A morte de amigos ou
entes queridos continua gerando muita dor e, muitas vezes, desespero;
e um dos momentos mais difíceis da despedida se dá no
velório. E é sobre isso que precisamos refletir um pouco
mais.
Léon Denis, no livro O problema do ser e do destino,
Capítulo 10, intitulado “A morte”, chama a nossa
atenção para a importância de nos comportarmos
de maneira respeitosa e equilibrada quando estivermos em algum velório.
É quase um escândalo
ver com que desatenção as pessoas tomam parte, hoje
em dia, de uma cerimônia mortuária. A atitude dos assistentes,
a falta de recolhimento, as conversas banais, durante o acompanhamento
do féretro até o cemitério, tudo causa penosa
impressão. Bem poucos, dentre os participantes, pensam naquele
que morreu e consideram como um dever dirigir-lhe um pensamento
afetuoso.
Isso foi escrito no início do
século XX, mas podemos afirmar que, infelizmente, o que Denis
percebeu em sua época ainda acontece atualmente. Quase sempre,
deixamos de lado o pensamento elevado, a prece sincera que parte do
coração e as conversações edificantes
para dar lugar à maledicência e aos comportamentos que
em nada ajudam o recém desencarnado e nem mesmo aqueles que
continuam aqui, muitas vezes precisando de apoio e consolo.
Mas e quanto às lágrimas, devemos evitá-las?
O próprio Léon Denis, na sequência do capítulo,
afirma que elas fazem parte, já que “as lamentações
da partida são legítimas e as lágrimas sinceras
são sagradas;”. Mas ele nos chama a atenção
para que não sejamos dominados pela revolta e pelo desespero,
ao afirmar, que:
quando muito violentas, essas lamentações
entristecem e desencorajam aquele que é objeto delas e, muitas
vezes, testemunha. Em vez de facilitar seu voo em direção
ao Espaço, elas o retêm nos lugares onde ele sofreu
e sofrem, ainda, aqueles que lhe são caros.
Claro que não devemos ir para
velórios e ficar com gestos calculados, como se fôssemos
seres robotizados, programados para agir desta ou daquela maneira.
É natural que, em um momento ou outro, tenhamos comportamentos
que, no futuro, não teremos mais. E é por isso que é
importante estudar e analisar para que entendamos os motivos pelos
quais devemos agir sempre de maneira mais equilibrada ou, em uma palavra,
de maneira mais cristianizada. Para nos ajudar a melhor compreender
o nosso papel durante um velório, é importante observar
o que o Espírito André Luiz nos trouxe, através
do médium Waldo Vieira, no livro Opinião Espírita:
Emitir para os companheiros desencarnados,
sem exceção, pensamentos de respeito, paz e carinho,
seja qual for a sua condição.
A caridade é dever para todo clima.
Proceder corretamente nos velórios, calando anedotário
e galhofa em torno da pessoa desencarnada, tanto quanto cochichos
impróprios ao pé do corpo inerte.
O companheiro recém-desencarnado pede, sem palavras, a caridade
da prece ou do silêncio que o ajudem a refazer-se.
Desterrar de si quaisquer conversações ociosas, tratos
comerciais ou comentários impróprios nos enterros
a que comparecer.
A solenidade mortuária é ato de respeito e dignidade
humana.
Transformar o culto da saudade, comumente expresso no oferecimento
de coroas e flores, em donativos às instituições
assistenciais, sem espírito sectário, fazendo o mesmo
nas comemorações e homenagens a desencarnados, sejam
elas pessoais ou gerais. A saudade somente constrói quando
associada ao labor do bem.
Reflitamos com Léon Denis e André
Luiz e aproveitemos cada momento, mesmo os mais difíceis, para
exercer a caridade. A dor que muitos experimentam em um velório
pode ser aliviada com nossos gestos de amor.