
Um sapo decidiu
chegar no topo de uma árvore. Os outros sapos gritaram, lá
embaixo: ‘É impossível! É impossível!’.
Mesmo assim, o sapo chegou no topo... Mas como? Simples: ele era surdo.
E porque ele pensava, enquanto subia: ‘Eles estão me
encorajando, e eu preciso chegar lá em cima!’. Moral
da história: Se você quer alcançar seus sonhos,
e realizar suas metas, seja surdo para os pensamentos negativos.”
A pequena fábula circula nas redes sociais e simboliza de uma
forma singela e clara, o que se pode fazer pela força do pensamento
positivo. A Doutrina Espírita, pela voz dos mensageiros e benfeitores,
vem esclarecer à humanidade a fórmula pela qual se processa,
no mundo espiritual, toda a gama dessas imensas possibilidades que
têm o homem para ser feliz. Mas, infelizmente, o homem ainda
prefere sofrer pela falta de fé.
Diz Balthazar: “A mente de cada um é bastante poderosa
para construir como também para destruir. Construís
ânimo e vontade, quando estais conscientes do serviço;
ou destruís a própria possibilidade de servir, quando
intimidados ou acuados. Caminhar na direção do mais
Alto, na direção do trabalho, na direção
do progresso, eis o objetivo a ser alcançado”. Mas como
ser indiferente ao pensamento derrotista e descrente, diante da avalanche
de acontecimentos ruins? Como tornarmo-nos surdos a tantas notícias
que provocam medo e tristeza naqueles que se esforçam para
seguir o caminho reto?
Jesus, o maior psicoterapeuta de todos os tempos, resumiu: “Pedi
e obtereis!”, “Ajuda-te e o céu te ajudará!”.
O item 9, do capítulo XXVII, do O Evangelho Segundo o Espiritismo
intitula-se: “Ação da Prece. Transmissão
do pensamento”. Explica Kardec: “Para se compreender o
que se passa nessa circunstância, é preciso imaginar
todos os seres encarnados e desencarnados, imersos no fluido cósmico
universal, que ocupa o espaço, assim como, aqui na Terra, estamos
mergulhados na atmosfera. O fluido recebe o impulso da vontade, ele
é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo
do som — com a diferença que as vibrações
do ar são circunscritas (à Terra), enquanto as do fluido
universal se estendem ao Infinito. Assim, quando o pensamento é
dirigido para um ser qualquer, sobre a terra ou no espaço,
de encarnado para desencarnado (ou vice-versa), uma corrente fluídica
se estabelece de um ao outro, transmitindo o pensamento, da mesma
forma que o ar transmite o som. A energia dessa corrente está
na razão direta da energia do pensamento e da vontade!”,
afirma Kardec, que também escreveu na Revis- ta Espírita
de 1864, sobre a questão do pensamento que age sobre os fluidos
ambientes, assim como o som age sobre o ar.
Princípio da Evolução
Na parte terceira do livro O
Problema do Ser e do Destino, na qual Léon Denis fala
sobre as potências da alma, o autor afirma que “as causas
da felicidade não se acham em lugares determinados no espaço;
estão em nós, nas profundezas misteriosas da alma”,
e que isto está confirmado por todas as grandes doutrinas...
“O reino dos céus está dentro de vós”,
disse o Cristo, reforça Denis. E o mesmo pensamento surge em
outra expressão nos Vedas (“Tu trazes em ti um amigo
sublime, que não conheces”) e na sabedoria Persa (“Vós
viveis no meio de armazéns cheio de riquezas e morreis de fome
à porta”, na afirmação de Suffis Ferdousis)”,
segundo Denis, que sentencia: “A vontade é a maior de
todas as potências; é, em sua ação, comparável
ao ímã. A vontade de viver, de desenvolver em nós
a vida, atrai-nos novos recursos vitais; tal é o segredo da
lei de evolução. A vontade pode atuar com intensidade
sobre o corpo fluídico, ativar-lhe as vibrações
e, por esta forma, apropriá-lo de um modo cada vez mais elevado
de sensações, prepará-lo para mais alto grau
de existência”.
O apóstolo do Espiritismo explica que o princípio da
evolução não está na matéria, mas
sim na vontade, cuja ação tanto se estende à
ordem invisível das coisas, como à ordem visível
e material. Diz ele que “o uso persistente, tenaz, desta faculdade
soberana permitir nos-á modificar a nossa natureza, vencer
todos os obstáculos, dominar a matéria, a doença
e a morte. É pela vontade que dirigimos nossos pensamentos
para um alvo determinado... Sua mobilidade constante e sua variedade
infinita oferecem pequeno acesso às influências superiores.
É preciso saber concentrar-se; por o pensamento em acordo com
o pensamento divino. Então, a alma humana é fecundada
pelo Espírito Divino, que a envolve e penetra, tornando-a apta
a realizar nobres tarefas, preparando-a para a vida do Espaço,
cujos esplendores ela já começa a entrever desde este
mundo (...)”.
Exercício da vontade
Em 1908,
Léon Denis já observava que a educação
e o exercício da vontade levaram certos povos a conquistarem
resultados prodigiosos. “A energia mental, o vigor de espírito
dos japoneses, seu desprezo pela dor, sua impassibilidade diante da
morte, causaram pasmo aos ocidentais e forma para eles uma espécie
de revelação. O japonês habitua-se desde a infância
a dominar suas impressões, a nada deixar trair dos seus desgostos,
das decepções, dos sentimentos por que passa, a ficar
impenetrável, a não se queixar nunca, a nunca se encoleirizar
e a receber sempre com boa cara os reveses. Tal educação
retempera os ânimos, e assegura a vitória em todos os
terrenos. Na grande tragédia da existência e da história,
o heroísmo representa o papel principal. É a vontade
que faz os heróis”, afirma.
Da mesma forma, Denis estudou o uso da força do pensamento
positivo em outras civilizações. “Os americanos
têm, com o nome de mind cure (cura mental), aplicado
o seguinte método à terapêutica, e não
se pode negar que os resultados obtidos por eles são consideráveis:
‘O pessimismo torna fraco; o otimismo torna forte’. Consiste
na eliminação gradual do egoísmo, na união
completa com a Vontade Suprema, causa das forças infinitas.
Os casos de cura são numerosos e apoiam-se em testemunhos irrecusáveis”,
explica Léon Denis. Tanto que nos estudos científicos
mais recentes é uma realidade já comprovada, as pesquisas
em torno do poder da alma sobre o corpo, na sugestão e autossugestão;
na eficácia da alegria junto aos doentes, e do poder de cura
pela fé.

E foi desse “giro observatório”
sobre as outras civilizações e “das impressões
sentidas em seus conhecimentos adquiridos com os mensageiros do espaço”,
que este iluminado pensador espírita concluiu ser o ensino
ministrado nas escolas filosóficas, e o ensino ocidental em
geral, que desprepara o homem para o uso da potência do pensamento
em sua própria vida. Justamente aqueles que deveriam guiar
a humanidade para a vitória, desconhecem a verdadeira natureza
do homem, a espiritual!
O filósofo do Espiritismo desabafou, na introdução
deste seu livro: “A alma de nossos filhos, sacudida entre sistemas
diversos e contraditórios — o positivismo de Auguste
Comte, o de Hegel, o materialismo de Stuart Mill, o ecletismo de Cousin,
etc, etc... — flutuam incertos, sem ideal, sem fim preciso...
Daí o desânimo precoce e o pessimismo dissolvente, as
moléstias das sociedades decadentes, as ameaças terríveis
para o futuro, a que se junta o ceticismo amargo e zombeteiro de tantos
moços da nossa época; em nada mais creem do que na riqueza,
nada mais honram do que o êxito financeiro (...) Esses pobres
moços cessam de lutar logo às primeiras dificuldades.
Já não creem em si mesmos. Tornam-se túmulos
vivos, onde se encerram, promiscuamente, suas esperanças, seus
esforços, seus desejos, tudo o que lhes faz bater o coração
(...)”.
Por acaso alguma coincidência com os dias que vivemos hoje?
Com o abatimento geral que os povos estão a testemunhar?
Cérebro e energia
A doutrina dos espíritos deixa
claro que é através do pensamento que atraímos
bons ou maus espíritos. Bons pensamentos atraem bons espíritos,
e vice-versa. André Luiz, na obra Nos Domínios da
Mediunidade (psicografia de Chico Xavier), afirma que o pensamento
exterioriza-se e projeta-se. “O pensamento espalha suas emanações
em toda parte a que se projeta, deixando vestígios espirituais
onde são arremessados os raios da mente (...)” Já
na obra “Mecanismos da Mediunidade”, o autor
compara o cérebro e a energia do pensamento ao funcionamento
dos geradores elétricos. No capítulo 9, ele faz um pequeno
estudo acerca da criação da energia mental e sua respectiva
expansão, ao compará-la ao mecanismo de um gerador shunt
(gerador shunt é um tipo de gerador de corrente contínua
(CC) onde o enrolamento de campo (também conhecido como enrolamento
de excitação ou bobina de derivação) é
conectado em paralelo (ou em "shunt"). “Com alguma
analogia, encontramos no cérebro um gerador autoexcitado, acrescido
em sua contextura íntima de avançados implementos para
a geração, excitação, transformação,
indução, condução, exteriorização,
captação, assimilação e desassimilição
da energia mental, qual um gerador comum desempenhasse não
apenas a função de criar força eletromotriz,
e consequentes potenciais magnéticos (para fornecê-los
em certa direção), mas também todo o acervo de
recursos dos modernos emissores e receptores de radiotelefonia e televisão,
acrescidos de valores ainda ignorados na Terra”, explica André
Luiz, autor de 21 obras que descrevem como se processa a vida e a
comunicação no mundo espiritual.
O autor explica que o cérebro, este “gerador” de
energia do corpo humano, “com as células especiais que
lhe são próprias, detém verdadeiras usinas microscópicas,
das quais as pequenas partículas de germânio, na construção
do transistor, nos conjuntos radiofônicos miniaturizados, podem
oferecer imperfeita expressão. É aí, nesse microcosmos
prodigioso, qua a matéria mental (o pensamento), ao impulso
do espírito, é manipulada e expressa, em movimento constante,
produzindo correntes que se exteriorizam no espaço e no tempo,
conservando mais amplo poder na aura da personalidade em que se exprime,
por meio de ação e reação permanentes,
como acontece num gerador comum”.
Conforme a ilustração de André Luiz, é
nesta “cabine” ( o cérebro), cuja intimidade a
criatura (personalidade) expede ordens e decisões com que traça
o próprio destino. “Temos, no córtex, os centros
da visão, audição, tato, olfato, gosto e da palavra
escrita e falada, memória, e múltiplos automatismos,
em conexão com os mecanismos da mente, configurando os poderes
da memória profunda, do discernimento, da análise, da
reflexão, do entendimento e todos os valores morais de que
o ser se enriquece no trabalho da própria sublimação.
Então é nessas províncias-fulcros da
individualidade, que circulam correntes mentais constituídas
à base de átomos da matéria da mesma grandeza,
em que das correntes elétricas resultam átomos físicos
excitados, formando, em sua passagem, o consequente resíduo
magnético, pelo que depreendemos, sem dificuldade, a existência
do eletromagnetismo. Tanto nos sistemas interatômicos da matéria
física, como na matéria mental. E sendo o pensamento
força sutil e inexaurível do espírito, podemos
categorizá-lo, assim, na conta de corrente viva e exteriorizante,
com faculdade de autoexcitação e autoplasticização
inimagináveis”, garante.
Positividade na gratidão
É exatamente neste ponto que
voltamos a Léon Denis, quando ele afirma que “as profundezas
da alma ligam-se à grande alma universal!” E que todo
o segredo da felicidade encontra-se nestes dois mundos: o interno,
profundo, e o externo. Reconhecer, internamente, na consciência
da alma, a verdade para viver uma existência de luz.
Vitor Hugo diz que “é dentro de nós que devemos
olhar o exterior, e que a causa de todos os nossos males e misérias
morais está na sua oposição direta. Ou seja,
existe em nós um princípio, uma razão mais profunda,
que por meio de uma revelação interior, nos
inicia nas verdades e nas leis do mundo espiritual. É a consciência
de Deus em nós. Portanto, é necessário a firmeza
no pensamento, a certeza de um Deus Pai, que está sempre atento
às nossas necessidades. Mas é necessário, da
mesma forma, buscá-lo. No trabalho no bem, no prestar atenção
ao outro, no esquecer-se de si mesmo, no acordar com alegria, e agradecer
a Deus a gloriosa oportunidade da reencarnação. Ao seguir
o manual que o Cristo nos deixou, nas palavras do Evangelho. E assim
conduzindo-nos, produzir a positividade em nós e ao nosso redor.
Joanna de Ângelis deixa claro, quando afirma, por intermédio
da psicografia de Divaldo, “Quem é grato naturalmente
é abençoado pela felicidade, pela saúde, esparzindo
as ondas de júbilo que o envolvem, contaminando todos aqueles
que se lhe acercam” (do livro “Psicologia da Gratidão”).
Acentua nesta obra, a mentora espiritual de Divaldo Franco, o quanto
é importante reconhecer que a negatividade existe em nós,
para que possamos dar os primeiros passos. “A negatividade existente
em si é o primeiro passo para desmascarar-se a sombra, aceitando-lhe
a presença, mas não conivindo com a sua existência”,
diz a veneranda. “Por outro lado, evitar a queixa, que se propõe
a ganhar compaixão e solidariedade, utilizando-se dela como
autojustificativa para permanecer na conduta morbosa, constitui um
passo decisivo na construção básica da gratidão.
A gratidão que se deve ter à vida...”
Meimei lindamente encoraja-nos, espíritas iniciantes, em nossos
passos vacilantes: “Refereste aos Mundos Superiores do Espaço
Cósmico, qual se a Terra não estivesse localizada nos
Céus. E pensas nos Espíritos Angélicos, à
feição de inatingíveis ministros do Eterno, mensageiros
de forças prodigiosas que jamais alcançarás.
Entretanto guardas contigo a mesma condição de imortalidade,
tocada de dons sublimes, que podes claramente desenvolver ao infinito.
Por essa razão, convém, saibas, que por muito extensas
se te façam as necessidades e as lágrimas, carregas
contigo o mais alto poder da vida. Não creias compartilhem
dele tão somente os sábios e os justos, os santos e
os heróis. Por mais ínfima se te mostre a situação,
ei-lo contigo por marca de tua origem celeste... Mesmo que estejas
atravessando rudes e escabrosos caminhos de cinza e pranto, para que
te soergas de quedas clamorosas, exibindo sinais de poeira e fel,
ninguém te pode subtrair essa herança do Criador, de
cujo hálito nasceste. Detém-te a pensar nisto e nunca
esmoreças. Ainda que os imperativos da experiência humana
te hajam arrojado de luminosas eminências do serviço
aos degraus mais obscuros do recomeço, mergulha o próprio
coração nas fontes de esperança e rejubila-te!
Porque Deus te dotou com o Divino privilégio de trabalhar e
de auxiliar”.