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José Márcio de Almeida
> A fé, sem obra, para nada se aproveita
Instrui-nos a carta
de Tiago dirigida aos judeus da dispersão ou diáspora
(Tg 1:1) e que tinha por objetivo chamar a atenção para
os deveres práticos da vida cristã, conclamá-los
à paciência e a renunciarem aos vícios do formalismo,
do fanatismo e do fatalismo.
O Tiago autor desta carta é, segundo nos revela Paulo de Tarso,
irmão de Jesus, líder da igreja em Jerusalém
e um dos seus pilares (Gl 1:19 e 2:9; At 15:13).
Tiago defende a justificação por meio de uma vivência
coerentemente cristã e pelas obras realizadas, ou seja, pela
prática da caridade: “De que adianta, meus irmãos,
alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso
a fé pode salvá-lo?” (Tg 2:14).
No versículo seguinte, (Tg 2:15), o apóstolo levanta
uma questão das mais graves:
Se um irmão ou irmã
estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de
vocês lhe disser: ‘Vá em paz, aqueça-se
e alimente-se até satisfazer-se’, sem, porém
lhe dar nada, de que adianta isso?
Entendemos que Tiago aborda que a
justificação se dá pela fé, aliada às
obras; que aquele que é justificado pela fé, indubitavelmente,
produzirá boas obras, pois as obras resultam da fé e
a fé, pelas obras, aperfeiçoa-se e materializa-se.
O alerta de Tiago é tão importante que iremos encontrar
o Codificador, em O Evangelho segundo o Espiritismo (Caps.
XIII, Item 12), debruçando-se sobre o tema e o renovando:
Sede bons e caridosos, essa
é a chave dos céus, que tendes em vossas mãos.
Toda a felicidade eterna se encerra nestas palavras: “Amai-vos
uns aos outros”. A alma só pode elevar-se nas regiões
espirituais pelo devotamento ao próximo; e só encontra
felicidade e consolação no exercício da caridade;
sede bons, amparai vossos irmãos, deixai de lado a horrível
chaga do egoísmo. Cumprindo esse dever, o caminho da felicidade
eterna deve abrir-se para vós. (...) Se procurásseis
apenas o prazer que uma boa ação proporciona, ficaríeis
sempre no caminho do progresso espiritual.

Ainda no mesmo item, segue Kardec:
A caridade é a virtude
fundamental que deve sustentar todo o edifício das virtudes
terrestres; sem ela, as outras virtudes não existem. Sem
a caridade, não há esperança em uma sorte
melhor, não há interesse moral que nos guie; sem
a caridade, não há fé, porque a fé
é um raio de luz que faz uma alma caridosa brilhar.
E, por fim, conclui o Codificador
(Cap. XV, Item 3), “Caridade e humildade, tal a senda única
da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição.”
Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos:
“Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo
como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses
dois mandamentos”. E, para que não haja equívoco
sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo,
acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é
semelhante ao primeiro”, isto é, que não se
pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem
amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça
contra o próximo o mesmo é fazê-lo contra Deus.
Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com
o próximo, todos os deveres do ser humano se resumem nesta
máxima: fora da caridade não há
salvação.
A fé, sem obras, para nada se aproveita..
Referência
bibliográfica
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo.
Rio de Janeiro: Celd, 2010.
Fonte: Revista
CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/03-Revista_CELD_Marco-2020.pdf
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