Espiritualidade e Sociedade





Selma Trigo

>   A autoeducação à luz da Doutrina Espírita - Como realizar?

Artigos, teses e publicações

Selma Trigo
>   A autoeducação à luz da Doutrina Espírita - Como realizar?

 

Quando nos deparamos com a Doutrina Espírita, naturalmente vamos compreendendo o quanto ela é educativa e, consequentemente, consoladora, à medida que vamos entendendo seu significado, pelas informações trazidas pelos espíritos, tendo Allan Kardec como codificador. E hoje, usufruímos de todos esses conhecimentos, como também, por intermédio de grandes Educadores Espíritas, que deixaram seus registros de profundas reflexões quando encarnados e que, após retorno à Pátria Espiritual, continuam a nos assessorar com pensamentos que elevam nossas almas.

Assim sendo, não podemos negar que estamos, desde a nossa criação, mergulhados no contexto educativo, nas variadas etapas das existências, pois, à medida que evoluímos, novas bases vão sendo reconstruídas, o que Eurípedes Barsanulfo bem define como estruturas mentais.

Dessa forma, vamos selecionando e renovando valores, substanciados no objetivo pedagógico que nos favorece a Doutrina Espírita.

Podemos começar a citar Léon Denis, que, de forma clara, expressa-se dizendo: “A alma contém, em estado virtual, todos os gérmens de seu desenvolvimento futuro. Está destinado a tudo conhecer, tudo adquirir, tudo possuir (...)”.

Esse virtual que Léon Denis descreve é no sentido de que está invisível aos olhos, mas existe em seu sentido real, na essência do espírito, onde a “semente divina” inserida em nós, na condição de princípio inteligente, vem sendo desenvolvida, na soma da construção de nós mesmos, no decorrer das várias existências. Daí Léon Denis complementar: “(...) Nem todas as almas têm a mesma idade; nem todas escalaram com a mesma velocidade seus estágios evolutivos”.

E por que ser assim o processo? Porque a criação de Deus é constante e, também, cada espírito utiliza-se de seu livre-arbítrio, uma das potências da alma, contida na “semente divina”, de acordo com sua percepção evolutiva.

Por esse processo, em cada reencarnação, a alma reedita suas aptidões e aquisições mentais, a partir das experiências, e a assimilação que se incorpora vai promovendo mudança interior, de acordo com o que for assimilando. Mas tudo tem um tempo, de acordo com a vontade desenvolvida, potencial da alma essencial ao impulsionamento das demais potências.

Não podemos esquecer que somos espíritos comprometidos com a nossa evolução. Assim sendo, a importância da vigilância de nossos pensamentos e sentimentos, de forma a percebermos quando é preciso reorganizar valores, o que é necessário mudar e quais os métodos adequados que dão sentido e significado definido pela Lei de Deus.

Daí compreender que a Doutrina Espírita é pedagogia. Ela não impõe, e sim oferece recursos educativos definidos por Deus.

Precisamos entender que, à medida que exercitamos o que passamos a conhecer com a Doutrina Espírita, naturalmente tudo flui com menos conflito, dores e desajustes.

Não que a Doutrina Espírita nos afaste das provas ou expiações que temos de vivenciar por construção nossa, em que a Lei de Causa e Efeito naturalmente age para reajustes e crescimento. Mas ela nos oferece recursos de entendimento que nos faz trabalhar a reforma íntima sem martírio, que Ermance Dufaux bem explica em sua obra.

Falando em Ermance, em seu livro, Mereça ser feliz, ela nos oferece algumas “dicas” que muito contribuem ao nosso processo educativo, a começar: estabelecer a paz interior conosco mesmo. Isso quer dizer, estabelecer um bom relacionamento com a nossa sombra, pois, se não fizermos isso, manteremo-nos fugidios de nós mesmos, buscando sempre abonar os nossos desenganos ou entrando em um processo de autoculpa. E nenhum dos dois meios é o ideal.

Outro aspecto citado por Ermance é o autoconhecimento para libertação da ignorância. Necessários são a disciplina do pensamento, o exercício constante de se observar e buscar ouvir a consciência sem medo, e, assim, aprendermos a escutar os ditames de Deus e do próprio guia. E, passo a passo, vamos conquistando a autonomia, pois passamos a ser senhores de nós mesmos.

Se observarmos bem, em O Evangelho segundo o Espiritismo, vamos encontrar os ensinamentos de Jesus. Ensinamentos pautado no autoamor e, consequentemente, no amor ao próximo.

Já em O Livro dos Espíritos, muitas são as respostas aos nossos questionamentos, que nos servem de base ao entendimento de tantos porquês da vida E sem falar nas demais obras da Codificação e as complementares, de espíritos altamente sérios e respeitáveis.

Então o que nos falta? Praticar os conhecimentos adquiridos. Estarmos atentos em nossas reações internas e ações externas?

E como nos diz o espírito Vinícius, no livro O Mestre na Educação:

Não basta sabermos, é preciso agirmos.
Conhecer a origem dos males que nos afetam não é tudo:
é necessário atacá-los no seu reduto, desejá-los para vencê-los.
Não nos iludamos, pois: devemos cuidar
da educação do nosso coração com o mesmo
interesse e esmero que o nosso cérebro.
Se é a ignorância intelectual, mais a ignorância moral.
Nem todos podem ser sábios, mas todos podem ser bons (...)


 

Referências Bibliográficas:

DENIS, Léon. O problema do ser e do destino.1 ed. Rio de Janeiro: Celd, 2011.
DUFAUX, Ermance. Mereça ser feliz. Superando as ilusões do orgulho. Psicografia: Wanderley S. de Oliveira.1 ed. Belo Horizonte: Inede, 2002.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 2 ed. Rio de Janeiro: Celd, 2011.
___________. O Evangelho segundo o Espiritismo. 5 ed. Rio de Janeiro: Celd, 2010.
VINICIUS. O Mestre na Educação. 10 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009.

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/06-Revista_CELD_Junho-2020.pdf

 

 

 

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