Com um projeto a desenvolver, a criança
se envolve e aprende a ter disciplina e a se esforçar
Vi a notícia de uma garota
de 9 anos que queria fazer aulas de guitarra, mas, apesar de seus
pais terem comprado o instrumento, ainda não podiam custear
as aulas.
Como a menina fazia bolinhos -cupcakes - para a família e todos
elogiavam o sabor deles, ela pensou em fazer para vender e, assim,
ter dinheiro para suas aulas. A mãe ajudou a garota a planejar
seu trabalho para colocá-lo em prática e atingir seu
objetivo.
Procurei na internet outras crianças, entre 9 e 12 anos, envolvidas
em projetos e, para minha surpresa, encontrei várias delas
com trabalhos bem interessantes.
Um garoto de 12 anos, vegetariano por convicção ideológica,
está envolvido com a alimentação saudável
para crianças. Ele apresenta um programa de culinária
para crianças na web, escreveu um livro e dá palestras
internacionais a respeito do assunto.
Outro, da mesma idade, interessou-se por fotografia e já foi
convidado a colocar suas fotos em mostras e exposições.
Esses exemplos nos permitem pensar nos potenciais que crianças
dessa idade têm e que estão represados; as crianças
não conseguem colocá-los em ato por falta de oportunidade
para descobrir seu interesse.
Com um projeto a desenvolver, a criança se envolve e aprende,
com o processo, a ter disciplina e a se esforçar, a se concentrar,
a estudar mais profundamente um assunto. É de uma riqueza imensa
essa possibilidade para ela.
Nos casos que encontrei em minha busca, foi a família a responsável
em oferecer um contexto favorável para a criança fazer
sua descoberta e em acolher, incentivar e tutelar seu trabalho.
Nenhuma delas mencionou a escola, em nenhum momento.
Apesar de não ser surpresa para mim a constatação
desse fato, é lamentável que a instituição
escolar, tão importante na formação das crianças
tanto quanto na transmissão da postura necessária para
o contato com o conhecimento sistematizado, não colabore para
que seus alunos descubram interesses diversos e aprendam mais com
isso.
Precisamos reconhecer: é bem mais interessante aprender quando
se coloca a mão na massa. É dessa maneira que a criança
é fisgada em seu interesse, em sua curiosidade, em sua surpresa
ao perceber que consegue construir algo importante.
É assim que ela encontra motivos para se dedicar ao estudo,
à compreensão de algo que ela não conhecia, não
sabia, não compreendia.
Nós já sabemos que muitos jovens ficam à deriva
quando terminam seus estudos básicos porque não conseguem
encontrar motivos legítimos para se dedicar a um trabalho ou
aos estudos universitários.
Aí eles desistem, não persistem frente às dificuldades,
não se esforçam, buscam realizações imediatas
e ficam à procura de uma fórmula mágica que os
motive. Mas sabemos que essa fórmula não existe.
Então, por que não pedir - exigir! - que a escola atenda
a essa necessidade de introduzir seus alunos, desde a mais tenra idade,
em situações de aprendizados significativos no desenvolvimento
de projetos?
As ciências da educação já construíram
os conhecimentos necessários para tanto e temos exemplos pelo
mundo de escolas que aplicam essa metodologia.
Você não faz ideia, caro leitor, do que seu filho seria
capaz, caso a escola engajasse seus alunos no desenvolvimento de projetos.