09/05/2007
O papa Bento 16 poderá ficar surpreso
com o que deve encontrar ao chegar ao Brasil na próxima quarta-feira,
afirma reportagem publicada nesta segunda-feira pelo diário The
New York Times.
O motivo, segundo o jornal americano, é a resistência
da Teologia da Libertação, já classificada no passado
pelo então cardeal Joseph Ratzinger como “uma ameaça
fundamental à fé da Igreja Católica”.
A reportagem observa que “no começo dos
anos 1980, quando o papa João Paulo 2º queria frear o que
considerava um movimento perigoso e de inspiração marxista
na Igreja Católica, a Teologia da Libertação, ele
se voltou a um aliado confiável: o cardeal Ratzinger”.
O jornal afirma que o movimento “permanece como
uma força ativa e até mesmo desafiadora na América
Latina, que abriga quase metade do um bilhão de católicos
no mundo”.
“Nos últimos 25 anos, enquanto o Vaticano
se movimentou para silenciar os clérigos teóricos da Teologia
da Libertação e a Igreja fortaleceu sua hierarquia conservadora,
os problemas sociais e econômicos que o movimento destacou pioraram”,
observa a reportagem.
O jornal comenta que a onda de governos mais à
esquerda na região também “contribuiu para dar à
demanda do movimento de que a igreja abrace ‘uma opção
preferencial pelos pobres’ um novo ímpeto e credibilidade”.
A reportagem relata que “hoje há cerca
de 80 mil ‘comunidades de base’ operando no Brasil”
e que “quase um milhão de ‘círculos da Bíblia’
se reúnem regularmente para ler e discutir as escrituras do ponto
de vista da Teologia da Libertação”.
"Continente da esperança"
A perspectiva da visita do papa também foi tema
de reportagem nesta segunda-feira pelo diário argentino La Nación,
que destaca uma declaração do pontífice na véspera
afirmando que a América Latina é “o continente da
esperança”.
O jornal comenta que a visita tem como um de seus objetivos
“fortalecer uma Igreja que enfrenta grandes desafios na região,
como a crescente influência dos protestantes e o avanço
do aborto em países como o México”.
Outro problema que preocupa o Vaticano, segundo a reportagem,
“é a diminuição do número de fiéis
no Brasil, assim como no resto do continente, onde vivem cerca de 500
milhões de católicos”.
“Mas, ainda com a redução de porcentagem
dos fiéis, o Brasil, com uma população total de
187 milhões de pessoas, segue sendo o país com o maior
número de católicos do mundo”, diz o jornal.
Carismáticos nos EUA
Já o americano The Washington Post destaca em
sua edição desta segunda-feira a influência dos
fiéis latino-americanos sobre a Igreja Católica nos Estados
Unidos, que observa um crescimento da Renovação Carismática
no país.
O jornal relata características das missas carismáticas,
como os cantos e a atmosfera de espetáculo, observando que “tais
cenas eram antes raramente observadas em qualquer língua nas
igrejas católicas americanas, há muito tempo conhecidas
por suas celebrações relativamente solenes que evitavam
a devoção religiosa mais vivaz do protestantismo evangélico”.
“Mas conforme ondas de imigração
latino-americana alteram o tecido social em grande parte dos Estados
Unidos, eles estão deixando uma de suas principais marcas na
Igreja Católica”, afirma a reportagem.
A chegada dos imigrantes, segundo o diário, “está
revigorando o movimento carismático da Igreja Católica
nos Estados Unidos, que vinha em declínio após um pico
nos anos 1980”.
“Com um em cada cinco hispânicos tendo deixado
a Igreja Católica nos últimos 25 anos, muitos deles para
igrejas pentecostais, o novo movimento pode ser uma graça salvadora”,
considera a reportagem.
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