Resumo:
A abordagem fenomenológica da constelação
familiar, desenvolvida pelo filósofo e terapeuta Bert Hellinger,
foi introduzida no judiciário brasileiro pelo juiz Sami Storch
em 2012, humanizando as práticas de conciliações
e mediações de conflitos entre os litigantes.
Por meio de suas experiências empíricas, Hellinger verificou
que os mais variados problemas enfrentados pelos indivíduos
são partilhados pelo inconsciente familiar e transmitidos às
gerações seguintes. Esta pesquisa objetivou compreender
a noção de campo na prática da constelação
sistêmica familiar realizada no poder judiciário, e verificar
se haveria correlação com o conceito de espiritualidade
de Hanegraaff, numa perspectiva da ciência da religião.
Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com advogados, magistrados,
promotores de justiça e servidores do poder judiciário
– todos consteladores. Os dados das entrevistas foram analisados
pelo software Iramuteq. Constatou-se que, para os consteladores, ocorre
durante a dinâmica da constelação familiar uma
transformação espiritual (ou vivência emocional
mais profunda do que aquela convencional), e verificou-se estatisticamente
que a espiritualidade é por eles reconhecida de forma independente,
diferenciada, porém influente em toda a dinâmica da constelação
familiar; isto corroborou a correlação sustentada entre
o que acontece no estabelecimento do campo e a admissão da
influência da espiritualidade nesta dinâmica.
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Ana Paula Rodrigues
Professora Adjunta do Departamento de Ciências das Religiões
da UFPB (João Pessoa-PB)
Marlene Cahú
Professora do curso de Direito da UNIESP (João Pessoa-PB).
Mestra em Ciências das Religiões (UFPB, João Pessoa-PB)