Elaine Cristina Machado
Doutora em História pela Universidade Federal de Santa
Catarina. Coordenadora do Museu Nacional de Imigração
e Colonização. Membro do Conselho Municipal de Promoção
da Igualdade Racial -
COMPIR/JLLE. E coordenadora do Laboratório de Estudos dos
Fluxos (I)Migratórios no Sul do Brasil - LEFIS (CNPq).
Cartograrias da Umbanda em uma cidade de
colonização germânica no sul do Brasil
O ESTRIADO TERRENO DAS RELIGIÕES
E RELIGIOSIDADES EM JOINVILLE/SC
O manejo e o tratamento da cidade como objeto de interpretação
já seduziram muitos estudiosos. Aqui, faremos coro às
reflexões da historiadora Sandra Pesavento (2007), que defendeu,
ao longo de suas pesquisas e publicações, a distinção
entre a história de cidades da história da cidade. Tradicionalmente,
a história de cidades foi feita, muitas delas sob encomendas,
visando instaurar uma unidade entre suas origens e o seu desenvolvimento.
E não diferentes foram alguns investimentos historiográfcos
nessa cidade de colonização germânica localizada
na região norte do estado de Santa Catarina.
(...)
Ao reduzir as diferentes pertenças religiosas
e promover o enquadramento dessas pessoas como luteranos, quando não
como católicos, o governo brasileiro e os empreendimentos colonizadores
reduziam e tolhiam não só as expressões de credo,
mas restringiam e controlavam o diálogo inter-religioso.
Não estamos querendo apontar esse como sendo o epicentro do
exercício de apagamento das religiões afro-brasileiras
em regiões de colonização europeia, pelo contrário.
Para tal finalidade foram empregadas forças muito mais contundentes
e eficazes. Entretanto, essa perspectiva nos é importante para
pensarmos que esse enquadramento das pertenças religiosas foi
um recurso bastante usual empregado inclusive como forma de controle
social dirigida aos imigrantes.
(...)
É nesse sentido que tomamos como referência
os estudos empreendidos por Maggie (1992). Suas análises tratam
da repressão e da criminalização das religiões
afro-brasileiras na medida em que as coerções operavam
pela lógica da crença. Assim, o medo do feitiço
atravessava as mais distintas camadas da sociedade brasileira e transitava
em uma via de mão dupla: servindo para provocar temores e ser
temido.
Não raro, as religiões afro-brasileiras são tidas
como religiões que agregam em torno de si comunidades carentes
e estão geralmente inseridas nas regiões periféricas
das cidades. Mas, faz-se necessário reconhecer que esse cenário,
lido dessa maneira, é mais uma forma de marginalizar as referidas
religiões.
No excerto que abriu este subtítulo, o preconceito que salta
às linhas e parágrafos foi manejado por seu autor para
servir de arma de combate e controle social, mesmo que velado. O título
não deixa dúvidas à resposta dos leitores menos
atentos: “O Resultado das “macumbas” Superstição
ou ignorância?”. A resposta a que os leitores foram induzidos
a emitir levava em consideração as formas de tratamento
dado aos personagens elencados nas páginas do periódico
em questão e a maneira com que foi construído o enredo
da matéria...
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