Histórico com base na coleção
da Revista Espírita (1858-1869)
Jornal de Estudos Psicológicos publicada sob a direção
de Allan Kardec
ANO 7 – MARÇO/ABRIL/DEZEMBRO 1864 – Nºs.
3, 4 e 11 e ANO 8 – NOVEMBRO 1865 – Nº. 11
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Na Revista Espírita
de março de 1864
NOTÍCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Uma nova obra do Sr. Allan Kardec, mais ou menos do mesmo volume de
O Livro dos Espíritos, está no prelo desde dezembro. Deveria
aparecer em fevereiro, mas atrasos involuntários na impressão,
e os cuidados que esta exige, não o permitiram. Tudo nos faz
esperar que poderemos anunciar a sua venda no próximo número.
Destina-se a substituir a obra anunciada sob o título: As
vozes do mundo invisível, cujo plano primitivo
foi radicalmente mudado.
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Na Revista Espírita de abril
de 1864
BIBLIOGRAFIA
À VENDA
IMITAÇÃO DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (1)
Contendo a explicação das máximas morais do Cristo
em concordância com o Espiritismo e sua aplicação
às diversas circunstâncias da vida.
Por ALLAN KARDEC
Com esta epígrafe: "Fé
inabalável só o é a que pode encarar frente a frente
a razão, em todas as épocas da Humanidade."
Abstemo-nos de qualquer reflexão sobre esta obra, limitando-nos
a extrair da introdução a parte que indica o seu objetivo.
"Podem dividir-se em quatro partes
as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida
do Cristo; os milagres; as predições; e o ensino moral.
As três primeiras partes têm sido objeto de controvérsias;
a última, porém, conservou-se constantemente inatacável.
Diante desse código divino, a própria incredulidade se
curva. É terreno onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte
sob o qual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suas crenças,
porquanto jamais ele constituiu matéria das disputas religiosas,
que sempre e por toda parte se originaram das questões dogmáticas.
Aliás, se o discutissem, nele teriam as seitas encontrado sua
própria condenação, visto que, na maioria, elas
se agarram mais à parte mística do que à parte
moral,que exige de cada um a reforma de si mesmo. Para os homens, em
particular, constitui aquele código uma regra de proceder que
abrange todas as circunstâncias da vida privada e da vida pública,
o princípio básico de todas as relações
sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. É finalmente
e acima de tudo, o roteiro infalível para a felicidade vindoura,
o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura.
Essa parte é a que será objeto exclusivo desta obra.
"Toda a gente admira a moral evangélica;
todos lhe proclamam a sublimidade e a necessidade; muitos, porém,
assim se pronunciam por fé, confiados no que ouviram dizer, ou
firmados em certas máximas que se tornaram proverbiais. Poucos,
no entanto, a conhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem
e lhe sabem deduzir as conseqüências. A razão está,
em grande parte, na dificuldade que apresenta o entendimento do Evangelho
que, para o maior número dos seus leitores,é ininteligível.
A forma alegórica e o intencional misticismo da linguagem fazem
que a maioria o leia por desencargo de consciência e por dever,como
lêem as preces,sem as entender,isto é,sem proveito.Passam-lhes
despercebidos os preceitos morais, disseminados aqui e ali,intercalados
na massa das narrativas. Impossível, então, se lhes apanhar
o conjunto e tomá-los para objeto de leitura e meditações
especiais.
"É certo que tratados já se hão escrito de
moral evangélica; mas, o arranjo em moderno estilo literário
lhe tira a primitiva simplicidade que, ao mesmo tempo, lhe constitui
o encanto e a autenticidade. Outro tanto cabe dizer-se das máximas
destacadas e reduzidas à sua mais simples expressão proverbial.
Desde logo, já não passam de aforismos, privados de uma
parte do seu valor e interesse, pela ausência dos acessórios
e das circunstâncias em que foram enunciadas.
"Para obviar a esses inconvenientes, reunimos, nesta obra, os artigos
que podem compor, a bem dizer, um código de moral universal,
sem distinção de culto. Nas citações, conservamos
o que é útil ao desenvolvimento da idéia, pondo
de lado unicamente o que se não prende ao assunto. Além
disso, respeitamos escrupulosamente a tradução original
de Sacy, assim como a divisão em versículos. Em vez, porém,
de nos atermos a uma ordem cronológica impossível e sem
vantagem real para o caso, grupamos e classificamos metodicamente as
máximas, segundo as respectivas naturezas, de modo que decorram
umas das outras, tanto quanto possível. A indicação
dos números de ordem dos capítulos e dos versículos
permite se recorra à classificação vulgar, em sendo
oportuno.
"Esse, entretanto, seria um trabalho
material que, por si só, apenas teria secundária utilidade.
O essencial era pô-lo ao alcance de todos, mediante a explicação
das passagens obscuras e o desdobramento de todas as conseqüências,
tendo em vista a aplicação dos ensinos a todas as condições
da vida. Foi o que tentamos fazer, com a ajuda dos Espíritos
bons que nos assistem.
"Muitos pontos dos Evangelhos, da Bíblia e dos autores sacros
em geral só são ininteligíveis, parecendo alguns
até irracionais, por falta da chave que faculte se lhes apreenda
o verdadeiro sentido. Essa chave está completa no Espiritismo,
como já o puderam reconhecer os que o têm estudado seriamente
e como todos, mais tarde, ainda melhor o reconhecerão. O Espiritismo
se nos depara por toda parte na antiguidade e nas diferentes épocas
da Humanidade. Por toda parte se lhe descobrem os vestígios:
nos escritos, nas crenças e nos monumentos. Essa a razão
por que, ao mesmo tempo que rasga horizontes novos para o futuro,projeta
luz não menos viva sobre os mistérios do passado.
"Como complemento de cada preceito, acrescentamos algumas instruções
escolhidas, dentre as que os Espíritos ditaram em vários
países e por diferentes médiuns. Se elas fossem tiradas
de uma fonte única, houveram talvez sofrido uma influência
pessoal ou a do meio, enquanto a diversidade de origens prova que os
Espíritos dão indistintamente seus ensinos e que ninguém
a esse respeito goza de qualquer privilégio.
"Esta obra é para uso de todos. Dela podem todos haurir
os meios de conformar com a moral do Cristo o respectivo proceder. Aos
espíritas oferece aplicações que lhes concernem
de modo especial. Graças às relações estabelecidas,
doravante e permanentemente, entre os homens e o mundo invisível,
a lei evangélica, que os próprios Espíritos ensinaram
a todas as nações, já não será letra
morta, porque cada um a compreenderá e se verá incessantemente
compelido a pô-la em prática, a conselho de seus guias
espirituais. As instruções que promanam dos Espíritos
são verdadeiramente as vozes do céu que vêm
esclarecer os homens e convidá-los à imitação
do Evangelho."
* * *
Na Revista Espírita de dezembro de
1864
COMUNICAÇÃO ESPÍRITA
A PROPÓSITO DA IMITAÇÃO DO EVANGELHO
(Bordeaux, maio de 1864. Grupo de São João – Médium::
Sr. Rul.)
Acaba de aparecer um novo livro; é
uma luz mais brilhante que vem clarear a vossa marcha. Há dezoito
séculos, por ordem de meu Pai, vim trazer a palavra de Deus aos
homens de boa vontade. Esta palavra foi esquecida pela maioria dos homens,
e a incredulidade, o materialismo vieram abafar o bom grão que
eu tinha depositado em vossa Terra. Hoje, por ordem do Eterno, os Espíritos
bons, seus mensageiros, vêm a todos os pontos do globo fazer ouvir
a trombeta retumbante. Escutai suas vozes; são destinadas a vos
mostrar o caminho que conduz aos pés do Pai celestial. Sede dóceis
aos seus ensinos; os tempos preditos são chegados; todas as profecias
serão cumpridas.
Pelos frutos se conhece a árvore. Vede quais são os frutos
do Espiritismo: casais onde a discórdia tinha substituído
a harmonia voltaram à paz e à felicidade; homens que sucumbiam
ao peso de suas aflições,despertados pelos acordes melodiosos
das vozes de além-túmulo, compreenderam que seguiam o
caminho errado e,envergonhados de suas fraquezas, arrependeram-se e
pediram força ao Senhor para suportarem as suas provações.
Provações e expiações, eis a condição
do homem na Terra. Expiação do passado, provações
para o fortalecer contra a tentação,para desenvolver o
Espírito pela atividade da luta, habituá-lo a dominar
a matéria e prepará-lo para as alegrias puras que o esperam
no mundo dos Espíritos.
Há muitas moradas na casa de meu Pai, disse-lhes eu há
dezoito séculos. O Espiritismo veio tornar compreensíveis
estas palavras. E vós, meus bem-amados, trabalhadores que suportais
o calor do dia, que credes ter de vos lamentar da injustiça da
sorte, abençoai vossos sofrimentos; agradecei a Deus, que vos
dá meios de quitar as dívidas do passado. Orai, não
com os lábios, mas com o coração melhorado, a fim
de que possais ocupar melhor lugar na casa de meu Pai. Como sabeis,
os grandes serão humilhados, mas os pequenos e os humildes serão
exaltados.
O Espírito de Verdade
OBSERVAÇÃO
– Sabe-se que não levamos em consideração
o nome dos seres que se comunicam, sobretudo os que se apresentam sob
nomes venerandos. Não garantimos mais esta assinatura do que
muitas outras, limitando-nos a entregar esta comunicação
à apreciação de todo espírita esclarecido.
Diremos, contudo, que não se pode negar a elevação
do pensamento, a nobreza e a simplicidade das expressões, a sobriedade
da linguagem e a ausência de toda superfluidade. Se se compara
às que são dadas na Imitação
do Evangelho (prefácio e capítulo III: O
Cristo Consolador), e que levam a mesma assinatura, embora obtidas
por médiuns diferentes e em épocas diversas, nota-se entre
elas uma analogia impressionante de tom, de estilo e de pensamentos,
que acusam uma origem única. Para nós, dizemos que pode
ser do Espírito de Verdade, porque é digna dele, enquanto
temos visto massas assinadas por este nome venerado ou o de Jesus, cuja
prolixidade, verborragia, vulgaridade, por vezes mesmo a trivialidade
das idéias, traem a origem apócrifa aos olhos dos menos
clarividentes. Só uma fascinação completa pode
explicar a cegueira dos que se deixam apanhar,quando não, também,
o orgulho de julgar-se infalível e intérprete privilegiado
dos Espíritos puros, orgulho sempre punido, mais cedo ou mais
tarde, pelas decepções, mistificações ridículas
e por desgraças reais nesta vida. À vista desses nomes
venerados, o primeiro sentimento do médium modesto é o
da dúvida, porque não se julga digno de tal favor.
* * *
Na Revista Espírita de novembro de
1865
NOTÍCIAS BIBLIOGRÁFICAS
No Prelo, Para Aparecer em Alguns Dias:
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
por Allan Kardec
3ª. Edição
Revista, Corrigida e Modificada.
Esta edição foi objeto de um remanejamento completo da
obra. Além de algumas adições, as principais alterações
consistem numa classificação mais metódica, mais
clara e mais cômoda das matérias, o que torna sua leitura
e as buscas mais fáceis.
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(1) Um vol. grande in-12.Livraria dos Srs. Didier
&Cia, 35, quai des Grands-Augustins; Ledoyen, no Palais-Royal, no
escritório da Revista Espírita. Preço: 3 fr. 50
c.
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Fonte: http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/O_EVANGELHO_SEG_O_ESPIRITISMO.html
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