Em muitos grupos dedicados ao crescimento
espiritual ocorrem situações que contradizem os objetivos
primordiais do grupo, despertadas por pensamentos e sentimentos
menores que precisam ser analisados com objetividade e humildade.
Ultimamente tenho conversado com muitas pessoas
que participam de grupos espiritualistas, espíritas, umbandistas,
conscienciologistas. Há uma queixa geral por parte das pessoas:
o porquê das pessoas que participam de atividades
espirituais contaminarem vibracionalmente seus colegas de grupo
com seus “dramas e porcarias interiores”, misturando
a parte personalística com o estudo espiritual.
Como tenho muitos amigos em várias áreas
– e boa parte deles respeita um pouco os toques que dou dentro
da temática espiritual –, é muito comum que
muitas pessoas me liguem ou enviem e-mails perguntando-me sobre
várias coisas, e pedindo a minha opinião sobre determinados
assuntos. Assim, nesses últimos tempos soube de várias
coisas que estão rolando em diversos grupos e com diversas
pessoas – algumas coisas sobre as quais eu já havia
alertado e que acabaram acontecendo.
Parece-me que as pessoas estão cada vez mais
dando mole espiritualmente com suas “melecas conscienciais”,
e propiciando aquela abertura para os obsessores se aproveitarem.
Muitos têm falado sobre o ego, mas sempre o ego dos outros
– nunca o deles mesmos. Ignoram que só quem pode ver
o ego é o próprio ego; os grandes seres que já
transcenderam o ego só vêem a unidade de tudo, jamais
a personalidade transitória e seus dramas. Portanto, por
um motivo óbvio, quem muito fala do ego alheio é súdito
do mesmo.
Nessa questão de ego (de
que todo mundo reclama) ainda fico com o ensinamento de Paramahansa
Ramakrishna: "Enquanto não transcender o ego, transforme-o
em ego servidor". Ou seja, enquanto ser humano submetido à
roda reencarnatória e ao jugo das emoções densas,
o ego faz parte do jogo. O negócio é transformar esse
ego em ego trabalhador; já que não dá para
liquidar o bicho, vamos usá-lo para fazer algo interessante
e que alavanque vibrações positivas para todos.
Respeitar as Oportunidades
Outro assunto muito comentado em grupos (incluindo listas de discussão
na internet) diz respeito às diversas competições
e sabotagens a que muitos se deixam levar.
Na verdade, quem tem competência no que faz
e está seguro não fica prestando atenção
ao trabalho alheio, não fica comparando coisa alguma nem
fica preocupado com o surgimento de um novo grupo, pois sabe bem
o que veio fazer aqui na Terra, e, se cumpre sua missão com
qualidade, isso ficará evidente por conseqüência
natural. Além de suas atitudes, identifica-se a espiritualidade
facilmente pelo brilho dos olhos, pela energia e alegria no fazer
algo, pela qualidade de suas idéias, por seu coração
generoso, etc.
Por que será que o ser humano não
consegue ser feliz com o sucesso do outro? Se as pessoas
pudessem ver a ascensão espiritual dos seres avançados
e o silêncio e anonimato disso, certamente ficariam muito
envergonhadas. Há algo a meditar sobre isso: não se
escuta o som do nascer do sol. Ou seja, os mestres são como
estrelas iluminando espiritualmente e anonimamente a humanidade.
E por que será que as pessoas desperdiçam
tanto a oportunidade da luz consciencial que lhes é concedida?
Costumam "cuspir no prato" onde tal abertura
lhes é dada. O pior é que quanto maior é a
liberdade do espaço que elas freqüentam, maior é
a quantidade de tolices que elas falam e apresentam ali mesmo. Parece
até que elas precisam ser doutrinadas e reprimidas para valorizarem
mais as coisas. Talvez elas precisem de mais doutrinação
e menos espiritualidade, ou um pouco mais de espetos cármicos
cutucando suas vidas e forçando-as a seguirem em frente com
mais coerência. Será que os participantes de grupos
espiritualistas têm noção de que nos antigos
processos iniciáticos muitas pessoas sequer teriam a chance
de uma abertura? e que nos lugares onde hoje se trabalha a espiritualidade
de forma aberta, responsável e bem-humorada, ninguém
está ali para observar os seus defeitos nem cobrar uma santidade
que ninguém tem?
Mesmo carregadas de encrencas interiores, de muita
leviandade e carências diversas – fatores que levariam
à sua reprovação garantida nas iniciações
sérias da Antigüidade –, as pessoas ainda têm
o acesso aos estudos espirituais. Então por que será
que elas não respeitam mais a liberdade e o acesso que têm?
Perceber as Qualidades
Reclama-se muito, também, de que muitas pessoas se acham
altamente iluminadas e detentoras de conhecimentos que os outros
não têm. Alguns até mesmo se arvoram como "escolhidos"
de alguma coisa ou missão (talvez, escolhidos pela própria
imaturidade).
Outro dia, uma amiga me ligou e pediu minha opinião
acerca de um desentendimento que ela havia travado com seu grupo
espiritual. Um dos componentes do grupo se dizia acoplado espiritualmente
por tubos de luz violeta na cabeça, e ligado constantemente
com Jesus, que estava lhe orientando pessoalmente, e que em breve
o Buda também apareceria a ele. O grupo entrou na onda dele
(por que será que as pessoas não usam o discernimento
e sempre entram nessas canoas furadas?). Entretanto, a atitude do
sujeito não correspondia ao que ele dizia. Ele bebia demais
e era irritadinho. Usava de sua suposta espiritualidade para dar
conselhos; com isso, acabava se metendo na vida íntima de
todo mundo, manipulando isso como se ele mesmo não estivesse
cheio de problemas para resolver em sua vida. Fora as fofocas que
ele tricotava nos bastidores do grupo.
Falei para minha amiga que alguém assim quer
é chamar a atenção devido às suas carências
internas, e, nessas condições, serve de canal para
entidades tenebrosas acabarem com o trabalho do grupo inteiro. Assim,
ela afastou o tal sujeito e peitou todos do grupo, exigindo mais
discernimento e mais amor em servir espiritualmente. Ela fez o certo:
procurou preservar o grupo e os objetivos do trabalho.
No entanto, como sempre acontece nesses casos, o
tal sujeito que foi afastado começou a falar mal de todo
mundo; só não disse que era beberrão, fofoqueiro
e mal-amado. E está tentando afastar várias pessoas
de lá mediante as intrigas que espalha.
Minha amiga – vítima das intrigas perpetradas
pelo infeliz que se autoconsidera muito espiritualizado –
é uma pessoa de fibra e batalhadora, com defeitos, sim, mas
honesta e canal de amparadores dignos – o que lhe dá
o devido respaldo espiritual, com boas energias e olhos sempre brilhando.
É uma pena que as pessoas nunca olhem isso, preferindo o
caminho mais fácil de observar os defeitos alheios.
Reflexões Finais
Estou contando para vocês esses casos que acontecem em grupos
e em listas de discussão na internet. Se "cair alguma
ficha" para alguns em relação a algo comentado
aqui, não importa. Basta mudar a vibração,
corrigindo o problema com humildade, e tocar a bola pra frente.
Ninguém é perfeito. Eu, vocês e todos os seres
humanos – independente de raça, credo, sexo, idade
ou condição – precisamos aprender muito. Somos
"deficientes espirituais", tentando melhorar nossos "aleijões
conscienciais" aqui neste planeta-escola. Temos muitos potenciais,
uma vez que somos divinos em essência. Somos luz, ainda que
não nos tenhamos despertados do sono milenar da consciência
imposto por nossos egos. Por isso titubeamos tanto no trato com
as verdades da vida. Somos uma mistura de seres divinos com encrencas
variadas. O objetivo dos estudos espirituais – pouco importando
a qual linha espiritual a pessoa pertença ou tenha afinidade
– é o despertar desses potenciais divinos e a melhoria
dos pensamentos, sentimentos, energias e atitudes.
"Poucos têm olhos para entender a verdade;
cada um enxerga apenas o que deseja".
"Até os homens imbecis são capazes
de grandes feitos; mas os grandes homens são aqueles capazes
de manter os pequenos feitos dignos todo dia".
"O mal que me fazem não me faz mal;
o mal que me faz mal é o mal que eu faço."