O último livro de Marcel Benedeti
traz à tona os sentimentos de solidariedade, compaixão
e de amor que as pessoas deveriam ter com os indivíduos e,
também, com os animais. Trazendo informações
importantes sobre o que acontece com os animais no mundo espiritual,
o autor, médico veterinário, médium e espírita
alia sua formação técnica e espiritual na produção
dessa obra, que é um marco na literatura espírita voltada
a infância e juventude.
O autor trabalha bastante com a temática do
amor, da amizade e da elevação da auto-estima. Com aguçada
sensibilidade, ele desperta no público infantil o sentimento
de amor ao próximo, mesmo que seja um animal.
Como surgiu o seu interesse pelo espiritismo?
Marcel Benedeti - Até a época em que conheci minha esposa
eu não tinha o menor conhecimento sobre a doutrina espírita,
exceto por informações negativas de pessoas preconceituosas,
que por não conhecerem as bases doutrinárias, a temiam
e eram detratoras. Mesmo não conhecendo, já recebia
destas pessoas recomendações para me afastar. Esta recomendação
acabou sendo uma maneira de me aproximar dela, pois me chamou a atenção
a algo que talvez nem me interessasse se não tivessem me recomendado
contra. Assim como aconteceu no Auto de Fé de Barcelona, em
que após queimarem os livros da codificação,
cresceu a curiosidade e o interesse das pessoas pela doutrina que
a Igreja repudiava. Assim, meu interesse era grande, mas não
havia quem me elucidasse sobre a misteriosa doutrina até conhecer
minha esposa, a Cláudia. Ela é a minha mentora encarnada.
Ela me introduziu na doutrina e me trouxe as informações
mais importantes para que meu interesse aumentasse ainda mais, me
incentivando a estudar cada vez mais.
Por que você se formou em veterinária?
Desde criança sempre tive muito interesse pelos animais, principalmente
de um ponto de vista mais científico. Desde criança
eu era curioso por tudo que era relacionado a eles e lia tudo o que
me caía nas mãos sobre eles. Assim como qualquer criança,
eu brincava e jogava bola, mas se algum animal me despertasse o interesse,
eu trocava a brincadeira pela observação deste. Muitas
vezes eu parava de brincar para ver uma abelha retirar o néctar;
observar uma formiga retirando pedrinha por pedrinha para construir
um formigueiro, ou ver uma libélula pairando como um helicóptero
sobre o lago. Eu era muito curioso. Inicialmente eu queria estudar
biologia, mas logo notei que a veterinária era mais abrangente,
pois além de estudar eu ia aprender a curá-los.
Os seus livros lançados pela Mundo Maior são
psicografados?
Parte do primeiro livro - Todos os animais merecem o Céu
- é psicografada; outra parte é intuída e ainda
há uma espécie de lembranças de desdobramentos
(viagem astral) durante o sono, quando visitava o plano espiritual
e trazia informações obtidas diretamente das colônias
que tratam de animais. Mas eu diria que mais de 50% do primeiro livro
é psicografado.
O segundo livro - Todos os animais são nossos irmãos
- é todo psicografado graças à colaboração
de um espírito que conta sua própria história:
o irmão José, um ex-escravo. Neste livro há o
encontro de diversos alunos que estudam nas colônias e assistem
as aulas em que eu também freqüento.
O terceiro livro - Animais no mundo espiritual -
é totalmente intuído. Neste eu não senti o mesmo
envolvimento que senti nos momentos anteriores e ainda usei argumentos
de escritores conhecidos como Gabriel Dellane, André Luiz e
Emmanuel para compor esta história comovente e absorvente que
chama a atenção dos leitores do começo ao fim,
não somente pela forma como é abordada, mas pelas personalidades
do garotinho e dos cães que são extremamente inteligentes
e espertos, além de corajosos.
Por que você escolheu o título
Todos os animais merecem o Céu?
Jesus dizia, como se pode ler nos Evangelhos: "Vinde a mim as
criancinhas por que é delas o Reino do Céu" e recomendava
que nós fizéssemos como as crianças, que são
puras de coração. Os animais são puros de coração
sem ter que se forçarem a isso. Os animais são como
as crianças que Jesus cita nos Evangelhos, porque são
puros de coração e por isso merecem o Reino do Céu.
Os animais não se corrompem e são o que são,
sem máscaras, que usamos com freqüência para mostrar
aos outros que somos diferentes daquilo que realmente somos. Por isso,
se o Reino dos Céus é para os mansos e puros de coração,
então, todos os animais merecem o Céu.
Fale sobre como surgiu o seu mais recente livro, Animais no
Mundo Espiritual?
Em março de 2005, me veio uma intuição de escrever
um livro sobre animais que fosse de interesse do público jovem.
Em um primeiro momento escrevi uma história em forma de soneto
e ficou horrível. Então pensei: "Acho que me enganei.
Não devo ainda escrever para crianças" e deletei
o que escrevi, pois percebi que não tinha a intervenção
espiritual naquilo que passei para o computador e deixei de pensar
em voltar a escrever sobre o tema para jovens.
Durante o lançamento do segundo livro - Todos os Animais São
Nossos Irmãos - me encontrei com o diretor da editora Mundo
Maior, que manifestou seu interesse em que eu escrevesse algo para
o público jovem. Para mim foi uma surpresa, pois não
fazia tanto tempo que isso tinha me ocorrido e expliquei o fiasco
de minha tentativa e mesmo assim ele se interessou. Então,
tentei reaver em minha memória o que foi escrito e ficou ainda
pior ainda do que esteve na primeira tentativa. Sem sucesso na minha
tentativa, ele me recomendou que fizesse uma espécie de resumo
do livro Todos os Animais Merecem o Céu em uma linguagem mais
simples para aquele público e nada me ocorria. Fiquei sentado
em frente ao computador por horas esperando por algo e nada...
Quando comecei a escrever, veio de uma vez, e desta forma agradável
e atraente.
Como podemos explicar para as nossas
crianças quando um animal desencarna?
A codificação espírita está aí
há um século e meio. A compreensão das suas bases
deve fazer parte da educação das crianças desde
a tenra idade, para que o entendimento das coisas que se sucedem na
natureza sejam percebidas da maneira mais natural possível.
Entender que somos espíritos imortais deve ser uma obrigação
aos pais para que elas não se sintam desamparadas em um momento
de uma separação drástica, como ocorre no momento
da morte do corpo físico de em ente querido, humano ou animal.
A criança que já tenha este entendimento aceita melhor
esta mudança de estado do espírito imortal. Na verdade,
elas entendem e aceitam melhor esta mudança do que nós,
adultos. Nós é que acreditamos que elas não entendam
e fantasiamos para elas uma realidade que não existe, ao invés
de dizermos o que realmente acontece. Elas entendem o que é
a morte melhor do que imaginamos, porque elas sabem bem o que é
a vida. Nós fazemos esta separação que elas não
fazem. Se reforçarmos este entendimento dando a elas as bases
do espiritismo tudo fica mais fácil. Se houver literatura que
aborde este tema será ainda mais fácil, pois as ilustrações
suaves do livro Animais no Mundo Espiritual mostram de modo mais tranqüilo
a mudança que citamos de estado de espírito.