Para falar do tema,
é preciso refletir sobre a reencarnação como
processo educativo para o Espírito e também um grande
sinalizador do amor de Deus aos seus “filhos”.
Nada acontece por acaso, pois o acaso não existe. Tudo tem
um sentido útil no processo reencarnatório, diante de
todos os envolvidos na existência terrena.
Quando se fala em crianças com necessidades especiais, tratamos
de crianças que trazem em si um mundo especial na sua especificidade.
Mas o termo é bem abrangente, pois pode ser desde questões
físicas, cognitivas, comportamentais, até aspectos bem
mais complexos do campo neurológico.
Muitos desses Espíritos reencarnantes (a criança), trazem
variados bloqueios com um propósito útil para sua evolução.
Se pararmos pra pensar que muitos, em existências anteriores,
avançaram em inteligência, mas retardaram em progresso
moral, no mau uso da inteligência, ou mesmo o pouco zelo pelo
corpo que, em encarnações passadas, foi desdenhado por
viciações e arrastamentos variados, faz com que Deus,
através de seus especialistas do Departamento da Reencarnação,
promovam um meio de o Espírito conter suas más tendências
e/ou juntamente ao processo, desenvolver o campo afetivo, despertando
em futuras reencarnações suas potencialidades, buscando
o bem para si mesmo e dos envolvidos.
E qual a tarefa dos pais, como educadores, nesse caso, mediante o
comprometimento diante desse Espírito?
Os pais, diante desta tarefa, são direcionados em suas funções
de “educadores especiais”, como especial é o seu
filho. E o maior método educativo é o amor incondicional,
no sentido de servir de instrumento impulsionador desse Espírito,
para o ajuste da lei de causa e efeito, que faz parte da Lei de Deus.
Qualquer que seja o propósito, a missão é divina,
edificante e não deve ser considerada um “peso”,
no sentido de ser algo desagradável de se conviver.
Vejamos o que Joanna de Ângelis, nos diz num trecho do livro
Leis Morais da Vida:
“(...) se te repousa no berço de sonhos desfeitos
um filhinho (...) deficiente de qualquer natureza, esquece-lhe a aparência
e assiste-o com amor.
Não te chega ao trono dos sentimentos por acaso. Antigo companheiro
vencido, suplica ajuda (...)
O filho deficiente em seu lar significa a tua oportunidade de triunfo
e a ensancha que ele te roga para alcançar a felicidade.
Seria terrível e criminoso negar-lhe, por vaidade ferida, o
amparo que te pede, quando te concede a bênção
do ensejo para a tua reparação em relação
a ele.”
E com essa visão mais ampla, que nos trouxe Joanna de Ângelis,
vemos que tudo segue um “comando maior” e que tem como
objetivo a reparação, aprendizagem e progresso.
Se os pais tiverem “Olhos de Ver”, que é o olhar
espiritual, com certeza, perceberão o sentido da vida, e os
sentimentos brotarão com leveza, numa mistura de aceitação
integral, compreendendo o rico universo contido nas variadas experiências
que vivenciarão. E esse filho, surpreendentemente, conduzirá
os pais a um enriquecimento interior, pois terão que romper
os próprios preconceitos e reinventarem-se diante da vida.
Nancy Pulmann Di Girolamo, autora do livro: O Castelo
das Aves Feridas, teve uma filha especial, e nos revela
em seu livro a sua experiência, que vamos relatar em um pequeno
trecho, a beleza de sua sensibilidade. Ela nos diz assim: “Pelo
fato dela ter nascido atípica, minha visão, que era
curta, se alargou (...) Dilatou o horizonte diante da minha busca
de amor. Reforçou a certeza de que a vida terrena é
um imperativo da evolução espiritual (...) Elas velejam
tranquilas em seus castelos, sabendo o caminho das rosas azuis que
os “normais” não conseguem descobrir.
Continuam a nascer e a renascer com a certeza metafísica de
que estão na direção reta para a meta que todos
nós buscamos: a felicidade.”
Daí compreender, diante desse
depoimento, que o importante é observar o que é invisível
aos olhos humanos, pois a sutileza dos detalhes se encontra na essência
do Espirito, que requer uma aceitação e superação
dos pais, para que ele, pelas vibrações do afeto, receba
o refrigério que só o amor é capaz de oferecer,
mesmo que o filho não consiga compreender pelas limitações,
mas ter a certeza de que, como Espírito que é, a imantação
da aceitação, do acolhimento e cuidado é o remédio
curador de que necessita. Esse será a melhor meio de promover
a educação desse Espírito. A metodologia do amor
incondicional, ensinado por Jesus.
Hoje, novos tempos e recursos variados existem, no campo da ciência,
que vêm contribuindo e amenizando os quadros limitantes do Espírito.
Contudo, o maior medicamento se encontra no recinto do lar, entre
os escolhidos a compartilhar-lhe a existência.
Refletir e avaliar “sem culpas”. Até porque o processo
é de evolução para todos. O importante é
os pais estarem conscientes de que estão fazendo o melhor.
Parafraseando Nancy Pulmann, podemos dizer que, na verdade, é
um reencontro de
almas, para que através da presença na vida, possam
aparar de ambos os lados, o orgulho e a vaidade.