
Recentemente, tenho
ouvido muitas palestras, entrevistas de personalidades influentes
do meio espírita, alertas quanto ao cuidado que devemos ter
com nossas mentes, colocando a depressão e o crescente número
de suicídios, inclusive entre crianças e jovens, como
fenômenos contemporâneos extremamente preocupantes.
A análise de causas possíveis para esse cenário
conduz o pensamento para o aspecto da predominância do materialismo
e consequente perda de sentido existencial, em nossa sociedade.
O materialismo e seu fruto mais perverso, o consumismo, movido pelas
leis do mercado, acena para o ser humano desavisado com objetos e
experiências que seriam portadores de felicidade. Os poucos
que alcançam esses objetivos, assim como os que nunca alcançarão,
terminam desiludidos e sozinhos, sem obter o bem-estar prometido.
Novas metas de felicidade são erguidas, uma após a outra,
como um arco-íris colorido, mas inalcançável,
que não dependem, para serem atingidos, apenas do esforço
pessoal, da dedicação, ou do estudo e do trabalho, mas
de atributos físicos, por exemplo, ou da capacidade de atrair
a atenção, ainda que para ideias frívolas, grotescas,
viciosas, portadoras do tão desejado sucesso.
Metas medidas pelo número de “likes” em suas publicações.
O bom senso nos demonstra que o assim chamado sucesso é para
poucos e ainda esses, após um breve período de brilho
sob os holofotes, veem-se no escuro da solidão, ignorados pelos
que os festejavam.
Os infelizes, solitários, equivocados de todas as classes sociais,
uma vez adoecidos, são descartados, mantidos à margem,
invisíveis.
Sob a luz da Doutrina Espirita, a inevitável telepatia entre
mentes encarnadas e desencarnadas, revela um outro aspecto, esse positivo,
desse cenário: o poder da escolha e da atuação
salutar em nossa própria vida e na coletividade na qual nos
achamos inseridos.
A realidade dos intercâmbios entre encarnados e desencarnados
precisa deixar de ocorrer nos subterrâneos da mente e, trazidos
para a luz da consciência, serem analisados, acolhidos, se bons,
e descartados, desconectados, se percebidos adoecidos.
Não vivemos e não pensamos sozinhos. Vivemos em rede.
Isso, hoje, não é mais uma questão metafísica.
É algo experimentado por qualquer um que use um celular e use
redes
sociais.
Saber que nossos pensamentos podem estar sendo influenciados por inteligências
desencarnadas, longe de nos aterrorizar, nos traz a consciência
de que, através da vigilância e do protagonismo de nossa
vida interior podemos detectar e abandonar ideários pessimistas,
assustadores, equivocados e, colocando nossa vontade em ação,
sintonizar faixas mentais da espiritualidade superior que nos descortina
os objetivos superiores da vida.
São tantos os recursos e ferramentas a nossa disposição:
a prece, a leitura, a conversação saudável, a
contemplação da natureza e, acima de tudo, a distribuição
de palavras, gestos, expressões do Amor Maior.
Toda essa abundância de fontes verdadeiras de saúde e
bem-estar permanecerá subutilizada, se não recorrermos
a elas para o reequilíbrio e mudança de sintonia.
Estejamos alerta para os primeiros sinais de incômodo psíquico
que denuncie a contaminação de nossos pensamentos por
ideia destrutivas. Vigiemos nossa casa mental. Protejamos o meio ambiente
no qual efetivamente vivemos e que sofre, com frequência, as
incursões do pessimismo, o assédio dos objetivos de
felicidade falsos e vazios de sentido, a rudeza e brutalidade das
imagens criadas e consumidas que nos chegam em regime de
tempo integral.
Abrir janelas, renovar o ar, praticar exercícios físicos
melhora a saúde do corpo. Analogamente, abrir janelas mentais
para respirar uma psicosfera mais pura renovará nossa própria
psicosfera e os exercícios mentais, assim como as disciplinas
espirituais, treinarão a mente no processo de assenhorear-se
de si mesma e de selecionar o que entra e o que não entra em
nosso ambiente mental.
Nunca foi tão urgente nos assenhorearmos de nós mesmos.
Protagonizemos, pois, nossa vida mental!