14/11/2007
Homossexual NÃO É UMA
TERCEIRA RAÇA
- Homossexualidade nas obras de A.
Kardec e André Luiz
Edson Nunes
Em resposta a texto crítico sobre Homossexualismo
o estudioso espírita Edson Nunes escreveu uma série de
comentários e completou com trechos em que Allan Kardec na Revista
Espírita e André Luiz no livro Sexo e Destino tecem esclarecimentos
sobre a questão; Edson aproveita e insere comentários
seus em relação às afirmações de
Kardec e André Luiz.
* como não tenho o nome correto e nem o contato do autor do texto
inicial optei por não nomeá-lo
Prezadíssimo (...), fica nitido que a sua intenção
é das melhores.
No entanto, coloco uns pontos para sua análise.
1) Não se trata de terceira raça a homossexualidade.
Trata-se de uma identidade afetiva.
2) A pessoa sentir-se de um gênero e estar
em outro não explica as diversas homossexualidades. Explica apenas
a transsexualidade, para a qual o SUS até já patrocina
a cirurgia em hospitais públicos e se prepara para abranger também
a cobertura na rede privada.
Pessoalmente dou apoio à luta dos transsexuais para a obtenção
da ampliação da cobertura para cirurgias de mudança
de sexo, no entanto considero que deve ser algo muito bem refletido,
porque há sim possibilidade de alcançar realização
sem mudança de gênero.
3) Há homossexuais exclusivamente passivos, exclusivamente
ativos e os que transitam entre os dois casos. Aqui não há
incompatibilidade do afeto com gênero. A mesma ocorrência
há entre as demais espécies de seres, os chamados animais
irracionais, de acordo com as mais recentes pesquisas da ciência.
Existem até insetos homossexuais. E fica um tanto quanto difícil
aplicar ai a explicação de que abusaram da sexualidade
em outras vidas, não? O que fica claro é que a homossexualidade
é um fenômeno natural da Vida, da Natureza, da criação
de Deus.
4) Homossexuais, homens ou mulheres, não são
seres que vivam exclusivamente para sexo: têm pai, mãe,
irmãos (em grande maioria como todo mundo, né?)e amam
e sofrem em familia. Também gostam de ler, de conhecer as diversas
coisas da vida. Trabalham, estudam, têm muitos desafios assim
como o restante da população. Têm religião,
são católicos, evangélicos, espiritas, budistas...
Há também os materialistas, ateistas, da mesma forma que
heterossexuais. Um número significativo de homossexuais adota
filhos. A ICM - Igreja da Comunidade Metropolitana, que é uma
igreja gay (aberta ao público em geral) tem 27% dos seus membros
como pais ou mães adotivos em diversas partes do mundo (inclusive
no Brasil).
5) Não se trata de encaminhamento para terapias
a identidade homossexual, mesmo porque o Conselho Federal de Psicologia
tem instrução normativa que proíbe os profissionais
da área de anunciarem tal procedimento. Há muito a Medicina
e a Psicologia já revisaram posicionamentos e hoje a homossexualidade
é considerada uma manifestação natural e saudável.
6) Peço a sua preciosa atenção
para a leitura de outros textos que ainda vou enviar e que expressam
posicionamentos de Kardec e André Luiz.
Abaixo o texto com transcrição
de Kardec e comentários:
Revista Espírita de 1866 - n° 1.
"Aos homens e às mulheres são,
pois, dados deveres especiais, igualmente importantes na ordem das
coisas; são dois elementos que se completam um pelo outro.
O Espírito encarnado sofrendo a influência
do organismo, seu caráter se modifica segundo as circusntâncias
e se dobra às necessidades e aos cuidados que lhe impõem
esse mesmo organismo. Essa influência não se apaga imediatamente
depois da destruição do envoltório material,
do mesmo modo que não se perdem instantaneamente os gostos
e os hábitos terrestres; depois, pode ocorrer que o Espírito
percorra uma série de existências num mesmo sexo, o que
faz que, durante muito tempo, ele possa conservar, no estado de Espírito,
o caráter de homem ou de mulher do qual a marca permaneceu
nele. Não é senão o que ocorre a um certo grau
de adiantamento e desmateriazação que a influência
da matéria se apaga completamente, e com ela o caráter
dos sexos. Aqueles que se apresentam a nós ((em vidência
espiritual)) como homens ou como mulheres, é para lembrar a
existência na qual nós os conhecemos.
Se essa influência repercute da vida corpórea
à vida espiritual, ocorre o mesmo quando o Espírito
passa da vida espiritual à vida corpórea. Numa nova
encarnação, ele trará o caráter e as inclinações
que tinha como Espírito; se for avançado, fará
um homem avançado; se for atrasado, fará um homem atrasado.
Mudando de sexo, poderá, pois, sob essa impressão e
em sua nova encarnação, conservar os gostos, as tendências
e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se
explicam certas anomalias aparentes que se notam no caráter
de certos homens e de certas mulheres.
Não existe, pois, diferença entre o
homem e a mulher senão no organismo material que se aniquila
na morte do corpo, mas quanto ao Espírito, à alma, ao
ser essencial, imperecível, ela não existe uma vez que
não há duas espécies de alma; assim o quis Deus,
em sua justiça, para todas as suas criaturas; dando a todas
um mesmo princípio, fundou a verdadeira igualdade; a desigualdade
não existe senão temporariamente no grau de adiantamento;
mas todas têm o direito ao mesmo destino, ao qual cada um chega
pelo seu trabalho, porque Deus nisso não favoreceu ninguém
às expensas dos outros."
Comentário
Que ser extraordinário este missionário
Allan Kardec. No seu tempo, sem comparações com o nosso,
a homossexualidade era tida como algo extremamente nefasto e uma doença.
Kardec, quanto ao mais, não se ateve às
convenções, à falsa moral. E faz um enfoque da
homossexualidade em parâmetros de busca da verdade, da essência.
Alguns analistas apressados poderiam argumentar que
Kardec referiu-se à homossexualidade como "anomalias aparentes",
como se isso tivesse o significado de uma anomalia à mostra.
Somente a falta de atenção, para não dizer má
fé poderia estabelecer tal leitura.
Fica claro, cristalino, que Kardec referia-se a algo
que aparentava anomalia, mas que não era.
Fosse sua a interpretação de anomalia
à mostra, é óbvio que tal posicionamento seria
seguido de comentário que chamasse os homossexuais à razão,
à assistência espiritual.
Não foi isso que Kardec fez. Muito ao contrário,
ligou suas afirmações aos ensinos dos espíritos,
em "O Livro dos Espíritos", onde se
desenvolve o raciocínio que ele apresenta para falar da igualdade
de direitos do homem e da mulher, lembrando que o espírito em
si não tem sexo.
E continuando em seu raciocínio baseado no ensino
dos espíritos superiores, Kardec pontua que a troca de sexo visa
o amelhar de novas vivências na rota evolutiva, esclarecendo que
tal necessariamente não ocorre abruptamente. Segundo Kardec,
de acordo com o texto acima, é apenas quando o espírito
tem seguidas reencarnações em um sexo e ocorre a troca
é que viria a manutenção do estado psíquico
anterior comum a este ou aquele sexo.
E o Codificador termina sua exposição
falando da justiça de Deus, que a ninguém privilegia,
desfazendo também o espírito machista milenar que levou
à classificação social e até legal da mulher
como um ser inferior ao homem. Kardec desfez os enganos cometidos até
pelo apóstolo Paulo, que em sua Epístola aos Corinthios
ordena que "no templo as mulheres permaneçam caladas, e
em tendo alguma dúvida perguntem aos maridos em casa". O
mesmo apóstolo Paulo que também condenava a homossexualidade
- em nome dos rigores desumanos do Velho Testamento.
Há espíritas que ainda citam o Velho Testamento
para condenar a homossexualidade. É quando mais uma vez ignoram
o bom senso de Kardec, que até em relação ao Novo
Testamento fez questão de destacar a parte moral, esclarecendo
que outras questões reportam a costumes da época. O que
Kardec destacou, especialmente, do Novo Testamento foi o que ele chamou
de "A verdadeira Moral, a Lei do Amor".
Exatamente a Lei do Amor que tantos dirigentes, expositores,
articulistas e escritores espíritas estão trocando pela
lei da falsa moral - para compor com tradições e idéias
ultrapassadas e desumanas em relação à homossexualidade.
Foi tão resumida a exposição de
Kardec sobre a homossexualidade, mas extremamente esclarecedora. E ainda
mais: avançadíssima para a sua época, quando não
havia nenhuma referência positiva no meio médico e psicológico.
Na atualidade, desde a década de 90, Medicina
e Psicologia já retiraram da homossexualidade os rótulos
de doença ou desvio. E até a expressão homossexualismo
foi abandonada.
Hoje, como é posssível saber, nem sempre
o homemm ou a mulher homossexual de agora estará passando por
uma primeira mudança de sexo. A esses casos (mesmo ignorando
os conhecimentos de ordem espiritual) a Psicologia chama de transsexualidade.
Quanto à população homossexual
especificamente falando, ela é constituída de seres exclusivamente
passivos, exclusivamente ativos e ainda os de vivência indefinida,
casos que sem dúvida se reportam igualmente às existências
anteriores. No entanto, para seu tempo, Allan Kardec já foi surpreendentemente
além dos limites esperados. É que o amor não tem
mesmo limitações. E Kardec foi um mensageiro da Lei do
Amor.
Paz e Luz
Edson Nunes
Homossexualidade segundo André Luiz
E fica uma pergunta: qual o motivo que leva alguns articulistas a apenas
recortar, encobrindo todo o relato?
Trancrevo e comento as anotações de André Luiz,
em "Sexo e Destino", em apontamentos sobre
a homossexualidade.
Antes, uma introdução indispensável.
Lembrar que o texto é de 1963, quando em nenhuma parte do mundo
havia movimento gay e em nenhum país a Medicina e a Psicologia
também haviam retirado os rótulos de doença ou
desvio em relação à homossexualidade.
Também indispensável lembrar que apenas a versão
da homossexualidade pela transsexualidade era a única conhecida
e comentada, e levantar a lebre sobre as diversas homossexualidades
já seria exigir muito. A versão transsexual é aquela
na qual o reencarnado sente-se em distonia com seu gênero, provavelmente
representando a primeira incursão nas vivências homossexuais.
São os casos que na atualidade já têm até
cirurgia de reversão pagas pelo SUS.
Permitam-me, ainda, um apontamento em relação à
transsexualidade, algo muito pessoal: defendo e dou apoio a quantos
buscam a cirurgia, porque ninguém tem o direito de contrariar
decisões do próximo. No entanto, recomendo cautela, sempre
que posso, porque o ato pode encobrir uma necessidade psicológica
de amoldamento ao modelo hetero. Conheço transsexuais plenamente
realizados e sem necessidade de cirurgia,
porque se libertaram da pressão social.
E agora vamos ao texto de André Luiz em preto e entre aspas"
e aos comentários do autor, Edson Nunes, em vermelho (detalhe
que por motivos que fogem ao meu conhecimento não é reproduzido
em todas as cópias, o da mudança de cor).
"Vaticinou que a Terra, a pouco e pouco,
renovará princípios e conceitos, diretriz e legislação,
em matéria de sexo, sob a inspiração da Ciência,
que situará o problema das relações sexuais no
lugar que lhe é próprio".
Gente! Bastaria que as anotações ficassem restritas a
esta informação para que o meio espirita buscasse situar-se
melhor diante da homossexualidade, porque a transcrição
antecede a resposta do mentor espiritual à pergunta de AL sobre
homossexualidade.
E é como uma introdução. Por favor, leiam e releiam
e reflitam.
E, por favor, tomem da página 346 da mesma obra e confiram as
críticas que são feitas aos comportamentos da Política
e da Religião em relação à sexualidade em
geral.
À sexualidade em geral, permitam-me repetir. Sim, porque mesmo
em relação à heterossexualidade ainda são
feitas considerações lamentáveis no nosso meio
doutrinário.
"Empenhou-se a repetir que na Crosta Planetária
os temas sexuais são levados em conta, na base dos sinais físicos
que diferenciam o homem da mulher e vice-versa; no entanto, ponderou
que isso não define a realidade integral, porquanto, regendo
esses marcos, permanece um Espírito imortal, com idade às
vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências
complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar,
presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são
inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico".
E olha André Luiz
avançando no tempo, em entrelinhas antevendo o futuro, quando
a chama a atenção para o fato de que não são
as linhas morfológicas que definem o sexo.
Aqui, contextualizando, já possibilita, inclusive, focalizar
as outras versões da homossexualidade além da transsexualidade:
homossexuais exclusivamente passivos, exclusivamente ativos e não
definidos especificamente.
"Homens e mulheres, em espírito,
apresentam certa percentagem mais ou menos elevada de característicos
viris e feminis em cada indivíduo, o que não assegura
possibilidades de comportamento íntimo normal para todos, segundo
a conceituação de normalidade que a maioria dos homens
estabeleceu para o meio social".
Excepcional. A chave de
toda a questão!
Ele fala de normal para em seguida deixar claro que tal conceituação
foi criada pelas convenções.
Será que ele precisaria ser mais claro? Ou será que não
devemos menosprezar a própria capacidade de atenção?
Tais anotações, aliás, são uma prova inconteste
da cristalina mediunidade do Chico, capaz de impedir a interferência
dos condicionamentos "religiosos" de uma conhecida expressão
nacional sobre a tradicional familia mineira.
Também aqui é possível contextualizar para o entendimento
das diversas homossexualidades e não apenas a trans.
"Tendo Neves formulado consulta sobre os
homossexuais, Felix demonstrou que inúmeros Espíritos
reencarnam em condições inversivas, seja no domínio
de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas
que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou
que as aceitam".
Uma coisa é fazer recortes com leituras
preconceituosas do texto de André Luiz. Outra é prestar
atenção com olhos de busca. Reparem que ele não
coloca a homossexualidade em bloco único. Ele não está
dizendo que todos nascem em condições inversivas e sim
que "inúmeros". No entanto, mesmo que se queira dar
outra leitura a esse destaque, reparem também que abre condições
específicas na homossexualidade: "lides expiatórias"
e "tarefas específicas que exigem duras disciplinas".
Mas, habitualmente, muitos querem colocar tudo em "lides expiatórias".
E por incrível que pareça, nessa hora de generalização,
os heterossexuais que comentam ficam esquecidos de que também
são espiritos em provas e resgates. Tranferem isso apenas aos
homens e mulheres gays, como se a Terra não fosse um Mundo de
Expiações e Provas.
De igual importância lembrar que os apontamentos são de
44 anos atrás, época na qual vivenciar a homossexualidade
era de fato rígida disciplina. Havia algum homossexual que se
dispunha a ficar público em sua condição?
Apenas os travestis, automaticamente excluídos da sociedade e
tidos apenas como marginais naquele tempo. Aliás, os travestis
foram os desbravadores sociais da homossexualidade, ainda que muitos,
em função da marginalidade que se lhe impuseram, tenham
sido levados a situações de grandes desequilíbrios.
"Referiu ainda que homens e mulheres podem nascer homossexuais
ou intersexos, como são suscetíveis de retomar o veículo
físico na condição de mutililados ou inibidos
em certos campos de manifestação, aditando que a alma
reencarna nessa ou naquela circunstância para melhorar e aperfeiçoar-se
e nunca sob a destinação do mal, o que nos constrange
a reconhecer que os delitos sejam quais sejam, em quaisquer posições,
correm por nossa conta".
É aqui que muitos generalizam nas interpretações.
Esquecem o que André Luiz escreveu antes, ainda que mesmo aqui
ele busque tirar a questão da área específica da
homossexualidade para destacar que em qualquer circunstância o
ser humano responde por seus atos.
"À vista disso, destacou que nos
foros da Justiça Divina, em todos os distritos da Espiritualidade
Superior, as personalidades humanas tachadas por anormais são
consideradas tão carecentes de proteção quanto
as outras que desfrutam a existência garantida pelas regalias
da normalidade, segundo a opinião dos homens, observando-se
que as faltas cometidas pelas pessoas de psiquismo julgado anormal
são examinadas no mesmo critério aplicado às
culpas de pessoas tidos por normais, notando-se, ainda, que em muitos
casos, os desatinos das pessoas supostas normais são consideravelmente
agravados, por menos justificáveis perante acomodações
e primazias que usufruem no clima estável da maioria".
Quanta clareza. Só
mesmo a existência da força dos condicionamentos leva ao
cuidado de acrescentar algo: por exemplo, quantas vezes ele faz questão
de falar de supostas normalidades e anormalidades, referindo-se ora
aos homossexuais ora aos heteros?
Gente, será que restam dúvidas da posição
de André Luiz? Aliás, não dele, mas de um alto
missionário que era ouvido na outra Dimensão e que ele
apenas transcreveu.
“E à ligeira pergunta que arrisquei
sobre preceitos e preconceitos vigentes na Terra no que tange ao assunto,
Felix ponderou, respeitoso, que os homens não podem efetivamente
alterar, de chofre, as leis morais em que se regem, sob pena de precipitar
a humanidade na dissolução, entendendo-se que os Espíritos
ainda ignorantes ou animalizados, por enquanto em maioria no seio
de todas as nações terrestres, estão invariavelmente
decididos a usurpar liberalidades prematuras para converter os valores
sublimes do amor em criminalidade e devassidão".
Quanta sabedoria aplicada
a um contexto de época.
Voltemos a tomar consciência de que o texto é de 1963.
Ora, o que ficou conhecido como Revolução Sexual teve
um ensaio com a vitória da Revolução de 1917 na
Rússia, logo abafada por Stalin. Mas a Revolução
Sexual ressuscitou no pós-guerra em diversos países, ganhando
seu clímax com os Beatles na década de 60.
Não era a hora da legislação humana avançar
no terreno da homossexualidade, porque por incrível que pareça
e isso a grande maioria nem faz idéia, naquele tempo de reforço
da vulgarização da heterossexualidade foram os homossexuais
(equilibrados) que deram uma parte de contribuição para
a manutenção do sentimento através das artes e
do próprio comportamento, sim do próprio comportamento
porque viver o afeto no clima de repressão representava algo
sacrifical.
A sexualidade tem uma força de pulsão fortíssima.
Basta à gente tomar consciência do que ocorre nos dias
de hoje com a hetero e a homo, sabendo do que se passa nos ambientes
da hetero doentia e da homo idem. Na verdade, o cerceamento à
homo foi uma proteção para conservar determinados valores
não apenas gerais, mas em especial da própria homo.
"Acrescentou, no entanto, que no mundo
porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições
normais quanto em condições julgadas anormais, serão
tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade
humana, reparando-se as injustiças achacadas, há séculos,
contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas,
porquanto a perseguição e a crueldade com que são
batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução
dos encargos que trazem à existência física, quando
não fazem deles criaturas hipócritas, com necessidade
de mentir incessantemente para viver, sob o sol que a Bondade Divina
acendeu em benefício de todos".
Meus irmãos e irmãos! Esta parte
leva-me à emoção.
Ter a consciência de quanto sofrimento já experimentaram
os seres homossexuais em passado recente. Quanto amor à tona
e quanta repressão e tortura.
Lembro quando em 1973, ao promover um Simpósio em São
Paulo, específico sobre homossexualidade e já falando
como espírita, fui procurado ao final por um velhinho de seus
quase 80 anos, alemão radicado no Brasil desde a juventude. Suas
palavras, que ficaram para sempre no âmago do meu ser:
"Meu irmão,
que Deus o abençoe. Agora, posso morrer tranqüilo e feliz.
Passei toda a vida escondido e desprezado como um criminoso. Quantas
vezes como resposta ao amor tive o xingamento e a violência.
Amor - eu amava e era tido como doente ou pervertido. Graças
a Deus que o mundo está mudando".
E as lágrimas cobriam-lhe
toda a face e iam além dela.
Reparem que a previsão de André Luiz está cumprida
em diversos países. Reparem que depois das afirmações
de André Luiz, só muito depois a Medicina e a Psicologia
mudaram suas conceituações sobre a homossexualidade. Reparem
que o movimento pela cidadania gay teve início no Brasil só
nove depois de "Sexo e Destino" - e tenho a felicidade de
ter sido o iniciador, em 1972, com ato público em BH.
É preciso acrescentar algo mais?
Que Deus nos abençoe a todos,
Edson Nunes
62 anos, espirita desde os 17,
35 Anos de Lutas Pela Cidadania Gay no Brasil
topo
>>> clique aqui para acessar a página principal
de Notícias
>>>
clique aqui para voltar a página inicial do site
>>>
clique para ir direto para a primeira página de Artigos, Teses e Publicações