No
capitulo VI, item 6, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, o
Espírito de Verdade dá uma orientação
muito importante: “Elevem sua resignação ao
nível de suas provas...”.
É importante lembrar que Kardec transmitiu essa orientação
após tomarmos conhecimento, no capítulo anterior, de
que as dores que passamos em nossas vidas têm relação
direta com as nossas escolhas: “Os sofrimentos devidos a
causas anteriores como os resultantes das faltas atuais são,
muitas vezes, a consequência natural da falta cometida”,
ou seja, recebemos a notícia de que somos responsáveis
pelas dores por que passamos na vida. Elas são consequências
das escolhas passadas e presentes.
Nosso primeiro pensamento é de que Deus está nos castigando
por termos feito escolhas infelizes. Mas os Espíritos nos esclarecem
que Deus nos ama infinitamente e não quer o nosso mal, e por
isso nos dá oportunidades diversas para fazer cessar esse sofrimento.
Permite que nos defrontemos com elas por meio da expiação
para apagarmos as faltas e nos purificarmos. Essa é a Lei.
Por ser um processo natural da Lei Divina, não temos como fugir
do cumprimento e, por isso, estamos neste Planeta, cujo objetivo é
propiciar o nosso desenvolvimento intelectual e moral, com diversos
obstáculos para estimular o nosso esforço e, assim,
possibilitar que superemos nossas dificuldades e conquistemos o progresso.
Diante desses desafios, sentimo-nos fracos e, então, somos
orientados a desenvolver a resignação, que irá
nos ajudar a não desistir, mas, muitas vezes, assumimos posição
de vítimas ou merecedores de castigo.
Precisamos nos conscientizar de que somos merecedores, sim. Não
merecemos passar por sofrimentos, somos merecedores de obter novas
oportunidades para enfrentarmos as consequências de nossas escolhas;
somos merecedores de receber novos recursos que a vida oferece para
fazermos diferente do que fizemos ontem e continuarmos a nossa caminhada
para o alvo a ser atingido. Por isso, é necessária a
resignação: para compreendermos esse merecimento, assumirmos
a responsabilidade da situação que estamos vivenciando
e reconhecermos que Deus quer que cumpramos o percurso.
Então como iremos elevar a resignação ao nível
da prova?

Fomos chamados
à reencarnação e recebemos a proposta de recomeçar.
Estamos aceitando os desafios que irão proporcionar esse reajuste
para prosseguirmos em direção à meta programada?
Muitos chegam à Casa Espírita com suas dores e sofrem
por terem se desviado do caminho, e dizem: “Se eu pudesse
recomeçar, agiria totalmente diferente...”. (cap.
V, item 5). Então somos orientados a recomeçar, desenvolvendo
disciplina, abnegação e devotamento para preparar, limpar,
acertar o terreno e fortalecer o solo. “Trabalhadores, arai
o vosso campo...”, o Espírito de Verdade nos diz
(cap. VI, item 6).
Mas ao olhar o terreno, observamos que o deixamos de uma forma e o
reencontramos com ervas daninhas, coberto de matos e folhas secas,
e concluímos que está pior do que deixamos lá
atrás. Então assumimos a posição de vítima
que está sendo punida por Deus e questionamos, pois, se Ele
é Misericordioso, não poderia permitir que déssemos
continuidade a partir do ponto em que paramos?
Mas é esta a promessa de Jesus ao aceitar que retomemos o trabalho?
O Espírito protetor Constantino, no capitulo XX, item 3, leva-nos
a refletir sobre a parábola da Vinha:
Será
suficiente que diga na última hora: Senhor, utilizei mal
o meu tempo, emprega-me até o fim do dia (...)? O Mestre
lhe dirá: Agora não tenho nenhum trabalho para te
dar; desperdiçaste o teu tempo; esqueceste o que aprendeste;
não sabes mais trabalhar na minha vinha. Recomeça,
pois, a aprender...
Por todos os nossos
equívocos em pensar que as situações de nossas
vidas são castigo divino ou que deveria haver outra forma para
Deus nos auxiliar a retomar o caminho e nos libertarmos, que o Espírito
de Verdade recomenda que elevemos a resignação ao nível
de nossas provas. Ou seja, se a prova está muito dolorosa,
mais resignação precisamos ter, maiores esforços
devemos empregar para superá-las; não nos percamos na
revolta: “Não falhar com lamentações, se
não quiser perder o fruto da prova e ter que recomeçar”
outra vez o mesmo plantio. (Santo Agostinho,
Cap. XIV item 9).