Questão 67. Se o embrião
for congelado, qual a situação do Espírito
ligado a ele?
— Essa questão é, talvez, a
de maior alcance e interesse da genômica.
As considerações sobre os embriões
congelados trilham sobre o fio da navalha de algo tão transcendental,
já largamente sendo experimentado pelos geneticistas e embriologistas:
manipulação, aproveitamento, armazenamento, descarte...
O embrião manipulado em laboratório,
poderá ter duas destinações: uma, para fertilização
assistida, caso em que a ligação do Espírito
ocorrerá da mesma forma como se dá ao natural; outra,
para produção de células-tronco, para fins
terapêuticos, sendo de supor que não haverá
Espírito ligado a ele. Só suposição,
pois certeza, só o Plano Maior tem...
- Embriões congelados
Na fertilização assistida, vários
embriões são manipulados, dos quais, normalmente,
quatro são implantados no útero e os demais, mantidos
congelados, para eventual repetência da fertilização,
caso não prospere a tentativa anterior (tem sido um problema
ético mundial o descarte dos embriões congelados que
já não mais interessam ao casal).
Mas também estão sendo manipulados
embriões, para pesquisas, os quais permanecem congelados.
Também há congelamento de células germinativas
(gametas):óvulos e espermatozóides.
Vemos assim, que os embriões podem ter duas
finalidades: uma reprodutiva, outra para pesquisas laboratoriais.
O nó górdio da questão é
saber em qual embrião, seja para uma ou para outra destinação,
há ou não Espírito a ele ligado, posto que
em "A Gênese", cap. XI, item n°
18, consta que na fecundação ocorre uma expansão
do perispírito daquele que irá reencarnar, atraindo-o,
irresistivelmente e à medida que o feto se desenvolve, esse
laço espiritual se encurta. Repetindo o que já enfatizamos,
homem algum do mundo tem conhecimento se no embrião há
ou não um Espírito a ele ligado.
Se um embrião ao qual está ligado
um Espírito for conduzido ao congelamento — seja para
pesquisa ou para futura reencarnação — e assim
permanecer por longo tempo, em demorado estágio, podemos
aventar algumas hipóteses espirituais que justifiquem tal
condição, certamente muito desconfortável,
para não dizermos sofredora:
Na hipótese formulada pela pergunta
acima, a de que há embriões congelados com ligação
espiritual efetuada, imaginamos que podem ocorrer as seguintes situações:
a. ali está um Espírito
que se ofereceu, voluntariamente, para participar do progresso da
ciência terrena, por ser dela devedor, em vidas passadas;
o período do congelamento (prisional), qual casulo impenetrável,
o obrigará ao mutismo e às reflexões de ajustamento
futuro; isso lhe é benéfico!
b. ali está um Espírito
"semimorto", transferido de um tormentoso e prolongado
sono na Espiritualidade (povoado de maus sonhos), em vias de condicionar-se
a futura reencarnação, pois talvez ali o sono lhe
seja mais tranqüilo e recuperador!
OBS: O autor espiritual André
Luiz, no cap. 27 do livro "Nosso Lar",
refere-se a Espíritos adormecidos há longo tempo em
uma câmara da Colônia Espiritual (do mesmo nome da obra),
sofrendo pesadelos sinistros. Inferimos que a transferência
de alguns desses Espíritos para tais embriões poderá
representar um primeiro passo para futura reencarnação,
vez que permaneceriam no sono que antecede à reencarnação
(questões n°s 345 e 351 de "O Livro dos Espíritos"),
ao tempo que estariam auxiliando o progresso da ciência terrena,
captando tal crédito;
c. ali está um Espírito
que durante sua(s) existência(s) terrena(s) amealhou inúmeros
inimigos, por causa do seu grande poder e procedimento cruel, que
pode até ter causado milhares de vítimas, as quais,
agora no Plano Espiritual, perseguem-no obstinadamente, com propósitos
vingativos; se esse Espírito for alocado num embrião
congelado isso lhe proporcionará abrigo (esconderijo) indevassável,
constituindo isso defesa contra tantos vingadores. Simultaneamente,
receberá tratamento espiritual a cargo de enfermeiros espirituais,
podendo arrepender-se e iniciar processo de reconstrução
moral. Quanto mais tempo ali permanecer, maior a chance dos perseguidores
evoluírem e abandonarem a idéia de vingança,
ou, no mínimo, reencarnarem e temporariamente concederem
trégua para esse Espírito, assim contemplado com bênção
inapreciável!
CÉLULAS-TRONCO
54. O Espiritismo seria contrário
à utilização das células-tronco dos
blastócitos?
— No Espiritismo, obviamente, não há
registro de células-tronco (CT).
Não obstante, o mérito de qualquer
ação terá sempre alguma conotação
com os ensinos de Jesus, e aí sim, encontraremos no Espiritismo,
alicerce seguro para opinar.
É assim que nós, espíritas,
somos radicalmente contrários à utilização
do embrião, mesmo que na fase de blastócito, com utilização
de células-tronco (embrionárias), para fins de clonagem
terapêutica.
Sabemos, pela questão n° 344
de "O Livro dos Espíritos" que na concepção
inicia-se a ligação da alma ao corpo. Logo, tal procedimento
constitui um aborto — crime, segundo leis da Vida e por conseguinte,
diante de Deus.
Alguém poderá argumentar que o Espiritismo
esclarece que há corpos sem alma (questões n°
136.a e 136.b de "O Livro dos Espíritos") e assim
sendo, o descarte de tais embriões, após deles serem
extraídas as células-tronco, não constituiria
aborto...
Muito bem.
Contra-argumentamos, com uma pergunta: quem, na
face da Terra, pode afirmar em qual embrião inexiste a ligação
de um Espírito?...
Aliás, Deus, na Sua bondade infinita, no
tempo certo (antes que o uso das CT acontecesse) já permitiu
à ciência descobrir que todos os indivíduos,
mesmo e principalmente os adultos, têm células-tronco
em si mesmos, propiciando auto-emprego com rejeição
"zero", o que dispensa as alienígenas, vindas de
embriões. Ou de doadores outros!
Assim, reiteramos que a descoberta das células-tronco
constituem, num primeiro passo, a certeza de que essa é bênção
até aqui alcançada pelas pesquisas com a clonagem,
abrindo um inimaginável leque de opções na
cura de doenças graves, recomposição de órgãos,
etc. Bênção incalculável, sublime!
Já a utilização segura das
CT, num segundo passo, é justa expectativa, empolgando o
Espírito confiante e acenando ao corpo doente, com a maior
de todas as forças da fé: a esperança!
* * *
01.JUNHO.2005: Vamos acrescentar
alguns comentários correlatos ao tema e que não constam
do livro supra referenciado.
- O 5º Congresso Nacional da Associação
Médico-Espírita do Brasil foi realizado em
São Paulo, em três dias de discussões (26 a
28 de maio/2005) sobre medicina, ciência e espiritualidade
no cuidado com o paciente.
Participaram 850 profissionais de saúde de
todo país, 45 palestrantes em 41 palestras, que mostraram
as mais recentes pesquisas e as terapêuticas, discutiram a
ética diante dos avanços da medicina e novos paradigmas
do medico espírita.
O evento terminou com a divulgação
da "Carta S.Paulo de Princípios de uma Bioética
Espírita", documento da entidade que se posiciona
contra o uso de embriões congelados para experiência
cientifica, contra o aborto (inclusive de anencéfalos), contra
a pílula do dia seguinte e contra a eutanásia e a
distanásia.
Carta de Princípios de uma Bioética
Espírita - Carta S.Paulo
Em relação ao aborto: nosso paradigma
é o personalista espírita (contempla a dignidade ontológica,
a partir do zigoto, onde inicia a vida) a vida é um bem indispensável,
uma doação. O Ser Supremo, que a doa, está
presente no micro e no macroscópico. Verdades evidenciadas
nas pesquisas científicas, tanto pela origem da vida, quanto
da embriogênese e psiquismo fetal, tendo em vista que os cientistas
não definiram o que é vida e não conseguiram
cria-la em laboratório.
(...)
Em relação às células-tronco: considerando
que as pesquisas com células-tronco embrionárias são
incipientes, com alto risco de originarem tumores, eticamente discutíveis,
passíveis de provocar rejeição e realizadas
com esquecimento da possibilidade da existência de vida espiritual,
somos contrários à sua utilização. Considerando
que as pesquisas mais recentes têm mostrado maior potencialidade
das células-tronco adultas e com menor risco de rejeição
ou de provocar tumores e já com bons resultados nas leucemias,
cardiopatias, AVC, etc, somos favoráveis à sua utilização.
(...)