Segundo a Organização
Mundial de Saúde (O.M.S.), saúde corresponde à
satisfação de três requisitos: bem-estar físico,
psicológico e social. A falta de saúde implica na não
observância a uma ou mais condições citadas, gerando
desequilíbrio ou doença.
Para entendermos como surge o processo patológico, alguns conceitos
são necessários. Como sabemos, o homem é forjado
sob a ação de forças energéticas sutis que
promovem o agregamento de pequenas partículas sub-atômicas,
daí evoluindo até resultar numa composição
celular, que estruturalmente possui vida própria e direcionamento
existencial determinado, submetendo-se, no entanto, às determinações
de um poder central superior, o Espírito, e colocando ao seu
dispor toda a sua potencialidade.
Os agrupamentos celulares já constituídos formam as estruturas
orgânicas, que passam não só a influenciar a mente,
mas também, de forma reflexa, este poder central, estabelecendo
uma relação harmônica entre eles. Desequilíbrios
gerados por este conjunto, associados a ações deletérias
do meio onde está imerso, acabam por desestruturar esta harmonia.
Concorre para este equilíbrio o convívio do indivíduo
com sua flora normal e com as chamadas defesas orgânicas que compreendem:
a pele; mucosas respiratórias ciliadas intactas; fatores imunes,
como anticorpos específicos e células fagocitárias,
como macrófagos do sistema retículo-endotelial e neutrófilos
polimorfonucleares.
Os granulócitos, por exemplo, são células componentes
do sangue e têm como função a defesa contra as bactérias.
Os portadores de deficiência na sua contagem apresentam grande
suscetibilidade às infecções bacterianas.
Cita-se como uma das maiores causas de morte dos japoneses submetidos
às radiações ionizantes das bombas nucleares, lançadas
em Hiroshima e Nagasaki, a infecção bacteriana que se
seguiu à aplasia da medula óssea e acentuada depleção
no número de granulócitos no sangue periférico.
O mecanismo de ação do granulócito é basicamente
o de cercar a bactéria e engolfá-la, liberando enzimas
para destruí-la, constituindo esta ação um ato
da *Inteligência Celular*, que ocorre sem interferência
consciencial, quer no seu desencadeamento ou interrupção.
O aparecimento da doença se processa pela ruptura do equilíbrio
mente e corpo que é relativo e extremamente dinâmico, e
esta disjunção pode ser causada por fatores patogênicos
endógenos e exógenos. Portanto, a origem e a evolução
da doença estão centradas na relação resistência
versus fatores patogênicos.
Como fatores endógenos, podemos considerar os sentimentos, as
sensações emocionais desvairadas tais como: amor possessivo,
culpa, ódio, inveja, cobiça, orgulho, medo, que respondem
por grande número das distonias energéticas na interação
corpo-mente.
Experiências mostram que o indivíduo submetido ao temor
ou dor súbita, o seu estômago deixa de secretar ácido
clorídrico. Entretanto, ante uma situação de ressentimento
prolongado ou ira profunda ou crônica ocorre o oposto: a mucosa
gástrica apresenta-se congesta, aumentando a secreção
de ácido clorídrico e predispondo as gastralgias.
A alegria e o amor têm ação estimulante na manutenção
do equilíbrio entre os órgãos, aumentando o potencial
energético desses órgãos e, portanto, a resistência
global do corpo, de modo a impedir a patogenia.
A tristeza, em contrapartida, soma efeitos contrários, debilitando
o estado energético hígido e possibilitando a instalação
progressiva de patologias diversas. Por exemplo, um pessimismo intenso
leva à depressão, sobrelevando a ocorrência de derrame
e enfarto, aumentando o risco de morte nos idosos.
Da mesma forma, a ambição na sua forma desmedida e o orgulho,
quando não satisfeitos, provocam, além da constante insatisfação,
graduações variadas de neuroses, que podem ser responsáveis
por muitos sintomas como dores torácicas, dorsalgia, cefaléia,
desnutrição, obesidade, nervosismo, fadiga.
Os fatores exógenos se distribuem desde as ações
excessivas nos seus mais variados níveis, tais como a inobservância
de horários, predileção alimentar, ociosidade,
ingestão de medicamentos em excesso, fumo, álcool, sexo
desenfreado, traumatismo, drogas, etc. até as chamadas agressões
ambientais que a sociedade industrializada produz, através de
emanações de substâncias químicas e radioativas
na atmosfera, contaminando o meio ambiente.
Os micróbios que causam as enfermidades são os que têm,
como característica, a virulência para o homem, bastando
o contato no momento de menor resistência e os que são
membros naturais da flora orgânica normal, que passam a exercer
função patogênica. Por exemplo, o streptococus beta
hemolítico e o streptococus pneumoniae, que causam a faringite
estreptocócica e a pneumonia pneumocócica, respectivamente,
são habitantes normais da garganta.
Podemos, no gráfico abaixo, visualizar a dinâmica do processo
de adoecimento.

No gráfico, temos no eixo das
ordenadas o quantum energético ou resistência do indivíduo
quando do seu nascimento, e no eixo da abscissa a idade em anos, tomando
a linha C como base de um padrão de normalidade.
Analisando o nascimento do indivíduo 1 ocorrido de forma satisfatória
(acima da linha) C e com fatores inatos potencialmente debilitantes,
mas pouco atuantes, começa a sofrer as influências do meio
que, por si só, não significam fator deletério,
pois que podemos, através de atos restauradores, equilibrar esta
situação. No entanto, sem os cuidados necessários
à manutenção da homeostase interna, os fatores
agressivos, a maioria deles originados por nós mesmos, provocam,
com o passar do tempo, a diminuição da resistência
logrando sintomatologia na quarta década da vida.
Ao considerarmos os nascimentos 2 e 3, temos de imediato a ação
dos fatores inatos atuando e provocando um decesso da linha da normalidade,
mais acentuada para o indivíduo 3.
Estes fatores inatos são, na conceituação
da medicina oriental, as alterações transferidas pelos
antepassados, podendo ser entendidas por nós como alterações
transmitidas de vidas passadas, além do conceito oriental.
Os indivíduos 2 e 3 sofrem
da mesma forma as conseqüências dos desregramentos, no entanto
manifestarão mais precocemente a sintomatologia específica
dos problemas e que deram origem.
Concluindo, o processo de adoecimento é de tal forma multifacetado
que todos os atos, palavras e pensamentos, têm um peso específico
na sua gênese e podem determinar a velocidade com que irá
propagar, retroceder ou não começar. Como tudo, depende
única e exclusivamente de nós.
Bibibliografia:
Best & Taylor's - As bases fisiológicas
da prática médica, El manual Merck - 6* edição
- 1.978
(*) Dr. Claúdio
Hypolito, médico acumputor