1 – Apresentação
Quando abordamos a vida e a obra de Jesus de Nazaré, em geral
somos levados a ter uma relação um tanto romântica
com aqueles tempos. Uma visão nada compatível com a
realidade histórica dos tumultuados tempos de Jesus. Tempos
difíceis numa região permanentemente invadida e disputada
por vários povos.
O presente artigo não pretende abordar temas obscuros ou polêmicos
de Yoshua ben Yussuf (Jesus, filho de José), mas os aspectos
políticos de sua atuação nas terras da Palestina
dos Césares.
A partir de alguns trechos que consideramos particularmente significativos
para nossos propósitos, tentaremos vislumbrar o projeto social
de Jesus para a humanidade. Partindo de sua "utopia" pessoal:
o "reino de Deus na Terra" e de versículos do Evangelho
(literalmente Boa Nova ou Boa Notícia) de Mateus, que conviveu
com ele já em idade madura, segundo os dados históricos
disponíveis, procuraremos ressaltar o homem Jesus, as motivações
e intenções que o levariam a ser julgado como criminoso
político e crucificado.
(...)
Jesus foi um ser excepcional,
sem dúvidas. Sua presença, direta ou indireta, está
em todas as culturas modernas. Gandhi o citou várias vezes
durante sua luta pela libertação da Índia do
jugo britânico.
A diferença entre os dois é que Jesus pretendia uma
libertação plena, à semelhança de Buda
e de Sócrates. Esses três tinham algo em comum: a emancipação
total, sintetizada na frase de Jesus sobre o conhecimento da verdade
e da verdade como instrumento de (auto)libertação.
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