Sir William Barrett :
> Professor de Física na Royal College of Science,
Dublin, de 1873-1910 e um dos distintos pioneiros pesquisadores psíquicos.
De fato, foi Barrett que primeiro iniciou a fundação
tanto da Sociedade Americana para Pesquisa Psíquica quanto
da Sociedade Britânica.
Estudantes de pesquisa psíquica
encontrarão na monografia da Sra. Henry Sidgwick o exame mais
crítico e importante da psicologia dos fenômenos de transe
do espiritualismo, constante no vultoso volume das Atas da S.P.R de
dezembro de 1915. Esta laboriosa pesquisa lida com os fenômenos
de transe da Sra. Piper - mas, de certa forma, se aplica completamente
a outros médiuns genuínos - quando a evidência
de conhecimento adquirido é disposta de outra maneira que não
seja pelos sentidos, seja dos vivos ou dos mortos. O objetivo do artigo
é lançar luz à pergunta:
"se a inteligência que
fala ou escreve no transe, e está às vezes em comunicação
telepática com outras mentes (sejam dos vivos ou dos mortos)
é diferente de uma fase, ou centro de consciência,
da própria Sra. Piper".
Sra. Sidgwick enfaticamente admite que a Sra. Piper tem meios supernormais
de obter conhecimento, mas chega à conclusão que o transe
da Sra. Piper, e presumivelmente aquele de outros médiuns semelhantes,
"é provavelmente um
estado de hipnose auto-induzida em que a personalidade hipnótica
dela personifica diferentes personagens, seja consciente e deliberadamente,
ou inconscientemente e acreditando-se ser a pessoa que ela representa,
e algumas vezes provavelmente num estado de consciência intermediário
entre as duas... E mais adiante... ela pode obter imperfeitamente,
e na maioria das vezes de modo fragmentário, impressões
telepáticas... Tais impressões não são
apenas recebidas por ela como o resultado de sua própria
atividade telepática ou daquela de outros espíritos
- espíritos dos vivos ou podem ser dos mortos - mas impressões
que sobem parcial ou completamente na consciência que opera
durante as comunicações de transe, e então
são reconhecidas."
Telepatia dos vivos, e também às vezes de desencarnados,
combinada com uma real ou imaginária dissociação
da personalidade do médium durante o estado de transe, é
então a visão da Sra. Sidgwick sobre tais fenômenos.
Esta foi, substancialmente, a opinião do Dr. Hodgson na fase
inicial de suas investigações. Mas, como a Sra. Sidgwick
diz, "ele aparentemente já abandonou esta hipótese
quando publicou seu primeiro relatório". Como é
bem sabido, e foi previamente mencionado, pág. 223, o Dr. Hodgson
e o Sr. Myers, como muitos outros estudantes críticos, eventualmente
se dirigiram a aceitar a hipótese de espíritos como
a solução mais consistente e a mais simples.
As conclusões da Sra. Sidgwick são inquestionavelmente
intituladas para cuidadosa consideração, e indubitavelmente
serão recomendadas a muitos psicólogos e pensadores
conservadores. Para uma larga extensão, se sem presunção
eu puder expressar uma opinião, eu acredito que elas sejam
justificadas, e explicam muitas das anomalias desconcertantes, falsas
declarações e personificação de grandes
nomes nestas comunicações de transe.
Desse modo, numa sessão com a Sra. Piper, em 1899, Moisés,
o judeu legislador dos tempos antigos professou se comunicar, e profetizou
que no futuro próximo haverá grandes guerras e matança
e então a aproximação do milênio. Mas nesta
grande guerra a Rússia e a França estariam juntas contra
a Inglaterra e a América, enquanto a Alemanha não tomaria
seriamente qualquer parte na guerra. Depois este "Moisés"
acrescentou muitos solenes disparates.
Então em outro momento Sir Walter Scott professa se comunicar
e diz a Dr. Hodgson que, se ele desejasse conhecer qualquer coisa
sobre o planeta Marte, ele não poderia deixar de chamar aquele
romancista, à medida que este tinha visitado todos os planetas;
perguntado se ele viu um planeta além de Saturno, o fulano
Walter Scott respondeu "Mercúrio"! Júlio César
também professou controlar, bem como Madame Guyon; mas outro
e mais freqüente controle foi George Eliot (a romancista, Mary
Ann (Marian) Evans), que às vezes agia como comunicadora, para
ela dizer, "nós falamos por pensamentos, a menos que ajamos
sobre alguma máquina, denominada médium, quando nossos
pensamentos são expressos para o espírito controle que
os registra para nós".
Isto pode ser bastante verdade; mas a George Eliot real nunca falaria
de forma tão incorreta ao dizer, "I hardly know as there
is enough light to communicate," ou novamente, "Do not know
as I have ever seen a haunted house," palavras que são
reportadas para serem dela própria. Erros gramaticais semelhantes
são feitos por outros instruídos controles.
Mas alguma da evidência mais conclusiva de personificação
é dada pelo controle que professava ser o Rev. Stainton Moses.
Os nomes de três amigos espirituais (o "grupo Imperator"),
os quais o Stainton Moisés real jamais poderia esquecer, foram
fornecidos, e "nenhum destes nomes é verdadeiro ou tem
a menor semelhança de verdade", conta-nos o Professor
Newbold. Novamente o Dr. Stanley Hall, numa sessão com a Sra.
Piper, perguntou se uma sobrinha, Bessie Beals, poderia se comunicar?
Ela professou vir e deu várias mensagens, em várias
sessões, mas ela nunca existiu, o Dr. Hall havia dado nome
e parentesco fictícios!
Deste modo será visto que nós não podemos tomar
estas comunicações em seu valor de face, à medida
que, algumas vezes, são manifestamente falsas, embora apresentadas
ao assistente com uma dramática nitidez e caráter correspondente,
que lhes dão uma realidade igual à vida. Elas provavelmente
representam fases da personalidade hipnótica da Sra. Piper,
criada por alguma sugestão verbal ou telepática a partir
da mente do assistente. Apesar destas inquestionáveis personificações
de personalidades falecidas, a Sra. Sidgwick admite que:
"comunicações
verídicas são recebidas, e em algumas delas existe
boa razão para acreditar que venham dos mortos, e assim indicando
um comunicador genuíno por detrás". (pág.
204).
Aqui urge observar o significado das palavras "controle"
e "comunicador."
A primeira significa a inteligência que está, ou professa
estar, em comunicação direta com o assistente através
da voz ou da escrita do médium. Por "comunicador"
se quer dizer a inteligência pela qual o controle age como registrador
ou intérprete, ou quem cujas observações ou impressão
telepáticas são repetidas pelo controle, através
do médium, ao assistente. Esta definição, dada
pela Sra. Sidgwick, é geralmente aceita.
Dificuldades de Comunicação
As dificuldades de comunicação são
necessariamente grandes, uma vez que não podemos supor que
um processo físico ou órgãos físicos de
fala e audição são empregados pelos comunicadores.
De fato, eles nos dizem, como Swedenborg nos disse muito tempo antes
da telepatia ser descoberta, que espíritos conversam pelo pensamento.
A percepção visual é às vezes sugerida.
Um comunicador invisível diz:
"Se vocês pudessem me ver como estou
aqui, todos vocês veriam os gesto que eu faço, que
são copiados por Rector [o controle]; ele me imita enquanto
eu falo com você".
Imagens mentais, como o Dr. Hyslop declarou, flutuam
na frente da mente do médium e a dificuldade parece estar em
selecionar a apropriada. Dificuldades de audição, ou
percepção telepática, também são
mencionadas, especialmente a dificuldade em captar um nome. Então
existe uma mente vagueante e uma confusão mental, um comunicador,
falando através da Sra. Piper, diz:
"Eu estou conversando como se estivesse por
detrás de uma névoa espessa que freqüentemente
me sufoca," e novamente, "eu não posso captar a
palavra certa, minha mente está tão confusa, as condições
estão sufocando."
O cético, é claro, afirmará que
isto é apenas uma maneira inteligente que a médium assume
a fim de disfarçar a ignorância dela, mas existe toda
razão para se acreditar que isto representa uma genuína
dificuldade na transmissão de idéias dos invisíveis
para os visíveis. Nós sabemos sobre as condições
incertas da telepatia aqui, e elas podem existir no outro lado, quando
o controle estiver tentando impressionar idéias na personalidade
subconsciente do médium.
Dessa maneira, alguma luz é lançada na natureza fragmentária,
deslocada e confusa de muitas mensagens verídicas. A necessidade
primária de estabelecerem suas identidades provavelmente explica
por que as comunicações são reminiscências
tão amplamente fragmentárias da vida terrestre dos falecidos.
Um recente escrito clássico
Enquanto a maior parte das comunicações
parece exibir uma inteligência truncada, como um sonho por parte
do falecido - como se uma zona de sonho interviesse entre os dois
mundos -, este não é sempre o caso. Alguns escritos
recentes, como no artigo do Sr. Gerald Balfour sobre a Orelha
de Dionísio, não mostram apenas a co-operação
de duas ou mais mentes desencarnadas, mas também, como declarado
na p. 220, fornecem evidência positiva de uma habilidade e de
um amplo conhecimento clássico, bastante além do poder
do automatista. As insinuações crípticas, é
verdade, requerem considerável perspicácia, estudo e
habilidade para fazer a evidência inteligível a mentes
ordinárias. Este modo recôndito de comunicação
pode ser adotado a fim de se evitar a suspeita de que a mensagem é
derivada de mentes terrenas através da telepatia ou de outras
fontes de erro. Aqueles que não têm tempo ou conhecimento
necessários para desvendar estes mosaicos de sabedoria clássica,
devem ficar satisfeitos com a garantia que investigadores competentes
e imparciais têm sido convencidos que eles compuseram evidência
convincente sobre a identidade de pessoas falecidas de quem elas professam
ser.