13/09/2007
Jader Sampaio
Foi sepultado às 14:00 horas do dia 05 de setembro de 2007, no
cemitério Parque da Colina, o escritor espírita José
Martins Peralva.

Muitas foram as vezes em que vi Peralva representando
a União Espírita Mineira em eventos espíritas,
mas algumas vezes, na intimidade, encontrava-o no consultório
de meu pai, sempre gentil, sempre presenteando-o com trabalhos e livros,
especialmente os então recém-publicados por Chico Xavier.
Ainda esta semana tive em mãos um trabalho autografado
por ele, dado a papai após um evento no estado do Rio de Janeiro.
Para os feitos, cargos e realizações,
o leitor poderá ver abaixo uma biografia publicada pela União
Espírita Mineira, com base em informações fornecidas
por um de seus filhos, Basílio Peralva.
O que não se lê, foi a política
de apoio à mediunidade e à pessoa de Chico Xavier, da
qual União Espírita Mineira sempre foi defensora e que
teve Martins Peralva como seu articulador.
Em nossa casa, a Associação Espírita
Célia Xavier, Peralva escreveu o livro Estudando a Mediunidade,
publicada pela Federação Espírita Brasileira, na
qual comenta e explica em linguagem direta e simples o conteúdo
do livro "Nos Domínios da Mediunidade", de André
Luiz.
União Espírita Mineira - UEM - Pioneiros
do Espiritismo - Martins Peralva
Embora se alinhe entre as figuras mais destacadas do
Movimento Espírita de Minas Gerais, o nosso biografado não
é mineiro. Nasceu em Buquim, cidade do Sul de Sergipe, em 1º
de abril de 1918, estando, portanto, com 88 anos de idade.
Foram seus pais Basílio Martins Peralva e Etelvina da Fonseca
Peralva. Seu genitor, um dos pioneiros do Espiritismo em terras sergipanas,
era espanhol de nascimento, tendo vindo para o Brasil aos 12 anos de
idade, fixando residência em Passa Quatro, Sul de Minas.
Ainda moço, transferiu-se para o Nordeste do País, onde,
como engenheiro prático e desenhista, construiu ramais de estradas
de ferro ligando Bahia e Sergipe. Em Buquim, tornou-se fazendeiro e
conheceu moça de rara beleza e peregrinas virtudes, conhecida
como Teté (Etelvina), com quem contraiu matrimônio.
Martins Peralva iniciou-se no Espiritismo sob assistência e orientação
diretas de seu pai, excepcional médium curador, vigoroso polemista
e excelente doutrinador. Acompanhando, desde os 6 anos de idade, os
trabalhos desenvolvidos com extraordinária segurança,
presenciou em sua própria casa notáveis curas realizadas
por intermédio de seu genitor.
Teve a infância e a adolescência enriquecidas por fatos
extraordinários e pelo contato com a Doutrina, o que lhe proporcionou
formação espírita essencialmente baseada em Allan
Kardec.
Do ponto de vista material, sua adolescência foi extremamente
difícil, pois perdeu o pai com apenas 13 anos (21/05/1931), ficando
a viúva Etelvina e seus filhos Edison, Eurídice e José
em situação de pobreza. Lívio Pereira da Silva,
admirável companheiro de Basílio Peralva, providenciou
emprego para o filho mais velho, Edison, de 15 anos, que cercou a família
de todo carinho.
Apesar de ser o mais novo dos filhos, nosso biografado assumiu o comando
da casa e procurou logo trabalhar para obter o pão de cada dia.
O primeiro emprego foi de balconista, na padaria de Ephrem Fernandes
Fontes, parente pelo lado materno; o segundo, como boy do Cartório
de Heráclito Araújo Barros, também parente pelo
lado materno; o terceiro, na cidade do Rosário do Catete, como
apontador na construção do Grupo Escolar Senador Leandro
Maciel, passando 8 meses longe da mãe e irmãos, com apenas
15 anos de idade; o quarto, como apontador na conservação
de estradas de rodagens, responsável pelo trecho Aracaju-Socorro-São
Cristóvão, tendo de percorrer diariamente, a pé,
cerca de 80 quilômetros (ida e volta), saindo de casa às
6 horas da manhã e retornando à noite, em trabalho realmente
penoso para um adolescente franzino.
Penalizada com a situação do filho, a senhora Teté
vendeu a pequena casa em que moravam e pôde comprar-lhe uma bicicleta,
com a qual passou a fazer o longo percurso. Toda essa luta era um estímulo
para o
compenetrado garoto que, com a morte do pai, tomara a si a direção
do lar.
Terminadas as obras no interior, passou a trabalhar, ainda como apontador,
na reconstrução do prédio do Tesouro do Estado
de Sergipe, sob as ordens do Dr. Josué Batista, trabalhando depois
como fiscal de construções, reformas e limpeza de casas.
Posteriormente fez concurso público para o cargo de escriturário
da Prefeitura Municipal de Aracaju, tendo sido aprovado e nomeado. Depois,
por merecimento, ocupou os cargos de oficial administrativo e assistente
da Procuradoria da Fazenda Municipal, sob direção do bacharel
Mário de Araújo Cabral.
Tendo-se revelado funcionário exemplar e capaz, granjeou a simpatia
e confiança dos prefeitos, sendo escolhido para secretário
particular dos prefeitos Carlos Firpo e José Garcez. Até
sua aposentadoria, motivada por doença pulmonar, permaneceu servindo
a todos os prefeitos seguintes como oficial de gabinete.
Em 4 de fevereiro de 1938, com 20 anos, verificou-se o falecimento de
sua mãe, sobrevindo novas dificuldades. Os irmãos dispersaram-se
e Martins Peralva já com emprego certo na Prefeitura, permaneceu
em Aracaju, passando a morar em república de rapazes, seus companheiros
de futebol, esporte em que iria ter destaque.
Apaixonado pelo futebol, ingressou no Paulistano F. C., chegando a ser
convocado para a seleção de Sergipe. Todavia, por motivo
de saúde, não chegou a disputar os jogos daquele ano,
abandonando a prática do futebol em plena forma como center-half
(médio volante).
Sua paixão pelo futebol era tão grande que, aos 25 anos,
tendo assumido a presidência da União Espírita Sergipana,
não deixou de comparecer, aos domingos, ao Campo Adolpho Rollemberg
e ao Campo do Palestra (onde hoje está o "Batistão"),
para defender as cores do Paulistano. Foi também árbitro
de futebol, diretor do Tribunal de Justiça Desportiva e redator
esportivo do Correio de Aracaju, jornal em que também escrevia
sobre Espiritismo, poesia, política e assuntos gerais.
Em agosto de 1942, sem família em Aracaju, morando em república,
casou-se com Jupira Silveira – a devotada esposa que desencarnaria
em 15 de julho de 2003 –, com quem teve três filhos: Ieda,
nascida em
Aracaju; Basílio e Alcione, nascidos em Belo Horizonte, os quais
lhe deram 5 netos. Basílio, atualmente, é membro do Conselho
de Administração da União Espírita Mineira.
Em 1949, indo ao Rio de Janeiro representar Sergipe na Festa Nacional
do Livro Espírita promovida por valorosos companheiros, entre
os quais Leopoldo Machado, Arthur Lins de Vasconcelos e Carlos Imbassahy,
estendeu sua viagem, após o encontro, a Minas Gerais, objetivando
conhecer e abraçar Chico Xavier, rever Virgílio Pedro
de Almeida, discípulo de seu pai na área espírita,
e visitar um irmão de seu pai, residente em Belo Horizonte: José
Martins Peralva.
Seu primeiro contato com Chico Xavier ocorreu na noite de 13 de maio
de 1949, em reunião do Centro Espírita Luiz Gonzaga, em
Pedro Leopoldo, sob grande emoção espiritual.
Desse encontro com Chico Xavier nasceu-lhe, espontaneamente, o desejo
de transferir a residência para Belo Horizonte. Voltando a Aracaju,
trocou idéias com seu médico, Dr. Lourival Bonfim, que
o considerava como filho, sendo orientado a mudar-se para a Capital
Mineira, tida na época como cidade de clima ideal para a cura
de problemas pulmonares.
Desfazendo-se da casa própria que tinha na Capital Sergipana,
ele e a esposa Jupira partiram para Belo Horizonte, levando consigo
a filha Ieda de 6 anos, desembarcando no aeroporto da Pampulha, em 4
de setembro de 1949, para fixarem residência definitiva na Capital
Mineira.
Seu primeiro contato com o meio espírita ocorreu na União
Espírita Mineira, levado por Virgílio Pedro de Almeida,
passando a trabalhar com Maria Philomena Aluotto Berutto, Camilo Chaves,
Bady Elias Cury, Oscar Coelho dos Santos, Raul Pompéia, José
Alves Neto, Efigênio Salles Vitor, dentre outros. Simultaneamente,
abraçou tarefas doutrinárias no Centro Espírita
Célia Xavier, ao lado de Virgílio Almeida, Ederlindo Sá
Roriz, Aderbal Nogueira Lima, José Pedro Xavier, Arnon Lopes
Moreno e Antônio Rodrigues.
Quando chegou a Belo Horizonte em setembro de 1949, a Mocidade Espírita
"O Precursor", contava apenas 6 meses de existência.
Integrando-se ao movimento moço, foi um dos mentores da Mocidade,
função que corresponde hoje à de coordenador. Foram
também mentores Bady Raimundo Curi, Raul Pompéia, Virgílio
Almeida e Maria Philomena Aluotto Berutto.
Em 1964, depois de participar do Centro Espírita Célia
Xavier durante 15 anos ininterruptos, fixou-se na União Espírita
Mineira, exercendo os cargos de 1º Secretário e posteriormente
os de Vice-Presidente, Secretário de O Espírita Mineiro,
Diretor do Departamento de Doutrina e Divulgação e Diretor-Executivo
do Conselho Federativo Espírita de Minas Gerais.
Ingressou na carreira bancária em 1º de abril de 1950 (sua
data natalícia), recebendo, como presente de aniversário
do seu amigo Virgílio Pedro de Almeida, o primeiro emprego em
Belo Horizonte, no Banco Financial da Produção S/A. Como
bancário por 35 anos ininterruptos, atuou como gerente dos bancos
Belo Horizonte, União Comercial, Irmãos Guimarães
e Progresso, aposentando-se pelo INSS em 1985.
Martins Peralva foi membro do Conselho Geral e Secretário do
Abrigo Jesus, sócio-efetivo do Hospital Espírita André
Luiz e 2º Secretário do Centro Espírita Luz, Amor
e Caridade.
Em Minas Gerais escreveu cinco obras evangélico-doutrinárias
de reconhecido valor: Estudando a Mediunidade (25 edições),
Estudando o Evangelho (8 edições), O Pensamento de Emmanuel
(8 edições), Mediunidade e Evolução (8 edições),
editadas pela FEB, e Mensageiros do Bem, com tiragem de dez mil exemplares,
editada pela União Espírita Mineira.
Em 1963, apresentou na XVI Concentração de Mocidades Espíritas
do Brasil Central e de São Paulo o trabalho intitulado "O
Comportamento do Jovem em face do Problema Sexual", que teve grande
repercussão na época, quando o tema era ainda um tabu
no meio espírita.
Participaram desse trabalho, com exposições e debates
orais, o médico de Uberlândia Ismael Ferreira de Rezende
(parte científica), o sociólogo de Goiânia Múcio
Melo Álvares (parte social) e Martins Peralva (parte religiosa).
É com muito carinho e gratidão que ele se refere à
esposa Jupira. Ela, ainda bem jovem, ajudou-o a enfrentar o problema
de sua saúde, concordando em desfazerem-se da casa própria
que possuíam em Aracaju, dedicando-se inteiramente ao seu tratamento
em Belo Horizonte, onde encontraria a recuperação da saúde
e a integração, do ponto de vista espiritual, num campo
de trabalho maior.
Como escritor e jornalista de rara competência, pertenceu à
Associação Sergipana de Imprensa e integra o corpo associativo
do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e da Associação
Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas. Sempre colaborou
em jornais e periódicos espíritas, escrevendo durante
muitos anos artigos sobre Doutrina Espírita no principal jornal
dos mineiros – o matutino O Estado de Minas. Atualmente, por efeito
de pertinaz enfermidade, vive em sua residência sob cuidados médicos
e o carinho dos familiares, afastado das lides doutrinárias em
que despontou como lídimo expoente do Espiritismo, com seu exemplo
de autêntico servidor de Jesus, em lições vivas
de devotamento à Causa Espírita.
Fonte original: Subsídios
fornecidos por Basílio Silveira Peralva, filho do biografado.
"O Espírita Mineiro" nº 293
Fonte: http://www.uemmg.org.br
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