Espiritualidade e Sociedade





Daniela Calvo

>   Os Terreiros de Umbanda no Japão como "permanentes provisórios": entre fluxos migratórios, processos transnacionais e contextos locais

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Daniela Calvo
>   Os Terreiros de Umbanda no Japão como "permanentes provisórios": entre fluxos migratórios, processos transnacionais e contextos locais

 

A Umbanda se formou a partir de elementos do espiritismo kardecista, do catolicismo popular, e das tradições africanas e indígenas e, ao longo de sua historia, incorporou elementos orientais, esotéricos, ocultistas, e da chamada Nova Era. Embora o mito fundador faça remontar a origem da Umbanda a Zélio de Moraes – que recebeu a missão de fundar uma nova religião pelo Caboclo Sete Encruzilhadas, quando Zélio teve uma manifestação mediúnica de incorporação com esta entidade em um centro espírita em Niterói – sua origem se dá de forma rizomática, sem direção única e sem controle centralizado (Giumbelli, 2002; Nogueira, 2017), com a consequente falta de um corpo doutrinário único e a variabilidade de rituais.

Nessa variabilidade, podemos encontrar características comuns e definir a Umbanda mediante alguns traços distintivos: a crença na vida após a morte, na existência dos espíritos e na possibilidade de se comunicar com eles; a incorporação ritual, ou seja, a manifestação dos espíritos, chamados de entidades, no corpo dos médiuns, mediante o qual agem e falam; a representação da sociedade brasileira, mediante as entidades; a consulta com as entidades incorporadas, de quem as pessoas recebem eventualmente conselhos e tratamentos para problemas espirituais, de saúde, financeiros, emocionais e de relacionamento; a crença na reencarnação e na possibilidade de os humanos e os espíritos evoluírem mediante a prática da caridade; os pontos cantados, que podem ser acompanhados pelos atabaques; os pontos riscados (desenhos que identificam a entidade e constituem pontos de força); as oferendas para as entidades.

No Japão, a Umbanda se espalhou com a imigração dos brasileiros, na maioria descendentes de japoneses, e se mantêm por processos transnacionais de circulação de pessoas, espíritos, materialidades, visões de mundo, valores e afetos. A formação e dissolução de grupos religiosos e de terreiros se entrelaça com projetos migratórios (temporários ou permanentes) e sua mudança ao longo do tempo, deslocamentos internos, voltas ao Brasil (às vezes, seguidas por retornos ao Japão), caminhos de vida que se cruzam e separam, diálogos com o mundo espiritual, e a relação com o território e a sociedade japonesa.

A concentração dos brasileiros nas cidades mais industrializadas e o isolamento da sociedade japonesa – causado, sobretudo, pela barreira linguística – favorecem uma intensa socialidade entre brasileiros (Kataoka, 2021) e a busca de cuidado, de significado e de uma rede de apoio na esfera religiosa. Isso se manifesta em uma maior adesão às religiões (incluído aquelas de origem japonesa) mais difundidas no Brasil, como as igrejas neopentecostais, o protestantismo brasileiro, o catolicismo, o espiritismo, a Umbanda, e os movimentos Soka Gakkai e Sekai Kyuseikyo (Quero; Shoji, 2014).

Este trabalho visa explorar os processos de expansão e desenvolvimento da Umbanda no Japão, as imbricações com os processos migratórios, a relação com a sociedade e o território de acolhida, e a circulação, no Japão e entre o Japão e o Brasil, de pessoas, espíritos, visões de mundo, valores e materiais.

A pesquisa se baseia numa primeira exploração da imigração dos brasileiros e da Umbanda no Japão, começada em outubro de 2023, numa pesquisa etnográfica no CURO – Centro de Umbanda Reino dos Orixás, com sedes nas províncias de Toyama e de Shizuoka e dirigido por Mãe Mariliza de Morães Nezen – e na análise das redes sociais, especialmente de grupos e páginas de Facebook de brasileiros no Japão e da Umbanda no Japão.

O artigo se estrutura em três seções. Na primeira seção, apresento uma análise socioantropológica da migração de brasileiros para o Japão; na segunda seção exploro a difusão da Umbanda no Japão e os processos de formação, desenvolvimento, ramificação e dissolução dos terreiros; na terceira seção analiso a criação de redes e relações mediante a internet e a circulação de pessoas, objetos e ideias.

 

>>>   texto completo disponível em pdf - clique aqui para acessar

 

Fonte: História e religiosidade I: religiões mediúnicas e afro-brasileiras
> https://drive.google.com/file/d/1DB190KieDX5KCjuTT7mZ8Gut7pkT-wMC/view

 

 

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