Espiritualidade e Sociedade





Luzia Mathias

>   Cuidar da mente – tarefa urgente

Artigos, teses e publicações

Luzia Mathias
>   Cuidar da mente – tarefa urgente

 

 

 

 

 

Recentemente, tenho ouvido muitas palestras, entrevistas de personalidades influentes do meio espírita, alertas quanto ao cuidado que devemos ter com nossas mentes, colocando a depressão e o crescente número de suicídios, inclusive entre crianças e jovens, como fenômenos contemporâneos extremamente preocupantes.

A análise de causas possíveis para esse cenário conduz o pensamento para o aspecto da predominância do materialismo e consequente perda de sentido existencial, em nossa sociedade.

O materialismo e seu fruto mais perverso, o consumismo, movido pelas leis do mercado, acena para o ser humano desavisado com objetos e experiências que seriam portadores de felicidade. Os poucos que alcançam esses objetivos, assim como os que nunca alcançarão, terminam desiludidos e sozinhos, sem obter o bem-estar prometido.

Novas metas de felicidade são erguidas, uma após a outra, como um arco-íris colorido, mas inalcançável, que não dependem, para serem atingidos, apenas do esforço pessoal, da dedicação, ou do estudo e do trabalho, mas de atributos físicos, por exemplo, ou da capacidade de atrair a atenção, ainda que para ideias frívolas, grotescas, viciosas, portadoras do tão desejado sucesso.

Metas medidas pelo número de “likes” em suas publicações.

O bom senso nos demonstra que o assim chamado sucesso é para poucos e ainda esses, após um breve período de brilho sob os holofotes, veem-se no escuro da solidão, ignorados pelos que os festejavam.

Os infelizes, solitários, equivocados de todas as classes sociais, uma vez adoecidos, são descartados, mantidos à margem, invisíveis.

Sob a luz da Doutrina Espirita, a inevitável telepatia entre mentes encarnadas e desencarnadas, revela um outro aspecto, esse positivo, desse cenário: o poder da escolha e da atuação salutar em nossa própria vida e na coletividade na qual nos achamos inseridos.

A realidade dos intercâmbios entre encarnados e desencarnados precisa deixar de ocorrer nos subterrâneos da mente e, trazidos para a luz da consciência, serem analisados, acolhidos, se bons, e descartados, desconectados, se percebidos adoecidos.

Não vivemos e não pensamos sozinhos. Vivemos em rede. Isso, hoje, não é mais uma questão metafísica. É algo experimentado por qualquer um que use um celular e use redes
sociais.

Saber que nossos pensamentos podem estar sendo influenciados por inteligências desencarnadas, longe de nos aterrorizar, nos traz a consciência de que, através da vigilância e do protagonismo de nossa vida interior podemos detectar e abandonar ideários pessimistas, assustadores, equivocados e, colocando nossa vontade em ação, sintonizar faixas mentais da espiritualidade superior que nos descortina os objetivos superiores da vida.

São tantos os recursos e ferramentas a nossa disposição: a prece, a leitura, a conversação saudável, a contemplação da natureza e, acima de tudo, a distribuição de palavras, gestos, expressões do Amor Maior.

Toda essa abundância de fontes verdadeiras de saúde e bem-estar permanecerá subutilizada, se não recorrermos a elas para o reequilíbrio e mudança de sintonia.

Estejamos alerta para os primeiros sinais de incômodo psíquico que denuncie a contaminação de nossos pensamentos por ideia destrutivas. Vigiemos nossa casa mental. Protejamos o meio ambiente no qual efetivamente vivemos e que sofre, com frequência, as incursões do pessimismo, o assédio dos objetivos de felicidade falsos e vazios de sentido, a rudeza e brutalidade das imagens criadas e consumidas que nos chegam em regime de
tempo integral.

Abrir janelas, renovar o ar, praticar exercícios físicos melhora a saúde do corpo. Analogamente, abrir janelas mentais para respirar uma psicosfera mais pura renovará nossa própria psicosfera e os exercícios mentais, assim como as disciplinas espirituais, treinarão a mente no processo de assenhorear-se de si mesma e de selecionar o que entra e o que não entra em nosso ambiente mental.

Nunca foi tão urgente nos assenhorearmos de nós mesmos. 

Protagonizemos, pois, nossa vida mental!


 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/01-Revista_CELD_Janeiro-2020.pdf

 

 

 

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