Espiritualidade e Sociedade





Mônica Soares

>   A força do pensamento positivo

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Mônica Soares
>   A força do pensamento positivo

 

 



Um sapo decidiu chegar no topo de uma árvore. Os outros sapos gritaram, lá embaixo: ‘É impossível! É impossível!’. Mesmo assim, o sapo chegou no topo... Mas como? Simples: ele era surdo. E porque ele pensava, enquanto subia: ‘Eles estão me encorajando, e eu preciso chegar lá em cima!’. Moral da história: Se você quer alcançar seus sonhos, e realizar suas metas, seja surdo para os pensamentos negativos.” A pequena fábula circula nas redes sociais e simboliza de uma forma singela e clara, o que se pode fazer pela força do pensamento positivo. A Doutrina Espírita, pela voz dos mensageiros e benfeitores, vem esclarecer à humanidade a fórmula pela qual se processa, no mundo espiritual, toda a gama dessas imensas possibilidades que têm o homem para ser feliz. Mas, infelizmente, o homem ainda prefere sofrer pela falta de fé.

Diz Balthazar: “A mente de cada um é bastante poderosa para construir como também para destruir. Construís ânimo e vontade, quando estais conscientes do serviço; ou destruís a própria possibilidade de servir, quando intimidados ou acuados. Caminhar na direção do mais Alto, na direção do trabalho, na direção do progresso, eis o objetivo a ser alcançado”. Mas como ser indiferente ao pensamento derrotista e descrente, diante da avalanche de acontecimentos ruins? Como tornarmo-nos surdos a tantas notícias que provocam medo e tristeza naqueles que se esforçam para seguir o caminho reto?

Jesus, o maior psicoterapeuta de todos os tempos, resumiu: “Pedi e obtereis!”, “Ajuda-te e o céu te ajudará!”. O item 9, do capítulo XXVII, do O Evangelho Segundo o Espiritismo intitula-se: “Ação da Prece. Transmissão do pensamento”. Explica Kardec: “Para se compreender o que se passa nessa circunstância, é preciso imaginar todos os seres encarnados e desencarnados, imersos no fluido cósmico universal, que ocupa o espaço, assim como, aqui na Terra, estamos mergulhados na atmosfera. O fluido recebe o impulso da vontade, ele é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som — com a diferença que as vibrações do ar são circunscritas (à Terra), enquanto as do fluido universal se estendem ao Infinito. Assim, quando o pensamento é dirigido para um ser qualquer, sobre a terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado (ou vice-versa), uma corrente fluídica se estabelece de um ao outro, transmitindo o pensamento, da mesma forma que o ar transmite o som. A energia dessa corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade!”, afirma Kardec, que também escreveu na Revis- ta Espírita de 1864, sobre a questão do pensamento que age sobre os fluidos ambientes, assim como o som age sobre o ar.

 

Princípio da Evolução

Na parte terceira do livro O Problema do Ser e do Destino, na qual Léon Denis fala sobre as potências da alma, o autor afirma que “as causas da felicidade não se acham em lugares determinados no espaço; estão em nós, nas profundezas misteriosas da alma”, e que isto está confirmado por todas as grandes doutrinas... “O reino dos céus está dentro de vós”, disse o Cristo, reforça Denis. E o mesmo pensamento surge em outra expressão nos Vedas (“Tu trazes em ti um amigo sublime, que não conheces”) e na sabedoria Persa (“Vós viveis no meio de armazéns cheio de riquezas e morreis de fome à porta”, na afirmação de Suffis Ferdousis)”, segundo Denis, que sentencia: “A vontade é a maior de todas as potências; é, em sua ação, comparável ao ímã. A vontade de viver, de desenvolver em nós a vida, atrai-nos novos recursos vitais; tal é o segredo da lei de evolução. A vontade pode atuar com intensidade sobre o corpo fluídico, ativar-lhe as vibrações e, por esta forma, apropriá-lo de um modo cada vez mais elevado de sensações, prepará-lo para mais alto grau de existência”.

O apóstolo do Espiritismo explica que o princípio da evolução não está na matéria, mas sim na vontade, cuja ação tanto se estende à ordem invisível das coisas, como à ordem visível e material. Diz ele que “o uso persistente, tenaz, desta faculdade soberana permitir nos-á modificar a nossa natureza, vencer todos os obstáculos, dominar a matéria, a doença e a morte. É pela vontade que dirigimos nossos pensamentos para um alvo determinado... Sua mobilidade constante e sua variedade infinita oferecem pequeno acesso às influências superiores. É preciso saber concentrar-se; por o pensamento em acordo com o pensamento divino. Então, a alma humana é fecundada pelo Espírito Divino, que a envolve e penetra, tornando-a apta a realizar nobres tarefas, preparando-a para a vida do Espaço, cujos esplendores ela já começa a entrever desde este mundo (...)”.

Exercício da vontade

Em 1908, Léon Denis já observava que a educação e o exercício da vontade levaram certos povos a conquistarem resultados prodigiosos. “A energia mental, o vigor de espírito dos japoneses, seu desprezo pela dor, sua impassibilidade diante da morte, causaram pasmo aos ocidentais e forma para eles uma espécie de revelação. O japonês habitua-se desde a infância a dominar suas impressões, a nada deixar trair dos seus desgostos, das decepções, dos sentimentos por que passa, a ficar impenetrável, a não se queixar nunca, a nunca se encoleirizar e a receber sempre com boa cara os reveses. Tal educação retempera os ânimos, e assegura a vitória em todos os terrenos. Na grande tragédia da existência e da história, o heroísmo representa o papel principal. É a vontade que faz os heróis”, afirma.

Da mesma forma, Denis estudou o uso da força do pensamento positivo em outras civilizações. “Os americanos têm, com o nome de mind cure (cura mental), aplicado o seguinte método à terapêutica, e não se pode negar que os resultados obtidos por eles são consideráveis: ‘O pessimismo torna fraco; o otimismo torna forte’. Consiste na eliminação gradual do egoísmo, na união completa com a Vontade Suprema, causa das forças infinitas. Os casos de cura são numerosos e apoiam-se em testemunhos irrecusáveis”, explica Léon Denis. Tanto que nos estudos científicos mais recentes é uma realidade já comprovada, as pesquisas em torno do poder da alma sobre o corpo, na sugestão e autossugestão; na eficácia da alegria junto aos doentes, e do poder de cura pela fé.




 

E foi desse “giro observatório” sobre as outras civilizações e “das impressões sentidas em seus conhecimentos adquiridos com os mensageiros do espaço”, que este iluminado pensador espírita concluiu ser o ensino ministrado nas escolas filosóficas, e o ensino ocidental em geral, que desprepara o homem para o uso da potência do pensamento em sua própria vida. Justamente aqueles que deveriam guiar a humanidade para a vitória, desconhecem a verdadeira natureza do homem, a espiritual!

O filósofo do Espiritismo desabafou, na introdução deste seu livro: “A alma de nossos filhos, sacudida entre sistemas diversos e contraditórios — o positivismo de Auguste Comte, o de Hegel, o materialismo de Stuart Mill, o ecletismo de Cousin, etc, etc... — flutuam incertos, sem ideal, sem fim preciso... Daí o desânimo precoce e o pessimismo dissolvente, as moléstias das sociedades decadentes, as ameaças terríveis para o futuro, a que se junta o ceticismo amargo e zombeteiro de tantos moços da nossa época; em nada mais creem do que na riqueza, nada mais honram do que o êxito financeiro (...) Esses pobres moços cessam de lutar logo às primeiras dificuldades. Já não creem em si mesmos. Tornam-se túmulos vivos, onde se encerram, promiscuamente, suas esperanças, seus esforços, seus desejos, tudo o que lhes faz bater o coração (...)”.
 
Por acaso alguma coincidência com os dias que vivemos hoje? Com o abatimento geral que os povos estão a testemunhar?

 

Cérebro e energia

A doutrina dos espíritos deixa claro que é através do pensamento que atraímos bons ou maus espíritos. Bons pensamentos atraem bons espíritos, e vice-versa. André Luiz, na obra Nos Domínios da Mediunidade (psicografia de Chico Xavier), afirma que o pensamento exterioriza-se e projeta-se. “O pensamento espalha suas emanações em toda parte a que se projeta, deixando vestígios espirituais onde são arremessados os raios da mente (...)” Já na obra “Mecanismos da Mediunidade”, o autor compara o cérebro e a energia do pensamento ao funcionamento dos geradores elétricos. No capítulo 9, ele faz um pequeno estudo acerca da criação da energia mental e sua respectiva expansão, ao compará-la ao mecanismo de um gerador shunt (gerador shunt é um tipo de gerador de corrente contínua (CC) onde o enrolamento de campo (também conhecido como enrolamento de excitação ou bobina de derivação) é conectado em paralelo (ou em "shunt"). “Com alguma analogia, encontramos no cérebro um gerador autoexcitado, acrescido em sua contextura íntima de avançados implementos para a geração, excitação, transformação, indução, condução, exteriorização, captação, assimilação e desassimilição da energia mental, qual um gerador comum desempenhasse não apenas a função de criar força eletromotriz, e consequentes potenciais magnéticos (para fornecê-los em certa direção), mas também todo o acervo de recursos dos modernos emissores e receptores de radiotelefonia e televisão, acrescidos de valores ainda ignorados na Terra”, explica André Luiz, autor de 21 obras que descrevem como se processa a vida e a comunicação no mundo espiritual.

O autor explica que o cérebro, este “gerador” de energia do corpo humano, “com as células especiais que lhe são próprias, detém verdadeiras usinas microscópicas, das quais as pequenas partículas de germânio, na construção do transistor, nos conjuntos radiofônicos miniaturizados, podem oferecer imperfeita expressão. É aí, nesse microcosmos prodigioso, qua a matéria mental (o pensamento), ao impulso do espírito, é manipulada e expressa, em movimento constante, produzindo correntes que se exteriorizam no espaço e no tempo, conservando mais amplo poder na aura da personalidade em que se exprime, por meio de ação e reação permanentes, como acontece num gerador comum”.

Conforme a ilustração de André Luiz, é nesta “cabine” ( o cérebro), cuja intimidade a criatura (personalidade) expede ordens e decisões com que traça o próprio destino. “Temos, no córtex, os centros da visão, audição, tato, olfato, gosto e da palavra escrita e falada, memória, e múltiplos automatismos, em conexão com os mecanismos da mente, configurando os poderes da memória profunda, do discernimento, da análise, da reflexão, do entendimento e todos os valores morais de que o ser se enriquece no trabalho da própria sublimação. Então é nessas províncias-fulcros da individualidade, que circulam correntes mentais constituídas à base de átomos da matéria da mesma grandeza, em que das correntes elétricas resultam átomos físicos excitados, formando, em sua passagem, o consequente resíduo magnético, pelo que depreendemos, sem dificuldade, a existência do eletromagnetismo. Tanto nos sistemas interatômicos da matéria física, como na matéria mental. E sendo o pensamento força sutil e inexaurível do espírito, podemos categorizá-lo, assim, na conta de corrente viva e exteriorizante, com faculdade de autoexcitação e autoplasticização inimagináveis”, garante.



Positividade na gratidão

É exatamente neste ponto que voltamos a Léon Denis, quando ele afirma que “as profundezas da alma ligam-se à grande alma universal!” E que todo o segredo da felicidade encontra-se nestes dois mundos: o interno, profundo, e o externo. Reconhecer, internamente, na consciência da alma, a verdade para viver uma existência de luz. Vitor Hugo diz que “é dentro de nós que devemos olhar o exterior, e que a causa de todos os nossos males e misérias morais está na sua oposição direta. Ou seja, existe em nós um princípio, uma razão mais profunda, que por meio de uma revelação interior, nos inicia nas verdades e nas leis do mundo espiritual. É a consciência de Deus em nós. Portanto, é necessário a firmeza no pensamento, a certeza de um Deus Pai, que está sempre atento às nossas necessidades. Mas é necessário, da mesma forma, buscá-lo. No trabalho no bem, no prestar atenção ao outro, no esquecer-se de si mesmo, no acordar com alegria, e agradecer a Deus a gloriosa oportunidade da reencarnação. Ao seguir o manual que o Cristo nos deixou, nas palavras do Evangelho. E assim conduzindo-nos, produzir a positividade em nós e ao nosso redor.

Joanna de Ângelis deixa claro, quando afirma, por intermédio da psicografia de Divaldo, “Quem é grato naturalmente é abençoado pela felicidade, pela saúde, esparzindo as ondas de júbilo que o envolvem, contaminando todos aqueles que se lhe acercam” (do livro “Psicologia da Gratidão”). Acentua nesta obra, a mentora espiritual de Divaldo Franco, o quanto é importante reconhecer que a negatividade existe em nós, para que possamos dar os primeiros passos. “A negatividade existente em si é o primeiro passo para desmascarar-se a sombra, aceitando-lhe a presença, mas não conivindo com a sua existência”, diz a veneranda. “Por outro lado, evitar a queixa, que se propõe a ganhar compaixão e solidariedade, utilizando-se dela como autojustificativa para permanecer na conduta morbosa, constitui um passo decisivo na construção básica da gratidão. A gratidão que se deve ter à vida...”

Meimei lindamente encoraja-nos, espíritas iniciantes, em nossos passos vacilantes: “Refereste aos Mundos Superiores do Espaço Cósmico, qual se a Terra não estivesse localizada nos Céus. E pensas nos Espíritos Angélicos, à feição de inatingíveis ministros do Eterno, mensageiros de forças prodigiosas que jamais alcançarás. Entretanto guardas contigo a mesma condição de imortalidade, tocada de dons sublimes, que podes claramente desenvolver ao infinito. Por essa razão, convém, saibas, que por muito extensas se te façam as necessidades e as lágrimas, carregas contigo o mais alto poder da vida. Não creias compartilhem dele tão somente os sábios e os justos, os santos e os heróis. Por mais ínfima se te mostre a situação, ei-lo contigo por marca de tua origem celeste... Mesmo que estejas atravessando rudes e escabrosos caminhos de cinza e pranto, para que te soergas de quedas clamorosas, exibindo sinais de poeira e fel, ninguém te pode subtrair essa herança do Criador, de cujo hálito nasceste. Detém-te a pensar nisto e nunca esmoreças. Ainda que os imperativos da experiência humana te hajam arrojado de luminosas eminências do serviço aos degraus mais obscuros do recomeço, mergulha o próprio coração nas fontes de esperança e rejubila-te! Porque Deus te dotou com o Divino privilégio de trabalhar e de auxiliar”.

 

Referências Bibliográficas

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª ed. – Rio de Janeiro; CELD, 2012.

DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. 26ª edição – Rio de Janeiro; FEB.

LUIZ, André – Mecanismos da Mediunidade. – Psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira –, 28ª edição, Brasília; FEB. 

DE LUCCA, José Carlos. Alguém me Tocou. 1ª edição. São Paulo; Intelítera Editora, 2012.

ÂNGELIS, Joanna. Psicologia da Gratidão – Psicografado por Divaldo Franco – Salvador, Bahia. Livraria Espírita Alvorada Editora, 2011.

MEIMEI. Coragem – Espíritos Diversos, psicografados por Francisco Cândido Xavier – Uberaba, MG; Comunhão Espírita Cristã.

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/05-Revista_CELD_Maio-2018.pdf

 

 

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