Todas as coisas me são
lícitas, mas nem todas as coisas convêm.
Todas as coisas me são lícitas; mas eu não
me deixarei dominar por nenhuma delas.
(I Coríntios 6:12)
Temos vivenciado profunda inversão de valores, resultante
de interesses imediatistas e materiais, e de generalizada incompreensão
sobre o que é natural, e o que se tornou apenas normal
para o indivíduo e sociedade. Ignorar a diferença
entre um e outro facilita enganos de toda espécie, pois
o normal de hoje possivelmente não o será amanhã,
porque imutável só a lei natural (divina). Podemos,
portanto, dizer que natural é aquilo que está de
acordo com as Leis da Natureza, enquanto normal é o que
se tornou habitual, não causando mais estranheza.
Deus não varia de humor, nem de opinião. Suas leis
são perfeitas e regem a harmonia universal, tanto no reino
material quanto no espiritual, por toda a eternidade, dando estabilidade
ao Universo. Mas os homens estão em processo de evolução,
e necessitam, de tempos em tempos, modificar leis e regras morais
que se mostram inadequadas ao progresso alcançado. O desenvolvimento
intelectual e moral se faz através de experimentação,
já que experimentando o homem adquire conhecimento e valores.
Falando doutrinariamente, para não incorrermos no erro
dos ‘achismos’ pessoais, encontramos equívocos
humanos quanto à prática das leis naturais esclarecidas
em O Livro dos Espíritos.
Natural é a adoração que
consiste “na elevação do pensamento a Deus”,
pois através dela o homem aproxima sua alma do Criador.
Normal tornou-se a ritualização
da fé, sem envolver o coração.
Natural é trabalhar para viver com dignidade.
Normal se tornou tentar “levar vantagem
em tudo”, como se os fins justificassem os meios.
Natural é utilizar a energia sexual como
fonte procriativa e laço material entre pessoas que se
amam, criando intimidade e respeito. Normal tem
sido o desequilíbrio da área genésica com
abusos de toda espécie, que geram abortos, doenças,
filhos sem pais, descontroles emocionais.
Natural é o respeito pelo organismo que
nos serve de instrumento na encarnação, cuidando
para que permaneça saudável. Normal
tem sido o desgaste da energia vital através dos vícios,
excesso de vaidade, adulterando o vaso carnal.
Natural é a destruição proceder
da natureza, renovando as forças que movimentam o planeta.
Normal virou matar, invadir, torturar, destruindo
os que pensam diferente, tomando o que não nos pertence.
Natural é compreender que somos parte
de uma sociedade mais ampla do que as divisões de estado
e fé imprimem, e nos solidarizarmos uns com os outros.
Normal é o egoísmo que impede o
compartilhar, gerando dissensões, divisões, descaso
pelo que pertence aos outros, como se isso não nos afetasse.
Natural é desejar progredir, buscando
o desenvolvimento coletivo que privilegia a todos. Normal
se tornou facilitar para que haja menos esforços construtivos,
e mais absorção do esforço alheio.
Natural é seguir a consciência e
respeitar o direito de igualdade, agindo com outros como gostaria
que agissem consigo. Normal é ignorar
a consciência, a qual tem gravada em si as leis morais,
nos equivocando com o que parece certo, mas nem sempre é.
Natural é usar da liberdade com parcimônia,
respeitando direitos e deveres. Normal tornou-se
acreditar que liberdade é o abuso do direito enquanto se
procura escapar do dever.
Natural é que a justiça ande de
mãos dadas com o amor e a caridade, para que ninguém
seja privado do necessário. Normal é
que o supérfluo seja ambição da maioria,
ainda que para isso deixemos morrer de fome aquele que bate faminto
à nossa porta.
A liberdade que conquistamos não deve ser regida por liberalismos
que se assemelham a libertinagem. Não temos que aceitar
como se fosse natural, a decadência dos valores morais.
É preciso, principalmente, voltar a educar moralmente as
crianças, exemplificar valores aos jovens, agir com a dignidade
que exige o ser cristão.
É tempo de despertar e avaliar nossas ações
com a consciência isenta de interesses, a fim de decidir
o melhor caminho a tomar. E nesse contexto, não há
regra melhor para usar em si mesmo, do que imaginar como julgaríamos
no outro, os comportamentos a que damos guarida.
Paz e Luz!
* * *
Este texto foi escrito para a 1ª Edição do
JORNAL À LUZ DO ESPIRITISMO
Disponível no Site Grupo Espírita Nova Era,
Semeando Esperança – G.E.N.E.S.E.