Espiritualidade e Sociedade





Vagner Sanagiotto; Aureliano Pacciolla

>  A relação entre inteligência emocional e os domínios de personalidade psicopatológicos entre os padres e religiosos brasileiros

Artigos, teses e publicações

Vagner Sanagiotto; Aureliano Pacciolla
>  A relação entre inteligência emocional e os domínios de personalidade psicopatológicos entre os padres e religiosos brasileiros

 

Vagner Sanagiotto
Università Pontificia Salesiana

Aureliano Pacciolla
Consorzio Humanitas - LUMSA

 

 

Resumo

O presente artigo estudou a relação entre a inteligência emocional e os domínios de personalidade psicopatológicos em um grupo de 268 padres e religiosos consagrados que exercem o ministério pastoral no território brasileiro. A pesquisa, prevalentemente empírica, concentrou-se em três objetivos: o primeiro foi verificar o impacto das variáveis sociodemográficas sobre a inteligência emocional e os domínios de personalidade psicopatológicos. Especificamente, resulta positiva e significativa a relação entre o “manejo das próprias emoções” e a “idade”; entre o “psicoticismo” e o “tempo de consagração religiosa ou ordenação presbiteral”. O segundo objetivo foi analisar a correlação entre inteligência emocional e os domínios de personalidade psicopatológicos. Os dados nos indicaram que o “distanciamento” se correlaciona significativamente e com maior intensidade com a “percepção das emoções” e com o “manejo das próprias emoções”; a “desinibição” se correlaciona com a “percepção das emoções”. O terceiro objetivo foi estudar os efeitos preditivos da inteligência emocional sobre os domínios de personalidade psicopatológicos.

 

Introdução

A vocação à vida religiosa consagrada e presbiteral é desafiadora nos seus diversos aspectos, principalmente no que diz respeito à práxis pastoral. A missão confiada a um presbítero ou a um religioso consagrado representa muito mais que um trabalho – é um compromisso vocacional com aqueles que lhe foram confiados. Porém, além do aspecto teológico que caracteriza a vocação, historicamente é possível individuar uma preocupação em torno a saúde mental do clero e dos religiosos consagrados (Moore, 1936; Segreteria di Stato del Vaticano, 1938). Existe um determinado tipo de envol-vimento pastoral que pode ser desadaptativo e, em certos casos, pode desencadear comportamentos disfuncionais e até mesmo certas psicopatologias (Knox et al., 2007; Pinkus, 2010).

Um dos aspectos importantes para o exercício da práxis pastoral de um presbítero ou de um religioso consagrado é a capacidade de administrar as próprias emoções, sendo que estas se correlacionam significativamente com algumas características psicológicas de personalidade (Francis et al., 2019; Vicente-Galindo et al., 2017). A esse respeito, a pesquisa de Vicente-Galindo et al. (2017) mostra que a inteligência emocional se correlaciona significativamente com alguns transtornos psicopatológicos específicos. Francis et al. (2019), por sua vez, sugerem que níveis elevados de inteligência emocional melhoram a saúde psicológica relacionada à práxis pastoral do clero, tanto em termos de redução do afeto negativo (exaustão emocional no ministério) quanto em termos de aumento do impacto positivo (satisfação no ministério).

Em sentido mais amplo, a inteligência emocional ajuda os indivíduos a adquirirem habilidades que contribuem para o bem-estar subjetivo (Mayer et al., 1999; Zeidner et al., 2016). Nos estudos de mediação estatística, os resultados indicaram que a inteli-gência emocional prediz indiretamente o nível de felicidade subjetiva (Ye et al., 2019), sendo esta uma variável que gera resultados significativos se utilizada na perspectiva psicoeducativa (Kong et al., 2019). Além disso, a inteligência emocional é potencial-mente útil para reduzir o estresse de acordo com as características da personalidade, particularmente naqueles que, mesmo tendo bons níveis de inteligência emocional, por não terem confiança nas próprias habilidades emocionais, acabam por não usá-la de modo adequado (Gohm et al., 2005; Hong; Lee, 2016)

Em uma perspectiva psicopatológica, estudos empíricos revelam que a dificulda-de em gerenciar as habilidades emocionais constitui um fator chave na maioria dos transtornos mentais (Campbell-Sills; Stein, 2005). Isso significa que altos índices de inteligência emocional tendem a prever um estado de ânimo mais positivo, ajudando a corrigir os transtornos de humor, principalmente quando se tem experiências emo-cionais desagradáveis, e pontuando baixos índices de ansiedade, depressão e estresse (Fernandez-Berrocal; Extremera, 2006).

 

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Fonte: Sanagiotto, V., & Pacciolla, A. (2022). A relação entre inteligência emocional e os domínios de personalidade psicopatológicos entre os padres e religiosos brasileiros. REVER: Revista De Estudos Da Religião, 22(2), 155–171.
https://doi.org/10.23925/1677-1222.2021vol22i2a12

 

 

 

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