10/03/2007
Grande número de recém-nascidos
largados na rua ou até em latas de lixo leva ministra a sugerir
incubadoras especiais para quem quiser abandoná-los
Folha de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 27 de fevereiro
de 2007
DA REDAÇÃO
A ministra para Assuntos da Família da
Itália, Rosy Bindi, quer que cada hospital do país tenha
uma versão moderna da "roda dos enjeitados", onde bebês
eram abandonados por seus pais em séculos passados.
No fim de semana, um bebê foi abandonado em uma incubadora no
hospital Casilino, em um subúrbio de Roma. Já preparada
para abandonos, a sala possui sensores eletrônicos que detectaram
a presença do recém-chegado e ativaram um alarme em apenas
40 segundos. Os médicos recolheram o menino, que se chamará
Stefano.
Histórias de recém-nascidos abandonados em lugares públicos,
como calçadas, acostamentos de estradas e até latas de
lixo, repetem-se mensalmente na imprensa italiana.
"Desejo que a mãe do menino deixado
no Casilino encontre esperança e coragem para mudar de opinião",
disse a ministra.
"De qualquer maneira, essa decisão difícil e dolorosa
aconteceu em um ambiente seguro, melhor alternativa que a rua."
As rodas que recebiam bebês indesejados
eram cilindros de madeira instalados nas paredes de conventos e igrejas.
No Brasil, "rodas dos expostos" ou "dos enjeitados"
funcionaram nas Santas Casas até meados do século 20.
O bebê era colocado na cilindro, do lado externo do prédio,
e depois era rodado pelas freiras, e levava a criança ao interior.
O mecanismo mantinha o anonimato de quem abandonava o bebê.
As primeiras rodas foram criadas na Itália em 1198, por ordem
do papa Inocêncio 3º, que estava alarmado pela grande quantidade
de bebês encontrados nas redes de pescadores no rio Tibre. Mas
o ditador Benito Mussolini aboliu oficialmente as rodas em 1923.
Bindi prometeu falar com o ministra da Saúde, Livia Turco, para
criar uma incubadora em cada maternidade.
O hospital Casilino, situado em uma área de população
imigrante, colocou diversos cartazes com os dizeres "não
abandone sua criança, deixe conosco", em seis línguas,
como chinês e romeno.
Mas o governo estima que, no sul, muitas crianças abandonadas
sejam de pais italianos. Seriam filhos nascidos fora do casamento, motivo
de constrangimento para um país tão católico. A
Itália tem o menor índice de natalidade da União
Européia, de apenas 8,72 nascimentos por 1.000 habitantes, e
um crescimento populacional de apenas 0,04% ao ano.
Cada mulher tem, em média, 1,28 filho, a mesma taxa de fertilidade
da Espanha, que, no entanto, tem um crescimento três vezes maior
por conta da imigração intensa.
Isso já provoca um debate no país sobre os efeitos do
envelhecimento da população. Apenas 13,8% dos italianos
têm menos de 14 anos (no Brasil, são 25,8%) e a idade média
no país é de 42,2 anos (aqui, é de 28,2 anos).
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