A proximidade da
data que a tradição reservou para celebrarmos o natalício
de Jesus nos convida a uma reflexão das mais graves: qual a
importância do nascimento dEle, Jesus, para a humanidade? Referimo-nos
ao Jesus-homem ou histórico ou ao Jesus, O Cristo de Deus?
Importa essa distinção?
Para avaliar e compreender a importância do nascimento de Jesus
para a humanidade, diremos, de início, alinhando-nos ao pensamento
do Instrutor Emmanuel, que “Não se reveste o ensinamento
de Jesus de quaisquer fórmulas complicadas” e que “Dirige-se
a palavra dEle à vida comum, aos campos mais simples do sentimento,
à luta vulgar e às experiências de cada dia”.
Se nos referimos ao nascimento do Jesus-homem, o personagem histórico
– e a história humana é contada antes e depois
dEle –, constataremos, objetivamente, a repercussão e
os reflexos que a sua Doutrina estabeleceu sobre o mundo ocidental,
ainda que fundamental e substancialmente incompreendida e distorcida.
Acerca desta perspectiva sócio-material-temporal, verificaremos
que o advento do Jesus-homem e de sua Doutrina inaugurou uma nova
fase nas relações humanas, pois que a sua mensagem sublime
não exige, para ser interiorizada e vivida, que sejamos santos
ou heróis, nem que pratiquemos milagres ou que façamos
o impossível ou o que esteja acima de nossas forças.
Ao contrário! Jesus “convive com a massa popular, convidando
as criaturas a levantarem o santuário do Senhor nos próprios
corações”. Antes dEle, “todos os mentores
da Humanidade viviam entre mistérios religiosos e dominações
políticas”.
O amar ao próximo como a ti mesmo instalou, no seio das coletividades,
os princípios fundamentais da fraternidade, da caridade e da
misericórdia, princípios estes até então
desconhecidos e que, de tão sólidos, são a fonte
original de modernos e contemporâneos princípios e institutos
jurídicos, dentre eles o Princípio da Dignidade da Pessoa
Humana, a Declaração Universal dos Direitos do Homem
e do Cidadão de 1789 e a Declaração Universal
dos Direitos Humanos de 1948.
Com Jesus, a vida em sociedade adquire
novas feições:
“Eu, porém, vos digo:
não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na
face direita, volta-lhe também a outra” (Mt 5:39);
“Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que
deseja que lhe emprestes” (Mt 5:42);
“Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai
pelos que vos perseguem” (Mt 5:44);
“Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois,
com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a
medida com que tiverdes medido, vos medirão também”
(Mt 7:1,2); “(…)
Dai, pois, a César o que é de César (…)”
(Mt 22:21).
Entretanto, se nos referimos ao Cristo – do grego, Kristós,
que significa Ungido e que, por sua vez, é
a tradução literal do hebraico Masiah, transliterado
para a língua portuguesa como Messias, a importância
do nascimento de Jesus adquire contornos infinitamente mais amplos
e mais profundos:
“(…) Vós sois a luz do mundo (…)” (Mt
5:14);
“(…) Vós sois deuses (…)” (Jo 10:34);
“Em verdade, em verdade, vos digo que aquele que crê em
mim fará também as obras que eu faço e outras
maiores fará (…)” (Jo 14:12).
Jesus, O Cristo de Deus, nasce para
revelar-nos o Amor Universal, a sublimidade da vida espiritual, a
importância do trabalho como alavanca para o progresso, as muitas
moradas da casa do Pai e os verdadeiros atributos da divindade: Deus
é o Pai e o Pai não é mais o Senhor da guerra,
colérico e vingativo; não carrega, em sua essência
divina, as imperfeições humanas; o Pai é o todo-sábio,
soberanamente justo e bom e infinito em todas as suas perfeições.
O Cristo vai impressionar as tessituras mais sutis do Ser imortal
e o conduzir a um reposicionamento psíquico: deixar Jericó
para alcançar Jerusalém.
Lega-nos, Jesus, a Boa Nova, o Evangelho, um código moral cósmico
sem precedentes na história humana, no qual apresenta sublimadas
orientações que definem, com clareza inequívoca,
a sua autoridade e a sua condição de Dirigente Maior
dos nossos destinos, razão pela qual, diremos ainda, desta
feita com Kardec, que “Jesus [o histórico e/ou o Cristo
de Deus] é para o homem o tipo de perfeição moral
a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como
o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais
pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do espírito
divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra”.
Sob essa perspectiva, revelou-se-nos, peremptoriamente, Jesus, O Cristo:
“Eu sou o pão da vida” (Jo 6:48);
“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará
em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8:12);
“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á,
e entrará, e sairá, e achará pastagens. (…)
Eu sou o bom Pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas”
(Jo 10:9 e 11);
“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem
ao Pai senão por mim” (Jo 14:6).
Refiramo-nos ao Jesus-homem ou ao
Cristo de Deus, concluiremos que, não obstante o acima exposto,
a avaliação da importância do seu nascimento para
a humanidade, individual ou coletivamente considerada, será
mais bem compreendida quando, efetivamente, introjetarmos e vivermos
o seu inolvidável conselho:
— “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente,
sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade
vos libertará” (Jo 8:31,32).
Jesus nos deu a conhecer a VERDADE e o AMOR!