"(...) a ansiedade precede sempre
a ação de cair (...)" (1)
Ao ingressar o Princípio
Inteligente no reino animal, está ele altamente enriquecido
e apresenta registros das experiências vividas arquivadas
nas formas do instinto que se refletem nas atitudes sem raciocínio
uma vez que não sofreram ainda nenhum burilamento sob os
eflúvios do raciocínio, do amor integral, características
estas dos estágios mais avançados do ser.
Esse Princípio Inteligente, ao alcançar o reino
hominal, mostrará estados emocionais angustiantes, vazio
ainda de objetivos racionais, conscientes, planejamento, comparações,
processos mentais mais elaborados que lhe permitiriam optar com
maior aproximação da realidade.
Tal situação não trabalhada no decorrer das
existências permanecem, somando-se a inúmeros outros
conflitos não enfrentados e podem alcançar a zona
consciente sob forma patológica.
"(...) as ansiedades armam muitos crimes e jamais edificam
algo de útil na Terra (...)" (1)
Desse modo, uma exteriorização
que em pequeno grau representaria impulso evolutivo, passa a exteriorizar
sintomas de receios, vendo em relação a tudo insucessos
e dores, atemorizando-se, recuando diante da vida, sintomas esses
que normalmente se prendem a causas psicológicas inconscientes,
nas quais os impulsos se apresentam impetuosos, sem equilíbrio,
desordenados.
Isso caracteriza o quanto o homem é carente de construções
psicológicas sadias, constatação que leva
a que se entenda porque o dinamismo espiritual reage de forma
violenta, intranquilizando o ser.
"(...) Invariavelmente, o homem precipitado conta com
todas as probabilidades contra si (...)" (1)
No atual momento, a ansiedade se exterioriza carregada das mais
variadas nuances, representada por um estado de tensão,
aflições incontroláveis a se revelar como
angústia, inquietude, insegurança, que levam o indivíduo
a ter medo, manter-se apreensivo, como que aguardando irreversível
infelicidade, reações essas que atingindo um ponto
máximo, desembocam no pânico.
Os sintomas aparecem de maneira sutil, inexplicável. A
insegurança vai se assenhoreando do mundo mental, em ângulo
pessimista arrasador e que podem exteriorizar-se no corpo físico
nas cefaleias, dificuldade para respirar, modificação
da pressão arterial, suores, tremores, contrações
musculares, enfim, sinais complexos, variáveis em cada
indivíduo com tendência a fixar-se em algum órgão
ou região do organismo.
Traduz-se ainda em agitação, dificuldade do sono,
falta de ar, sensação de aperto e desconforto psicológico
intenso, sentimento de culpa sem causa aparente, no qual o indivíduo
questiona-se sem encontrar respostas. Apavorando-se, descrê
de si, recua e sofre.
Tomar medicação de forma incontrolada e aleatória,
é agir de modo irresponsável, sem lógica
de profundidade. É necessário sim que, com o auxílio
e acompanhamento especializado, se avalie o processo ansioso,
os sintomas, as possíveis origens internas ou externas.
A medicação, se houver necessidade, só sob
critério especializado, será útil, mas não
será completa se o paciente não abrigar em si vontade
de reencontrar-se, renovando hábitos a serem elaborados
no Bem, nos valores maiores da Vida, nas certezas e confiança
daquele que luta para superar-se. Empreender, portanto, realizações
dentro de possibilidades pessoais nos fatores socioeconômicos
que lhe são possíveis, consciente, que na ação
de distender limites, cada um convive com o programa que necessita
e que a existência oferece a cada um a medida exata, para
que na ação consciente se viva em paz.
"(...) se o homem nascesse para andar ansioso, seria
dizer que veio ao mundo, não na categoria de trabalhador
em tarefa santificante, mas por desesperado sem remissão
(...)" (1)
Pelo estudado, percebemos haver reações ansiosas
de fundo espiritual e que ao despertar na zona consciente, constituem-se
com características de difícil remoção,
uma vez que refletem bagagem negativa a aguardar respostas, trabalhos
construtivos a serem dinamizados pelo próprio ser, na reconstrução
íntima.
Reações ansiosas superficiais, situações
dessa atual existência, configurar-se-iam como de mais fácil
remoção, uma vez que seriam as respostas emocionais
diante dos fatos cotidianos causados pela sobrecarga dos conflitos
econômicos ou sócio-familiares.
Desperto, surgida a situação sendo ela trabalhada,
não é absorvida pelo psiquismo de profundidade,
não se implantando na alma sinais negativos devido a reação
da estruturação dos novos valores.
Por não haver esse despertamento para trabalhar cada situação,
de posicionar conscientemente diante dos desafios do existir,
o processo ansioso passa a fazer parte da estrutura dinâmica
do Espírito como condição inerente, em tonalidades
mais ou menos agravadas.
"(...) Opondo-se as inquietações angustiosas,
falam as lições de paciência da Natureza,
em todos os setores do caminho humano (...)" (1)
Ressalte-se que, ansiedade em pequeno grau, configurando-se como
anseio, desejo, aspiração, planejamentos em sonhos
e metas a alcançar, é necessária ao impulso
das realizações. Responde por fator construtivo
com reflexos dinâmicos no desempenho individual.
Há, portanto, que se estar atento, consciente para identificar
de que modo se apresenta, de onde provém, porque se está
ansioso: a origem é de estruturas espirituais inconscientes,
isto é, não identifico causa real imediata próxima
ou passada ou é fruto dos fatores de superfície,
fruto dos atritos normais do dia-a-dia.
Estar atento às variantes de uma profunda tristeza, tédio,
inibição ao entusiasmo, exaltação
repentina à alegria, variações, alternâncias
bruscas inconstância na forma de sentir e ser, lembrando
que agora, na faixa hominal em que vige plenamente a responsabilidade,
cada qual passa a ser o artífice, o construtor do próprio
destino, libertando-se ou não. Os desafios existem para
isso, com essa função.
Bibliografia:
1. XAVIER, Francisco C. – pelo Espírito
Emmanuel – Pão Nosso – FEB – Rio de Janeiro
– RJ – 6ª ed. 1979 – lição
8 – pág. 27-28.
Subsídios:
ANDRÉA, Jorge – Dinâmica PSI – F.V. Lorenz
Editora Petrópolis – RJ – 2ª ed. 1990
– pág. 112.