Espiritualidade e Sociedade





Deise Cravo

>   Vamos recomeçar com resignação?

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Deise Cravo
>   Vamos recomeçar com resignação?

 

 

No capitulo VI, item 6, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, o Espírito de Verdade dá uma orientação muito importante: “Elevem sua resignação ao nível de suas provas...”.

É importante lembrar que Kardec transmitiu essa orientação após tomarmos conhecimento, no capítulo anterior, de que as dores que passamos em nossas vidas têm relação direta com as nossas escolhas: “Os sofrimentos devidos a causas anteriores como os resultantes das faltas atuais são, muitas vezes, a consequência natural da falta cometida”, ou seja, recebemos a notícia de que somos responsáveis pelas dores por que passamos na vida. Elas são consequências das escolhas passadas e presentes.

Nosso primeiro pensamento é de que Deus está nos castigando por termos feito escolhas infelizes. Mas os Espíritos nos esclarecem que Deus nos ama infinitamente e não quer o nosso mal, e por isso nos dá oportunidades diversas para fazer cessar esse sofrimento. Permite que nos defrontemos com elas por meio da expiação para apagarmos as faltas e nos purificarmos. Essa é a Lei.

Por ser um processo natural da Lei Divina, não temos como fugir do cumprimento e, por isso, estamos neste Planeta, cujo objetivo é propiciar o nosso desenvolvimento intelectual e moral, com diversos obstáculos para estimular o nosso esforço e, assim, possibilitar que superemos nossas dificuldades e conquistemos o progresso. Diante desses desafios, sentimo-nos fracos e, então, somos orientados a desenvolver a resignação, que irá nos ajudar a não desistir, mas, muitas vezes, assumimos posição de vítimas ou merecedores de castigo.

Precisamos nos conscientizar de que somos merecedores, sim. Não merecemos passar por sofrimentos, somos merecedores de obter novas oportunidades para enfrentarmos as consequências de nossas escolhas; somos merecedores de receber novos recursos que a vida oferece para fazermos diferente do que fizemos ontem e continuarmos a nossa caminhada para o alvo a ser atingido. Por isso, é necessária a resignação: para compreendermos esse merecimento, assumirmos a responsabilidade da situação que estamos vivenciando e reconhecermos que Deus quer que cumpramos o percurso.

Então como iremos elevar a resignação ao nível da prova?

 

 

Fomos chamados à reencarnação e recebemos a proposta de recomeçar. Estamos aceitando os desafios que irão proporcionar esse reajuste para prosseguirmos em direção à meta programada?

Muitos chegam à Casa Espírita com suas dores e sofrem por terem se desviado do caminho, e dizem: “Se eu pudesse recomeçar, agiria totalmente diferente...”. (cap. V, item 5). Então somos orientados a recomeçar, desenvolvendo disciplina, abnegação e devotamento para preparar, limpar, acertar o terreno e fortalecer o solo. “Trabalhadores, arai o vosso campo...”, o Espírito de Verdade nos diz (cap. VI, item 6).

Mas ao olhar o terreno, observamos que o deixamos de uma forma e o reencontramos com ervas daninhas, coberto de matos e folhas secas, e concluímos que está pior do que deixamos lá atrás. Então assumimos a posição de vítima que está sendo punida por Deus e questionamos, pois, se Ele é Misericordioso, não poderia permitir que déssemos continuidade a partir do ponto em que paramos?

Mas é esta a promessa de Jesus ao aceitar que retomemos o trabalho? O Espírito protetor Constantino, no capitulo XX, item 3, leva-nos a refletir sobre a parábola da Vinha:

Será suficiente que diga na última hora: Senhor, utilizei mal o meu tempo, emprega-me até o fim do dia (...)? O Mestre lhe dirá: Agora não tenho nenhum trabalho para te dar; desperdiçaste o teu tempo; esqueceste o que aprendeste; não sabes mais trabalhar na minha vinha. Recomeça, pois, a aprender...

Por todos os nossos equívocos em pensar que as situações de nossas vidas são castigo divino ou que deveria haver outra forma para Deus nos auxiliar a retomar o caminho e nos libertarmos, que o Espírito de Verdade recomenda que elevemos a resignação ao nível de nossas provas. Ou seja, se a prova está muito dolorosa, mais resignação precisamos ter, maiores esforços devemos empregar para superá-las; não nos percamos na revolta: “Não falhar com lamentações, se não quiser perder o fruto da prova e ter que recomeçar” outra vez o mesmo plantio. (Santo Agostinho, Cap. XIV item 9).

Referência Bibliográfica
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Editora Celd, 2010

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/02-Revista_CELD_Fevereiro-2020.pdf

 

 

 

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