
Nesse momento recente
que vivenciamos, o isolamento social, tendo interrompidas nossas atividades
profissionais, educacionais, de lazer, de trabalho no bem, de frequência
à Casa Espírita, além de todo o cenário
de dor que confrontamos diariamente, nos levaram a nos sentir tristes.
Mas será que é imperativo que FIQUEMOS tristes?
Claro que ninguém escolhe a tristeza. Mas os acontecimentos
tristes fazem parte da vida e é preciso vivê-los. Mais
do que vivê-los, é preciso aproveitá-los e aprender
o que vêm nos ensinar.
Fazendo esse esforço pessoal, pensei em contribuir para que
os queridos leitores também se coloquem, na medida do possível,
nesse lugar de aproveitamento, sem querer ser mestra, mas na certeza
de que todos podemos, e devemos, compartilhar nossas experiências
positivas, auxiliando assim, uns aos outros.
Algumas pessoas escolhem a negação da tristeza,
adotando uma máscara de indiferença ou de ironia diante
dos acontecimentos mais dolorosos.
Outras tantas se desmontam, desarvoram-se, perdem o rumo de
si mesmas, como se a alegria nunca mais fosse voltar, como
se as trevas da noite nunca mais fossem ser expulsas do céu
pelo sol nascente, que afinal sempre chega.
Algumas se sentem culpadas, ou ingratas por não estarem sempre
em estado de felicidade, em virtude de cobranças descabidas
de que, por serem espíritas, por exemplo, devem tudo aceitar
com um sorriso nos lábios.
Não virá a Doutrina Espirita nos propor a insensibilidade
aos reveses da vida, do mesmo modo que não nos propõe
alegrias alucinantes de exageradas.
Contra tal estado, de tristeza que tenda a ser permanente, sempre
se pode, e se deve reagir.
Viver a tristeza não é o mesmo que tornar-se infeliz,
permitindo que ela polua todas as atividades, relacionamentos e projetos
para o futuro.
Resista e faça o seu melhor é a bandeira
que a espiritualidade superior ergue adiante de nós, que vamos
ascendendo em nossa espiral evolutiva.
De um amigo querido ouvi, num momento de tristeza e quase desistência
das lutas existenciais, a recomendação: Não tente.
Consiga!
Não nos entregando à tristeza, apenas vivendo a com
naturalidade, podemos nos tornar mais sensíveis, e talvez esse
seja o seu papel em nosso processo de amadurecimento psicológico,
daí a citação do poeta Vinicius. A tristeza pode
nos sensibilizar e, uma vez sensibilizados, mas não
infelizes, poderemos criar nossa arte, olhar para nossos irmãos
que também sofrem com mais compaixão, valorizar mais
a beleza à nossa volta, a palavra do amigo, a página
doutrinária, a própria vida em si mesma.
Isso também passa, é a mensagem de Maria de Nazaré
para Chico Xavier, que, sim, estava se sentindo triste e desmotivado.
Existem muitas ferramentas das quais podemos nos socorrer, nos momentos
de tristeza, a fim de que não se apoderem de nossa casa mental,
paralisando-nos. Escolhemos a que nos parece mais eficaz, dentro inclusive
de nossa prática com o Método de Autocura: Dar amor!
Encontremos, dentro do cenário que vivemos, tudo o que torne
possível a expansão do amor.
Amor por nós mesmos, colocando à nossa disposição
tudo o que possa nos transmitir paz, alegria, encorajamento, descanso,
por menores que sejam.
Amor pelos outros, encontrando caminhos e meios de atender a alguma
necessidade que, apesar da dor que atravessamos, não estamos
impedidos de oferecer.
Cuidar das plantas, do animal de estimação, da própria
casa, arrumando, limpando, organizando...
Pelo planeta, pela humanidade, dedicando alguns momentos à
prece pelos que sofrem, como nós, em toda a parte, somando
com grupos que já estão organizados nesses trabalhos,
como a nossa própria Casa Espírita, em seus projetos
do bem.
Cada vez que tirarmos nosso pensamento da prisão de girar em
torno do sofrimento e o expandirmos, pela energia do amor, para tudo
o que nos cerca, a começar por nós mesmos, entraremos
em contato com a Fonte do Poder e nossa tristeza ficará limitada
ao espaço que lhe compete em nossa mente, que é o de
apenas mais uma das muitas emoções de que se compõe
a nossa experiência de aprendizado e progresso.
É melhor ser alegre que ser triste, mas sem a tristeza nem
saberíamos valorizar as coisas que proporcionam as mais legítimas
fontes de felicidade, como a solidariedade, a contemplação
da Natureza, a escuta à voz de Deus, que fala dentro de nós
em qualquer situação.
Como diz Agostinho
“A
busca de Deus é a busca da alegria. O encontro com Deus é
a própria alegria.”