| Allan
Kardec - Obras Póstumas
> Os Desertores
(OBRAS PÓSTUMAS –
1ª Parte página 301)
(Allan Kardec – Encarnado.)
Se é certo que todas as grandes idéias contam apóstolos
fervorosos e dedicados, não menos certo é que mesmo
as melhores dentre elas têm seus desertores. O Espiritismo
não podia escapar aos efeitos da fraqueza humana. Ele também
teve os seus e a esse respeito não serão inúteis
algumas observações.
Nos primeiros tempos, muitos se equivocaram sobre a natureza e
os fins do Espiritismo e não lhe perceberam o alcance.
Antes de tudo mais, excitou a curiosidade; muitos eram os que
não viam nas manifestações espíritas
mais do que simples objeto de diversão; divertiram-se com
os Espíritos, enquanto estes quiseram diverti-los. Constituíam
um passatempo, muitas vezes um acessório dos saraus.
Esta maneira por que a princípio a coisa se apresentou
foi uma tática hábil dos Espíritos. Sob a
forma de divertimento, a idéia penetrou por toda parte
e semeou germens, sem espavorir as consciências timoratas.
Brincaram com a criança, mas a criança tinha de
crescer.
Quando aos Espíritos facetos sucederam os Espíritos
sérios, moralizadores; quando o Espiritismo se tornou ciência,
filosofia, as pessoas superficiais deixaram de achá-lo
divertido; para os que se preocupam sobretudo com a vida material,
era um censor importuno e embaraçoso, pelo que não
poucos o puseram de lado. Não há que deplorar a
existência desses desertores, porquanto as criaturas frívolas
não passam de pobres auxiliares, seja no que for. Todavia,
essa primeira fase não se pode considerar tempo perdido.
Graças àquele disfarce, a idéia se popularizou
cem vezes mais do que se houvera, desde o primeiro momento, revestido
severa forma, e daqueles meios levianos e displicentes saíram
graves pensadores.
Postos em moda pelo atrativo da curiosidade, constituindo um engodo,
os fenômenos tentaram a cupidez dos que andam à cata
do que surge como novidade, na esperança de encontrar aí
uma porta aberta. As manifestações pareceram coisa
maravilhosamente explorável e não faltou quem pensasse
em fazer delas um auxiliar de seus negócios; para outros,
eram uma variante da arte da adivinhação, um processo,
talvez mais seguro do que a cartomancia, a quiromancia, a borra
de café, etc., etc., para se conhecer o futuro e descobrir
coisas ocultas, uma vez que, segundo a opinião então
corrente, os Espíritos tudo sabiam.
Vendo, afinal, essas pessoas que a especulação lhes
escapava dentre os dedos e dava em mistificação,
que os Espíritos não vinham ajudá-las a enriquecer,
nem lhes indicar números que seriam premiados nas loterias,
ou revelar-lhes a boa sorte, ou levá-las a descobrir tesouros,
ou a receber heranças, nem ainda facultar-lhes uma invenção
frutuosa de que tirassem patente, suprir-lhes em suma a ignorância
e dispensá-las do trabalho intelectual e material, os Espíritos
para nada serviam e suas manifestações não
passavam de ilusões. Tanto essas pessoas deferiram louvores
ao Espiritismo, durante todo o tempo em que esperaram auferir
dele algum proveito, quanto o denegriram desde que chegou a decepção.
Mais de um dos críticos que o vituperam tê-lo-iam
elevado às nuvens, se ele houvesse feito que descobrissem
um tio rico na América, ou que ganhassem na Bolsa. Das
categorias dos desertores, é essa a mais numerosa; mas,
compreende-se que os que a formam não podem ser qualificados
de espíritas.
Também essa fase apresentou sua utilidade. Mostrando o
que não se devia esperar do concurso dos Espíritos,
ela deu a conhecer o objetivo sério do Espiritismo e depurou
a doutrina. Sabem os Espíritos que as lições
da experiência são as mais proveitosas; se, logo
de começo, eles dissessem: Não peçais isto
ou aquilo, porque nada conseguireis, ninguém mais lhes
daria crédito. Essa a razão por que deixaram que
as coisas tomassem o rumo que tomaram: foi para que da observação
ressaltasse a verdade. As decepções desanimaram
os exploradores e contribuíram para que o número
deles diminuísse. Eram parasitos de que elas, as decepções,
livraram o Espiritismo, e não adeptos sinceros.
Alguns indivíduos, mais perspicazes do que outros, entreviram
o homem na criança que acabava de nascer e temeram-na,
como Herodes temeu o menino Jesus. Não se atrevendo a atacar
de frente o Espiritismo, esses indivíduos incitaram agentes
com o encargo de o abraçarem para asfixiá-lo; agentes
que se mascaram para em toda parte se intrometerem, para suscitarem
habilmente a desafeição nos centros e espalharem,
dentro destes, com furtiva mão, o veneno da calúnia,
acendendo, ao mesmo tempo, o facho da discórdia, inspirando
atos comprometedores, tentando desencaminhar a doutrina, a fim
de torná-la ridícula ou odiosa e simular em seguida
defecções.
Outros ainda são mais habilidosos: pregando a união,
semeiam a separação; destramente levantam questões
irritantes e ferinas; despertam o ciúme da preponderância
entre os diferentes grupos; deleitar-se-iam, vendo-os apedrejar-se
e erguer bandeira contra bandeira, a propósito de algumas
divergências de opiniões sobre certas questões
de forma ou de fundo, as mais das vezes provocadas intencionalmente.
Todas as doutrinas têm tido seu
Judas; o Espiritismo não poderia deixar de ter os seus
e eles ainda não lhe faltaram.
Esses são espíritas de contrabando, mas que também
foram de alguma utilidade: ensinaram ao verdadeiro espírita
a ser prudente, circunspeto e a não se fiar nas aparências.
Por princípio, deve-se desconfiar dos entusiasmos demasiados
febris: são quase sempre fogo de palha, ou simulacros,
ardores ocasionais, que suprem com a abundância de palavras
a falta de atos. A verdadeira convicção é
calma, refletida, motivada; revela-se, como a verdadeira coragem,
pelos fatos, isto é, pela firmeza, pela perseverança
e, sobretudo, pela abnegação. O desinteresse moral
e material é a legítima pedra de toque da sinceridade.
Tem esta um cunho sui generis; exterioriza-se por matizes muitas
vezes mais fáceis de ser compreendidos do que definidos;
é sentida por efeito dessa transmissão do pensamento,
cuja lei o Espiritismo regulou, sem que a falsidade chegue nunca
a simulá-la completamente, visto não lhe ser possível
mudar a natureza das correntes fluídicas que projeta de
si. Ela, a sinceridade, considera erro dar troco à baixa
e servil lisonja, que somente seduz as almas orgulhosas, lisonja
por meio da qual precisamente a falsidade se trai para com as
almas elevadas.
Jamais pode o gelo imitar o calor.
Se passarmos à categoria dos espíritas propriamente
ditos, ainda aí depararemos com certas fraquezas humanas,
das quais a doutrina não triunfará imediatamente.
As mais difíceis de vencer-se são o egoísmo
e o orgulho, as duas paixões originárias do homem.
Entre os adeptos convictos, não há deserções,
na lídima acepção do termo, visto como aquele
que desertasse por motivo de interesse ou qualquer outro, nunca
teria sido sinceramente espírita; pode, entretanto, haver
desfalecimentos. Pode dar-se que a coragem e a perseverança
fraqueiem diante de uma decepção, de uma ambição
frustrada, de uma preeminência não alcançada,
de uma ferida no amor-próprio, de uma prova difícil.
Há o recuo ante o sacrifício do bem-estar, ante
o receio de comprometer os interesses materiais, ante o medo do
“que dirão”?; há o ser-se abatido por
uma mistificação, tendo como conseqüência,
não o afastamento, mas o esfriamento; há o querer
viver para si e não para os outros, o beneficiar-se da
crença, mas sob a condição de que isso nada
custe.
Sem dúvida, podem os que assim procedem ser crentes, mas,
sem contestação, crentes egoístas, nos quais
a fé não ateou o fogo sagrado do devotamento e da
abnegação; às suas almas custa o desprenderem-se
da matéria. Fazem nominalmente número, porém
não há contar com eles.
Todos os outros são espíritas que em verdade merecem
esse qualificativo. Aceitam por si mesmos todas as conseqüências
da doutrina e são reconhecíveis pelos esforços
que empregam por melhorar-se. Sem desprezarem, além dos
limites do razoável, os interesses materiais, estes são,
para eles, o acessório e não o principal; não
consideram a vida terrena senão como travessia mais ou
menos penosa; estão certos de que do emprego útil
ou inútil que lhe derem depende o futuro; têm por
mesquinhos os gozos que ela proporciona, em face do objetivo esplêndido
que entrevem no além; não se intimidam com os obstáculos
com que topem no caminho; vêem nas vicissitudes e decepções
provas que não lhes causam desânimo, porque sabem
que o repouso será o prêmio do trabalho. Daí
vem que não se verificam entre eles deserções,
nem falências.
Por isso mesmo, os Espíritos bons protegem manifestamente
os que lutam com coragem e perseverança, aqueles cujo devotamento
é sincero e sem idéias preconcebidas; ajudam-nos
a vencer os obstáculos e suavizam as provas que não
possam evitar-lhes, ao passo que, não menos manifestamente,
abandonam os que se afastam deles e sacrificam a causa da verdade
às suas ambições pessoais.
Deveremos incluir também entre os desertores do Espiritismo
os que se retiram porque a nossa maneira de ver não lhes
satisfaz; os que, por acharem muito lento ou muito rápido
o nosso método, pretendem alcançar mais depressa
e em melhores condições a meta a que visamos? Certamente
que não, se têm por guia a sinceridade e o desejo
de propagar a verdade. – Sim, se seus esforços tendem
unicamente a se porem eles em evidência e a chamar sobre
si a atenção pública, para satisfação
do amor-próprio e de interesses pessoais!...
Tendes um modo de ver diferente do nosso, não simpatizais
com os princípios que admitimos! Nada prova que estais
mais próximos da verdade do que nós. Pode-se divergir
de opinião em matéria de ciência; investigai
do vosso lado, como nós investigamos do nosso; o futuro
dará a ver qual de nós está em erro ou com
a razão. Não pretendemos ser os únicos a
reunir as condições fora das quais não são
possíveis estudos sérios e úteis; o que temos
feito podem outros, sem dúvida, fazer. Que os homens inteligentes
se agreguem a nós, ou se congreguem longe de nós,
pouco importa!... Se os centros de estudos se multiplicarem, tanto
melhor; será um sinal de incontestável progresso,
que aplaudiremos com todas as nossas forças.
Quanto às rivalidades, às tentativas que façam
por nos suplantarem, temos um meio infalível de não
as temer. Trabalhamos para compreender, por enriquecer a nossa
inteligência e o nosso coração; lutamos com
os outros, mas lutamos com caridade e abnegação.
O amor do próximo inscrito em nosso estandarte é
a nossa divisa; a pesquisa da verdade, venha donde vier, o nosso
único objetivo. Com tais sentimentos, enfrentamos a zombaria
dos nossos adversários e as tentativas dos nossos competidores.
Se nos enganarmos, não teremos o tolo amor-próprio
que nos leve a obstinar-nos em idéias falsas; há,
porém, princípios acerca dos quais podemos todos
estar seguros de não nos enganarmos nunca: o amor do bem,
a abnegação, a proscrição de todo
sentimento de inveja e de ciúme. Estes princípios
são os nossos; vemos neles os laços que prenderão
todos os homens de bem, qualquer que seja a divergência
de suas opiniões. Somente o egoísmo e a má-fé
erguem entre eles barreiras intransponíveis.
Mas, qual será a conseqüência de semelhante
estado de coisas? Indubitavelmente, o proceder dos falsos irmãos
poderá de momento acarretar algumas perturbações
parciais, pelo que todos os esforços devem ser empregados
para levá-las, ao malogro, tanto quanto possível;
essas perturbações, porém, pouco tempo necessariamente
durarão e não poderão ser prejudiciais ao
futuro: primeiro, porque são simples manobras de oposição,
fadadas a cair pela força mesma das coisas; depois, digam
o que disserem, ou façam o que fizerem, ninguém
seria capaz de privar a doutrina do seu caráter distintivo,
da sua filosofia racional e lógica, da sua moral consoladora
e regeneradora. Hoje, estão lançadas de forma inabalável
as bases do Espiritismo; os livros escritos sem equívoco
e postos ao alcance de todas as inteligências serão
sempre a expressão clara e exata do ensino dos Espíritos
e o transmitirão intacto aos que nos sucederem.
Insta não perder de vista que estamos num momento de transição
e que nenhuma transição se opera sem conflito. Ninguém,
pois, deve espantar-se de que certas paixões se agitem,
por efeito de ambições malogradas, de interesses
feridos, de pretensões frustradas. Pouco a pouco, porém,
tudo se extingue, a febre se abranda, os homens passam e as novas
idéias permanecem. Espíritas, se quereis ser invencíveis,
sede benévolos e caridosos; o bem é uma couraça
contra a qual sempre se quebrarão as manobras da malevolência!...
Nada, pois, temamos: o futuro nos pertence. Deixemos que os nossos
adversários se debatam, apertados pela verdade que os ofusca;
qualquer oposição é impotente contra a evidência,
que inevitavelmente triunfa pela força mesma das coisas.
É uma questão de tempo a vulgarização
universal do Espiritismo e neste século o tempo marcha
a passo de gigante, sob a impulsão do progresso.
Allan Kardec
Observação
– Como complemento deste artigo, publicamos uma instrução
que sobre o mesmo assunto Allan Kardec deu, logo que voltou
ao mundo dos Espíritos. Parece-nos interessante,
para os nossos leitores, juntar às páginas
eloqüentes e viris que se acabam de ler a opinião
atual do organizador por excelência da nossa filosofia.
(Paris, novembro de 1869)
FEB Dezembro 1969 Página: 490
Quando eu me achava corporalmente
entre vós, disse muitas vezes que havia de fazer aí
uma história do Espiritismo, que não seria destituída
de interesse. É este, ainda agora, o meu parecer e os elementos
que eu reunira para esse fim poderão servir um dia à
realização da minha idéia. É que eu,
com efeito, me encontrava mais bem colocado do que qualquer outro
para apreciar o curioso espetáculo que a descoberta e a vulgarização
de uma grande verdade provocara. Pressentia outrora, hoje sei, que
ordem maravilhosa e que harmonia inconcebível presidem à
concentração de todos os documentos destinados a dar
nascimento à nova obra. A benevolência, a boa vontade,
o devotamento absoluto de uns; a má-fé, a hipocrisia,
as maldosas manobras de outros, tudo concorre para garantir a estabilidade
do edifício que se eleva. Nas mãos das potestades
superiores, que presidem a todos os progressos, as resistências
inconscientes ou simuladas, os ataques visando semear o descrédito
e o ridículo, se tornam elementos de elaboração.
Que não têm feito! Que é o que não têm
posto em ação para asfixiar no berço a criança!
A princípio o charlatanismo e a superstição
quiseram, ora um, ora outra, apoderar-se dos nossos princípios,
a fim de os explorarem em proveito próprio; todos os raios
da imprensa se projetaram contra nós; chasquearam das coisas
mais respeitáveis; atribuíram aos Espíritos
do mal os ensinos dos Espíritos mais dignos da admiração
e da veneração universais; entretanto, todos esses
esforços conjugados mais não conseguiram, senão
proclamar a impotência dos nossos adversários.
É dentro dessa luta incessante contra os preconceitos firmados,
contra erros acreditados, que se aprende a conhecer os homens. Eu
sabia, ao consagrar-me à obra de minha predileção,
que me expunha ao ódio, à inveja e ao ciúme
dos outros. O caminho se achava inçado de dificuldades que
de contínuo se renovavam. Nada podendo contra a doutrina,
atiravam-se ao homem; mas, por esse lado, eu me sentia forte, porque
renunciara à minha personalidade. Que me importavam os esforços
da calúnia; a minha consciência e a grandeza do objetivo
me faziam esquecer de boa vontade as urzes e os espinhos da estrada.
Os testemunhos de simpatia e de estima, que recebi dos que me souberam
apreciar, constituíram a mais estimável recompensa
que eu jamais ambicionara. Mas, ah! quantas vezes teria sucumbido
ao peso da minha tarefa, se a afeição e o reconhecimento
de muitos não me houvessem feito olvidar a ingratidão
e a injustiça de alguns, porquanto, se os ataques contra
mim dirigidos sempre me encontraram insensível, penosamente
magoado me sentia, devo dizê-lo, todas as vezes que descobria
falsos amigos entre aqueles com quem mais contava.
Se é justo censurar os que hão tentado explorar o
Espiritismo ou desnaturá-lo em seus escritos, sem o terem
previamente estudado, quão mais culpados não são
os que, depois de lhe haverem assimilado todos os princípios,
não contentes de se lhe apartarem do seio, contra ele voltaram
todos os seus esforços! É, sobretudo, para os desertores
dessa categoria que devemos implorar a misericórdia divina,
pois que apagaram voluntariamente o facho que os iluminava e com
o qual podiam esclarecer os outros. Eles, por isso, logo perdem
a proteção dos Espíritos bons e, conforme a
triste experiência que temos feito, bem depressa chegam, de
queda em queda, às mais críticas situações!
Desde que voltei para o mundo dos Espíritos, tornei a ver
alguns desses infelizes! Arrependem-se agora; lamentam a inação
em que ficaram e a má vontade de que deram prova, sem lograrem,
todavia, recuperar o tempo perdido!... Tornarão em breve
à Terra, com o firme propósito de concorrerem ativamente
para o progresso e se verão ainda em luta com as tendências
antigas, até que triunfem definitivamente.
Fora de crer que os espíritas de hoje, esclarecidos por esses
exemplos, evitariam cair nos mesmos erros. Assim, porém,
não é. Ainda por longo tempo haverá irmãos
falsos e amigos desassisados; mas, tal como seus irmãos mais
velhos, não conseguirão que o Espiritismo saia da
sua diretriz. Embora causem algumas perturbações momentâneas
e puramente locais, nem por isso a doutrina periclitará.
Ao contrário, os espíritas transviados bem depressa
reconhecerão o erro em que incidiram e virão colaborar
com maior ardor na obra por um instante abandonada e, atuando de
acordo com os Espíritos superiores que dirigem as transformações
humanitárias, caminharão a passo rápido para
os ditosos tempos prometidos à Humanidade regenerada.
Fonte:
Obras Póstumas - FEB - Revista Espírita 1869 - Dezembro.
http://www.vademecumespirita.com.br/os+desertores.aspx
>
Página Especial Allan Kardec - Sumário
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