Espiritualidade e Sociedade





Leila Brandão

>   Superando o medo de amar

Artigos, teses e publicações

Leila Brandão
>   Superando o medo de amar

 

 

Somos seres gregários, que necessitamos uns dos outros para sermos melhores, para perpetuarmos a espécie e para superarmos a solidão. Estamos sempre à procura de soluções que nos possibilitem estabelecer parceria com alguém, visando a um relacionamento mais íntimo, um afeto, um ombro amigo; enfim, a uma convivência sadia e feliz. No entanto, tememos a rejeição, a traição e até mesmo a própria reação frente a uma perda.



O medo é essa sensação que nos deixa em estado de alerta diante de alguma situação ameaçadora, seja ela física ou espiritual. Ao senti-lo, nosso corpo instintivamente pode se preparar para a defesa, para a fuga ou para o embate. O amor, por outro lado, é o sentimento que alimenta, pacifica e traz a plenitude para a alma. Nas palavras de Charles Chaplin: “A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.” Mas o que é a vida? Se não entendermos as razões da vida estaremos sempre sob o império do medo. E por que temermos o amor se ele é o alimento do nosso psiquismo? O amor, segundo Jesus, é o maior de todos os sentimentos, aquele que sintetiza as razões da vida. Talvez seja essa certeza que desencadeia o “embate íntimo” de não conseguir conquistar esse potencial, de fracassar na tentativa de amar! A verdade é que fomos criados para o amor e a felicidade e só mesmo a conquista do amor nos trará a tão sonhada felicidade definitiva.

Assim, os estudos sobre o tema nos trouxeram alguns passos para superarmos o medo de amar:


  • 1º passo: a autoestima –“Você é o melhor você” (Léo Buscaglia – livro Amor);
  • 2º passo: o autoconhecimento e a vitória sobre o ciúme/ inveja (mesma raiz);
  • 3º passo: o sentido da vida : a transitoriedade de tudo;
  • 4º passo: a fé;
  • 5º passo: a expectativa.

 

1º passo: a autoestima

Não existe nem uma só pessoa igual a outra, nem mesmo os gêmeos univitelinos. Cada ser é único! Quem desejar imitar alguém perderá o melhor de si mesmo: a sua singularidade! As atitudes de “menos valia” representam simples ignorância diante da vida, assim como se imaginar melhor que alguém. Somos seres semelhantes e cada qual escreve a sua trajetória de conquistas e equívocos. É importante a compreensão da diferença que existe entre Ser e Estar. Estamos todos em evolução. Não dá para saber o estágio evolutivo em que cada um se encontra; portanto, perdoe os seus equívocos e de seus semelhantes! É certo que vamos errar porque ainda somos seres imperfeitos, mas cuidemos para não repetirmos os erros!

2º passo: o autoconhecimento




Pelas nossas reações, diante dos estímulos exteriores e interiores, dá para identificarmos as emoções negativas e positivas. O ciúme, por exemplo, não é prova de amor, assim como a inveja não poderá ser um estímulo positivo. São emoções negativas que devem ser vencidas. Examine em que época da vida começou a própria insegurança. Será que foi comparado com alguém de forma pejorativa? Roía unhas? Fez xixi na cama até tarde? Tinha muito medo da noite? Quais foram os modelos que elegeram para você? Perceba se em seus atos está imitando alguém. A imitação faz parte da infância e, por isso, precisa ser examinada.

3º passo: o sentido da vida

Tudo na vida é transitório. Estamos encarnados para evoluir, para usufruir da herança dos seres divinos e filhos da luz! A dor resulta das nossas escolhas equivocadas. Os grandes estudiosos da alma humana demonstraram a diferença entre Personalidade e Individualidade.

A Individualidade é a alma imortal e, por isso, indestrutível. A personalidade, no entanto, construída com a ajuda da educação e do ambiente, morre com o desencarne. O que sobrevive à morte é a Individualidade revestida pelo corpo espiritual.

O sentido da vida passa também por libertar a alma do seu Ego. Tornar-se uma pessoa Interexistente, ou seja, capaz de viver a materialidade, mas sem se esquecer da espiritualidade. A alma, enquanto encarnada, para viver também na realidade espiritual, precisa de práticas especiais, tais como a meditação, o estudo, a prece, e permitir-se às vivências espirituais durante o sono físico.

4º passo: a fé


 
A fé se fundamenta na certeza. É dizer com convicção: Eu sei! Segundo os espíritos, a fé precisa ser raciocinada, capaz de enfrentar a razão em todos os momentos da vida. Para se consolidar a fé o conhecimento torna-se fundamental.

5º passo: a expectativa

 

A mentora Joanna de Ângelis nos ensina que: “A beleza do amor está em quem ama.” Porque quem ama tem o amor! Portanto, devemos amar sem criar nenhuma expectativa de retorno. Amar simplesmente a atitude de amar!

O amigo espiritual Lázaro (E.S.E., Cap. XI – item 8) diz que a construção do amor se inicia no instinto, que é uma forma rudimentar do amor; depois, já mais evoluídos, os seres irão vivenciar as emoções; e, finalmente, ao vencerem as emoções negativas, alcançarão certamente o sentimento do amor para viver em plenitude.

Assim, não vamos temer a rejeição, a incompreensão e a necessidade de sermos amados porque, ao entendermos as razões da vida e, a maior delas, a certeza de que cada um é herdeiro de si mesmo, elevamos o patamar de consciência, aplaudimos as nossas lágrimas e seguimos confiantes na conquista do amor, com alegria e paz.

 

 

Referências bibliográficas
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Celd, 2010.

 

 

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/06-Revista_CELD_Junho-2020.pdf

 

 

* * *

 

 



topo

 

 

Acessem os Artigos, teses e publicações: ordem pelo sobrenome dos autores :
|  B  |   C  |   D   |  F   |  G  |   H  |   I   |  J     K   |   L    M  |   N   |   O   |   P  
-  Q  |   R  |  S  |   T   |   U   |   V    |   W   |   X    |   Y    |    Z  
Allan Kardec      -   Special Page - Translated Titles
* lembrete - obras psicografadas entram pelo nome do autor espiritual :