Bioética, chamada ciência da vida estuda
as implicações dos avanços da ciência na
humanidade e no meio ambiente.
A partir do momento em que adquirimos uma pequena visão sobre
a bioética é muito difícil dissociá-la da
religião.
Nós sabemos que a doutrina espírita, longe de ser dogmática,
tem como princípios básicos a crença na reencarnação
para a evolução do homem, na lei de causa e efeito, na
comunicabilidade com os espíritos e tantas outras.
Essas crenças nos colocam numa posição privilegiada
e ao mesmo tempo desconfortável. Privilegiada porque adquirimos
conhecimentos sobre o que realmente somos, de onde viemos, para onde
vamos e principalmente qual a nossa missão nesse planeta. Desconfortável
a medida em que, como nos ensinou o mestre Jesus ( Lucas, 12:48), “a
qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá”.
Se temos a consciência de que vivemos muitas vezes na terra, de
que devemos ressarcir os nossos débitos (independentemente do
nosso arrependimento) e que os espíritos iniciam a ligação
ao corpo físico antes do nascimento, como devemos nos posicionar
ante aos bebês anencéfalos, aos embriões congelados,
a eutanásia, a união civil entre pessoas do mesmo sexo,
ao transexualismo, as pesquisas com células tronco - embrionárias
e tantos outros temas discutidos atualmente?
Alguns amigos de ideal, temendo a descoberta de coisas novas e ainda
que possamos um dia contrariar os ensinamentos codificados por Kardec,
afirmam que é desnecessário estudar e debater essas questões
pois todas as respostas já estão contidas nos livros espíritas
.
Tal argumento nada mais é do que uma fuga. É como se preferíssemos
ignorar o progresso científico para que não corrêssemos
o risco de ferir os nossos conceitos e crenças e alterar a nossa
forma de pensar e olhar o mundo.
Nós podemos com toda certeza afirmar que livros como o O Livro
dos Espíritos e o O Evangelho Segundo o Espiritismo nunca serão
obsoletos mas não podemos nos esquecer que a humanidade evolui
.
Encontraremos as respostas através de debates e estudos sem,
contudo, abandonar os nossos conceitos Mesmo porque, com a consciência
espírita seria totalmente impossível opinarmos a cerca
de qualquer um desses temas sem recorrermos as nossas bases morais,
filosóficas e religiosas .
Ao introduzirmos o estudo da Bioética
no espiritismo poderemos fixar e divulgar uma posição
sobre assuntos tão polêmicos.
Muitas vezes ouvimos de companheiros que a doutrina espírita
não precisa ser divulgada.
Não concordamos com essa posição. Primeiro porque
o mestre Jesus nos ensinou devemos ir e pregar; segundo porque a não
divulgação de algo que poderia colaborar para o progresso
de muitas pessoas é contrária a própria doutrina
que nos ensina a evolução moral e intelectual; terceiro
porque guardar para nós tão preciosos ensinamentos poderia
se caracterizar numa atitude extremamente egoísta.
A Doutrina Espírita, além de filosofia e religião
é também ciência .
Logo, os que abraçam essa maravilhosa doutrina não podem
se esquivar ao estudo dos temas relacionados aos avanços tecnológicos
e científicos.
http://www.ipece.org/artigos/bioetica_e_espiritismo.htm
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