Espiritualidade e Sociedade





William Jacob

>   Os jovens e o movimento espírita

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William Jacob
>   Os jovens e o movimento espírita

 

 

Ao longo da história do Espiritismo, vários jovens se destacaram naquilo que se propuseram a fazer. Impossível falar deste assunto e não nos lembrarmos das irmãs Kate Fox, com 11 e Margareth Fox, com 14 anos de idade, que, em 1848, produziram fenômenos que abalaram a pequena cidade de Hydesville, nos Estados Unidos, dando ensejo ao que Arthur Conan Doyle classificou como “a invasão organizada dos Espíritos”. Allan Kardec, durante a codificação, trabalhou com várias médiuns, dentre elas Ermance Dufaux, 14 anos, Caroline e Julie Baudin, 14 e 16 anos, Ruth Celine Japeth e Aline Carlotti, ambas com 18 anos de idade.

Poderíamos falar de Gabriel Dellane, Léon Denis, Chico Xavier e tantos outros que, apesar da pouca idade, davam mostras de comprometimento com a causa espírita. Mas é preciso analisar o presente, e a realidade de muitas casas espíritas é um notório envelhecimento do público que a frequenta. Claro que há grupos com uma juventude vibrante e atuante, mas percebo que estes fazem parte da minoria, e, como bons exemplos que são, precisam ajudar os demais centros a encontrar respostas para a pergunta que não sai da mente de muitos: “O que é preciso fazer para atrair os jovens para a casa espírita?”

Claro que a resposta não é simples e fácil. E, dentro da sua complexidade, é preciso que reflitamos sobre o que cada um de nós tem feito para mudar o cenário atual.

Enquanto dirigentes, ainda achamos que os jovens servem apenas para carregar cadeiras e fazer campanha do quilo, ou entendemos que eles pensam e têm ideias que podem melhorar o centro em vários aspectos?

Na condição de pais, temos noção de como a mocidade espírita pode fazer bem para nossos filhos, mesmo que estes não compreendam e muitas vezes resistam em participar?

E, por fim, como jovens, temos procurado o diálogo com os dirigentes em busca de espaço para melhor atuarmos em prol da mocidade, da casa, da causa, de um mundo melhor, ou, diante do primeiro obstáculo, temos desistido e nos acomodado achando que nunca seremos ouvidos e atendidos?

Para cada pergunta feita aparecerão várias respostas, que dão ensejo a novos questionamentos e novas reflexões que precisamos fazer urgentemente, não necessariamente para que os jovens aumentem o número de adeptos do Espiritismo, ou para que a casa fique cheia, mas para que eles encontrem, também no Espiritismo, o apoio de que precisam para suportar e superar os desafios da vida e para que deixem de ser apenas a eterna promessa para se tornarem agentes transformadores da realidade do mundo em que vivemos.

Vejamos e reflitamos sobre o que escreveu Léon Denis, no livro Um Olhar Sobre o Tempo Presente, em relação à juventude: “Se for orientada de maneira sábia e esclarecida, esta juventude laboriosa executará grandes coisas e atingirá o propósito supremo da vida: criará um mundo novo. Eis a primeira condição para as grandes conquistas do futuro: a liberdade da inteligência na busca do verdadeiro, a liberdade da consciência na prática do bem.”

Abramos as casas espíritas para a os jovens, ofereçamos a eles as condições necessárias para que atuem, mas, acima de tudo, abramos os nossos corações, para que, cheios de energia e disposição, encontrem em nós a ajuda de que precisam para fazer mais e melhor.

Os jovens não são parte do problema, mas parte da solução. Confiemos e sigamos juntos na construção de um mundo melhor.

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/01-Revista_CELD_Janeiro-2020.pdf

 

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