao tipo de atividade exercida, os moradores de rua pesquisados
se dividem em catadores de materiais recicláveis (27,5%), flanelinhas
(14,1%), trabalhadores da construção civil (6,3%), limpeza
(4,2%) e carregador/estivador (3,1%).
Como se pode imaginar, os níveis de renda dessa parcela da população
são baixos. Mais da metade dos moradores de rua entrevistados
(52,6%) disseram ganhar entre R$ 20 e R$ 80 por semana.
A grande maioria (88,5%) disse não receber qualquer benefício
de órgãos governamentais, tal como o Bolsa Família.
Um em cada cinco entrevistados disse que não consegue se alimentar
todos os dias, por falta de recursos financeiros. Mas quatro em cada
cinco afirmaram conseguir fazer pelo menos uma refeição
por dia.
Boa parte das pessoas em situação de mendicância
utiliza os serviços de saúde pública, como hospitais
e postos de saúde. Nessas ocasiões, 75% deles possuem
pelo menos algum documento que comprove a sua identidade. A maioria
tem carteira de identidade (58,9%), certidão de nascimento ou
casamento (49,5%) e CPF (42,2%).
A pesquisa reevelou que os moradores de rua em geral são pessoas
saudáveis. Apenas um terço deles afirmou ter algum problema
de saúde. A doença mais freqüente é hipertensão
(10,1%), seguida por problemas psiquiátricos (6,1%) e HIV/aids
(5,1%).
Questionados sobre que tipo de discriminação sofrem por
viver em situação de rua, os entrevistados disseram que
freqüentemente são impedidos de entrar em certos locais,
tais como lojas, shopping centers e meios de transporte coletivo.
Com base nos dados levantados nessa pesquisa, o
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
diz que pretende elaborar políticas públicas para lidar
com o problema da mendicância. A idéia é estabelecer
um plano nacional para ajudar as cidades médias e grandes a combaterem
o problema, e quem sabe reintegrar essas pessoas à sociedade.
Em cada uma das 71 cidades pesquisadas, o total de pessoas em situação
de rua gira em torno de 0,061% da população local.
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