Na formulação do Espiritismo
como ciência de observação, Allan Kardec
sempre se preocupou em apresentar os conceitos doutrinários
associados às idéias científicas aceitas
na sua época, visando integrá-lo à cultura
vigente. E buscava atualizar-se, consolidando a doutrina de
modo que a confiança nela pudesse “enfrentar
a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.
Em O Livro dos Espíritos,
Kardec menciona uma classificação dos seres
da Natureza em três reinos, incluindo os minerais, com
base em divisão científica aceita desde o século
XVIII. O presente trabalho analisa a evolução
dessa concepção biológica após
Kardec, quando ela passou a incluir apenas os seres vivos,
derivando para o evolucionismo das espécies e do ser
humano (darwinismo), aprofundado e consolidado com o desenvolvimento,
no século XX, da biologia evolucionista e com o mapeamento
do genoma humano. Nesse livro, Kardec aborda com cuidado o
terreno da ciência biológica das espécies.
Após a publicação de
A Origem das Espécies por Charles Darwin em
1859, Kardec, em vários artigos na Revista Espírita,
avançaria os conceitos da Doutrina em consonância
com o desenvolvimento da Ciência da evolução.
Em A Gênese, em 1868, Kardec formularia a hipótese
sobre a origem do corpo humano em que nossa descendência
biológica dos primatas apareceria como a conclusão
mais provável. No entanto, diferentemente da preocupação
de Kardec, a evolução dessa concepção
biológica não tem sido levada em conta pela
maioria dos divulgadores do Espiritismo, que continuam a ensinar
os mesmos Três reinos ainda hoje, comprometendo
a própria credibilidade da Doutrina na sociedade.
Por outro lado, O Livro dos Espíritos
introduz a ideia de que os Espíritos humanos se desenvolveram
e individualizaram em várias existências nas
espécies ditas inferiores da Natureza. Em A Gênese,
a hipótese da evolução espiritual através
das espécies vivas seria desenvolvida, confirmando-se
que “nesse primeiro período a alma se elabora
e ensaia para a vida”. Ali, Kardec avançaria
também na compatibilização entre a evolução
do princípio espiritual e a teoria da evolução
das espécies vivas, analisando que, na época
do surgimento dos primeiros hominídeos na Terra, os
corpos de macaco existentes teriam sido muito adequados para
a encarnação dos primeiros Espíritos
humanos que vieram habitar a Terra. As conclusões atuais
da biologia evolucionária e da paleontologia têm
sido bastante compatíveis com essas teses espíritas.
A análise aqui apresentada confirma
que o Espiritismo e a Ciência se completam e se fortalecem
um ao outro, e que a divulgação adequada desses
dados irá certamente contribuir para fortalecer e arejar
nossa fé raciocinada.
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