Fernanda Flávia Martins
Ferreira
Trabalho de dissertação apresentado ao Colegiado
do Mestrado em Ciência Política, como requisito parcial
para obtenção do título de mestre em Ciência
Política.
Orientadora: prof.ª Ana Maria Doimo
RESUMO
No primeiro capítulo tratamos
das raízes doutrinárias do espiritismo kardecista no
século XIX. Verificamos fortes identificações
do Espiritismo como os princípios iluministas e liberais europeus,
especialmente da França nos enunciados de Jean Jacques Rousseau,
Montesquieu, Alexis de Tocqueville e do inglês John Stuart Mill.
Constatação importante, na medida em que sua manifestação
brasileira entre os séculos XIX e XX encontra entraves seja
durante o Império, seja após a proclamação
da república, tanto da Igreja Católica em particular,
quanto dos antiliberais de um modo em geral. No segundo capítulo
trataremos de mapear os momentos de tensão entre segmentação
e união no campo espírita, seu relacionamento com a
hegemonia católica, e, finalmente, o surgimento de novas matrizes
a partir do declínio dessa hegemonia. No terceiro capítulo
faremos uma incursão no universo associativo espírita,
sua organização interna não-sacerdotal e baseada
em formas de representação, voto, e discussão,
enfim na adesão de regras democráticas de condução
dos processos decisórios. No capítulo quatro aprofundaremos
na matriz do Terceiro Setor e da cidadania. Veremos também
o que essa organização tem a ver com o Novo Associativismo
que surge no Brasil após a redemocratização na
década de 1980. Aprofundaremos a análise de sua modernização
e crescente identificação com o Terceiro Setor, bem
como de que modo se dá a apropriação do termo
“cidadania” a sua linguagem. E por fim, na conclusão,
veremos no que a elaboração política original
do kardecismo se coaduna com a face pública do campo espírita
atual, bem como sua contribuição para a democratização
social.
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