Introdução
O conhecimento que o ser humano pode ter da realidade
da alma constitui a informação mais importante que venha
a adquirir em toda sua existência, pois inúmeras pessoas
desconhecem que além do corpo físico, cada um tem uma
alma imortal que dirige os seus atos.
Mesmo os que dizem saber que o ser humano é formado
de corpo e alma, desconhecem sua participação na vida
humana e que a mesma se manifesta pelo pensamento, pela inteligência,
pelo senso de responsabilidade, pelo caráter, pela consciência,
pela vontade, pelo livre-arbítrio, pela intuição
e pelo anseio, muitas vezes oculto, de ser útil aos seus semelhantes.
A aquisição desse conhecimento pode trazer
um enriquecimento do seu ser advindo-lhe o reconhecimento da unidade
da criação e da responsabilidade pela sua própria
existência e o amor que deve dispensar a todos os seres da natureza
e especialmente, às criaturas humanas, independentemente de idade,
raça, condições sociais, econômicas e do
seu próprio estado físico.
Todo o ser humano é uma alma pensante que se
identifica pelos seus atributos próprios e não pela sua
aparência física ou pelos seus adornos complementares.
A alma é um ser de constituição
energética que apresenta a forma do ser humano, amoldando-se
à sua idade, sexo e características do corpo no qual imprime
sua vitalidade. Tem a individualidade e a grandeza que lhe facultam
vida plena, quando se encontra na espiritualidade ou na condição
de estar vivificando um organismo biológico, participando da
constituição do ser humano.
Alma é a denominação dada por Kardec
ao espírito encarnado, como está em O Livro dos Espíritos,
item 134. Essa denominação é simplesmente didática,
visto que alma e espírito designam a mesma entidade, respectivamente,
quando está encarnada ou quando se encontra no mundo espiritual.
A alma segundo a BíIblia
Sua criação e sobrevivência são mencionadas
na Bíblia. Consta do Genesis que “o homem foi feito alma
vivente” (GE, 2,7), visto que “criou Deus o homem à
sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os
criou.” (GE, 1.27)
A mensagem segundo a qual “o homem foi feito alma
vivente” tem um significado muito importante, evidenciando que
o ser humano deve pensar e viver como alma encarnada e não pelos
atributos inerentes ao corpo físico.
Da alma sabemos ainda, que desfruta do privilégio
da imortalidade, como consta da afirmação contida nos
Salmos: “Tu, Senhor, livraste a minha alma da morte” (SL
116,8).
Do mesmo modo, Jesus lembra que a alma é imortal,
afirmando: “Não temais os que matam o corpo e não
podem matar a alma” (Mt. 10,18).
Falando sobre a alma, Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns,
reune dois conceitos, o da existência e o da imortalidade da alma.
Diz que na formação do ser humano há a participação
do corpo físico e da alma ou espírito. Afirma que “o
espírito é o elemento principal dessa união, pois
é o ser pensante e sobrevive à morte. O corpo não
é mais do que um acessório do espírito, um invólucro,
uma roupagem que ele abandona depois de usar.”
Não obstante esteja aparentemente oculta no organismo,
a alma está sujeita a receber os efeitos das ações
boas ou más perpetradas pelo ser humano.
Responsabilidade da alma
No Evangelho de Marcos há uma observação sobre
a conduta das pessoas que, desviada do bem, pode ser danosa à
própria alma, aconselhando o desapego dos valores transitórios
da vida: “O que aproveitaria ao homem ganhar
todo o mundo e perder a sua alma?” (Mc. 8,36). Essa mensagem
de Marcos nos faz pensar que se o ser humano passar pela vida entretido
em preocupações frívolas, sua alma terá
que enfrentar as consequências de uma vida desperdiçada.
Os diferentes caracteres psicológicos que qualificam
o ser humano não são determinados pelas peculiaridades
dos seus órgãos físicos, da sua aparência
e constituição, mas pelos atributos da alma que participa
em todos os atos da vida.
Desse modo, uma pessoa não se torna um cientista
porque recebeu hereditariamente circunvoluções cerebrais
diferenciadas nesse sentido, mas porque a sua alma é dotada das
qualidades de cientista.
Esse conceito está de acordo com o que ensina
Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, item 370: “O espírito
dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias.
Ora, não são os órgaos que lhe dão as faculdades,
e sim, estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.”
Sendo a alma responsável pelo pensamento, pelo
livre-arbítrio, pela conduta das criaturas, é natural
que possa exercer influência não apenas sobre seu comportamento
mas também sobre as células do seu organismo, condicionando
os seus estados de saúde ou de doença.(…)
A alma segundo o Espiritismo
Em virtude de sua natureza espiritual, e na condição
de estar vivificando um organismo biológico, a alma realiza em
cada criatura o encontro entre o humano e o divino.
Como espírito encarnado, o ser humano tem sua
dignidade e deve ser respeitado, não obstante a situação
em que possa encontrar-se e as faltas que tenha praticado. É
um ser em fase de evolução, a caminho do seu aprimoramento,
ainda que esteja passando por situações menos dignas.
Na prática, cada pessoa pode conduzir livremente
sua vida, procurando praticar o bem e desfrutar condições
progressivamente melhores ou optar por uma conduta menos digna para
si mesma em relação aos demais seres humanos.
O importante é que, diante desses acontecimentos,
a alma participa, consciente ou inconsciente, de todos os atos da vida
e as ações boas ou más que tenha praticado são
registradas no arquivo perispiritual e se enquadram na Lei de Reciprocidade
ou de Causa e Efeito e suas conseqüências, respectivamente
boas ou más, retornam para o mesmo ser, nesta vida ou em vidas
futuras, porque as existências são solidárias umas
com a outras. As boas ações voltam sob a forma de alegria,
saúde e bem-estar e as más, como diferentes modalidades
de sofrimento.
Nos tempos atuais, há um número crescente
de pessoas que procuram dedicar-se à vivência interior
por meio de diferentes recursos, como os religiosos, esotéricos,
meditação, grupos de estudo, retiro espiritual e práticas
orientais, que a par da realização dos seus anseios, podem
levar ao reconhecimento da alma.
Nesse mesmo sentido, o Espiritismo incentiva a prática
do bem sem limitações, o estudo, a prece e a educação
espiritual, que levam à reforma íntima.
Entre os que se dedicam aos estudos orientais é
comum a prática da meditação através de
uma auto-análise, que consiste em dar um mergulho no seu eu interior,
num trabalho lento e gradativo que leva ao reconhecimento de sua própria
individualidade. Podem, assim, ser descortinadas suas diferentes qualidades,
suas aspirações mais íntimas e encontradas as raízes
que levam ao reconhecimento do seu ser.
Dispondo de novas visões interiores, o homem
comum começa a reconhecer as peculiaridades de sua alma que,
embora possa manter-se aparentemente oculta, manifesta sua própria
essência e sua participação em todos os atos da
vida humana.
O ser humano vai descobrindo novos horizontes no seu
eu interior, reconhecendo que o saber intelectual expressa a sabedoria
da alma e que, conduzindo para espiritualidade, leva à sua iluminação.
Reconhece que a intuição é um atributo
da alma e embora tenha sido relegada em favor do saber intelectual,
está presente em todas as realizações humanas como
nas descobertas científicas e demais atividades relacionadas
ao conhecimento.
O estudo da alma deixou de ser do âmbito puramente
religioso ou teosófico para constituir uma realidade não
menos científica.
E embora ainda não possa ser demonstrada
pelos recursos materiais, é evidenciada pelos seus atributos,
que podem ser cientificamente observados. (...)
Trecho retirado do estudo "Realidade
da Alma" realizado pelo Dr. Roberto Bróglio e publicado
no Boletim Médico Espírita n° 10, do ano de 1995.
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