Espiritualidade e Sociedade





Deise Cravo

>   Conhecendo as nossas limitações

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No Livro dos Espíritos (Cap. II, Q. 135), os espíritos nos dizem que, encarnados, somos constituídos de espírito, períspirito e corpo físico.

Léon Denis, no livro Cristianismo e Espiritismo, nos diz que no perispírito estão registradas todas as experiências vividas.

Emmanuel, no livro Roteiro, diz que:

Aprisionado o Espírito no castelo corpóreo, seus sentidos são exíguas frestas de luz, possibilitando-lhe observações convenientemente dosadas, a fim de que valorize, no máximo, os seus recursos no espaço e no tempo.

De que forma essas orientações podem nos ajudar a nos conhecer?

Primeiramente, podemos observar que o corpo impõe limites ao espírito e, em um primeiro momento, pensamos que isso não é bom, pois gostaríamos de estar livres para fazermos o que desejamos. Mas vamos refletir sobre estas informações.

A Doutrina Espírita nos ensina que estamos em processo de aperfeiçoamento, o que indica que não sabemos fazer escolhas de acordo com a Lei de Deus. E, por isso, estando totalmente livres, poderíamos complicar ainda mais a nossa existência. Para que isso não aconteça, estamos em um corpo que limita nossas ações, mas que possibilita, de acordo com nossas necessidades, a aquisição de experiências. Por isso, temos os sentidos, em pontos determinados e dosados, como exíguas frestas, para identificarmos as nossas sensações que irão ampliando e, como nos diz Léon Denis, no livro já citado, “O homem (...) por um progresso crescente (...) aprenderá a conhecer forças, propriedades das quais nem supõe a existência”; dessa forma, nossas percepções também se ampliam.

Assim, vamos compreendendo melhor a nós mesmos, o mundo que nos cerca, o motivo de estarmos encarnados e o que viemos fazer aqui.

Antes dessas orientações, tínhamos o cuidado de observar porque agíamos e reagíamos dessa ou daquela forma diante das situações complexas de nossas vidas?

E agora, estamos buscando compreender o porquê de as dificuldades surgirem em nosso caminho?

Os desafios existem como estímulos para os sentidos enviarem as sensações ao espírito e, assim, forçá-lo a fazer escolhas.

No livro Obras Póstumas, Kardec esclarece que, quando a sensação é externa, “O corpo recebe a impressão, o perispírito a transmite e o Espírito, que é o ser sensível e inteligente, a recebe”, e então o espírito irá decidir o que fazer.

Vamos, então, a um exemplo: estamos caminhando na rua e, sem ver, chutamos uma pedra. O sentido da dor transmite ao perispírito, que informa ao espírito. De acordo com a maturidade do espírito, ele fará sua escolha. O espírito que ainda não despertou para a importância de agir no bem poderá transmitir ao perispírito que o que deve ser feito é pegar a pedra e jogá- la para longe. O perispírito informa ao corpo e o corpo age; aquele espírito que já começa a pensar que suas ações impulsivas podem causar prejuízos aos outros decide pegar a pedra e colocá-la à margem para não ferir aqueles que virão depois dele; mas aquele espírito que já está consciente de que o melhor não é somente impedir o mal, mas fazer o bem, levará a pedra para enfeitar um jardim ou auxiliar na construção de algo útil.

É por isso que Kardec nos esclarece dizendo “que o Espírito quer, o perispírito transmite e o corpo executa”(Obras Póstumas).

Assim, podemos avaliar qual a nossa dificuldade em fazer escolhas ou não fazer; podemos avaliar nossos medos com o resultado das nossas escolhas, as dúvidas e inseguranças ao decidir. Dessa maneira, passamos a nos conhecer e a reconhecer que estamos em aprendizagem. Descobrimos que, em tal aspecto, não sabemos fazer escolhas e, em outros, não temos dúvidas em escolher.

Vamos entendendo que esse conhecimento irá nos mostrar que precisamos observar como estamos escolhendo, agindo e reagindo diante das situações que a vida nos apresenta; que precisamos assumir nossa responsabilidade nos efeitos e resultados, sem nos vitimizarmos ou eleger um culpado, mas avaliando as nossas sensações, a percepção que tivemos para concluir que foram as corretas ou se havia outra opção que, no momento, não tivemos a capacidade de enxergar.

Dessa forma, iremos aprendendo com nossos equívocos e erros e na próxima oportunidade que a Misericórdia Divina nos der, pois o objetivo de estarmos aqui é nos aperfeiçoar cada vez mais. Assim, faremos as melhores escolhas e ampliaremos nossas percepções, conquistando mais liberdade para atuar como Jesus nos ensina no Evangelho: “Podeis fazer o que faço e muito mais

 

Referências bibliográficas
DENIS, Léon. Cristianismo e Espiritismo.
XAVIER, Francisco. Roteiro. Rio de Janeiro: Celd,
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 5ª ed. Rio de Janeiro: Celd, 2010.
KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 3ª ed.Rio de Janeiro: Celd, 20

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/03-Revista_CELD_Marco-2020.pdf

 

 

 

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