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Paulo Nagae
> A prece e a doença
663. As preces que façamos por nós
mesmos podem mudar a natureza de nossas provas e desviar-lhes o
curso?
“Vossas provas estão
nas mãos de Deus e há algumas que devem ser suportadas
até o fim; mas, então, Deus leva sempre em consideração
a resignação. A prece chama para junto de vós
os bons Espíritos, que vos dão a força para
suportá-las com coragem e elas vos parecem menos rudes. Já
o dissemos, a prece nunca é inútil, quando bem feita,
porque ela fortalece e isto já representa um grande resultado.
Ajuda-te a ti mesmo e o céu te ajudará, sabes disso.
Além disso, Deus não pode mudar a ordem da Natureza,
à vontade de cada um, pois o que representa um grande mal,
do vosso ponto de vista mesquinho e do da vossa vida efêmera,
é, frequentemente, um grande bem na ordem geral do Universo;
e depois, quantos males não existem de que o homem é
o próprio autor pela sua imprevidência ou pelas suas
faltas! Ele é punido por aquilo em que pecou. Entretanto,
os apelos justos são atendidos, mais frequentemente do que
pensais; acreditais que Deus não vos escutou, porque não
fez um milagre por vós, ao passo que ele vos assiste por
meios tão naturais que vos parecem o efeito do acaso ou da
força das coisas; geralmente, também, frequentemente
mesmo, ele vos sugere o pensamento preciso para sairdes, por vós
mesmos, da dificuldade.”
666. Pode-se orar aos Espíritos?
“Pode-se orar aos bons Espíritos,
como sendo os mensageiros de Deus e os executores de suas vontades;
o poder deles, porém, é proporcional à sua
superioridade e depende sempre do Senhor de todas as coisas, sem
cuja permissão nada se faz; é por isso que as preces
que lhes endereçamos só são eficazes, se forem
aceitas por Deus.”
A importância de entender a Lei de
Deus à luz do Espiritismo.
A maioria de nós, quando está
em dificuldade e busca a ajuda de Deus, espera que um milagre aconteça,
para que nossos problemas sejam resolvidos, sem levar em conta que
a Lei é perfeita e que não pode ser derrogada, mas,
ao mesmo tempo, esquecemos que a misericórdia e o amor fazem
parte dessa Lei e que ela tem como objetivo principal educar e, não,
punir. Esse entendimento é fundamental para que possamos enxergar
a Lei como algo dinâmico, onde não existe o determinismo
nos acontecimentos morais que envolvem as nossas vidas. Tudo que depende
do nosso comportamento, no que se relaciona ao progresso do Espírito,
tem um caráter dinâmico que depende sempre da utilidade
de determinadas situações para as nossas experiências
e aprendizado. Quando falamos na medicina espiritual, nos referindo
aos problemas de saúde que enfrentamos, temos que analisá-los
utilizando esse entendimento, para que não tenhamos falsas
expectativas sobre o que podemos obter da espiritualidade, mas, ao
mesmo tempo, que tenhamos a consciência do que realmente podemos
obter em termos de ajuda e aproveitá-la da melhor maneira possível.
Sabemos que as doenças são consequência do desequilíbrio
do Espírito, ocorridos nessa encarnação ou em
vidas passadas, as chamadas doenças cármicas. Essas,
se apresentam no corpo físico atual, como reflexo das marcas
perispirituais causadas anteriormente e que aparecem no tempo devido,
obedecendo a algumas situações da Lei, as quais não
vamos aprofundar no momento. Em ambos os casos, está presente
a Lei de ação e reação, e o comportamento
atual do Espírito interfere na eliminação das
doenças, mas, quando se trata das doenças cármicas,
o fato de haver um processo de expurgo, ou seja, as células
espirituais que estão desequilibradas, estão em processo
de eliminação, através do corpo físico,
para a obtenção da cura integral, faz com que tenhamos
a impressão de que nenhuma ação pode alterar
essa situação, por ser um processo que já é
material em andamento, apesar de que a sua causa seja espiritual.
Se pensarmos que uma interferência que buscasse a cura dessa
doença, pudesse representar um milagre, considerando o entendimento
geral, de que milagre seria uma derrogação da Lei de
Deus, realmente, à luz da doutrina espírita, isso não
seria possível; porém, há benefícios que
podemos obter, dentro da Lei, que podem nos ajudar bastante e até
promover a cura, pois a Lei é de justiça, amor e misericórdia.
Se a Lei não pode
ser derrogada, qual seria a função da prece nos casos
de doença?
Primeiro raciocínio que somos obrigados a fazer é que,
se, em um caso de uma doença diagnosticada corretamente como
incurável, a cura foi obtida, podemos afirmar que não
houve derrogação da Lei, mesmo que não tenhamos
total entendimento dos mecanismos envolvidos no processo. Então,
surgem as dúvidas em relação à prece,
nos casos em que estamos passando pelos chamados processos cármicos.
A doutrina espírita deixa muito claro que, em qualquer situação
de sofrimento em que o indivíduo esteja e que, sinceramente,
eleve seu pensamento a Deus e/ou aos Espíritos, ele terá
a ajuda possível do mundo espiritual, pelo menos para aliviar
a sua dor. Primeiro ponto a ser considerado é a sinceridade
que move o indivíduo, no momento da prece, pois é essa
condição que qualifica a frequência vibratória
do pensamento emitido, faz com que a prece seja eficaz em qualquer
aplicação e seja recolhida pelos bons espíritos,
inclusive acionando o mecanismo de intercessão. É bom
considerar o que os espíritos chamam de estado de prece, que
é uma postura mental mais duradoura, representada por bons
pensamentos, palavras e atos, e não se limita a um momento
específico de dirigir-se ao plano espiritual. A
partir daí, diversos pontos podem ser considerados como benefícios
resultantes da prece.
Vamos enumerar alguns deles,
que estão relacionados à medicina espiritual:
1. A prece provoca uma melhoria
da frequência vibratória da nossa psicosfera, que aproxima
de nós os bons espíritos e consequentemente afasta
os maus, que podem estar potencializando a doença, como também
posem estar dificultando todos e tudo que possa concorrer para a
nossa melhora. Isso também vale para os encarnados.
2. Melhora a qualidade dos fluidos
que estão circulando na nossa organização física
e perispiritual e, como consequência, aumenta as nossas defesas.
Isso se estende à melhoria do ambiente em que nos encontramos.
3. Possibilita a ação dos espíritos, tanto
na manipulação de fluidos em nosso benefício,
principalmente em trabalhos organizados de passes, quanto na potencialização
dos medicamentos que estamos utilizando. A ação dos
espíritos se dá muitas vezes sem que nós percebamos,
principalmente se estamos ligados a um trabalho no bem, pois essa
é uma das maneiras de construir uma atmosfera psíquica
equilibrada.
4. Quando estamos passando por momentos difíceis de dor física,
a prece faz com que a nossa resistência aumente. Pode ser
que a cura do corpo físico não ocorra e esse fato
represente até a cura espiritual, mas aquilo com que podemos
contar sempre é a ajuda espiritual, para que os obstáculos
sejam ultrapassados de maneira mais tranquila.
De um modo geral, o entendimento da
Lei com a ajuda da doutrina espírita tem, como consequência,
uma tranquilidade diante das vicissitudes da vida e, no caso específico
da medicina espiritual, temos todo o direito de buscar os meios materiais
e espirituais para obter a cura do corpo físico e do corpo
espiritual. Nessa busca, temos que ter a consciência de que
nem sempre a cura possa ocorrer, mas com a certeza de que sempre que
buscarmos a ajuda do plano espiritual, através dos meios disponíveis
e principalmente na prece sincera, teremos a ajuda que merecemos e,
mais do que isso, a misericórdia e o amor de Deus, Jesus e
dos amigos espirituais que trabalham sempre para o nosso bem.
Fonte: Revista
CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/04-Revista_CELD_Abril-2020.pdf
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