Márcia Junges e Luís Carlos
Dalla Rosa / Tradução: Luís Marcos Sander
entrevistam Roger Haight
Na opinião do teólogo jesuíta
Roger Haight, a Igreja perdeu relevância
pública, o que estimulou o “surgimento da espiritualidade
em contraposição à religião”.
Tornar a fé cristã compreensível numa era científica
e tecnológica é uma missão “desafiadora
e empolgante”
“Temos de lidar com o pluralismo religioso
de uma maneira crível. A globalização nos forçou
a entrar no diálogo inter-religioso, e novas compreensões
inter-religiosas de nossa própria fé têm de
surgir a partir disso. O pluralismo religioso também exige
uma nova compreensão da missão da igreja”, afirma
o teólogo Roger Haight, na entrevista que concedeu por e-mail
à IHU On-Line em 24/09/2012. Além disso, ele aponta
o enfrentamento à discriminação contra as mulheres
dentro da Igreja nos últimos 50 anos. Contudo, lamenta, “não
se aprenderam lições básicas: a Igreja institucional
permanece escandalosamente inalterada”. E acrescenta: “A
falta de relevância pública da Igreja estimulou o surgimento
da espiritualidade em contraposição à religião,
porque a Igreja não é mais vista como uma fonte de
espiritualidade humanística. A Igreja tem de se tornar uma
servidora da humanidade, e não de si mesma”.
Roger Haight é ex-presidente da Sociedade
Teológica Católica dos EUA e professor visitante no
Union Theological Seminary, em Nova Iorque, uma tradicional casa
de formação de teólogos fundada em 1836 como
uma instituição presbiteriana e onde estudaram grandes
nomes da teologia mundial. Foi professor de teologia por mais de
30 anos em escolas da Companhia de Jesus em Manila, Chicago, Toronto
e Cambridge. Foi professor visitante em Lima, Nairóbi, Paris
e em Pune (Índia). De sua produção bibliográfica,
citamos: Jesus, símbolo de Deus (São Paulo: Paulinas,
1999); Dinâmica da teologia (São Paulo: Paulinas, 1990)
e O futuro da cristologia (São Paulo: Paulinas, 2005).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Para o senhor, como e o
que significa seguir Jesus de Nazaré em uma era científica?
Roger Haight – As
duas partes desta pergunta tomadas em conjunto a tornam muito abrangente,
de modo que ela não pode ser respondida adequadamente em poucas
palavras. Mas posso dar uma resposta geral que seja breve e então
tentar ilustrá-la. Faço uma distinção
entre a “forma básica” do seguimento de Jesus e
as implicações e ideias adicionais que fluem do básico.
Assim, o seguimento de Jesus em qualquer era, seja pré-científica
ou científica, consiste em compreender os ensinamentos de Jesus,
internalizá-los e viver a própria vida com base nestas
convicções. O ensinamento de Jesus estava centrado no
reinado de Deus, na maneira como o mundo seria de acordo com a intenção
criadora de Deus. Uma boa ilustração do reinado de Deus
se encontra na parábola de Jesus sobre o “bom samaritano”.
Lembremos que os samaritanos eram inimigos dos judeus. Assim, Jesus
apresenta, nessa história, o samaritano que faz o que pode
para ajudar seu inimigo, um judeu, como um modelo para amar a outra
pessoa como nosso próximo. Esse é o ensinamento do amor
que se estende inclusive aos inimigos, e ele é tão compreensível
e desafiador hoje como foi na Palestina de Jesus.
Embora o significado abstrato básico seja o
mesmo ontem e hoje, ele pode assumir significados muito diferentes
em diferentes culturas. Hoje eu interpretaria as palavras de Jesus
“vai e faze tu o mesmo” em um contexto social. Amar os
inimigos pode significar mais do que ajudar indivíduos vítimas
de assaltantes na estrada; pode significar mudar a situação
social de modo que não haja mais pessoas que são marginalizadas
da sociedade e, assim, têm de recorrer ao assalto para sobreviver.
Em suma, seguir Jesus começa com fazer o que ele fez em seu
ensino e ministério. Isso de forma alguma é o fim, mas
é a base que se assemelha em culturas diferentes.
IHU On-Line – A seu ver, como é possível
pensar e propor uma interlocução da Igreja com a cultura
contemporânea? Como tornar inteligível o conteúdo
da fé cristã para o mundo pós-moderno?
Roger Haight
– Se pensarmos em termos de duas cosmovisões diferentes
que se opõem uma à outra, como filosofias contraditórias,
e se sentam à mesa para negociar uma concepção
comum, um diálogo assim entre a igreja e a cultura contemporânea
não funcionará. Essa negociação entre
posições estabelecidas terminaria em acomodações
que nenhum dos dois lados aceitaria. Mas há outra maneira de
conceber este diálogo que pode ser aprendida da história.
Esta é a história da Igreja à medida que se moveu
ao longo do tempo.
A igreja começou como um movimento
judaico de seguidores de Jesus. É possível ter uma ideia
de seu desenvolvimento alinhando cronologicamente os escritos neotestamentários
e observando as mudanças gradativas. Esta mudança continuou
ao longo de dois milênios: seguir Jesus foi bem diferente nos
séculos III, V, XII, XVI e XIX, especialmente quando se consideram
várias regiões dentro de um determinado período.
A Igreja em suas igrejas, através de diálogos implícitos
com as diferentes culturas e situações, assume padrões
comportamentais e linguagens diferentes para expressar sua fé
dentro de diferentes culturas. Todos nós compreendemos nossa
fé dentro do contexto da cultura em que vivemos.
Isso nos dá o marco referencial
para responder à pergunta. A fé cristã é
tornada inteligível para um mundo pós-moderno por pessoas
de fé que vivem em uma cultura pós-moderna e explicam
para si mesmas e para seu mundo o que elas creem e como creem com
base em suas vidas reais. Esse processo não significa impor
uma linguagem estranha ou arcaica ao contexto cultural do presente.
Tampouco significa negociar crenças. A inculturação
acontece quando pessoas de uma cultura particular explicam sua fé
tradicional para sua própria cultura.
IHU On-Line – Quais são
os desafios e as oportunidades, para a perspectiva da fé cristã,
que surgem a partir da cultura pós-moderna?
Roger Haight
– A cultura pós-moderna apresenta muitos desafios para
o seguimento de Jesus no mundo globalizado de hoje. Vejo sete problemas
que também oferecem oportunidades para compreender nossa fé
com nova profundidade e relevância. Primeiro, há preocupações
ecológicas que envolvem a teologia da criação,
o gerenciamento do planeta e a responsabilidade coletiva. Como deixamos
que o impacto pleno da evolução remodele nossas crenças
e estimule a consciência ecológica? Segundo, temos de
lidar com o pluralismo religioso de uma maneira crível. A globalização
nos forçou a entrar no diálogo inter-religioso, e novas
compreensões inter-religiosas de nossa própria fé
têm de surgir a partir disso. O pluralismo religioso também
exige uma nova compreensão da missão da igreja. Terceiro,
a discriminação contra as mulheres foi enfrentada nos
últimos 50 anos, mas não se aprenderam lições
básicas; a Igreja institucional permanece escandalosamente
inalterada. Quarto, a integração de uma preocupação
básica com os pobres e outros grupos marginalizados em nossa
fé religiosa deveria mudar a linguagem básica de nossa
espiritualidade e culto, mas isso ainda não aconteceu e causa
frustração entre muitas pessoas. Quinto, o ecumenismo
parece estar perdendo força quando mais se precisa dele. Somos
incapazes de imaginar estruturas eclesiais que preservem nossa unidade
real ao mesmo tempo em que respeitem tradições espirituais
cristãs autônomas diferentes. Sexto, necessitamos de
uma teologia que anime a vida cotidiana, uma teologia prática
que explicite o sentido de doutrinas clássicas de modo que
se tornem princípios de ação. Sem isso, as doutrinas
parecem ser uma bobagem irrelevante. Sétimo, tanto o declínio
das igrejas no Ocidente como a hostilidade em relação
às igrejas que se encontra na universidade necessitam de atenção.
A falta de relevância pública da Igreja estimulou o surgimento
da espiritualidade em contraposição à religião,
porque a Igreja não é mais vista como uma fonte de espiritualidade
humanística. A Igreja tem de se tornar uma servidora da humanidade,
e não de si mesma.
IHU On-Line – Entre avanços
e recuos, como o senhor compreende a caminhada teológica desde
o Concílio Vaticano II, evento que este ano celebra 50 anos
de abertura?
Roger Haight
– Essa é uma questão aberta que incita muitas
análises diferentes; eu ofereço uma dessas concepções.
Começo com a Europa do século XIX, que estava mergulhada
em uma grande dose de confusão política após
a Revolução Francesa. Ela deixou a Europa ansiosa por
estabilidade, e esta foi encontrada parcialmente na autoridade, especialmente
na autoridade religiosa que foi reafirmada no Vaticano I (1870) com
o decreto da infalibilidade do papado. Mas isso não acabou
com o impulso de nova aprendizagem obtida das ciências e da
história. No catolicismo romano, o movimento do modernismo
em torno de 1900 refletiu um esforço de correlacionar a autocompreensão
da Igreja com o pensamento intelectual e a sociedade modernos. Quando
este movimento foi condenado, a teologia criativa foi virtualmente
empurrada para a clandestinidade. Isso deixou o catolicismo romano
em uma condição semelhante à de uma seita de
autoritarismo intelectual que só foi finalmente rompida com
o Concílio Vaticano II. Esse concílio, tanto como evento
quanto em seus documentos, revelou que existe uma fundamental tensão
estrutural dentro da Igreja Católica entre um staff curial
conservador (realmente reacionário) no centro e um setor progressista
(realmente criativo e adaptativo) da Igreja na periferia. Um está
preocupado com a manutenção da instituição
como um todo; o outro com responder ao mundo que é o objeto
da missão da Igreja. Enquanto o Concílio estava em sessão,
as forças progressistas reunidas faziam ouvir sua voz. Mas
com o papado de João Paulo II, a sede curial centrista de poder,
conduzida pelo próprio papa, recuperou o controle da igreja.
O resultado é que, em nome de uma uniformidade disciplinada
da igreja orquestrada no centro, a Igreja na periferia perdeu contato
com toda uma classe de crentes reflexivos e a credibilidade entre
eles. Para aqueles que permanecem na Igreja, aderir ao Vaticano II,
a mais abrangente e autoritativa autodefinição de si
mesma que a Igreja alguma vez já produziu, significa ser um
católico da ala esquerda e, inclusive, marginalizado.
IHU On-Line – Como pensar
a pluralidade religiosa no contexto da teologia cristã?
Roger Haight
– Essa pequena pergunta é a mais importante pergunta
na pauta da teologia cristã durante os últimos 30 anos,
e ela não gerou consenso. A mais profunda linha divisória
entre várias “teologias” do pluralismo religioso
reside em se – ou não – toda salvação
humana é mediada através de Jesus Cristo ou se outras
religiões representam mediações autônomas
da graça salvífica de Deus de modo que, por exemplo,
existe salvação fora de Jesus Cristo. A primeira posição
ou a tradicional se baseia na convicção de que existe
ou só pode existir uma encarnação.
Em minha palestra, menciono um desenvolvimento interessante na posição
tradicional que foi mediado pela ciência. O quadro científico
atual do universo indica que não é apenas possível,
mas provável que outros planetas no universo sejam habitados
por vida inteligente. Mas isso exige que a teologia cristã
pense que outra encarnação análoga de Deus seria
“necessária” pela mesma lógica de amor que
resultou em Jesus Cristo. Isso efetivamente rompe o domínio
de um “só uma vez” absoluto relativo à cristologia
tradicional e à encarnação.
Mas a imaginação teológica
não pode parar aí. Os mesmos argumentos e a mesma imaginação
criativa que são usados para reconhecer a possibilidade de
Deus se encarnar na esfera de outras formas de vida inteligente podem
ser aplicados analogamente a outras histórias e culturas dentro
da espécie humana. Uma vez mais, então, a ideia de que
Deus está presente e atuante em outras religiões, tornando-as
mediações autônomas da graça salvífica,
torna-se uma maneira mais viável de pensar, uma maneira que,
incidentalmente, nada tira de Jesus de Nazaré. A suposição
falaciosa de grande parte do pensamento nesta área é
que as religiões existem em uma relação competitiva
e inclusive antagônica uma com a outra com base em seu controle
da realidade última.
IHU On-Line – Para o senhor,
o que significa assumir a condição de cristão
no atual contexto de mundo, no qual emerge a cultura da pluralidade,
da diversidade religiosa?
Roger Haight –
Essa pergunta pode levar para tantas direções que tenho
de limitar minha resposta a algo fundamental. Posso
fazer isso usando uma ideia que apareceu no Vaticano II chamada “a
hierarquia de verdades”. Isso significa que, no conjunto de
verdades e doutrinas cristãs, algumas são mais importantes
do que outras. Usarei esse princípio para indicar dois aspectos
que responderão como a consciência cristã pode
prosperar dentro de uma consciência religiosa pluralista mais
ampla.
O primeiro aspecto é que todos
os seres humanos vivem pela fé, onde fé significa um
compromisso com alguma realidade transcendente que organiza sua vida
e proporciona o sentido abrangente para tudo que fazem. Todas as pessoas
que levam uma vida coerente operam com base na fé que fundamenta
a coerência. A realidade transcendente permanece mistério
incompreensível, e ninguém pode viver com propósito
e escapar a uma vida de fé. A fé cristã, portanto,
é o comportamento humano ordinário.
O segundo aspecto é que a fé
fundamental da pessoa cristã pode ser descrita como viver de
uma maneira consciente e explícita diante de Deus como este
se revela em Jesus. Essa afirmação descreve a fé
cristã em Deus como uma fé constituída pela proclamação
de Jesus a respeito do reinado de Deus e a espiritualidade cristã
como seguimento de Jesus. Todas as doutrinas sobre Jesus e sobre Deus
que se desenvolveram e formaram a fé objetiva clássica
do cristianismo, bem como a própria Igreja, surgiram a partir
desta resposta humana básica de fé. Este compromisso
leal com Jesus constituiu, assim, o próprio movimento cristão.
Este cerne da identidade cristã, este nível fundamental
da hierarquia de verdades, esta convicção de estar em
relação com Deus como criador e amante do mundo e da
humanidade através de Jesus, define a maneira explícita
da vida cristã no mundo de hoje. Deve-se dizer mais do que
isso, mas o que se diz a mais surge a partir desta fé básica,
e será responsivo às dimensões positivas de nossa
situação, incluindo a da diversidade religiosa.
IHU On-Line – Como analisa
a semântica do Mistério da Igreja hoje, a partir de uma
abordagem cristológica?
Roger Haight
– Essa pergunta tem uma resposta bastante direta se começarmos
com um ponto de vista histórico. Como a Igreja é uma
organização que apareceu na história, deveríamos
iniciar nossa compreensão dela em termos de seu desenvolvimento
histórico. Uso as duas obras de Lucas, seu Evangelho e seus
Atos dos Apóstolos, como meu guia.
Durante seu ministério, Jesus reuniu discípulos ou seguidores
em torno de si. Com sua morte e ressurreição, estes
seguidores não debandaram, mas formaram o núcleo de
um movimento, como uma facção dentro do judaísmo,
que manteve vivos a memória e o ministério de Jesus.
Gradativamente, este movimento de Jesus cresceu e se expandiu; ele
desenvolveu tensões com as sinagogas judaicas em que subsistia;
e, com o tempo, tornou-se autônomo do judaísmo. Mas a
história não pode ser divorciada da teologia; portanto,
isso é apenas uma dimensão da resposta.
A resposta teológica se baseia na convicção de
fé de que Deus estava atuando no ministério de Jesus
de uma maneira especial que é indicada pelo termo “o
Espírito” ou o poder de Deus. Este Espírito de
Deus persistiu e foi experimentado de uma forma vital e salvadora
nas comunidades que se formaram na ausência de Jesus. A partir
deste movimento de Jesus inspirado pelo Espírito, a Igreja
assumiu gradativamente o caráter de ser a casa em que o dinamismo
do Espírito salvador de Deus mediado por Jesus continuou a
viver. Mas Jesus permaneceu a manifestação definidora
deste Espírito de Deus e a pedra de toque de uma experiência
e representação autêntica da presença de
Deus. Assim, o poder salvador que estava em Cristo Jesus permanece
como o Espírito animador da comunidade chamada Igreja. Esta
grande resposta oculta várias distinções teológicas
que devem ser feitas, mas ela dá um marco referencial sólido
extraído do Novo Testamento para responder à pergunta.
IHU On-Line – Gostaria de
acrescentar algum aspecto não questionado?
Roger Haight
– Eu gostaria de concluir as respostas a estas perguntas perspicazes
com uma reflexão que deveria permitir às pessoas encarar
os desafios provenientes de uma cultura secular, científica
e tecnológica com equanimidade e entusiasmo. Pensar nas esferas
da ciência e da tecnologia como uma cultura, como contribuições
para um conjunto de ideias, valores e significados que são
construídos humanamente e são variáveis, e não
um conjunto de verdades doutrinais absolutas, descreve estas esferas
com exatidão e as torna menos temíveis para a fé.
A história mostrou que a própria fé é
mais profunda do que um conjunto de crenças; a fé se
assemelha mais a uma orientação profunda das pessoas
que se expressa em compromissos espirituais e uma gama de crenças
que pretendem torná-la discursivamente comunicável.
A história também mostrou que a espiritualidade básica
de estar em relação com Deus segundo o padrão
comunicado através de Jesus assumiu muitas formas diferentes
à medida que atravessou diferentes culturas seculares e religiosas
em diferentes eras. Nossa atual cultura científica e tecnológica
é outra em uma vasta série de culturas que exigem que
a fé se expresse de formas novas. Essa inculturação
não é desprovida de normas; isso nada tem a ver com
o relativismo cultural. Tal inculturação é normatizada
pelo Novo Testamento, mas de uma forma nuançada, e não
fundamentalista. A norma consiste em uma proporção:
do mesmo modo como Jesus foi percebido inicialmente de uma maneira
judaica no Novo Testamento, e de uma maneira grega nos séculos
iniciais, etc., assim Jesus também deve ser percebido de uma
maneira que se correlaciona com uma cultura científica e tecnológica.
O resultado será este: da mesma forma como os cristãos
se relacionaram com Deus através de Jesus em culturas passadas,
assim também se relacionarão com Deus hoje em padrões
típicos das culturas atuais. Esta é a tarefa exigida
de nós: tornar a fé cristã compreensível
em uma cultura científica e tecnológica. É uma
grande tarefa, mas não é uma tarefa temível.
Trata-se, antes, de uma tarefa desafiadora e empolgante.