Confira a entrevista
IHU On-Line – Quais são as especificidades
das religiões afro-brasileiras?
Volney José Berkenbrock - Cada religião
tem sua forma de organização, sua crença, sua
história particular etc. De certa maneira, tudo isso forma
a especificidade de cada religião, independentemente de muitos
elementos refletirem estruturas e modos de pensar semelhantes. Assim,
as religiões afro-brasileiras têm muitas propriedades
que lhes são características, mas que ao mesmo tempo
se assemelham a de outras religiões. Aponto aqui algumas especificidades,
longe, porém, de querer dizer que sejam estas as únicas
especificidades, bem como se afastando também da ideia de que
estes elementos apontados sejam tão somente destas religiões.
a) Religiões reconstruídas
no exílio. A expansão de uma religião
dá-se comumente por migração ou por atividade
missionária. Muitas das religiões que temos no Brasil,
aqui chegaram porque fiéis destas religiões para cá
migraram. Outras – certamente a maioria – se expandiram
em terras brasileiras por atividades missionárias. Com as religiões
afro-brasileiras foi diferente. Elas vieram ao Brasil de carona com
a escravidão. Não vieram, portanto, de forma livre nem
organizada. Vieram dilaceradas – sob muitos pontos de vista
– como dilaceradas eram as vidas dos escravos. Neste exílio
sem liberdade, onde a maioria dos escravos não sobrevivia muitos
anos, havia poucas possibilidades tanto de exercício da religião,
quanto de transmiti-la adiante. Ao final do período de escravidão
começou a acontecer uma “reconstrução”
religiosa a partir de tradições religiosas africanas.
E esta reconstrução se deu de forma diferente nos diversos
lugares, juntando elementos “sobreviventes da grande tribulação”.
b) Religiões não-missionárias.
Por sua origem, estas religiões eram religiões étnicas,
ligadas a grupos de famílias ou clãs. Não havia
nelas a ideia de expandir a religião através de pregação
ou de busca de conversão de outras pessoas. Esta característica
não-missionária dos grupos de origem marcou também
as religiões afro-brasileiras. Não há atividades
“missionárias” no sentido de entender que é
próprio da religião buscar aumentar o número
de adeptos.
c) Religiões iniciáticas.
Muitas pessoas frequentam casas de religiões afro-brasileiras
apenas de forma esporádica. Vão até lá
em busca de algum conselho, de alguma receita para a vida ou para
doença, de alguma ajuda espiritual. Este contingente muito
grande de pessoas não pode, porém, ser contado como
membros da religião. O ser membro pleno de uma religião
afro-brasileira acontece à medida que o fiel passa pelos ritos
de iniciação. Trata-se, pois, de religiões iniciativas,
em que os membros vão participando cada vez mais ativamente
e assumindo funções e tarefas conforme vão avançando
em sua iniciação. Algumas delas, como o Candomblé,
por exemplo, têm um tempo muito longo de iniciação.
Diz-se que o ciclo iniciativo completo dura 21 anos. O período
básico de iniciação se encerra com a obrigação
(os rituais) de sete anos.
d) Religiões de comunidade.
A entrada nestas religiões se dá, como dito acima, por
processo iniciativo. Este é feito sempre em uma comunidade
específica. Assim sendo, os fiéis são membros
sempre de uma comunidade específica e não “genericamente”
membros da religião. Por exemplo, um fiel da Umbanda é
fiel da Umbanda em sua casa de iniciação. Em outra casa
de Umbanda ele é apenas visitante. Não há assim
a ideia de pertença à religião de uma forma genérica,
como é o caso da maioria das igrejas cristãs, mas sempre
de pertença a uma comunidade específica, onde se fez
a iniciação.
e) Religiões de tradição
oral e não religiões do livro. As religiões
afro-brasileiras não têm nenhum escrito sagrado ou texto
que tenha alguma importância ou autoridade maior do ponto de
vista religioso. Toda a transmissão de conhecimentos e a garantia
de autenticidade se dá pela oralidade. A religião é
“contada” adiante. Para isto, desempenha um papel muito
importante nos mitos. Neles está contida boa parte do conteúdo
religioso apreendido pelos fiéis. Assim, aprender e experienciar
(viver) os mitos é parte do processo iniciatório.
f) Religiões de experiência
e não de palavra. Na maioria dos rituais religiosos
das religiões afro-brasileiras, o uso da palavra explicativa
ou exortativa não tem nenhum espaço. Não há
pregação, não há leitura, não há
explicação. Os rituais são cantados e dançados.
Para um visitante não familiarizado, os primeiros contatos
com rituais afro-brasileiros não dizem absolutamente nada.
É necessário um bom tempo até que esta lógica
experiencial e não racionalizada pela palavra explícita
faça algum sentido e comece a compor um quadro.
g) Religiões sincréticas,
inclusivas e dialogais. A formação das religiões
afro-brasileiras se deu a partir de “sobrevivências religiosas”.
Estas religiões não foram organizadas no Brasil, repetindo
sua organização de origem. Elas são, em muitos
aspectos, composições novas, novos arranjos com partes
de melodias. Assim há nelas uma composição de
elementos chamada, muitas vezes, de sincretismo. Mas este sincretismo
não pode ser entendido como “mistura ilícita”,
mas sim como uma “nova melodia”. E na composição
desta nova melodia, muitos são os elementos “incluídos”.
Assim, pode-se dizer que, em boa parte, as religiões afro-brasileiras
são religiões inclusivas, isto é, com capacidade
de incluir e integrar na mesma melodia, elementos diversos. Este é,
aliás, um mecanismo de resistência muito interessante,
principalmente da Umbanda. Sua forma de resistência se dá
não pela rejeição de elementos de outras religiões,
mas sim pela inclusão. Esta realidade faz com que, a meu modo
de ver, estas religiões sejam profundamente dialogais. Não
no sentido de que sejam fóruns de diálogo, mas no sentido
de serem lugares onde o diálogo já se operou e continua
operando. A meu modo de ver, o sincretismo deve ser visto como um
processo muito interessante e positivo de diálogo.
IHU On-Line – Como o senhor
descreve a experiência religiosa no Candomblé?
Volney José Berkenbrock - Para se falar em
experiência religiosa no Candomblé, é preciso
ter um pouco presente a concepção cosmológica
do Candomblé. Para esta religião, a existência
subsiste a duas maneiras: à maneira palpável e finita
(chamada de Aiyê) e à maneira não palpável
e infinita (chamada de Orum). Toda a existência é, pois,
Orum ou Aiyê (ou em parte as duas coisas). Assim, por exemplo,
os seres humanos, com toda a sua corporeidade, pertencem ao nível
do Aiyê. (A inteligência do ser humano, porém pertence
ao Orum, bem como a filiação de cada ser humano de um
Orixá). Dizem os mitos criacionais que, no início, estas
duas maneiras eram unidas, podendo haver livre trânsito entre
elas. A quebra de um tabu fez com que houvesse a divisão, de
forma a separar Orum e Aiyê. A existência, porém,
é a soma dos dois. Assim, a boa existência, a harmonia,
a felicidade, a saúde, enfim, a realização consistem
sempre no equilíbrio entre Orum e Aiyê. Na concepção
do Candomblé, praticamente todas as atividades religiosas têm
por finalidade última justamente a busca da harmonia, da unidade
entre os dois níveis da existência. Dentro deste contexto
é que ocorre a experiência religiosa central do Candomblé:
o momento do transe. Nele, assim entende esta religião, acontece
por um instante, uma unidade entre Orum e Aiyê. Por conseguinte,
a experiência do transe é entendida como a experiência
da unicidade dos mundos, da harmonia buscada, da recomposição
da unidade primordial perdida. No transe, a verdade se torna realidade,
ou vice-versa. Por isso, no Candomblé, o transe é sempre
um momento solene, festivo, alegre, de dança.
IHU On-Line – Quais são as divindades
do Candomblé e suas características?
Volney José Berkenbrock - Falar
em divindades do Candomblé é algo muito complexo, pois
a palavra divindade não é unívoca. Talvez fique
mais simples falar que no Candomblé há a ideia de um
ser primordial, que tudo possibilita, a partir do qual tudo existe.
Este ser é chamado por diversos nomes, dependendo do dialeto
de origem. Os nomes mais comuns são Olorum (literalmente “o
senhor do não palpável”) ou Olodumaré (literalmente
“o senhor do eterno destino”). Toda a existência
é um desdobrar-se de Olorum, pois nele estão presentes
todas as possibilidades, como que “dobradas”. Cada existência
individual é como que um desdobramento de uma possibilidade
que sempre existiu. Por isso, nada há que nunca tenha existido
e nada haverá que não existe. Olorum não é
entendido como um Deus pessoal, isto é, um Deus relacional.
Ele é o possibilitador primordial. A existência individual
concreta é regida por forças. Estas forças são
personificadas, têm mitos próprios e são chamadas
genericamente de Orixás (literalmente “regentes da inteligência”).
Assim, por exemplo, a força que faz uma árvore crescer
é personificada no Orixá Ossaim, a força que
faz um rio fluir é personificada no Orixá Oxum. Todas
as forças naturais que regem o universo são personificadas
e chamadas de Orixás. Também as forças no sentido
de virtudes, de modo que a força da justiça é
chamada de Xangô, a força pacificadora é chamada
de Oxalá, a força do amor materno é chamada de
Iemanjá. Da mesma forma, se entende que cada pessoa é
filho/filha de uma força, ou seja, filho/filha de um Orixá.
E isto, independentemente de a pessoa ser fiel do Candomblé
ou não. Entende-se que pertence à natureza de cada pessoa
esta filiação. Havia na origem da religião do
Candomblé (no povo Ioruba, na África) uma infinidade
de Orixás. O processo de formação da religião
no Brasil, principalmente devido à escravidão, fez com
que o número de Orixás cultuados fosse muito menor e
que cada Orixá tenha assumido características diversas.
O número de Orixás, cujos cultos sobreviveram no Brasil,
não passam de 30, sendo, porém, cada qual composto por
uma série de características. Assim a Orixá (feminina)
Oxum, por exemplo, é a Orixá das águas doces
correntes (dos rios), mas é ao mesmo tempo a Orixá da
estética, da beleza, da feminilidade e igualmente é
a Orixá do conhecimento, da sensibilidade, do processo divinatório
etc. Podemos dar outro exemplo no Orixá Oxalá, que é
o Orixá criador, o iniciador, mas ao mesmo tempo o Orixá
tanto da força pacificadora como da liderança.
IHU On-Line – Como esses Orixás
interferem na vida dos praticantes da religião e qual sua importância
para eles?
Volney José Berkenbrock - Como já afirmado
anteriormente, cada pessoa é filho/filha de um determinado
Orixá. Com isto, a busca da harmonia entre Orum e Aiyê
se traduz concretamente no dia-a-dia, na busca pela harmonia com o
Orixá pessoal. Cada Orixá tem suas características
próprias no que tange a todos os aspectos da vida: de cores,
de comidas, de profissão, de comportamento, de personalidade,
de relacionamentos. Assim, a harmonia na vida, na compreensão
do Candomblé, é exatamente a harmonia com o Orixá
pessoal. O Orixá, portanto, influencia todos os aspectos da
vida do fiel. E a busca da harmonia com o Orixá é –
no fundo – a busca por si mesmo, por melhor viver suas aptidões
e características. A infelicidade, a doença, o erro
não são vistos no Candomblé como “pecado”,
mas sim como desarmonia. Por isso, quando algo errado acontece na
vida de alguém, são necessários rituais que novamente
harmonizem o fiel com o seu Orixá. A harmonia entre o fiel
e seu Orixá é o que acontece no microcosmos do dia-a-dia,
da busca pessoal por conhecer o Orixá pessoal e com ele integrar-se
cada vez mais. Na linguagem de macrocosmos, isto é chamado
justamente de harmonia ou equilíbrio entre Orum e Aiyê,
do qual depende a boa existência do todo.
IHU On-Line – E o que significa axé?
Volney José Berkenbrock - Axé é
o nome que se dá à energia do equilíbrio entre
Orum e Aiyê, entre o fiel e seu Orixá. Para que não
haja desarmonia na existência (como um todo ou existência
individual), é preciso uma constante troca de energia. Na linguagem
do Candomblé, isto é chamado de “liberação
de Axé”. Assim todos os rituais religiosos, feitos em
grupo ou individualmente, “liberam Axé”, isto é,
contribuem para a harmonização do sistema. Axé
é, assim, a força que tudo transpassa, que tudo penetra
no sentido de provocar (ou devolver) harmonia. Sendo um conceito altamente
positivo, a palavra Axé é usada inclusive como saudação,
como desejo de “tudo de bom”. É comum, pois, que
pessoas do Candomblé possam se saudar com um “Axé”,
dizendo indiretamente: “desejo-lhe harmonia”.
IHU On-Line – Como o Candomblé dialoga
com outras religiões, em especial com o Cristianismo, considerando
o histórico da relação entre ambas tradições
religiosas?
Volney José Berkenbrock - Para se pensar em
diálogo entre Candomblé e Cristianismo, não se
pode deixar de ter em mente que a história do encontro entre
estas duas religiões é marcada por perseguições
e falta de diálogo por parte do Cristianismo em relação
ao Candomblé. E nesta história, o Cristianismo era a
religião dominante, enquanto o Candomblé era a religião
dos dominados. Mesmo tendo em mente esta história desfavorável
ao diálogo, pode-se afirmar que aconteceram também de
parte a parte situações de encontros positivos, sobretudo
pelo fato da dupla pertença: muitas pessoas frequentavam (e
frequentam) tanto o Candomblé quanto o Cristianismo (sobretudo
o Catolicismo). Esta dupla pertença ofereceu espaços
de convivência, de compreensão, de diálogo. Uma
posição favorável ao diálogo inter-religioso,
por parte das igrejas cristãs, é algo relativamente
recente – e rejeitado ainda por muitas igrejas. Por parte do
Candomblé, ocorreu neste particular muito mais uma reação
à busca de diálogo por parte de igrejas cristãs
do que propriamente uma mudança de posição no
que diz respeito a isto. Assim, membros do Candomblé participaram
de muitos congressos, encontros, fóruns de diálogo inter-religioso.
Por outro lado, gostaria de chamar a atenção para o
fato de o Candomblé não ser uma religião de academia,
e os círculos “eruditos” de diálogo são
geralmente um espaço que poucas pessoas do Candomblé
acessam. Há, entretanto, toda uma prática de diálogo
que ocorre muito mais na base da mútua bem-querença,
do mútuo respeito e carinho, do reconhecer-se mutuamente do
ponto de vista religioso. Assim, por exemplo, eu – que sou cristão
- recebo muitas vezes convites para participar de festas em casas-de-santo
do Candomblé. São por vezes festas religiosas, são
por vezes festas ‘profanas’ (como aniversários,
por exemplo). Faço-me presente quando posso e em muitas destas
festas religiosas recebo um lugar de honra para sentar. Ali não
se está preocupado primeiramente com diálogo inter-religioso,
mas entendo e sinto estes momentos como momentos privilegiados de
conversa. Assim, diria, o diálogo inter-religioso acontece
muito mais como um diálogo de gestos, no qual não há
a pressão para se chegar a uma conclusão, a um objetivo.
Este diálogo é sempre construção: de proximidade,
de respeito, de entendimento, de humanidade.
IHU On-Line – Mas o Candomblé oferece
alguma proposta para que o diálogo inter-religioso seja possível?
Volney José Berkenbrock - Como assinalado acima,
o diálogo inter-religioso com as religiões afro-brasileiras
dá-se mais como um diálogo de gestos, de convites, de
acolhimento. Neste sentido, não se pode dizer que há
uma proposta do Candomblé para o diálogo inter-religioso
(pelo menos não que eu a conheça). O que há são
práticas, que vão se solidificando com o tempo, construindo
mundos dialogais. Por parte do Candomblé, este diálogo
tem um facilitador “teológico” muito grande, pois
o Candomblé tem uma compreensão inclusiva da existência.
Nada há que esteja “fora” de sua lógica.
Assim, todas as práticas religiosas de outras religiões
são entendidas também como “liberadoras de axé”.
Nesta lógica, não há no Candomblé a ideia
de que as outras religiões estejam “fora”, sejam
expressão, um outro universo. Elas são parte do mesmo
mundo e interagem – na compreensão do Candomblé
– para que aconteça a harmonização entre
Orum e Aiyê. Certa vez, num seminário sobre diálogo
inter-religioso, onde o tema era “as religiões e a paz”,
um dos participantes disse que se sentia um pouco excluído,
pois era ateu, e como tal não estava incluído no diálogo
inter-religioso. Uma Yalorixá (mulher líder de uma casa
de Candomblé) presente respondeu mais ou menos assim: “Filho,
não tem como estar fora. Mesmo que você pense que está
fora, você está dentro e assim incluído”.
Ela não falava isto para “dar uma lição”,
mas a partir de uma profunda convicção de que, na lógica
religiosa do Candomblé, tudo está incluído (mesmo
que não se sinta incluído ou não se queira incluído).
Esta mentalidade inclusiva diante de toda realidade – e com
isso também diante de outras religiões – creio,
é uma boa facilitadora para o diálogo.
IHU On-Line – Qual é a sua opinião
sobre o ecumenismo para a construção da paz mundial?
Volney José Berkenbrock - Creio que, na proposta
de fé e de vida de todas as religiões, esteja o desejo
de paz. Historicamente, porém, foi o desejo de confronto, o
desejo de submeter o outro, de dominar é que deu o tom. Como
esta situação foi historicamente construída,
penso que é possível, também, historicamente,
construir outra posição: a contribuição
para que haja mais paz mundial a partir da força que representam
as religiões. Assim, o caminho do ecumenismo e do diálogo
inter-religioso como elementos constitutivos de uma nova ordem, uma
ordem de paz mundial, precisa historicamente ser construído,
passo a passo, gesto a gesto. E para que ele comece a acontecer, entendo
que há uma decisão forte a ser tomada, a decisão
da vontade. Não são as doutrinas religiosas que constroem
ou destroem a paz. Quem constrói ou destrói a paz é
a vontade. Trabalhar para que o ecumenismo e o diálogo inter-religioso
sejam portadores de paz, ao meu modo de ver, não é tanto
um trabalho no sentido de conseguir “consensos doutrinais”,
mas conjugação de vontades.
IHU On-Line - Como fazer uma aproximação
de fato entre as diversas religiões, respeitando características
próprias de cada uma, e pensar em posições universais?
Volney José Berkenbrock - Estou
convencido de que a pluralidade é mais afeita ao modo de compreensão
que tenho de Deus do que a unidade. Assim, conseguir viver num mundo
onde a pluralidade – inclusive religiosa – seja não
apenas aceita, mas sentida – inclusive do ponto de vista de
fé – como positiva, isto seria já um grande passo.
E talvez por aí deva passar a ideia de posições
universais e não tanto pela ideia de posições
únicas do ponto de vista de algum conteúdo. Temo que
a busca de posições universais possa levar a chegarmos
a elas, mas não mais com a força de cada religião.
Seriam, pois, posições “reconhecidas” por
todos, mas não “sentidas” e talvez nem vividas.