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Paulo Nagae
> O prazer nos processos de dependência
“O desencarnado
não vai perder, de uma hora para outra, seus desejos, seus
hábitos.
Com isso, vai se aproximar daqueles que lhe são afins. Então,
de certa forma, eles potencializam e vivenciam experiências
dentro dessa situação, das mais simples às
mais complexas, em ambientes totalmente permissíveis, mas
também em ambientes que são considerados de alto escalão,
ambientes às vezes socialmente falando de vocês, em
que o hábito do álcool e do fumo é natural.
Tornou-se, então, cada vez mais tão frequente o hábito
da criatura, e o exalar disso faz com que o próprio espírito
se sinta alimentado. Lembrem-se de que ele, o espírito inferiorizado,
não pode se alimentar como o encarnado; tem que absorver
este prazer do encarnado.
Não é simplesmente o fato do fluido animal, mas é
o prazer que o encarnado tem de sentir o prazer por aquilo que está
fazendo, pode ser o álcool, o fumo, o sexo, até mesmo
a maledicência.”
Espírito Hermann –
Psicofonia através do médium Luis Carlos Dallarosa
em estudo do EEME
Na seção Atualidades
do 30º Encontro Espírita de Medicina Espiritual do Centro
Espírita Léon Denis, foi abordado o tema alcoolismo
e discutiu-se o aspecto do “prazer”, dentro do processo
da dependência do álcool; ele influencia enormemente
no processo obsessivo que se instala a partir desse hábito
e dificulta muito mais o processo de cura desse vício.
Em realidade, o prazer está envolvido em qualquer
tipo de dependência, porque a influência do plano espiritual
vai existir em qualquer hábito, seja ele pernicioso ou salutar.
Quando o hábito é salutar, as consequências são
altamente positivas, pois só atraem bons espíritos,
que vão respeitar as Leis Divinas, relativamente ao modo de
nos influenciar. Mas, se o hábito for algo que possa nos prejudicar
e que esteja envolvido com qualquer tipo de “paixão”,
na definição espírita, os espíritos que
serão atraídos por nós são espíritos
inferiores, ainda muito ligados às coisas materiais, que têm
como característica não respeitar os limites que a Lei
impõe. Isso faz com que eles nos usem sem escrúpulos,
apenas pensando em obter os benefícios provenientes desse contato,
sem se importarem com as consequências que caem sobre nós.
A ajuda do conhecimento do
espiritismo nos processos de
dependência.
Quem não tem noção
da ação do plano espiritual, na nossa vida, só
leva em conta os processos materiais que estão envolvidos nos
casos de dependências, diminuindo, assim, eficiência dos
tratamentos. Isso vale para os que estão com a dependência,
para aqueles que estão próximos a eles e, principalmente,
para os que estão responsáveis pelo tratamento do paciente,
pois o aspecto espiritual tem um peso muito grande no processo como
um todo,
Mesmo quem tem a consciência da influência espiritual,
tem a tendência de só levar em conta o aspecto do aproveitamento
do álcool quintessenciado que o obsessor suga do encarnado
que consome bebidas alcoólicas. Quando o espírito Hermann
chama a nossa atenção para o aspecto do “prazer”
envolvido no processo, a influência ganha uma complexidade maior,
porque o interesse do obsessor vai além do fluido alcoólico.
Ele também quer sentir o prazer que o uso do álcool
pode trazer para ambos, levando-o a empenhar-se para estimular o encarnado
a beber, mas também potencializar os seus sentidos.
Isso leva o obsessor a querer estreitar cada vez mais a ligação
entre ambos. O processo de obsessão passa a ser mais individualizado:
não é só usufruir de vários recipientes
que possam fornecer o fluido, há a construção
de um relacionamento mais estreito; o desencarnado vai induzi-lo magneticamente
ao consumo do álcool. Pela condução de seu pensamento,
ele estabelecerá uma sintonia estreita que levará, por
fim, ao hábito consumado.
Um outro ponto a ser considerado, que também foi trazido pelo
espírito Hermann, foi o fato de que esse prazer está
presente desde a época em que os selvagens se reuniam em torno
da fogueira para consumir substâncias excitantes e conversar
sobre as ocorrências diárias, fazendo deste um momento
de prazer e alegria.
Além disso, nos próprios processos obsessivos criam-se
hábitos. Há criaturas que se sentem bem sendo obsidiadas,
porque isto alimenta o prazer, estimula a vaidade da criatura. Isso
nos leva a pensar o quanto somos estimulados a servir à vontade
dos desencarnados. E pensamos que estamos agindo pelo nosso próprio
pensamento... Se transferirmos esse quadro para o que ocorre com os
grupos, principalmente com jovens, podemos entender melhor a dificuldade
de se afastar do vício e a grande quantidade de pessoas que
estão fazendo uso do álcool, de um modo exagerado.
E, como uma boa parte destas sensações e sentimentos
de prazer é desviada pelo espírito, o encarnado fica
sempre na dependência de querer mais. Os espíritos que
com ele compartilham essas experiências dão, de certa
forma, energias que o sustentam e o mantêm vivo, para fazer
com que ele seja presa permanente, contínua deste prazer. Quando
isto não mais acontece, eles o largam, o deixam de mão.
Esse quadro é aquele em que encontramos os indivíduos
que chegam ao seu limite de resistência orgânica, passam
mal e chegam a um estado de total inconsciência. Como não
podem mais ser intermediários do prazer, os obsessores os deixam
largados, entregues à sua própria sorte e vão
em busca de outros encarnados que possam proporcionar o prazer que
estão procurando.
Com o conhecimento desses fatos, vários benefícios podem
ser acrescidos ao tratamento que normalmente se faz. Primeiro, o entendimento
de que esse prazer ainda está presente em muitas almas que
não conseguiram se livrar deles através dos séculos
e ainda estão sob o seu domínio, o que facilita a influência
espiritual e dificulta a superação do hábito.
Todos temos que ter uma postura de não julgamento, pois não
sabemos a história que está por trás de cada
caso. Mas o maior benefício é que, entendendo essa influência,
podemos adicionar o tratamento espiritual ao tratamento normal, dado
pela medicina terrena. Os passes e a frequência às reuniões
públicas vão dar ao paciente maiores condições
de resistência às induções ao vício,
estimuladas pelos desencarnados. Se o paciente se vincular sinceramente
ao estudo da doutrina espírita, poderá adquirir um bom
entendimento das Leis de Deus, do evangelho de Jesus e assimilar explicações
dadas pela doutrina espírita, principalmente o entendimento
das reencarnações e suas implicações.
Desse modo, terá mais condições de executar a
transformação moral tão necessária à
obtenção da cura de qualquer tipo de doença.
É muito importante, para o Espírito, entender que, através
das reencarnações, Deus nos renova a oportunidade de
nos melhorarmos e nos curar de várias doenças que adquirimos
ao longo de nossa jornada; saber que a luta é difícil,
mas não é impossível de ser vencida, desde que
tenhamos vontade, pois a Lei Divina é de justiça, mas
também é de amor e de caridade e a misericórdia
de Deus estará sempre presente em nossas vidas.
Fonte:
https://celd.xyz/wp-content/uploads/01-Revista_CELD_Janeiro-2020.pdf
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