Resumo:
O estudo analisa o debate existente no Brasil sobre
as mudanças na Teologia da Libertação.
Com base em uma nova definição sociológica do
catolicismo da libertação, entendido como forma (rede
intelectual e rede organizacional) e como espírito (metanarrativa
política), mostra-se que, do ponto de vista de sua lógica
discursiva, na primeira fase do debate, desencadeada pela crise do
marxismo, tanto o objeto (sentido da noção de “pobre”)
quanto a metanarrativa política (socialismo) desse discurso
foram repensados.
A segunda fase é marcada pelo questionamento da categoria pobre
como fundamento epistemológico dessa teologia e pela busca
de metodologias plurais.
Do ponto de vista teórico, verificou-se que houve um aprofundamento
e internalização crescente da crise da Teologia da Libertação,
tornando seu perfil teórico-metodológico cada vez mais
opaco e deslocando sua identidade para os seus elementos metanarrativos
que lograram preservar seu caráter messiânico-escatológico.
Para compreender a dinâmica social do debate, utilizam-se ferramentas
da sociologia do conhecimento para entender como o debate sobre a
Teologia da Libertação reflete padrões sociais
de reação de grupos intelectuais diante de situações
de crise.
Consequentemente, frente à erosão do marxismo, os intelectuais
da Teologia da Libertação comportaram-se como “mandarins”
em busca de uma nova metanarrativa, e, diante das dissidências
internas, enquanto “sacerdotes” que buscam legitimar o
seu repertório tanto pela tradicionalização mítica
de seu passado quanto pela oficialização de seu discurso
no interior da igreja católica.
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Carlos Sell
Pesquisador do CNPQ (2007- até o presente) com 2 pós-doutoramentos
realizados na Unive rsidadede Heidelberg (Ruprechts-Karl Universität),
Alemanha entre 2010/2011 e 2017/2018. Atualmente é professor
do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC
- Universidade Federal de Santa Catarina. Possui graduação
em Filosofia, realizada na Fundação Educacional de Brusque.
É Mestre e Doutor em Sociologia Política pela Universidade
Federal de Santa Catarina/UFSC. Tem experiência na área
de Sociologia, voltando-se prioritariamente para os temas da Teoria
Sociológica. Desenvolve pesquisa sobre o pensamento de Max
Weber, discutindo os temas da racionalidade e do racionalismo, com
ênfase em sua sociologia da religião e em sua sociologia
política. Entre 2013 e 2016 atuou como Coordenador do GT de
Teoria Social da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação
e Pesquisa em Ciências Sociais) e, entre 2016 e 2019, exerceu
a função de Coordenador do GT de Teoria Sociológica
da SBS (Sociedade Brasileira de Sociologia), cuja Diretoria tam-bém
integrou na mandato 2015-2017. Membro do Núcleo de Pesquisa
Sociofilo (IESP/RJ) e do SOCITEC (Sociedade Ciência e Té
cnica). Publicou o livro MAX WEBER E A RACIONALIZAÇÃO
DA VIDA, premiado pela ANPOCS c omo MELHOR OBRA CIENTÍFICA
DE 2013. Foi o PRESIDENTE do 19º CONGRESSO de Sociologia da SBS
(Sociedade Brasileira de Sociologia). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3281-7045.