Naturalmente, porque
estes são dias de insatisfação, as pessoas
que de ti se acercam trazem, quase sempre, comentários
negativos e observações deprimentes.
Seja tua a palavra de gentileza e de esperança em qualquer
situação
— Joanna de Ângelis—
Estou
escrevendo esse artigo em meio ao noticiário sobre um novo
vírus que se espalha pelo mundo. Telejornais, internet e grupos
sociais se apressam em divulgar estatísticas de contaminados
e de óbitos, além de medidas de prevenção
da disseminação da doença. Todos muito preocupados,
como é de se esperar.
O que me chama a atenção é que até entre
os espíritas observamos essa preocupação com
o contágio de doenças físicas, o que é
desejável, mas não a mesma preocupação
com a disseminação das doenças da alma.
Não vou querer trazer, para esse momento de reflexão,
os dados já muito divulgados de doenças da alma, transtornos
psiquiátricos cuja denominação só faz
aumentar, nem de estatísticas de suicídios que não
poupam crianças e jovens, do crescente abuso de álcool
e outras drogas lícitas e ilícitas, as múltiplas
dependências nas quais tantas almas perdem o sentido existencial,
mas é bom que se reflita: doenças do espirito
também incapacitam e matam.
E qual é o meio de contágio das doenças da alma?
O contágio dessas patologias se dá através de
algo imponderável: o pensamento.
Pensamento que gera atitudes, palavras, expressões que comunicam
emoções e transmitem saúde ou doença,
conforme a fonte da qual derivem, da qualidade da qual se impregnem.
Como diz Joanna, no texto em epígrafe: comentários
negativos e observações deprimentes.

Acolher, no sentido de concordar, ou se omitir diante de tais comentários
ou observações deprimentes é abrir-se ao contágio
da doença, daquele que, inconsciente dos mecanismos psíquicos
e extrafísicos envolvidos em nossas relações
espirituais, se permite espalhar, até entre seus entes mais
queridos, tais pensamentos perniciosos.
O que falta, a nós espíritas, para termos consciência
de que a assepsia e antissepsia do espírito são fundamentais
à saúde? O que falta para despertarmos para o fato de
que medidas de prevenção das doenças da alma
são mais, ou tão fundamentais, do que aquelas largamente
divulgadas de prevenção de doenças infectocontagiosas?
É importante que pensemos mais sobre isso.
E, no caso, qual é a prevenção?

Gentileza e esperança são como uma vacina para quem
as cultiva, porque eliminam do nosso ambiente emocional as matrizes
do desamor e do medo que “plugam” com aqueles que, intencionalmente
ou não, se tornam transmissores de perigosos vírus do
medo, da inquietação, do desânimo, do desamor,
da animosidade contra os que pensam diferente.
Ao recebermos um convite para participar de discussões regidas
pelo orgulho e pelo ódio, de trocas de mensagens que corroem
sonhos e esperanças, que consomem a fé no futuro que
viemos consolidando com estudo, trabalho e reflexão, saibamos
recusar com argumentos gentis e esperançosos, não só
no sentido de evitar que adoeçamos, mas também para
oferecer ao outro uma gota de água pura, um brilho na noite
escura, o calor de um abraço fraterno.
Expressões de desânimo e desesperança podem ter-se
tornado corriqueiros. Que não sejam para nós.
Ironias e críticas ácidas a quem quer que seja podem
atrair-nos simpatizantes, mas nunca verdadeiros amigos.
O que está em jogo é mais do que uma gripe que, por
mais letal que seja, não tem poder, por si só, de tirar-nos
algo além do corpo físico.
O que está em jogo é a verdadeira vida, que, se não
pode ser extinta, pode ser adoecida, levando-nos a percorrer caminhos
ásperos e escuros das perturbações espirituais
e da mente, o que é muito mais difícil de reverter.
Se sairmos do corpo físico vitimados, como Léon Denis,
como Eurípedes Barsanulfo, por uma gripe, mas de espírito
saudável, despertaremos na vida maior para a continuação
natural de nossos estudos e trabalhos, na presença de seres
amados e admirados.
Se, ao contrário, causarmos dano aos delicados tecidos da mente,
muitas noites escuras suceder-se-ão até que consigamos
despertar.
Seja a nossa palavra sempre de esperança, de alegria, de leveza,
de paz, de solidariedade. Que provoque naqueles que assim desejarem,
a vontade de trabalhar, de estudar, de envolver no amor seus irmãos
em humanidade, de qualquer crença, de qualquer postura, no
lugar mesmo onde se encontram, a exemplo de Jesus, nosso modelo e
guia, que nos ama a todos.