| Allan
Kardec
> Profissão de Fé Espírita Americana - Revista
Espírita
Revista Espírita
Jornal de Estudos Psicológicos
publicada sob a direção de ALLAN KARDEC
Abril de 1869
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Nós reproduzimos, segundo o Salut
da Nova-Orléans, a declaração de princípios
decretada na quinta convenção nacional, ou assembléia
dos delegados espíritas das diferentes partes dos Estados Unidos.
A comparação das crenças, sobre essas matérias,
entre o que se chama a escola americana e a escola européia,
é uma coisa de grande importância, assim como cada um poderá
disto convencer-se.
Declaração de
princípios
O espiritualismo nos ensina:
1. Que o homem tem uma natureza
espiritual tão bem quanto uma natureza corpórea; ou
antes, que o homem verdadeiro é um Espírito, tendo
uma forma orgânica, com- posta de materiais sublimados, que
representa uma estrutura correspondente à do corpo material.
2. Que o homem, como Espírito,
é imortal. Tendo reconhecido que sobrevive a essa mudança
chamada a morte, pode-se racionalmente supor que ele sobreviverá
a todas as vicissitudes futuras.
3. Que há um mundo, ou estado
espiritual, com suas realidades substanciais, obje- tivas tão
bem quanto subjetivas.
4. Que o processo da morte física
não transforma de nenhuma maneira essencial a constituição
mental ou o caráter moral daquele que a sente, porque se
isto fosse de outro modo, sua identidade seria destruída.
5. Que a felicidade ou a infelicidade, tão bem no estado
espiritual quanto neste, não depende de um decreto arbitrário
ou de uma lei especial, mas muito do caráter, das aspirações
e do grau de harmonia ou conformidade do indivíduo com a
lei divina e universal.
6. Segue-se que a experiência
e os conhecimentos adquiridos desde esta vida se tornam as fundações
sobre as quais começa a vida nova.
7. Tendo em vista que a crença,
sob certos aspectos, é a lei do ser humano na vida presente,
e tendo em vista que o que se chama a morte não é
em realidade senão o nascimento numa outra condição
de existência, que conserva todas as vantagens ganhas na experiência
desta vida, pode-se disto inferir que o crescimento, o desenvolvimento,
a expansão ou a progressão são o destino infinito
do ser humano.
8. Que o mundo espiritual não
está longe de nós, mas que está perto, que
nos cerca, ou que está misturado ao nosso presente estado
de existência; e, conseqüentemente, que estamos constantemente
sob a vigilância dos seres espirituais.
9. Que, uma vez que os indivíduos
passam constantemente da vida terrestre à vida espiritual,
em todos os graus de desenvolvimento intelectual e moral, o estado
espiritual compreende todos os graus de caracteres, do mais baixo
ao mais elevado.
10. Que, uma vez que o céu
e o inferno, ou a felicidade e a infelicidade, dependem antes dos
sentimentos íntimos do que das circunstâncias exteriores,
há tantos graus para cada um quanto há de nuanças
de caracteres, cada indivíduo gravitando em seu próprio
lugar por uma lei natural de afinidade. Podem ser divididos em sete
graus gerais ou esferas; mas estes devem compreender as variedades
indefinidas, ou uma "infinidade de moradas" correspondendo
aos caracteres diversos dos indivíduos, cada ser gozando
tanto de felicidade quanto seu caráter lhe permite dela ter.
11. Que as comunicações do mundo dos Espíritos,
que elas sejam recebidas por impressão mental, por inspiração,
ou de toda outra maneira, não são necessariamente,
as verdades infalíveis, mas que, ao contrário, elas
se ressentem, inevitavelmente, das imperfeições da
inteligência da qual elas emanam e do caminho por onde elas
vêm; e que, além disso, elas são suscetíveis
de receber uma falsa interpretação daqueles a quem
são dirigidas.
12. Segue-se que nenhuma comunicação
inspirada, no tempo presente ou no passado (quaisquer que sejam
as pretensões que podem ou puderam ser postas antes como
sua fonte), não tem nenhuma autoridade mais extensa do que
a de representar a verdade à consciência individual,
esta última sendo o padrão final ao qual se devem
reportar para o julgamento de todos os ensinamentos inspirados ou
espirituais.
13. Que a inspiração,
ou a afluência das idéias e das sugestões vindas
do mundo espiritual, não é um milagre dos tempos passados,
mas um fato perpétuo, o método constante da economia
divina para a elevação da raça humana.
14. Que todos os seres angélicos
ou demoníacos que se manifestaram ou que se misturaram aos
negócios dos homens no passado, eram simplesmente os Espíritos
hu- manos desencarnados, em diferentes graus de progressão.
15. Que todos os milagres autênticos
(assim chamados) dos tempos passados, tais como a ressurreição
daqueles que estavam mortos em aparência, a cura das doenças
pela imposição das mãos ou outros meios também
simples, o contato inofensivo com os venenos, o movimento de objetos
materiais sem concurso visível, etc., etc., foram produzidos
em harmonia com as leis universais, e, conseqüentemente, podem
se repetir em todos os tempos, sob condições favoráveis.
16. Que as causas de todo fenômeno,
- as fontes da vida, da inteligência e do amor,
- devem se procurar no domínio interior e espiritual, e não
no domínio exterior e material.
17. Que o encadeamento das causas
tende inevitavelmente a remontar e a avançarem direção
a um Espírito infinito, que é não só
um princípio formador (a sabedoria), mas uma fonte de afeto
(o amor) -sustentando assim a dupla relação da parentela
do pai e da mãe, de todas as inteligências finitas
que, partindo, são unidas por laços filiais.
18. Que o homem, a título
de filho desse pai infinito, é sua mais alta representação
sobre esta esfera de seres, o homem perfeito sendo a personificação
mais completa da "plenitude do Pai" que podemos contemplar,
e que cada homem, em virtude dessa parentela, é, ou tem em
suas dobras íntimas, um germe da divindade, uma porção
incorruptível da essência divina que o leva constantemente
ao bem, e que, com o tempo, suplantará todas as imperfeições
inerentes à condição rudimentar ou terrestre,
e triunfará de todo o mal.
19. Que o mal é a falta
mais ou menos grande de harmonia com esse princípio íntimo
ou divino; e, portanto, quer se chame Cristianismo, Espiritualismo,
Religião, Filosofia, quer se reconheça o "Santo
Espírito", a Bíblia, ou a inspiração
espiritual e celeste, tudo o que ajuda o homem a submeter à
sua natureza interna o que há de mais exterior nele, e a
torná-lo harmonioso com ela, é um meio de triunfar
do mal.
Eis, pois, a base da crença dos
espíritas americanos; se isso não é da totalidade,
é ao menos a da maioria. Essa crença não é
mais o resultado de um sistema preconcebido nesse país do que
o Espiritismo na Europa; ninguém a imaginou; viu-se, observou-se
e disto se tiraram conclusões. Nesse mundo não mais do
que aqui, não se partiu da hipótese dos Espíritos
para explicar os fenômenos; mas, dos fenômenos como efeito,
chegou-se pela observação aos Espíritos como causa.
Aí está uma circunstância capital, da qual os detratores
se obstinam em não levar em conta. Porque eles chegam, com o
pensamento, o próprio desejo de não encontrar os Espíritos,
pensam que os Espíritas deveram tomar seu ponto de partida na
idéia preconcebida dos Espíritos, e que a imaginação
faz vê-los por toda a parte. Como se faz, então, que tantas
pessoas que neles não crêem se renderam à evidência?
Há delas milhares de exemplos,
na América, como aqui. Muitos, ao contrário, passaram
pela hipótese que o Sr. Chivillard acreditou ter inventado, e
a isto não renunciaram senão depois de ter-lhe reconhecido
a impossibilidade para tudo explicar. Ainda uma vez, não se chegou
à afirmação dos Espíritos senão depois
de ter tentado todas as outras soluções.
Já se pode notar as relações
e as diferenças que existem entre as duas escolas, e para aqueles
que não se pagam com palavras, mas que vão ao fundo das
idéias, a diferença se reduz a muito pouca coisa. Essas
duas escolas não tendo se copiado, essa coincidência é
um fato muito notável. Assim, eis dos dois lados do Atlântico,
milhões de pessoas que observam um fenômeno, e que chegam
ao mesmo resultado. É verdade que o Sr. Chevillard não
havia ainda passado por lá para opor o seu veto e dizer a esses
milhões de indivíduos, entre os quais há os de
bom nome que não passam por tolos: "Estais enganados; só
eu possuo a chave desses estranhos fenômenos, e eu vou deles dar
ao mundo a solução definitiva."
Para tornar a comparação
mais fácil, vamos tomar a profissão de fé americana,
artigo por artigo, e porem paralelo o que disse, sobre cada uma das
proposições que ali são formuladas, a doutrina
de O Livro dos Espíritos, publicada
em 1857, e que além disso está desenvolvida nas outras
obras fundamentais.
Disso se encontrará um resumo mais completo
no capítulo II de O que é o Espiritismo?
1. O homem possui uma alma ou Espírito,
princípio inteligente, em que residem o pensamento, a vontade,
o senso moral, e cujo corpo não é senão o envoltório
material. O Espírito é o ser principal, preexistente
e sobrevivente ao corpo, que não é senão um
acessório temporário.
O Espírito, seja durante
a vida carnal, seja depois de tê-la deixado, é revestido
de um corpo fluídico ou perispírito, que reproduz
a forma do corpo material.
2. O Espírito é imortal;
só o corpo é perecível.
3. Os Espíritos, libertos
do corpo carnal, constituem o mundo invisível ou espiritual,
que nos cerca e no meio do qual vivemos.
As transformações
fluídicas produzem imagens e objetos tão reais para
os Espíritos, que são eles mesmos fluídicos,
quanto o são as imagens e os objetos terrestres para os homens,
que são materiais. Tudo é relativo em cada um desses
mundos. (Ver a Gênese segundo o Espiritismo,
capítulo dos fluídos e das criações
fluídicas.)
4. A morte do corpo nada muda a
natureza do Espírito, que conserva as aptidões intelectuais
e morais adquiridas durante a vida terrestre.
5. O Espírito leva em si
mesmo os elementos de sua felicidade ou de sua infelicida- de; ele
é feliz ou infeliz em razão do grau de sua depuração
moral; ele sofre com as suas próprias imperfeições
das quais sofre as conseqüências naturais, sem que a
punição seja o fato de uma condenação
especial e individual.
A infelicidade do homem sobre a
Terra provém da inobservância das leis divinas; quando
ele conformar os seus atos e as suas instituições
sociais a essa leis, será também feliz quanto o comporta
sua natureza corpórea.
6. Nada do que o homem adquire durante
a vida terrestre, em conhecimentos e em perfeições
morais para ele está perdido; ele é na vida futura,
o que se fez na vida presente.
7. O progresso é a lei universal;
em virtude desta lei, o Espírito progride indefinidamente.
8. Os Espíritos estão
em nosso meio; eles nos cercam, nos vêm, nos ouvem e se misturam,
numa certa medida, às ações dos homens.
9. Os Espíritos não
sendo outros senão as almas dos homens, encontram-se entre
eles todos os graus de saber e de ignorância, de bondade e
de perversidade que existem sobre a Terra.
10. O céu e o inferno, segundo a crença vulgar, são
os lugares circunscritos de re- compensas e de punições.
Segundo o Espiritismo, os Espíritos
trazem em si mesmo os elementos de sua felicidade ou de seus sofrimentos,
são felizes ou infelizes por toda a parte onde se encontrem;
as palavras céu e inferno não são senão
figuras que caracterizam um estado de felicidade ou de infelicidade.
Há, por assim dizer, tantos
graus entre os Espíritos quanto há de nuanças
nas aptidões intelectuais e morais; no entanto, considerando-se
os caracteres mais marcantes, podem ser agrupados em nove classes
ou categorias principais, podendo se subdividirem ao infinito, sem
que essa classificação tenha nada de absoluta. (O
Livro dos Espíritos, liv. II, cap. l, n°
100, escala espírita.)
À medida que os Espíritos
avançam na perfeição, eles habitam mundos cada
vez mais avançados fisicamente e moralmente. Sem dúvida,
foi o que Jesus quis falar com estas palavras: "Há várias
moradas na casa de meu pai." (Ver O Evangelho segundo
o Espiritismo, cap. III.)
11. Os Espíritos podem se manifestar aos homens de diversas
maneiras: pela inspiração, pela palavra, pela visão,
pela escrita, etc.
É um erro crer que os Espíritos
têm a ciência infusa; seu saber, no espaço como
sobre a Terra, é subordinado ao seu grau de adiantamento,
e há os que, sobre certas coisas, delas sabem menos do que
os homens. Suas comunicações estão em relação
com os seus conhecimentos, e, por isto mesmo, não poderiam
ser infalíveis. O pensamento do Espírito pode, além
disso, ser alterado pelo meio que ele atravessa para se manifestar.
Àqueles que perguntam para
que servem as comunicações dos Espíritos, do
momento em que não sabem mais do que os homens, responde-se
que eles servem primeiro para provar que os Espíritos existem,
e, conseqüentemente, a imortalidade da alma; em segundo lugar,
a nos ensinar onde estão, o que são, o que fazem,
e em que condições se é feliz ou infeliz na
vida futura; em terceiro lugar, a destruir os preconceitos vulgares
sobre a natureza dos Espíritos e o estado das almas depois
da morte, todas as coisas que não seriam sabidas sem as comunicações
do mundo invisível.
12. As comunicações
dos Espíritos são opiniões pessoais que não
devem ser aceitas cegamente. O homem não deve, em nenhuma
circunstância, fazer abnegação de seu julgamento
e de seu livre arbítrio. Seria da prova de ignorância
e de leviandade aceitar como verdades absolutas
tudo o que vem dos Espíritos; eles dizem o que sabem; cabe
a nós submeter seus ensinos ao controle da lógica
e da razão.
13. As manifestações
sendo a conseqüência do contato incessante dos Espíritos
e dos homens, elas se deram em todos os tempos; elas estão
na ordem das leis da Natureza, e não têm nada de miraculosas,
qualquer que seja a forma sob a qual se apresentem. Essas manifestações
pondo em relação o mundo material e o mundo espiritual,
tendem à elevação do homem, provando-lhe que
a Terra não é, para ele, nem o começo, nem
o fim de todas as coisas, e que há outros destinos.
14. Os seres designados sob o nome
de anjos ou de demônios não são criações
especiais, distintas da Humanidade; os anjos são os Espíritos
saídos da Humanidade e que chegaram à perfeição;
os demônios são os Espíritos ainda imperfeitos,
mas que se melhorarão.
Seria contrário à
justiça e à bondade de Deus, ter criado seres perpetuamente
votados ao mal, incapazes de retornarão bem, e outros, privilegiados,
isentos de todo trabalho para chegar à perfeição
e à felicidade.
Segundo o Espiritismo, Deus não tem favores nem privilégios
para nenhuma de suas criaturas; todos os Espíritos têm
o mesmo ponto de partida e o mesmo caminho a percorrer para chegar,
por seu trabalho, à perfeição e à felicidade.
Uns chegaram: são os anjos ou puros Espíritos; os
outros estão ainda atrasados: são os Espíritos
imperfeitos. (Ver A Gênese, capítulos
dos Anjos e dos Demônios.)
15. O Espiritismo não admite
os milagres, no sentido teológico da palavra, tendo em vista
que, em sua opinião, nada se realiza fora das leis da Natureza.
Certos fatos, em os supondo autênticos, não foram reputados
miraculosos senão porque se lhes ignoravam as causas naturais.
O caráter do milagre é ser excepcional e insólito;
quando um fato se reproduz espontaneamente ou facultativamente,
é que está submetido a uma lei, e desde então
isso não é mais um milagre. Os fenômenos da
dupla vista, das aparições, de presciência,
de cura por imposição das mãos, e todos os
efeitos designados sob o nome de manifestações físicas
estão neste caso. (Ver, para o desenvolvimento completo desta
questão, a segunda parte de A Gênese, os
Milagres e as predições segundo o Espiritismo.)
16. Todas as faculdades intelectuais
e morais têm sua fonte no princípio espiritual, e não
no princípio material.
17. O Espírito do homem,
em se depurando, tende a se aproximar da divindade, princípio
e fim de todas as coisas.
18. A alma humana, emanação
divina, leva nela o germe ou princípio do bem e do mal que
é seu objetivo final, e deve fazê-la triunfar das imperfeições
inerentes ao seu estado de inferioridade sobre a Terra.
19. Tudo o que tende a elevar o
homem, a libertar sua alma do constrangimento da matéria,
que isso seja sob forma filosófica ou religiosa, é
um elemento de progresso que o aproxima do bem, ajudando-o a triunfar
de seus maus instintos.
Todas as religiões
conduzem a esse objetivo, por meios mais ou menos eficazes e racionais,
segundo o grau de adiantamento dos homens ao uso das quais elas
foram feitas.
Em que o Espiritismo americano difere,
pois, do Espiritismo europeu? Seria porque um se chama Espiritualismo
e o outro Espiritismo? Pueril questão de palavras sobre a qual
seria supérfluo insistir. Dos dois lados se vê a coisa
de um ponto muito elevado para se prender a uma semelhante futilidade.
Podem ser diferentes ainda sobre algum ponto deforma e de detalhes,
tudo também insignificantes, e que dizem mais respeito aos costumes
e aos usos de cada país do que ao fundo da doutrina. O essencial
é que haja concordância sobre os pontos fundamentais, é
o que ressalta com evidência da comparação acima.
Ambos reconhecem o progresso indefinido
da alma como a lei essencial do futuro; ambos admitem a pluralidade
das existências sucessivas em mundos mais ou menos avançados;
a única diferença consiste em que o Espiritismo europeu
admite essa pluralidade de existências sobre a Terra até
que o Espírito tenha adquirido o grau de adianta- mento intelectual
e moral que comporte este globo, depois do que ele o deixa por outros
mundos, onde adquire novas qualidades e novos conhecimentos. De acordo
sobre a idéia principal eles não diferem, pois, senão
sobre um dos modos de aplicação. É que isso pode
ser lá uma causa de antagonismo entre pessoas que perseguem um
grande objetivo humanitário?
De resto, o princípio da reencarnação
sobre a Terra não é particular ao Espiritismo europeu;
era um ponto fundamental da doutrina druídica; em nossos dias,
foi proclamado antes do Espiritismo por ilustres filósofos, tais
como Dupontde Nemours, Charles Fourier, Jean Reynaud, etc. Far-se-ia
uma lista interminável e escritores de todas as nações,
poetas, romancistas e outros que o afirmaram em suas obras; nos Estados
Unidos citaremos Benjamin Franklin, e a Sra. Beecher Stowe, autora de
A cabana do pai Tomás.
Dele não somos, pois, nem
o criador, nem o inventor. Hoje ele tende a tomar lugar na filosofia
moderna, fora do Espiritismo, como única solução
possível e racional de uma multidão de problemas psicológicos
e morais até hoje inexplicáveis. Não é aqui
o lugar de discutir esta questão, para cujo desenvolvimento remetemos
à introdução de O Livro dos Espíritos,
e ao capítulo IV de O Evangelho segundo o Espiritismo.
De duas coisas uma: esse princípio é verdadeiro ou não
o é; se é verdadeiro, é uma lei, e como toda lei
da Natureza, não são as opiniões contrárias
de alguns homens que o impedirão de ser uma verdade e de ser
aceito.
Já explicamos muitas vezes as causas que se opuseram à
sua introdução no Espiritismo americano; essas causas
desaparecem cada dia, e é do nosso conhecimento que eleja encontra
numerosas simpatias nesse país.
De resto, o programa acima não
faz parte dele; se não é ali proclamado, não é
ali contestado, pode-se mesmo dizer que ressalta implicitamente como
conseqüência forçada, de certas afirmações.
Em suma, como se vê, a maior barreira
que separa os espíritas dos dois continentes, é o Oceano,
através do qual podem perfeitamente se dar a mão.
O que faltou aos Estados Unidos foi
um centro de ação para coordenar os princípios;
não existe ali, propriamente falando, corpo metódico de
doutrina; encontra-se, como se pôde disto convencer, idéias
muito justas e de uma alta importância, mas sem ligação.
Foi a opinião de todos os Americanos que tivemos ocasião
de ver e é confirmada por um relatório feito em uma das
convenções realiza em Cleveland, em 1867, e do qual extraímos
as passagens seguintes:
"Na opinião de vossa
comissão, o que se chama hoje o Espiritualismo é um
caos onde a verdade mais pura é misturada sem cessar aos
erros mais grosseiros. Uma das coisas que servirão mais ao
adiantamento da filosofia nova será o hábito de empregar
bons métodos de observação. Recomendamos aos
nossos irmãos e às nossas irmãs uma atenção
levada ao escrúpulo em toda essa parte do Espiritismo. Nós
os convidamos também a desconfiarem das aparências
e a não tomarem sempre por um estado extático, ou
por uma agitação vinda do mundo espiritual, as disposições
da alma que podem tirar sua origem da desordem dos órgãos,
e, em particular, das doenças dos nervos ou da loucura, ou
de toda outra excitação completamente independente
da ação dos Espíritos.
"Cada um dos membros da comissão
já tinha uma experiência muito grande desses fenômenos;
há dez ou quinze anos, todos fomos testemunhas de fatos cuja
origem extraterrestre não podia ser posta em dúvida,
e que se impunha à razão. Mas estávamos todos
igualmente convencidos de que uma grande parte do que se dá
à multidão como manifestações espiritualistas,
são muito simplesmente passes de mágica mais ou menos
jeitosamente executados por trapaceiros que disso se servem para
explorar a credulidade pública.
"As observações
que acabamos de fazer a respeito dos malabarismos qualificados de
manifestações, se aplicam inteiramente a todos os
supostos médiuns que se recusam de fazer suas experiências
em outro lugar do que um quarto escuro: os Davenport, Fays, Eddies,
Ferrises, Church, senhorita Vanwie e outros, que pretendem fazer
coisas materialmente impossíveis, e se dão como os
instrumentos dos Espíritos, sem trazer a menor prova em apoio
de suas operações. Depois de uma investigação
atenta da matéria, esta- mos na obrigação de
declarar que a obscuridade não é uma condição
indispensável à produção dos fenômenos;
que ela é reclamada como tál somente pelos velhacos,
e que ela não têm outra utilidade senão de oferecer
as suas mentiras. Convidamos, em conseqüência, as pessoas
que se ocupam de Espiritualismo, a renunciarem a evocar os Espíritos
na obscuridade.
"Em criticando uma prática
que pode ser substituída sem dificuldade por modos de experimentação
infinitamente mais probantes, não entendemos infligir uma
censura aos médiuns que a usam de boa fé, mas denunciará
opinião os charlatães que exploram uma coisa digna
de todos os respeitos. Nós queremos defender os verdadeiros
médiuns, e livrara nossa gloriosa causa dos impostores que
a desonram.
"Cremos nas manifestações
físicas, elas são indispensáveis ao progresso
do Espiritualismo. São as provas simples e limpas que tocam,
desde o início, aqueles a quem os preconceitos não
cegam; elas são um ponto de partida para chegar à
inteligência das manifestações de uma ordem
mais elevada, o caminho que conduziu a maioria dos espiritualistas
americanos do ateísmo ou da dúvida, ao conhecimento
da imortalidade da alma. (Extraído do New-YorkHerald,
de 10 de setembro de 1867.)
Revista Espírita
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