28/05/2007
Chris Kenning
Em Petersburgo, Kentucky
Em meio a protestos e câmeras de televisão,
milhares de visitantes fizeram fila nesta segunda-feira (28/5) para
a inauguração do "Museu da Criação",
uma atração de US$ 27 milhões (em torno de R$ 54
milhões) mostrando que a história bíblica da criação
é fato literal embasado pela ciência.
Os visitantes viram dinossauros animados de alta tecnologia
abanarem o rabo ao lado de crianças brincando em um diorama natural.
Eles examinaram fósseis e crânios, andaram por um Jardim
do Éden exuberante e viram homens robóticos martelarem
a Arca de Noé antes da retribuição de Deus.
Diferentes mostras e exibições defendiam
que o Grand Canyon foi criado pelo dilúvio bíblico; os
animais de Noé ocuparam continentes flutuando pelos oceanos em
árvores caídas; que a Terra tem 6.000 anos, e não
bilhões; e que os sapos venenosos eram inofensivos antes do pecado
original de Adão.
Alguns visitantes disseram que o museu de 5.500 metros
quadrados - um cruzamento de museu de história natural com parque
temático bíblico - reforçou suas noções
que as teorias da evolução e do Big Bang - que o universo
foi criado em uma explosão gigante - estão erradas, apesar
do consenso científico contrário.
"Se você quiser acreditar que veio de animais,
isso cabe a você. Mas é mentira", disse Paul Aduba,
de Toledo, Ohio.
Fora dos portões do museu, mais de 100 manifestantes,
inclusive cientistas e grupos humanistas, brandiam cartazes que diziam:
"Ciência, não superstição"
e
"Não faça lavagem cerebral em nossos filhos".
Um grupo alugou um avião que atravessava o estacionamento
com uma faixa que dizia:
"Não mentirás".
"Esse é um museu de desinformação",
disse Lawrence M. Krauss, crítico aberto que chefia o Centro
de Educação e Pesquisa em Cosmologia e Astrofísica
na Universidade da Reserva de Case Western, em Cleveland.
"Tudo bem as pessoas acreditarem no que quiserem
- certo ou errado", disse ele.
"Mas é inapropriado mentir e dizer que
a ciência sustenta essas noções. Não sustenta."
Gene Kritsky, professor de biologia do Colégio
de Mount St. Joseph, em Cincinnati, disse que o "museu entre aspas"
- que atraiu a atenção da mídia internacional -
era "uma vergonha" para a região.
O museu, que inclui um planetário digital, é
o trabalho de um grupo religioso conservador, Answers in Genesis, parte
do movimento criacionista "Terra jovem".
Diferentemente do "design inteligente", que
sugere que o universo foi criado por um "projetista", mas
não especifica quem e aceita que tenha bilhões de anos
de idade, os criacionistas da Terra jovem acreditam que o livro do gênese
da Bíblia explica exatamente como o mundo foi formado - ou seja,
em seis dias de 24 horas.
Como acreditam que o mundo tem apenas 6.000 anos de
idade, dizem que os dinossauros devem ter coexistido com humanos. Acreditam
que as histórias do dilúvio e da arca são literalmente
verdade.
"Usamos a mesma ciência... apenas a interpretamos
de forma diferente", disse o criador Ken Ham, que começou
o ministério em seu país natal, Austrália, e
levantou fundos durante anos para montar o museu.
Ham disse que vê o museu como uma nova arma em
uma "guerra cultural" mais ampla para os cristãos que
"sentem que foram derrotados" em batalhas em torno do aborto,
casamento gay e na afixação dos Dez Mandamentos em locais
públicos. Ele também espera que o museu mude as opiniões
de turistas descrentes.
As pesquisas mostram que muitos americanos concordam
com a opinião de Ham. Uma pesquisa da CBS revelou que 51% dos
americanos acham que Deus criou os humanos em sua forma atual. Outros
acreditam que os humanos evoluíram, e Deus guiou o processo.
Apenas 15% dizem que os humanos evoluíram e que Deus não
estava envolvido.
Há meia dúzia de museus criacionistas
em todo o país. No entanto, críticos e defensores dizem
que o museu de Kentucky leva a noção a um novo nível
por sua amplitude e alta tecnologia. Os organizadores esperam 250.000
visitantes por ano.
"Há duas teorias diferentes", disse
Sean Riccardelli da Pensilvânia às suas filhas, Elina,
7, e Liza, 9, enquanto liam passagens bíblicas em uma das mostras.
"Você acredita no que está em seu coração...
no que sua fé diz."
As exibições questionam as evidências
da evolução, como Lucy, o hominídeo etíope
cujos restos são considerados um elo entre macacos e humanos.
"Faz sentido", diz uma mostra, que alguns sistemas de organismos
foram desenhados para funcionar juntos.
Judy Vinson, que fez uma viagem e sete horas do Alabama
para ver a inauguração, disse que não encontrou
nada com o que discordasse. "A evolução não
faz sentido", disse ela, nem o big bang, que os cientistas acham
que criou o universo. "Explosões não constroem",
disse ela.
Do site do USA Today
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