1. Allan Kardec e a definição
do Espiritismo, sob o aspecto científico.
Allan Kardec assim definiu o Espiritismo:
“É uma ciência que trata da natureza, origem
e destino dos Espíritos, bem como de suas relações
com o mundo corporal”. – O QUE É O ESPIRITISMO.
E disse mais:
“Como meio de elaboração, o Espiritismo procede
exatamente da mesma maneira que as ciências positivas, isto
é, aplica o método experimental”. A GÊNESE
(Cap. I, 14)
O estudo dos fenômenos espíritas e a formulação
das leis que os regem constituem, pois, uma ciência, de observação,
progressiva, a Ciência espírita.
Depois de Kardec.
Depois de Kardec, o Codificador, vultos notáveis do Espiritismo
reafirmaram o caráter científico da Doutrina Espírita,
expressando de modo positivo seu pensamento:
“O Espiritismo deixa de parte as teorias nebulosas, desprende-se
dos dogmas e das superstições e vai apoiar-se nas
base inabalável da observação científica”
– Gabriel Delanne, em O ESPIRITISMO PERANTE A CIÊNCIA.
“O Espiritismo é uma ciência cujo fim é
a demonstração experimental da existência da
alma e sua imortalidade, por meio de comunicações
com aqueles aos quais impropriamente se têm chamado mortos”
– Gabriel Delanne, em O FENÔMENO ESPÍRITA.
“A Ciência Psíquica visa um fim, estuda uma ordem
de fatos, emprega métodos, processos e instrumentos exclusivamente
seus: cria teorias, estatui princípios, estabelece leis,
satisfaz assim e preenche todos os requisitos exigidos pelos foros
científicos” – A. Pinheiros Guedes,
em CIÊNCIA ESPÍRITA.
“Os fenômenos espíritas estão tão
bem comprovados, como os fatos de todas as outras ciências”
– Russel Wallace.
A expressão “O Espiritismo será científico
ou não subsistirá”, atribuída ao Codificador
e citada por confrades, em seus escritos, não é encontrada
em nenhuma obra de Allan Kardec.
"... esta é uma ciência positiva, baseada no estudo
experimental dos fenômenos psíquicos e nos ensinamentos
dos espíritos elevados” – Gustavo Geley,
em RESUMO DA DOUTRINA ESPÍRITA.
Há uma teoria espírita, documentada na prática
mediúnica, acerca da sobrevivência do Espírito
e de suas relações com o mundo corporal, material
ou físico, mas ainda não comprovada pela Ciência.
Naturalmente, não por culpa dos espíritas, que cooperariam
com entusiasmo, se a Ciência se decidisse a pesquisar os fenômenos
mediúnicos, atendendo às suas peculiaridades e empregando,
nas pesquisas, os métodos apropriados.
2. A Ciência e seus métodos.
Que é Ciência? Fato, observação, experimentação,
hipóteses, leis. O fenômeno físico e o fenômeno
espírita (mensuração diferente). Mudam os fatos
ou muda a Ciência? O dogma científico e seus prejuízos.
Preconceitos.
Vimos que, seja o Codificador, sejam os vultos eminentes da Doutrina,
que o precederam, todos atestam, sem discrepância, o caráter
científico do Espiritismo.
- Como a Ciência encara o Espiritismo científico?
Podemos dizer que a Ciência é a “soma de conhecimentos
certos, ordenados em harmoniosa síntese lógica, reduzidos
a um corpo de doutrina! (2) –
Conhecimentos certos porque correspondem
a uma realidade objetiva, à qual chegamos pela aplicação
de métodos de investigação adequados; síntese
lógica, isto é, são coerentes,
sem contradição estrutural; corpo de doutrina,
ou sejam conjunto de princípios.
O material da Ciência são todos os fenômenos
naturais, porque ela se apoia em fatos. Stuart Mill já dizia
que a linguagem da Ciência deve ser: “Isto é
ou não é; isto se dá ou não se dá”.
A Ciência pergunta “como?” e busca conhecer os
fenômenos e descobrir as leis que os regem.
Karl Pearson, em sua GRAMÁTICA DA CIÊNCIA, ensina que
“O método científico caracteriza-se pelo seguinte:
a. cuidadosa e acurada classificação,
de fatos e observação de sua correlação
e seqüência;
b. descobrimento das leis científicas com o auxilio da
imaginação criadora;
c. auto-crítica e pedra de toque final de validade para
todos os espíritos normalmente constituídos”.
O método
científico (indutivo) de Galileu e Newton, é aquele
que se acumulam dados experimentais (Bacon), formulam-se hipóteses
de trabalho, seguidas de rigorosa experimentação (cartesianismo),
para que as teorias se ajustem aos fatos e não vice-versa.
O fim primário da Ciência não é explicar
nem indagar o porquê das coisas, mas afirmar: “isto
resulta daquilo”.
Temos, desdobramento, a observação
de uma ou várias coisas (fenômenos, fatos); a formulação
da hipótese, uma explicação
provisória; a experimentação,
ou repetição do fenômeno para testar a hipótese;
a indução, ou seja, a extensão
do nexo aos vários casos idênticos; lei,
que contém os princípios, e a teoria, que
explica o como, não o porquê,
que este incumbe à filosofia.
Entretanto, os postulados da Ciência estão sempre a
mudar, pela ocorrência de novas descobertas. Ciência
é, pois, conhecimento trabalhado, corrigido e sempre acrescido,
porque ela é progressiva.
O caráter positivo da Ciência obriga-a ao exame frio
dos fatos. O próprio Kardec observou: “Desde que
a Ciência sai da da observação material dos
fatos, em se tratando de os apreciar e explicar, o campo está
aberto às conjeturas” – O LIVRO DOS ESPÍRITOS
(Introdução).
(1) Há mesmo alguns confrades,
que numa evidente falta de visão global da Doutrina, afirmam
ser o Espiritismo pura e simplesmente Ciência.
(2) Ver INTRODUÇÃO À FILOSOFIA, do Pe. Francisco
Leme Lopes, AGIR Editora.
A Ciência, emancipada da fé, organizou seus processos
de trabalho, os seus métodos e suas regras, como meio de
encontrar a verdade. Assim, observa os fenômenos, formula
hipóteses para explicá-los, repete experiências
para confirmar as hipóteses, que podem sofrer adiamento,
ser abandonadas ou transformadas em lei. Um dia, esta pode ainda
ser substituía.
A Ciência assinala a dificuldade da experimentação
nos fenômenos psi, cuja repetividade é difícil;
com relação aos fatos espíritas, não
os admite de maneira alguma. Alguns cientistas isolados, de alto
gabarito intelectual, entretanto, deles têm tratado, como
sabemos.
Há manifesta animosidade com relação à
explicação desses fatos pelo Espiritismo. Mas é
preciso compreender até certo ponto a posição
da Ciência, acostumada a raciocinar em termos de leis físicas
e não de revelações.
Aliás é preciso convir que há idéias
que como que surgem antes do tempo, (a teoria atômica, de
Demócrito, por exemplo), e só mais tarde se cristalizam
e entram para o rol dos fatos consumados. Pelo menos, para a maioria
das criaturas ou para grupos específicos, menos receptivos.
Nem sempre o Espírito encarnado se apercebe, no tempo, da
magnitude de um fato ou ocorrência, mas sempre realiza em
outra encarnação aquilo que devia fazer numa precedente,
omitindo-se, no entanto.
Assim se torna mais fácil compreender porque a Ciência
só pode aceitar explicação quando cientificamente
verificada; só pode falar do que conhece objetivamente. Por
isso, não constitui prova para a Ciência as chamadas
provas anedóticas (2),
impossíveis de verificação pelo cientista.
Na verdade, porém, com relação aos fatos espíritas,
fatos também naturais, a Ciência se mostra de uma relutância
a toda prova, que nada a dignifica. Nega-se sistematicamente e de
pronto.
UM autor espírita (3) já
escreveu que os fenômenos mediúnicos não são
pesquisados ou são mesmo negados:
a. pela
imaturidade dos cientistas, (espiritual, naturalmente);
b. pelo atraso das sociedades científicas;
c. pelo medo do ridículo e da verdade.
Essa atitude
vem de longe, como se infere da história da Ciência
e um pequeno exemplo é suficiente para caracterizar.
(1) A esfera da Ciência é
a dos fenômenos demonstráveis. Alega ela, assim, a
dificuldade de repetição do fenômeno espírita,
esquecida de que, para sua ocorrência, exigem-se condições
especiais, mas não impossíveis, eis que decorrem de
três vontades independentes: a do médium ou intermediário,
a do pesquisador e, sobretudo a do Espírito, nem sempre à
nossa disposição. Há que considerar, também,
condições de ordem material e sobretudo espiritual,
que permitam a eclosão do fenômeno. Não se pode
improvisar a experimentação espirítica.
(2) O material
anedótico constitui experiências em primeira
mão, relatadas por pessoas sinceras, de espírito crítico,
mas não comprovadas; relatos autobiográficos sujeitos
à mesma objeção; coleção de casos
documentados, investigados por pessoas qualificadas (cientistas,
escritores, professores), de que é exemplo PHANTOMS
OF THE LIVING, editado por Myers e outros.
(3) Dr. Décio Rufino de
Oliveira, em FENÔMENOS PARAPSICOLÓGICOS
E ENERGIA CONSCIENTE.
o preconceito científico:
“... na Associação
Britânica para o Progresso da Ciência, em 1876, ridicularizaram-lhe
francamente o trabalho e recusaram-se a publicá-los nos Procedings
da Associação... por parecerem absolutamente inacreditáveis
aos cientistas os fatos que Barret relatava” –
J. B. Rhine, em NOVAS FRONTEIRAS DA MENTE.
Nesse ridículo de classificarem os fenômenos de impossíveis
ainda incorrem os cientistas de hoje: “Considero a PES
(Percepção Extra Sensorial) um assunto intelectualmente
desconfortável que chega a ser quase penoso” -
Warren Weaver, matemático (citado por Arthur Koestler, em
AS RAZÕES DA COINCIDÊNCIA).
Alias, o grande Helhholtz (citado por Flournoy) disse que nem o
testemunho de todos os membros da Sociedade Real, nem a evidência
de seus próprios sentidos poderiam convencer sequer da transmissão
de pensamento, impossível que era esse fenômeno, como
julgava.
Gustavo Geley, o eminente pesquisador dos fenômenos psíquicos,
adverte que os sábios que se dedicam ao estudo desses fenômenos
não se preparam devidamente para seu exame, como o fazem
com os fenômenos físicos, motivo porque não
conseguem realizá-los a seu gosto.
3. Crítica aos espíritas.
Não há pesquisa; a experimentação parou
no tempo. Carência de recursos para estudos especializados.
Crookes examinou os fenômenos, não formulou as leis.
Bozzano e seus esforços nesse sentido. Zollner e suas teorias.
O apelo de Emmanuel
Na verdade, os conceitos emitidos e episódios narrados pelos
espíritas, quando defendem o caráter científico
do Espiritismo, não atendem, sob o ponto de vista da Ciência,
às exigências mínimas da observação
e experimentação, que caracterizam a pesquisa, o método
indutivo, a construção cartesiana.
Critica-se a Ciência materialista por se ater ao exame dos
fenômenos físicos; no entanto, isso é natural,
porque os problemas do Espírito sempre cederam lugar aos
episódios, mais prosaicos, da vida terrena, concretos e contundentes.
Não é sem razão que James B. Corrant, em sua
obra COMO COMPREENDER A CIÊNCIA,
define-a como “a porção de conhecimento
acumulativo em termos de desenvolvimento histórico”,
assinalando que os velhos conceitos arraigados podem ser mantidos,
a despeito de alegação de fatos em contrário,
que são prejudicados em sua evidência, pois o descobrimento
científico tem de corresponder à época. Assim,
o conceito do flogístico, falsa
idéia da combustão, que tanto entusiasmou os cientistas,
dificultou a aceitação da verdade, revelada por Lavoisier.
Na pesquisa dos fenômenos psíquicos há, apenas,
em verdade, alguns pioneiros, assim mesmo quanto aos fenômenos
parapsicológicos ou anímicos; relativamente aos espíritas,
nem mesmo os seus adeptos mais conscientes se tem dedicado a sua
pesquisa uniforme e correta.
Parece que parou no tempo a experimentação espirítica,
quando na própria obra do Codificador muitas proposições
verdadeiras foram lançadas, desafiando o estudo dirigido
de homens inteligentes, como, por exemplo, a revelação
da matéria cósmica primitiva,
hoje aceita pela própria Ciência, que a considera formada
por partículas elementares e que lhe descobre, a cada dia,
novos aspectos.
Hernani Guimarães Andrade, esforçado pesquisador psíquico,
não aceita o unilateralismo materialista, que não
leva em consideração a outra metade da realidade (ou
a única, talvez), o Espírito, mas destaca o progresso
por ele proporcionado, pois.
“Em rigor científico eliminou muita crendice (2),
muita superstição e muita imprecisão reinante
na interpretação dos fenômenos da Natureza.
Em sua benéfica influência saneadora reduziu consideravelmente
as indevidas intromissões religiosas, nas questões
de alçada exclusiva da Ciência”.
(1) Autor de A TEORIA CORPUSCULAR
DO ESPÍRITO E NOVOS RUMOS À EXPERIMENTAÇÃO
ESPIRÍTICA.
(2) Sabemos que, em muitos espíritas, apesar de todo o esclarecimento
doutrinário à sua disposição, prevalecem
ainda os sinais de velhos e retrógrados cultos e religiões.
Na verdade, os grandes cientistas que se ocuparam dos fatos espíritas
provaram-nos, mas não estabeleceram as leis que os regem.
Citamos, de passagem:
Willian Crookes, sábio inglês e pesquisador de grande
acuidade, realizou durante os anos de 1870 a 1873, experiências,
que se tornaram clássicas, com a médium extraordinária
que foi Florence Cook; as mais completas do gênero, demonstraram
à sociedade que os fantasmas voltam e se tornam visíveis,
tangíveis e examináveis, de modo a não deixar
dúvidas quanto à imortalidade do Espírito e
sua possibilidade de comunicação com os vivos. (1)
O Espírito Katie King deu a Crookes todas as oportunidades
de exame, sério e cercado de todas as cautelas, de comprovação
de sua imortalidade, mediante métodos rigorosamente científicos.
Frederico Zollner, notável físico alemão, utilizou-se,
em 1877, de outro grande médium do passado, Henry Slade e,
agindo como verdadeiro homem de ciência, que era, conseguiu
extraordinários fenômenos de materialização
(hoje se advoga o termo ectoplasmia), de transporte, de levitação
e de escrita direta. Para explicar fenômenos de penetração
da matéria pela matéria, imaginou uma quarta dimensão,
característica dos seres que habitam o mundo invisível,
ou dos Espíritos.
Willian Crawford é outro nome da Ciência, professor
do Instituto Técnico e da Universidade de Belfast, que a
história das pesquisas psíquicas apontará,
um dia, como dos seus mais destacados e competentes cultores. A
levitação de objetos foi estudada por ele com extremos
cuidados e, graças aos componentes do “Círculo
Goligher”, grupo de médiuns de que se destacava a senhorita
Kathlen Goligher, pôde comprovar a formação
de uma alavanca formada por ectoplasma – o cantilever,
de que se valeriam os Espíritos para fazer levitarem objetos
pesados (mesas etc.). (3)
Depois de estafantes experiências realizadas entre 1916 e
1920, Crawford, diz René Sudre, “suicidou-se no
dia 30 de julho de 1920, durante um acesso de febre cerebral, devido
ao esgotamento profissional e às condições
criadas pela guerra”(4).
Terminamos esta ligeira e incompleta citação de sábios,
que se ocuparam com os fenômenos espíritas pelo nome
glorioso de Ernesto Bozzano, em cuja autobiografia confessa: “Nunca
fiz outra coisa senão estudar.”
Bozzano trabalhou, como sabemos, com a grande Eusápia Paladino,
a extraordinária médium italiana, que lhe proporcionou
a observação de numerosos fenômenos de efeitos
físicos. É inestimável a contribuição
de Ernesto Bozzano ao estudo da Ciência espírita. São
numerosas as obras, todas esplêndidas, que escreveu, a respeito,
muitas traduzidas para o Português: FENÔMENOS DE TRANSPORTE,
A CRISE DA MORTE, FENÔMENOS PSÍQUICOS, PENSAMENTO E
VONTADE, ENIGMAS DA PSICOMETRIA, XENOGLOSSIA, ANIMISMO OU ESPIRITISMO?,
METAPSÍQUICA HUMANA, COMUNICAÇÃO MEDIÚNICAS
ENTRE VIVOS, MATERIALIZAÇÕES DE ESPÍRITOS etc.
(1) FATOS
ESPÍRITAS, editado pela FEB
(2) PROVAS CIENTÍFICAS DA SOBREVIVÊNCIA,
Edicel, SP
(3) MECÂNICA PÍQUICA, Lake,
SP
(4) V. Introdução, de MECÂNICA PSÍQUICA
O que desejamos, porém, destacar
nesta sumária exposição, é o esforço
do Professor Ernesto Bozzano no sentido de estabelecer princípios
e leis capazes de explicar os fenômenos que observava e estudava,
esforço tanto mais louvável quão mais difíceis
eram as condições de pesquisa na sua época,
comparada com a atual, ainda assim praticamente fechada aos cientistas
espiritualistas.
Sempre defendendo a hipótese espírita para explicação
dos fenômenos, ele procurava também ilações,
conclusões, que a observação e a experimentação
possam trazer para dar o necessário cunho de veracidade às
manifestações. Contesta, em termos de ciência,
a teoria da quarta dimensão, do
Prof. Zollner, contrapondo-a à da passagem da
matéria pela matéria, que julga ser
a verdadeira (1).
As pesquisas devem continuar, a todo custo e a contribuição
dos espíritas, com a necessária capacitação,
é da maior valia.
Terminemos este capítulo, com as palavras, como sempre sensatas
e superiores, de Emmanuel:
“A Ciência investiga, a Religião crê.
Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes
à Religião, incompatíveis com as suas necessidades
de sentimento, não é razoável que a Religião
obrigue a Ciência à adoção de normas
inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio”
– SEGUE-ME, obra psicografada por F. Cândido
Xavier (Editora O CLARIM).
Assim, ainda nas palavras de Emmanuel (2).
“... necessitamos de operar ativamente para que a Ciência
descubra, nos próprios planos físicos, as afirmações
da espiritualidade”.
Do contrário, não nos tomarão a sério.
(1) Sugestivo é o episódio da
pirite, que o Espírito desmaterializou, transportou para
a sala de reunião, mas não pôde tornar material,
de novo, ou melhor, reintegrar as partículas caindo a pirite,
em forma de pó finíssimo, sobre os presentes. V. FENÔMENOS
DE TRANSPORTE, Edição Calvário
2) “EMMANUEL”, psicografia
de F. C. Xavier, 7ª edição FEB, pág. 180.
4. A contribuição de Richet.
A “criptestesia espíritica”, A Parapsicologia,
de Rhine até hoje.
Os físicos e sua contribuição ao estudo dos
fenômenos extra-físicos (anímicos).
Charles Richet (1) dedicou muitas das
páginas de seu alentado TRATADO DE METAPSIQUICA
ao estudo do que ele chamou de criptestesia espíritica,
sem no entanto perder a oportunidade de sempre se expressar mordazmente
com relação ao Espiritismo e aos seus adeptos:
“Os espíritas receberam o meu TRATADO de METAPSIQUICA
com grande frieza. Compreendo o seu estado de espírito. Em
vez de aceitar a sua teoria ingênua e frágil...”
– Prefacio da 2ª edição portuguesa (O grifo
é nosso).
“Os espíritas quiseram misturar a ciência
com a religião, o que redundou em grande detrimento para
a ciência” – pág. 32.
“É um erro bem grave construir uma doutrina com
a palavra dos tais espíritos, que são pobres espíritos”
– pág. 54.
“Se bem que a criptestesia, em todas essas experiências
da Sra. Piper (2), seja absolutamente
e irrepreensivelmente demonstrada, a sobrevivência,
na realidade, não o é”.
- página 207 (Grifamos).
É verdade que incluiu, nos períodos em que dividiu
e classificou os acontecimentos e os fatos do Espírito e
suas descobertas, o período espirítico, (das
irmãs Fox a Willian Crookes) e o científico
que começa com o próprio Crookes). Suas conclusões
com relação à criptestesia experimental
(ou espírita) são desanimadoras, entretanto, pois,
quanto aos fenômenos observados, afirma que, neles, “...é
pouco racional fazer intervir os mortos” - pág.
307.
E prossegue:
“Quaisquer que sejam as surpreendentes respostas de George
Pelham (3), a hipóteses de sua
sobrevivência é muito frágil” –
pág. 316.
“Pois bem! A doutrina de sobrevivência parece-me
cheia de impossibilidades, enquanto a outra hipótese, a da
“criptestesia intensa é (relativamente) tão
fácil de admitir, que não hesito entre as duas”
– pág. 317.
“Um dia virá, talvez, quando elas encontrarão
alguma explicação, mas provisoriamente não
iremos até a hipótese de uma sobrevivência,
absolutamente indemonstrada e quase indemonstrável”
– pág. 325
“A criptestesia, faculdade extraordinária, supranormal,
de conhecimentos, é um fato. A sobrevivência
da consciência dos mortos não é senão
uma hipótese” – pág. 327 (Grifamos).
Apesar de em sua sobre TRATADO DE METAPSIQUICA negar autonomia aos
fenômenos mediúnicos e mesmo classificar como indemonstrada
e indemonstrável a sobrevivência
do Espírito, Richet é um dos nomes imortais da pesquisa
psiquica e, em carta que, em 1936 escreveu a Bozzano, rendeu-se
à evidência da verdade espírita.
(1) Eminente
fisiologista francês, nascido em 1850, dedicou-se às
pesquisas psíquicas e nesse ramo deixou obras notáveis,
como o TRATADO DE METAPSÍQUICA, O SEXTO SENTIDO,
A GRANDE ESPERANÇA.
(2) Leonora E. de Piper, médium norte-americana, desencarnada
em 1950, realizou inúmeras sessões de identificação
de espíritos, com Hodgson, Lodge, etc.
(3) Jovem advogado e escritor, desencarnado em 1882, de violenta
queda, que, através de Madame Piper deu maravilhosas provas
de sua identidade.
A Parapsicologia, de Rhine até hoje.
A Parapsicologia, ao contrário da Metapsíquica, que
admitia uma criptestesia espíritica, rol de fatos
mediúnicos, cuida apenas de fenômenos anímicos
e tem despertado maior interesse, senão da própria
Ciência, pelo menos de muitos cientistas famosos. Já
é bastante, pois que admite a existência do não-físico,
da mente, pois, de fato, uma ciência mecanicista, que não
quer ouvir falar de princípio espiritual, dificilmente cederá,
para aceitar as verdades da Doutrina Espírita, concernentes
à sobrevivência da alma e sua comunicação
após morte.
A ciência pontificou, considerando a mente entrosada nos órgãos
sensoriais e estes, por sua vez, no mecanismo orgânico, que
“nada penetra na mente a não ser através dos
sentidos”, ou melhor, tudo quanto a mente registra já
foi registrado pelos sentidos. Entretanto, aceitando a Parapsicologia,
aceita a existência de fenômenos extra-físicos,
como a telepatia, a clarividência, a cognição
e mesmo a psicocinesia, o que põe por terra o referido postulado.
De qualquer forma a discussão foi iniciada e continuam, pelo
menos extra-oficialmente, as experiências, devendo-se ao prof.
Joseph Bankes Rhine e à sua equipe, o esforço valioso
para estabelecer uma investigação em termos de método
e rigor científicos (o estatístico, com base no cálculo
das probabilidades etc.) fenômenos paranormais.
Há sempre um pioneiro, que desbrava o terreno e encoraja,
enfrentando toda sorte de entraves. Rhine enfrentou ou enfrenta
a incompreensão de seus colegas e paga seu tributo ao progresso,
pois, segundo o matemático Warren Weaver, a PES é
um desconforto intelectual quase penoso.
Artigo publicado em ESTUDOS PSIQUICOS
(outubro de 1967) e assinado por Demócrito, na seção
Cantinho da Ciência, diz que a PARAPSICOLOGIA é importante
marco no estudo e pesquisa da alma e de seus fenômenos grandiosos,
porque:
a. fez-se ouvir e acertar no mundo
da Ciência;
b. representa a base sobre que vão assentar as futuras
investigações científicas;
c. marca a abertura de um caminho revolucionário em Ciência,
pois o homem pode aperceber-se da realidade sem ser pelos sentidos
físicos conhecidos, de que os fenômenos se dão
independentemente do tempo e do espaço e ainda de que a
psique pode influenciar diretamente a matéria e também
que os fenômenos psíquicos não obedecem às
leis físicas.
Aliás, parece que hoje a
tendência será para não considerar-se com muito
rigor, mesmo em sentido pejorativo, a palavra matéria,
em contraposição ao Espírito,
pois já se fala em matéria psi...
Não seria mais certo matéria física, matéria
fluídica, matéria astral, matéria mental, matéria
elementar? (1).
Obras recentes (2), relatam experiências
notáveis realizadas nos países da órbita comunista,
que hoje intensificam as pesquisas parapsicológicas, procurando,
todavia, lhes dar sempre um cunho materialista ao contrário
dos pesquisadores norte-americanos, que lhes reconhece até
certo ponto o caráter extra-físico.
Os livros em exame nos falam de grandes pesquisadores como Eduardo
Naumov, biologista russo, sem esquecer o pioneiro Leonid Vasiliev
e de sensitivos extraordinários, como Karl Nikolaiev e Yuri
Kamensky, telepatas, predecessores do famoso Wolf Messing, que esteve
no Brasil. Testes clássicos foram realizados, comprovando
o extraordinário poder do pensamento demonstrado em fenômenos
de PK (psicocinesia), efetuados com a sensitiva Nelya Mikhailova
(3). Entretanto, afiançam os
russos que o fenômeno é puramente físico-fisiológico.
Rosa Kuleshova vê as cores com as pontas dos dedos, em fenômeno
crismado como “visão dermo-ótica”.
As experiências comprovaram velhas afirmações
esotéricas, sobre as cores, que são frias
ou quentes, macia
ou ásperas, pegajosas
ou escorregadias etc. O “efeito
Kirlian”, que veio confirmar, cientificamente, ensinos espiritualistas
antigos, e minuciosamente descrito, mostrando um corpo energético,
crismado de corpo bioplasmático,
de qualidades e características extraordinárias.
Na Bulgária, o Dr. Georgi Lazanov, notável pesquisador
dos fenômenos parapsicológicos, é positivo em
suas convicções, quando diz, a respeito, que tudo
pode ser explicado cientificamente, pelo que se utiliza,
também, de aparelhos eletrônicos nas pesquisas.
Na Tchecoslovaquia trocaram o nome de Parapsicologia para Psicotrônica
e seu grande adepto é o Dr. Zdenek Rejdak, que considera
o psi como forma de energia dos organismos vivos.
(1) Pergunta 61 de O LIVRO DOS
ESPIRITOS: “Há alguma diferença
entre matéria dos corpos orgânicos e a dos inorgânicos”?
R. “A matéria é sempre a mesma, mas nos corpos
orgânicos está animalizada”.
(2) “Veja-se PARAPSICOLOGIA, SEGREDO DOS RUSSOS,
editado por Martin Ebon e EXPERIÊNCIAS PSIQUICAS
ALÉM DA CORTINA DE FERRO, de Sheila Ostrander
e Lynn Schoeder.
(3) Seu verdadeiro nome é Ninel Kulagina.
Os físicos e sua contribuição ao estudo
dos fenômenos extrafísicos (anímicos).
Sucedem-se os congressos de Parapsicologia e seus resultados nada
acrescentam ao conhecimento dos fenômenos paranormais,
entre eles os espíritas ou mediúnicos, mesmo por que,
quanto a estes, em particular, os trabalhos de pesquisa pouco ou
nada têm progredido. Cumpre destacar, entretanto, o trabalho
de pessoas ou grupos isolados, a respeito, por exemplo, da reencarnação,
objeto de acuradas pesquisas, pelo método da memória
extra-cerebral, por parte do Dr. Ian Stevenson (1).
Não podemos, portanto, desprezar o esforço de pesquisadores
isolados ou de grupos que, embora com muita dificuldade, procuram
nos trazer, com rigores do método científico, o conhecimento
desses fenômenos, de magna importância para a Humanidade.
Em “AS RAZÕES DA COINCIDÊNCIA”,
Arthur Koestler assinala que “os inconcebíveis
fenômenos da percepção extra sensorial parecem
de certo modo menos absurdos, comparados aos inconcebíveis
fenômenos da física”, querendo demonstrar,
assim, que os físicos já admitem fatos capazes de
violarem todas as leis estabelecidas pela Ciência com relação
aos postulados materialistas, que têm defendido até
aqui. A PES não poderia existir por contraditar as leis da
física, entretanto, a Ciência não conhece a
natureza do átomo, mas constrói seus sistemas sobre
ele e não nega a existência dos genes, embora sejam
“invisíveis aos melhores instrumentos óticos
de aumento” (2).
Afirma o Prof. J. Herculano Pires, em sua obra “PARAPSICOLOGIA,
HOJE E AMANHÔ, 4ª edição,
EDICEL, SP, que “A descoberta progressiva da anti-matéria,
a partir dos idos de 1930 – justamente quando nascia a Parapsicologia
na Universidade de Duke – levou os físicos de todo
o mundo à descoberta do espírito”.
Um famoso astrônomo exclama: “A matéria-prima
do Universo é o espírito” – “A
NATUREZA DO MUNDO FÍSICO”, Sir Arthur
Eddington.
Os físicos já não acham tão impossíveis
assim, pelo menos os fenômenos parapsicológicos, depois
de se verem compelidos a aceitar a existência de anti-partículas
(anti-eletros) formando anti-matéria;
de se verem à frente de novos conceitos revolucionários,
como da reversão do tempo, de Feynman, Prêmio Nobel
de Física em 1965. O fabuloso neutrino, previsto por Wolfgang
Pauli e capturado em laboratório, virtualmente não
tem propriedades físicas de massa,
carga elétrica ou campo
magnético, no entanto, um deles poderia atravessar
o corpo sólido da Terra, o que deixa a Ciência perplexa,
com a derrogação de suas leis (3).
Um dia, estamos certo, ela proclamará a realidade do Espírito
e de todos os fenômenos que lhe são próprios.
(1) “VINTE
CASOS SUGESTIVOS DE REENCARNAÇÃO”
(2) “PALINGÊNESE, A GRANDE LEI”,
do Dr. Jorge Andréa
(3) Sobre o fascinante assunto das modernas e revolucionárias
concepções da Física, quando “Todo
um coro laureado do Prêmio Nobel ergue sua voz para nos
anunciar a morte da matéria, a morte da causalidade, a
morte do determinismo”, além de “AS
RAZÕES DA COINCIDÊNCIA”, leia-se,
também, “O ESPIRITISMO EM FACE DA CIÊNCIA
DOS NOSSO DIAS”, de Jethro Vaz de Toledo,
Edicel, SP.
5. CONCLUSÕES
I – O Espiritismo é ciência, por definição
e essência ou conteúdo. Entretanto
“Ciência ainda não é, porque não
equacionou as leis que regem a fenomenologia mediúnica, controlada,
por enquanto, pelos experimentadores do Além. No futuro,
sim, quando as leis que presidem aos fenômenos mediúnicos
nos forem reveladas...” – Dr. R. Penna Ribas, médico
e Presidente da Sociedade de Estudos e Pesquisas Espíritas,
in artigo publicado em O JORNAL, de 19.07.1970.
II – Os fenômenos mediúnicos são concretos
e podem ser observados e estudados, mesmo com as cautelas que a
Ciência exige. Entretanto, “A visão panorâmica
do aparelho mental sugere a extrema complexidade do fenômeno
mediúnico”.
Evidentemente, Não podemos Ter qualquer ilusão
no que tange aos fatos mediúnicos. Estamos longe de conhecer
as leis fundamentais que vigem nesse setor de pesquisas”
– Dr. Jayme Cerviño, médico, espírita,
professor de Biologia, in “ALÉM DO INCONSCIENTE”,
Edição da FEB.
“Compreendemos a necessidade de definir o fenômeno
mediúnico dentro da ciência. Não será
obra dos dias atuais”.
“Os fatos estão comprovados (existência e
vivência), porém o mecanismo estrutural desses fatos
continua no setor das hipóteses”.
“A mediunidade é fenômeno inconteste, desenvolvido
na esfera psíquica, ainda bem pouco compreendido pela ciência
hodierna” – Dr. Jorge Andréa, médico
e Professor do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, in
“NOS ALICERCES DO INCONSCIENTE”.
“A Codificação Espírita, no que concerne
ao estudo dos fenômenos mediúnicos, peca apenas pela
falta de estrutura científica...” “Ao
dizermos que a Codificação carece de estrutura científica,
longe de nós afirmarmos que Kardec esteja superado ou que
haja erros e contradições no seu conteúdo.
Pelo contrário, o que afirmamos é que, sendo a doutrina
exposta pelo didata lionês em um curto espaço de tempo
e trazida a ele por comunicações espirituais, não
teve condições de esquematizar uma estrutura nos moldes
científicos” – Dr. Carlos de Brito Imbassahy,
engenheiro, Professor do Instituto de Cultura Espírita do
Brasil, in Domínio Físico dos Fenômenos Mediúnicos”,
artigos publicados na Revista Internacional de Espiritismo, julho
e agosto de 1973.
III – Os fenômenos anímicos, por serem de mais
fácil observação e estudo, já constituem
objeto de pesquisa científica, sob a denominação
de PARAPSICOLOGIA, PSICOTRÔNICA E OUTRAS. Ainda assim, há
relutância em considerá-los como produzidos pelo Espírito,
principalmente em certos países, como a Rússia, a
Bulgária etc.
IV – Será atitude de coerência e muito louvável,
que os espíritas – que muito justamente destacam o
aspecto científico da Doutrina, como da maior importância
na sua difusão e como elemento de comprovação
dos próprios postulados ético-filosóficos,
se organizassem para a pesquisa, em laboratório, dos fenômenos
mediúnicos, assim entendidos os oriundos de Espíritos
desencarnados (fantasmas), a fim de equacionar as leis
que os regem. Afinal, não se pode impor a ninguém,
como ciência, uma Doutrina que, nesse particular, não
esteja ainda estruturada.